Superalma convida S7lermo para o solar “Derretendo com Você”

Se o último trabalho do Superalma foi um mergulho denso na filosofia do tempo, o passo seguinte é sentir o calor na pele. O trio formado por Bella Vox, Frankstation e U.F.O. disponibilizou nas plataformas de streaming a faixa Derretendo com Você, marcando uma mudança de direção em sua sonoridade. Diferente do disco-manifesto Todo Tempo Que Virá Depois Desse Momento – Volume 2, que priorizava a reflexão, a canção aposta em uma atmosfera solar e imediata. Afrobeat e conexão carioca A música une afrobeat, pop e R&B, funcionando como uma trilha para o verão. A letra narra o encontro de duas pessoas sob o sol do Rio de Janeiro, focando na presença e no prazer sem culpa. Para somar nessa construção, o grupo convidou o rapper carioca S7lermo, que traz a identidade do trap para dialogar com os vocais de Bella Vox. A produção é assinada por Mvzza, responsável por costurar os beats e criar a textura envolvente da faixa. “Se [o álbum anterior] se debruçava sobre o instante como conceito filosófico e emocional, o single escolhe vivê-lo no corpo”, descreve o material de divulgação. Ouça a faixa abaixo

The Snuts aborda depressão pós-parto em “Summer Rain”

A euforia dos palcos muitas vezes camufla os dramas silenciosos da vida doméstica. Para os escoceses do The Snuts, o choque de realidade ao voltar para casa serviu de combustível para abordar um tema raramente explorado no indie rock. O grupo disponibilizou o single Summer Rain, marcando seu primeiro material inédito desde 2024. A faixa nasce de um período de reconexão da banda com suas raízes em West Lothian, mas o cerne da composição é pessoal e doloroso. O vocalista Jack Cochrane revelou que a letra trata da depressão pós-parto enfrentada por sua esposa. “Eu tive que crescer”, diz o vocalista do The Snuts Cochrane explica que o nascimento do filho coincidiu com um momento caótico profissionalmente, logo após o lançamento do terceiro álbum e durante uma turnê. “Minha esposa estava lutando muito contra a depressão pós-parto… Tivemos um filho quando a banda tinha acabado de lançar o terceiro álbum e estava em turnê. É coisa demais para se fazer com um recém-nascido”, compartilhou. A letra reflete o impacto dessa mudança brusca e a tentativa, muitas vezes falha, de tentar resolver tudo racionalmente. “Eu pensei que poderia apenas consertar isso, é uma coisa clássica de homem, então eu tive que realmente crescer. Liricamente, a música expressa o medo do futuro, mas também uma vontade ou apelo para recomeçar e reivindicar a felicidade funcional”. Musicalmente, Summer Rain canaliza esses obstáculos pessoais em uma sonoridade que busca a superação.

Thundercat anuncia álbum “Distracted” com feat inédito de Mac Miller

“Se não é uma garota, são os impostos. Se não são os impostos, é a Terceira Guerra Mundial.” É com essa síntese agridoce da vida moderna que Thundercat encerra um hiato de seis anos. O baixista virtuoso confirmou para o dia 3 de abril a chegada de Distracted, seu quinto álbum de estúdio, via Brainfeeder Records. O projeto dá sequência aos temas de luto explorados no disco anterior, It Is What It Is (2020), mas amplia o escopo das colaborações. O destaque imediato da tracklist vai para She Knows Too Much, uma faixa inédita gravada com seu falecido amigo e colaborador frequente, Mac Miller. Coração partido e convidados de peso Para apresentar a nova fase, Thundercat liberou o single I Did This To Myself, que conta com a participação de Lil Yachty. A produção do disco reúne um time de peso: além do parceiro de longa data Flying Lotus, aparecem nos créditos Kenny Beats e o duo The Lemon Twigs. Sobre a temática do disco, o músico reflete no comunicado de imprensa: “Eu não acho que o coração partido tenha parado… Se não é a Terceira Guerra Mundial, é uma nova atualização no telefone.” Além de Mac Miller e Yachty, o álbum traz participações de A$AP Rocky, Channel Tres, Willow e Tame Impala (na faixa No More Lies). Tracklist: Distracted

