Ana Cacimba transforma ancestralidade e fé afro-brasileira em narrativa de recomeço no single Mandinga

A cantora, compositora e instrumentista Ana Cacimba lançou Mandinga, single que parte do significado histórico da palavra ligada aos amuletos de proteção usados por povos africanos. A canção ressignifica esse símbolo ao tratar o corpo fechado não como feitiço literal, mas como força espiritual, resistência e capacidade de se reerguer diante das quedas, com apoio da ancestralidade e da fé afro-brasileira. Composta por Ana Cacimba em parceria com Léo da Bodega e produzida por Los Brasileiros nos estúdios Head Media, a faixa se constrói como um percurso de atravessamento. Ao longo desse caminho, a espiritualidade aparece como elemento central de sustentação simbólica, com a presença de Iemanjá associada ao encerramento de ciclos e à abertura de novas histórias, reforçando a ideia de recomeço que atravessa toda a narrativa. Musicalmente, Mandinga transita por um afro pop tropical de pegada world music, combinando violões, congas e beats eletrônicos em uma atmosfera leve e envolvente, de estética praiana e brasileira. O lançamento chega acompanhado de um visualizer criado a partir de uma montagem digital da artista Ysis Policarpo e dialoga com a nova MPB de viés solar e contemporâneo, aproximando referências que evocam acolhimento, conforto e bem-estar.
Capitu revisita Dom Casmurro em curta-metragem musical com olhar contemporâneo e queer

A banda Capitu lançou Sobreamor, curta-metragem musical concebido como álbum visual que antecipa o EP de estreia do grupo. Formado por Camilla Araújo, Bruno Carnovale e Marco Trintinalha, o projeto une música, cinema e literatura em uma narrativa contínua, estruturada como um filme em quatro atos e já disponível no YouTube. Inspirado livremente em Dom Casmurro, de Machado de Assis, Sobreamor propõe uma releitura contemporânea do triângulo amoroso entre Capitu, Bentinho e Escobar. Distante de uma adaptação literal, o curta utiliza o clássico como ponto de partida para investigar desejo, ciúme e afeto a partir de uma perspectiva atual, atravessada por questões de gênero, sexualidade e racialidade, além de tensionar leituras tradicionais da obra machadiana. Musicalmente, a Capitu transita entre indie rock, pop e neo-soul, com arranjos que valorizam camadas de voz e construção instrumental como elementos narrativos. Dirigido e roteirizado por Alice Marcone, o curta assume o audiovisual como parte indissociável da linguagem artística da banda, culminando no ato final Desaguar, que propõe uma resolução afetiva fora da lógica da culpa e da moral monogâmica. Com Sobreamor, o grupo apresenta um projeto que afirma identidade, conceito e experimentação como eixos centrais de sua estreia.
Barbarize convoca legado do manguebeat ao lado de Fred Zero4 em novo videoclipe

O duo Barbarize lançou o videoclipe de Mangue, faixa do álbum de estreia Manifexta, aprofundando sua relação com o território onde nasceu, a Comunidade do Bode, no Recife. A música conta com a participação de Fred Zero4, fundador do Mundo Livre S/A e um dos nomes centrais do manguebeat, em um encontro que articula memória, identidade e crítica social a partir das margens da cidade. A aproximação entre Barbarize e Fred Zero4 surgiu de um reconhecimento artístico mútuo e se consolidou naturalmente quando a faixa ficou pronta. Musicalmente, Mangue parte do trap, dialoga com o boombap e incorpora riffs de guitarra que trazem organicidade à composição. A percussão de Maurício Badé, somada ao beat eletrônico e à flauta, constrói uma atmosfera ritualística que equilibra elementos urbanos e tradicionais, reforçando o diálogo entre passado e presente. O mangue surge como símbolo de origem e resistência, com versos que afirmam a relação do grupo com o território e utilizam imagens do ecossistema como metáforas de sobrevivência coletiva. O videoclipe amplia esse discurso ao adotar uma estética que transita entre o afro-surrealismo e o afro-futurismo, tratando o audiovisual como extensão política da canção. Ao unir natureza, tecnologia e crítica social, Barbarize reafirma sua identidade artística e atualiza o legado do manguebeat a partir de uma perspectiva contemporânea e periférica.
Levant Fest transforma quatro capitais do Nordeste em rota do hardcore brasileiro

