Após 3 anos sem inéditas, The Mönic se junta a The Zasters; ouça Trovão

O quarteto paulista The Mönic, formado por Ale Labelle, Dani Buarque, Joan Bedin e Thiago Coiote, lançou hoje (11), pela Deck, a faixa Trovão, produzida e gravada pela banda, em mais uma parceria com o grupo The Zasters. Quebrando um jejum que durou três anos, de canções inéditas gravadas em estúdio, o grupo dá o pontapé inicial em nova fase, matando a curiosidade do público perante a mudança de repertório para a língua portuguesa e a entrada do novo baterista, Thiago Coiote, que também assinou a captação da faixa no estúdio Sonido, localizado na capital paulista. Com contrato recém-assinado, como artistas Deck, a banda lança Trovão, que apesar de não compor o repertório do novo disco, com previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2023, ainda sim, revela uma nova sonoridade do quarteto, conforme explica Dani. “Entre 2021 e 22 fizemos mais de 20 músicas, mesmo essa não sendo escolhida para o álbum, gostávamos muito dela e decidimos lançar, pois ainda sim, mostra muito da nossa nova fase sonora, afinal são 3 anos sem música inédita em estúdio, queríamos dar um spoiler do que vem por aí. Gravamos a versão final depois de passar um mês no Estúdio Tambor, da Deck, trabalhando todos os dias intensamente. Saímos de lá diferentes do que entramos, e trouxemos essa imersão para São Paulo, e consequentemente para essa música que até então, só existia em uma demo”. Compondo o time técnico da faixa, o engenheiro de áudio Jorge Guerreiro foi o responsável pela mixagem, e a masterização ficou por conta de Fábio Andrade. Ouça Trovão, com The Mönic e The Zasters

Rashid explora a distopia das metrópoles em Movimento Rápido dos Olhos

Em um futuro distópico, as grandes cidades deixam de ser polos econômicos e se tornam vazios de concreto; a população, então, migra para as regiões interioranas atrás de recursos. A busca por qualidade de vida esbarra, diretamente, no comando do Patriarca, figura corrupta e detentora de riquezas conquistadas por meio de ameaças e intimidações. Uma comunidade instalada na região vive em harmonia até ser dizimada por homens subordinados ao vilão… Assim se inicia a história por trás do novo lançamento de Rashid, o disco Movimento Rápido dos Olhos. Definido pelo artista como um álbum-áudio-filme, o quarto trabalho de estúdio do rapper intercala as canções com animação em quadrinhos, resgatando o formato das radionovelas. Nomes como Liniker, BK’, Marissol Mwaba, Amiri, Don L, Curumin, Macedo Bellini e Stefanie se unem a Rashid como participações especiais ao longo das 15 faixas. Estas constroem uma jornada de mudanças regida pela evolução pessoal e pelos questionamentos às regras. “O disco vem para exagerar a realidade. Ele eleva à enésima potência a atmosfera na qual a gente vive hoje e deduz onde poderíamos parar caso não houvesse mudanças”, comenta Rashid. Com um tempero de utopia, sonho e heroísmo, a narrativa é pautada no processo de autodescoberta de Samurai, protagonista que tem a companhia de Proceder, Oráculo, Davila e Patriarca ao longo da história. Para dar vida a estes personagens, Rashid convidou a jornalista e apresentadora Adriana Couto, o publicitário Rodrigo Carneiro e o dublador Guilherme Briggs. Este último é figura conhecida por emprestar a sua voz para desenhos como Buzz Lightyear, Superman, Mickey e Samurai Jack. “Queria trazer alguém da dublagem para trabalhar num álbum meu há algum tempo, mas ainda não tinha o lugar perfeito. Não imaginava que conseguiria um dos maiores dubladores do país para este trabalho atual”, comemora. A cultura oriental é um forte guia em Movimento Rápido dos Olhos. Seja nas animações, em formato de quadrinhos, ou nos personagens. Isto se deve à admiração que Rashid cultivou ao longo dos anos. “Essa identificação nasceu ainda na época das batalhas, onde toda semana meu talento estava em jogo contra MCs incríveis e eu precisava de uma disciplina intensa para continuar evoluindo. Nessa época, conheci livros como Bushido, Hagakure e a própria história do Miyamoto Musashi, o samurai mais famoso da história do Japão”, lembra o rapper, que complementa: “eu me identifiquei com muitas coisas ali e, a partir disso, formei parte da base do meu pensamento sobre rotina, dedicação e foco”. Para representar visualmente Movimento Rápido dos Olhos, a capa do disco traz o Rashid caracterizado de Samurai. A escolha desta figura para encabeçar o enredo foi algo natural para o artista. “A personalidade do Samurai traduz, de certa forma, muito sobre temas abordados nos meus sons. Ele não só é uma manifestação do eu lírico do Rashid, mas também um retrato de todos que se identificam. Por isso, ele não tem nome, porque ele pode ser qualquer um”, afirma. O ponto de partida da obra é com a faixa Oráculo. Ela é responsável por apresentar a jornada do Samurai e o universo de Movimento Rápido dos Olhos para o público. Deixai Toda Esperança, música na qual Rashid divide os vocais com Macedo Bellini, é uma carta para a Morte e foi inspirada no poema A Divina Comédia, de Dante Alighieri. “Você precisa lembrar daqueles que se foram, mas precisa celebrar também quem continua vivo ao seu lado” é a premissa guia de Rashid em Um Brinde A Todos Que Se Foram, composição que passeia pelas memórias do protagonista e transforma as dores em combustível. Jogo Sério, por sua vez, tem participação de Marissol Mwaba e do rapper BK’, e trata sobre a necessidade de tomar as rédeas da situação, mesmo com todas as adversidades. Ela culmina em Tem Dias Que, um mantra de aceitação que funciona como um lembrete: nem todos os dias são bons e não é preciso dar conta de tudo o tempo todo. A jornada de Samurai tem sequência com Agora Você Me Deve, que antecede a faixa A Lua Atrás Do Prédio, resposta — na perspectiva de uma criança — para o single Porque É Proibido Pisar Na Grama, de Jorge Ben Jor. “São questões que, de tão ingênuas, se tornam profundas e filosóficas em alguma instância”, explica. O dia amanhece na narrativa em Ver Em Cores. Com a participação de Liniker, com sua voz que carrega candura e potência, a canção marca a virada da história. A partir deste momento, a narrativa dá lugar à esperança e a novas descobertas. Marco disso é o interlúdio Contexto, Café e Coragem, quando Samurai se dá conta que o seu poder não está na força ou na lâmina de sua espada, mas, sim, nas palavras. Na Entrada do Céu, com participação de Stefanie, traz outro momento de emoção na tracklist. “A música fala sobre pessoas que estão aguardando serem registradas na entrada no céu e cada um conta como chegou ali”, resume. Com Amiri e Don L, Linha De Frente reitera o papel de pessoas que estão no holofotes para tomarem frente nas lutas. “De nada valem todas as habilidades e ser o melhor MC do mundo se as coisas que a gente fala e faz não forem em prol do nosso pessoal”, pontua. Mais uma referência ao texto poético A Divina Comédia, Às Margens Do Rio Lete nasce como uma forma de reforçar a canção anterior e, marca, mais uma vez, a mudança no foco do protagonista. Ao lado de Curumin, Rashid questiona a arte na vida das pessoas em “Ao Subir Das Letrinhas”. “Respiramos arte no dia a dia e as nossas músicas são um reflexo disso. A arte é a forma como a gente vive”, resume. Marcando o final de Movimento Rápido dos Olhos, essa faixa busca estimular que as pessoas vivam as suas vidas após o crédito final. “Quando o crédito sobe é quando começa de fato a obra da sua vida”, declara. Anteriormente, Rashid já tinha divulgado outras duas faixas do disco: Pílula