Mari Romano une New Jack Swing e colapso ambiental no single “Tudo Errado”

Dançar enquanto o mundo parece colapsar. Essa é a provocação que move o retorno de Mari Romano à música autoral. A compositora e produtora carioca disponibilizou o single Tudo Errado, primeira amostra de seu segundo álbum de estúdio, Além da Pele. A faixa sintetiza o conceito da nova fase ao unir leveza pop com uma crítica direta à crise climática. Sonoramente, a aposta é no New Jack Swing, estilo que dominou as pistas nos anos 90 com nomes como Janet Jackson. Ironia dançante de Mari Romano Produzida integralmente pela própria artista, a música propõe um contraste deliberado entre o ritmo e a letra. “Eu queria que a música soasse ironicamente divertida, mas que no final viesse um incômodo. Porque é isso que está acontecendo: a gente dança enquanto tudo parece desmoronar. O sax no final é como se fosse a realidade atravessando a festa”, comenta Mari. Do sound design à música Este lançamento marca a volta de Mari após anos dedicados aos bastidores de grandes podcasts, como Foro de Teresina, Reply All e Maníaco do Parque. Essa vivência técnica como editora de som e sound designer transformou seu processo criativo. No novo disco, previsto para o primeiro semestre, ela assume o protagonismo total: editou os elementos, escreveu arranjos de sopros e gravou guitarras e synths. “Ficar anos trabalhando com som em outro formato me deu ainda mais domínio técnico e de escuta. Voltar para a música autoral agora é diferente: é mais consciente, mais segura e mais livre”, afirma. O álbum Além da Pele também abordará temas como a ansiedade digital e o Fomo (fear of missing out), propondo um olhar mais aterrado sobre a própria existência.

O Boto inverte nomes e sentidos no single “Assiar”, prévia do disco de estreia

O amor adolescente costuma ser simples na memória, mas complexo na vivência. É nessa dualidade entre o frescor e a vulnerabilidade que a banda paulistana O Boto constrói seu mais recente trabalho. Nesta sexta-feira (30), o quarteto disponibilizou nas plataformas de streaming a faixa Assiar. A canção sucede Sushi no Violão e serve como o segundo passo em direção ao álbum de estreia do grupo, Diferente de Ninguém, previsto para o segundo semestre de 2026. Jogo de palavras no som da O Boto Liricamente, a música aposta em um trocadilho engenhoso para falar de desejo e incompletude. O título e o refrão nascem de uma inversão do nome Raíssa, transformando-o no verso “Ah, se ar (assiar) fosse tudo que eu precisasse”. O baixista Felipe Troccoli explica que a metáfora sugere algo essencial e viciante (como o ar), mas que ainda assim se mostra insuficiente para sustentar a relação. “Existe algo muito bonito no fato de todo mundo conseguir se relacionar com essa sensação de alguma maneira… Te amar sempre vai ser como andar de bicicleta”, comenta o músico, citando um dos versos que sintetizam a inocência de um sentimento complexo. Produção e influências A faixa acompanha a história da própria banda, formada também por João Pedro Rydlewski (voz), Lucas Benez (guitarra) e Gabriel Portela (bateria), existindo no repertório desde 2019. A versão final reflete o amadurecimento do grupo e suas influências de rock alternativo brasileiro (Charlie Brown Jr., Lagum, Nando Reis). A produção é assinada por Hugo Silva, nome conhecido por trabalhos com O Grilo e Ego Kill Talent, o que insere O Boto no diálogo direto com a cena contemporânea de São Paulo. Assista ao lyric video de Assiar