O Levant Fest chega ao Nordeste em março como um festival itinerante que propõe mais do que uma sequência de shows. A turnê passa por Fortaleza, Natal, João Pessoa e Recife, reunindo Dead Fish, Matanza Ritual, Switch Stance e Malvina em um lineup que conecta diferentes gerações e estéticas do rock nacional, reforçando a diversidade sonora dentro do peso. A presença do Dead Fish acontece em um momento simbólico da carreira da banda. Ao mesmo tempo que celebra os 25 anos de Afasia ao vivo, o grupo lançou ontem a versão deluxe do álbum Labirintos da Memória, que chega às plataformas com duas faixas inéditas e gravações ao vivo. Além do Dead Fish, o Levant Fest também destaca a fase atual do Matanza Ritual, que apresenta ao público o álbum A Vingança é Meu Motor, enquanto Switch Stance representa a brutalidade direta do hardcore nacional, com shows intensos que transformam cada apresentação em um choque físico entre palco e público. Completa o lineup a Malvina, que carrega a urgência do hardcore punk, com músicas rápidas, discurso direto e uma postura DIY que mantém viva a essência mais crua do underground brasileiro. Ao escolher o Nordeste como rota, o Levant Fest reafirma a região como protagonista no mapa da música pesada brasileira. A circulação por quatro capitais fortalece a descentralização cultural e amplia o acesso do público a uma experiência pensada de forma coletiva, unindo peso, identidade e renovação artística. Serviço Datas e locaisFortaleza – 19 de marçoEstacionamento da Praça Verde do Dragão do Mar Natal – 20 de marçoRibeira Music João Pessoa – 21 de marçoClube Cabo Branco Recife – 22 de marçoArmazém 14 Ingressos101 Tickets
Frank Turner transforma espera de anos em celebração de fé no punk rock em São Paulo

Havia uma dívida pendente desde 2020. Quando a pandemia cancelou a primeira turnê sul-americana de Frank Turner, ficou no ar a dúvida de quando o músico inglês finalmente atenderia aos infinitos pedidos de “Come to Brazil”. A resposta de Frank Turner veio na noite desta sexta-feira (30), no Fabrique Club, em São Paulo. Longe das grandes arenas e festivais, Frank Turner escolheu em São Paulo o ambiente que define sua essência: um clube escuro, quente e com o público a centímetros do microfone. Em entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, ele havia adiantado que prefere a “intensidade e entrega” dos latinos à ironia distante das plateias de Londres. E foi exatamente essa troca de energia bruta que se viu em São Paulo. Frank Turner acústico e furioso Quando Frank Turner subiu ao palco, armado apenas com seu violão, a atmosfera de “culto secular” se instalou. Sem banda de apoio, a responsabilidade de preencher o som recaiu sobre o coro da plateia. O setlist, muito próximo do apresentado na Costa Rica, Chile e Argentina dias atrás, foi um passeio equilibrado pela discografia. A abertura com If Ever I Stray já serviu para testar as cordas vocais dos fãs. Músicas como Recovery e The Way I Tend to Be funcionaram perfeitamente no formato desplugado, ganhando contornos de hinos de bar. Um dos momentos mais curiosos da turnê atual é o esforço de Turner com o idioma local. Logo no início do show arriscou algumas frases em português. Depois disse que como todos já haviam visto que ele fala bem português, ele ia passar o resto da noite falando em inglês. Em Do One, faixa que costuma receber uma versão no idioma local nos shows, Frank Turner brincou que havia aprendido em espanhol, mas viu que em São Paulo o esforço seria um pouco maior. Revelou que recebeu a ajuda de um fã brasileiro que mandou o trecho traduzido e chamou Katerina (Katacombs) para segurar o papel com o texto em português. O esforço de Frank Turner arrancou muitos aplausos e gritos dos fãs. >> LEIA ENTREVISTA EXCLUSIVA COM FRANK TURNER Musicalmente, um dos pontos altos para os fãs de punk rock foi a execução de Bob, cover do Nofx. A faixa celebra o split que ele lançou com a lenda do punk californiano, um feito que Turner descreveu ao Blog n’ Roll como “o auge punk da carreira”. Ao vivo, a versão acústica trouxe uma melancolia que a original esconde, mas sem perder o peso da letra. Houve espaço também para novidade, com a execução de Girl From the Record Shop, No Thank You for the Music e Letters, que assim como Do One, são do álbum Undefeated, de 2024, provando que, mesmo após 3 mil shows, a máquina criativa não para. Aliás, ele fez questão de registrar que era o show 3.107 da carreira. Conexão e clímax O terço final do show foi desenhado para a catarse. Photosynthesis (com seu mantra “I won’t sit down, and I won’t shut up”) e I Still Believe não foram apenas cantadas, foram gritadas. É interessante notar como o show solo muda a dinâmica de Four Simple Words. Sem a bateria acelerada, a música se transforma em uma valsa punk onde a interação com o público é tudo. Frank Turner encerrou sua primeira noite no Brasil prometendo voltar, e talvez não sozinho. Na conversa com o blog, ele revelou o desejo de trazer sua banda completa e, quem sabe, até a edição do festival Lost Evenings para cá. Se o show do Fabrique foi um teste, o público passou com louvor. Foi uma noite de suor, honestidade e a prova de que, como ele mesmo canta, o rock and roll ainda salva vidas. Turner segue agora para Brasília (31) e Curitiba (1), levando na bagagem a certeza de que o Brasil é, de fato, intenso como ele imaginava. Edit this setlist | More Frank Turner setlists
Dave Hause entregou muito mais que um show de abertura em SP