Crítica | Uma Quedinha de Natal

Engenharia do Cinema Pegando carona em uma nova estratégia da Netflix, onde ela assina contratos com atores para fazerem várias produções do selo, a atriz Lindsay Lohan resolveu voltar aos cinemas depois de anos, justamente por intermédio deste acordo (que será composto por dois filmes). Enquanto o segundo já se encontra em pós-produção (com lançamento para 2023), o primeiro “Uma Quedinha de Natal” foi não só seu primeiro filme para uma plataforma de streaming, como também 100% com a temática natalina. A história começa com a bilionária influenciadora digital Sierra Belmont (Lohan), que mesmo sendo herdeira de uma famosa rede de hotéis pertencentes ao seu Pai (Jack Wagner), não quer seguir os rumos de seu Pai e vive uma vida futil com seu namorado Tad (George Young). Mas após um acidente na neve, ela acaba sofrendo de amnésia e é acudida pelo viúvo Jake (Chord Overstreet), que mora com sua mãe e filha. Imagem: Netflix (Divulgação) É inegável que durante os anos 2000, Lohan ficou bastante famosa por conta de várias produções adolescentes, que se estabeleciam por conta do carisma de suas personagens, agregados com uma trama que era condizente com a época. E em cima desta base, os roteiristas Jeff Bonnett e Ron Oliver, concebem este projeto. E ele funciona em grande parte por conta disso, mas até certo ponto, pois quando estamos próximos do desfecho, parece que o desinteresse é ativado.    Temos um arco que é realmente já mostrado em vários ouros filmes, e por se trata de ter a metragem com cerca de 90 minutos, eles começam a correr contra o tempo para entregar tudo no último ato (inclusive o famoso “pedágio ativista”, que está presente na maior parte dos longas). Mesmo com Lohan estando bem à vontade no papel, chega a ser engraçado ver que ao invés de colocarem a mesma fazendo algumas referencias aos seus filmes de sucesso (como “Meninas Malvadas”), eles optam por usar a mesma para fazer uma breve propaganda da Netflix! (estou falando sério). Mesmo sendo clichê e tendo um ato final apressado, “Uma Quedinha de Natal” mostra que Lindsay Lohan está aos poucos voltando às produções que lhe vangloriam e fizeram bastante sucesso nos anos 2000.