Ozzy Osbourne encharca o Anhembi com espuma e clássicos do Sabbath

Havia uma dúvida no ar, no sábado (2), no Anhembi, em São Paulo: como o público brasileiro, órfão do carisma ogro de Zakk Wylde, receberia o novo guitarrista, o grego Gus G.? A resposta veio logo nos primeiros acordes de Bark at the Moon. Gus G. é um virtuoso, técnico e preciso, e embora não tenha o “peso visual” de Zakk, entregou cada nota com perfeição cirúrgica. Mas a estrela, claro, é Ozzy. Aos 62 anos, o Madman subiu ao palco correndo, pulando seus “polichinelos” e, claro, armado com sua mangueira de espuma e baldes d’água. A turnê Scream trouxe um repertório equilibrado. Faixas novas como Let Me Hear You Scream funcionaram bem, mas o Anhembi queria história. E Ozzy entregou. A trinca do Black Sabbath com Fairies Wear Boots, War Pigs e Iron Man transformou o sambódromo em um templo profano. Ouvir a sirene de War Pigs ecoando no concreto de São Paulo é uma daquelas experiências religiosas do metal. A voz de Ozzy, sempre uma incógnita, estava em uma noite boa. Ele desafinou aqui e ali (como é de lei), mas manteve a potência e, principalmente, o carisma inabalável, regendo a plateia com seus gritos de “I can’t hear you!”. A calmaria veio com Mama, I’m Coming Home, iluminada por milhares de isqueiros e celulares. Foi o respiro necessário antes da tempestade final. Crazy Train colocou o Anhembi abaixo. Gus G. brilhou no solo icônico, provando que o posto estava em boas mãos. Para o bis, a rápida e visceral Paranoid encerrou a noite. Ozzy, encharcado e sorridente, prometeu voltar.
Sepultura ignora posto de ‘banda de abertura’ e massacra o Anhembi com clássicos e a estreia de ‘Kairos’

Não existe banda de abertura melhor para Ozzy Osbourne no Brasil do que o Sepultura. Às 20h30, no Anhembi, em São Paulo, quando as luzes do Anhembi se apagaram, o quarteto não entrou para pedir licença; entrou para dominar. A escolha de abrir com Arise e Refuse/Resist foi uma declaração de guerra: o som estava alto e definido, algo raro para bandas de abertura no Anhembi. Derrick Green, imponente como sempre, comandou o público com seu português cada vez mais afiado. A banda vive a transição da era A-Lex para o vindouro Kairos, e a formação com Jean Dolabella na bateria mostra um entrosamento técnico impressionante. A coragem da banda apareceu ao testar a faixa inédita Kairos. Pesada e cadenciada, a música foi recebida com respeito, mas foi nos clássicos que a “roda” se abriu na pista. Choke e Territory mantiveram a energia no topo, com Andreas Kisser desfilando riffs que são o abecedário do metal para muitos ali presentes. O momento tribal, marca registrada da fase Derrick, veio com a jam de percussão, preparando o terreno para o final apoteótico. Roots Bloody Roots fez 30 mil pessoas pularem simultaneamente, criando aquela visão assustadora e bela de um mar de gente em transe. Edit this setlist | More Sepultura setlists