Se alguém esperava apenas um “aquecimento” para Frank Turner, Dave Hause tratou de dissipar essa ideia logo nos primeiros acordes. Velho companheiro de estrada do britânico e eterno líder do The Loved Ones, Dave Hause subiu ao palco do Fabrique não como um coadjuvante, mas como um co-protagonista espiritual da noite. A conexão com o público foi testada, e aprovada, instantaneamente. Logo na abertura com Look Alive, uma falha no som deixou o cantor sem microfone por boa parte da canção. Longe de esfriar o ânimo, o incidente transformou o Fabrique em um coro uníssono, com a plateia segurando a melodia enquanto Hause regia o público, provando que o carisma de um frontman veterano supera qualquer falha técnica. Essa energia crua não é acidental. Após uma fase mais voltada ao Americana e gravações polidas em Nashville, Hause vive um momento de epifania rock’n’roll com seu projeto atual, …And the Mermaid (2025). O repertório foi um passeio por essa trajetória, com faixas como Hazard Lights, Cellmates, C’mon Kid, Saboteurs e Damn Personal. Para os fãs das antigas, o ponto alto foi Jane, clássico do The Loved Ones que fez a pista tremer. Hause também não fugiu do posicionamento político, uma marca de sua carreira vinda da escola punk da Filadélfia. Antes de Dirty Fucker, dedicou a música “a dois filhos da puta”: Donald Trump e Jair Bolsonaro, sendo ovacionado pelo público. Em sua primeira vez no Brasil, ele lamentou não poder atender a todos os pedidos da plateia devido ao tempo curto, mas deixou uma promessa: voltaria para tocar o set completo se retornasse como headliner. Se depender da recepção calorosa e da intensidade que entregou, o convite já está feito.
Atmosfera etérea de Katacombs abre a noite de Frank Turner em SP

A responsabilidade de abrir a noite para nomes de peso como Dave Hause e Frank Turner, no Fabrique Club, na Barra Funda, em São Paulo, na noite de sexta-feira (30), ficou a cargo de Katacombs. O projeto é a identidade artística de Katerina Kiranos, cantora norte-americana que traz em sua bagagem uma fusão cultural fascinante: nascida em Miami, ela é filha de mãe espanhola e pai grego. Com um repertório intimista, Katerina transformou o ambiente do clube antes da explosão de energia das atrações principais. Esbanjando carisma e uma qualidade vocal impressionante, ela apresentou faixas que transitam por melodias dramáticas e etéreas. O setlist incluiu Blue Beard, Fruta y Mar, Weeping Willow, Old Fashioned e Pin Pin (com exceção de Blue Beard, todas do álbum de estreia, Fragments of the Underwater), encerrando com a faixa-título de seu primeiro EP, You Will Not. A profundidade de suas canções não é por acaso. Antes de assumir os palcos, Katerina dedicou anos à escultura de móveis em osso e madeira, uma meticulosidade que ela parece ter transferido para a construção de suas melodias. You Will Not, seu trabalho de estreia, funciona como uma montanha-russa emocional, refletindo uma jornada de autodescoberta que atravessa fronteiras geográficas e gêneros musicais, algo natural para alguém que passou a vida navegando entre múltiplas culturas. No palco do Fabrique, Katacombs provou que sua decisão de sair do “quarto escuro”, onde compunha solitariamente, para compartilhar seu mundo sagrado com o público foi, sem dúvida, a escolha certa.
Beck lança álbum de raridades com covers de Caetano Veloso e Daniel Johnston

Talvez você se lembre dele cantando sobre um coração partido na trilha sonora do filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Agora, essa gravação e outras raridades da discografia de Beck estão reunidas em um só lugar. Nesta sexta-feira (30), o músico disponibilizou nas plataformas digitais o álbum Everybody’s Gotta Learn Sometime. O projeto funciona como uma compilação de raridades, faixas lado B e covers que Beck executou ao longo dos anos, especialmente durante sua recente turnê orquestral. De Scott Pilgrim a Caetano Veloso entre as raridades de Beck O repertório é eclético e traz uma surpresa para os brasileiros: uma versão de Michelangelo Antonioni, canção de Caetano Veloso. O disco abre com a faixa-título (cover do The Korgis, de 2004) e segue com interpretações de clássicos de Elvis Presley (Can’t Help Falling in Love), John Lennon (Love) e The Flamingos (I Only Have Eyes for You). O universo indie e alternativo também marca presença com releituras de Hank Williams, Daniel Johnston (True Love Will Find You in the End) e a faixa Ramona, contribuição de Beck para a trilha do filme Scott Pilgrim contra o Mundo. Lançamento físico Enquanto a versão digital já pode ser ouvida, o formato físico chega às lojas em 13 de fevereiro. Aproveitando a proximidade com o Valentine’s Day (Dia dos Namorados nos EUA), o vinil será prensado na cor “vermelho opaco”.
Sepultura anuncia EP de despedida “The Cloud Of Unknowing”

O adeus do Sepultura não será feito apenas de memórias de palco. Enquanto a turnê Celebrating Life Through Death caminha para seus meses derradeiros, a banda confirmou que deixará um último registro de estúdio antes de encerrar as atividades. O grupo revelou o título de seu EP final: The Cloud Of Unknowing. O material físico (vinil exclusivo) será inicialmente disponibilizado como parte do pacote VIP da etapa norte-americana da turnê. Este será o único registro de estúdio da banda contando com o baterista Greyson Nekrutman, que assumiu as baquetas em fevereiro de 2024 após a saída de Eloy Casagrande. Gravação de The Cloud Of Unknowing foi espontânea O guitarrista Andreas Kisser já havia adiantado a existência dessas faixas. O material foi gravado de forma despretensiosa em Miami, logo após a participação da banda no cruzeiro 70000 Tons Of Metal em janeiro de 2025. Segundo Kisser, são quatro músicas originais, criadas sem a pressão de gravadoras ou prazos. “Foi muito espontâneo… Tínhamos um estúdio, algumas ideias e dissemos: ‘Ok, vamos fazer’. E foi ótimo. Sem pressão… Fizemos no nosso tempo, sem pressa. Por causa da ideia da turnê de despedida, podemos fazer isso também, nos desafiar artisticamente”, explicou o guitarrista. Grande final em São Paulo Além do EP, os olhares se voltam para outubro de 2026. A banda planeja o encerramento definitivo da carreira com um grande evento em São Paulo, descrito por Andreas como um “Sepul-fest”. A intenção é reunir a história viva da banda no palco. O convite está aberto a todos os ex-integrantes, incluindo os irmãos Max e Igor Cavalera, além de Jairo Guedz, Eloy Casagrande, Jean Patton e Roy Mayorga. “É totalmente irrelevante discutir o passado, quem está certo, quem está errado… Vamos tocar para os fãs, para nós mesmos, para nossas famílias. Eles serão convidados. Se quiserem fazer parte desta festa, são bem-vindos. Se não, tudo bem”, afirmou Kisser. Por que parar? Ao refletir sobre os 40 anos de estrada, Andreas reforça que a decisão de parar foi consciente para evitar a estagnação artística. “Um artista não pode estar na zona de conforto. Se você está lá, você está f*****, porque vai perder o contato com a realidade… É ótimo parar em um bom momento, sem brigas, sem um fator externo separando a banda. São nossos próprios termos.” Ainda não há data confirmada para a disponibilização do EP The Cloud Of Unknowing nas plataformas de streaming.