Entrevista | The Hives – “Ouvir AC/DC é uma experiência formativa”

O The Hives está no Brasil como banda de abertura dos shows do My Chemical Romance, acompanhando a turnê que marca o retorno do grupo norte-americano aos palcos do país. Mas, não são uma simples abertura. Conhecidos pela energia explosiva ao vivo e pela postura provocadora, os suecos reforçam sua conexão com o público brasileiro em apresentações que têm atraído atenção tanto dos fãs mais antigos quanto de uma nova geração. Além da turnê, a banda vive um momento criativo celebrado pela crítica. Lançado no ano passado, The Hives Is Forever, Forever The Hives foi recebido com entusiasmo e reafirma a identidade do grupo, unindo urgência punk, riffs diretos e o humor ácido que sempre definiu sua trajetória. O disco também marca uma fase de maturidade, sem abrir mão da intensidade que transformou o The Hives em um dos nomes mais reconhecíveis do rock dos anos 2000. O Blog N’ Roll esteve ontem (4) na Casa Rockambole, em São Paulo, conversando com o The Hives sobre as principais influências que moldaram o som da banda, passando por nomes fundamentais do punk e do rock clássico, além de histórias pessoais que ajudam a entender a construção dessa identidade barulhenta, direta e sem concessões que segue ecoando nos palcos ao redor do mundo. Ramones Pelle Almqvist – Os Ramones foram muito importantes para nós. Mas, curiosamente, os Ramones que mais nos marcaram foram os do período mais tardio, como os discos lançados quando éramos jovens, tipo Mondo Bizarro e Brain Drain. Nós gostávamos muito dessa fase. Acho que nenhum de nós chegou a ver os Ramones ao vivo. Eu, pelo menos, não vi. Eles influenciaram a gente, mas talvez de uma forma ainda maior, influenciaram praticamente todas as bandas que a gente gostava. É quase uma influência de segunda mão. Eles fizeram com que o que fazemos hoje pudesse existir. Com músicas como Blitzkrieg Bop, fica claro como eles ajudaram a definir uma linguagem inteira do rock. Se fosse apenas essa música no disco, já teria sido suficiente. É um clássico absoluto. AC/DC Pelle Almqvist – Antes mesmo dos Ramones, o AC/DC foi fundamental para nós. Quando eu e o Niklas éramos crianças (Pelle, vocalista e Niklas, guitarrista são irmãos), morávamos na mesma casa e o AC/DC foi a primeira banda que gostamos por conta própria. Niklas Almqvist – A gente ouvia o que os garotos mais velhos da rua ouviam, e esse disco estava sempre tocando. Eu nem sabia os nomes das músicas, só colocava o vinil e ouvia tudo. Ouvir AC/DC é uma experiência formativa. Back in Black é um clássico absoluto e tem uma das melhores introduções da história do rock pesado. Hells Bells é icônica. Eles começam com sinos e depois você fica pensando: o que eles vão fazer depois disso? Curiosamente, Hells Bells virou a música de entrada do São Paulo Futebol Clube, porque o goleiro Rogério era um grande fã do AC/DC… Pelle Almqvist – Também é tema de vários eventos esportivos. Sempre que começa, dá uma sensação de boas notícias. Você mora em Santos, mas torce para o São Paulo? Não dá problema? De jeito nenhum, é bem comum (risos). Agora falem um pouco sobre outra lenda punk, os Misfits Pelle Almqvist – Misfits é sempre complicado, porque existem muitas fases e muitos discos diferentes. Eu acabo ouvindo mais as coletâneas. Tem músicas incríveis como Attitude, Bullet e Some Kind of Hate. Essa última é uma das minhas favoritas. Ela lembra Teenage Kicks, mas mais suja, mais agressiva. Eles foram uma influência enorme para nós. Com certeza estão no nosso top 5 de bandas punk, talvez top 3, talvez até top 1. É uma música feita “errada” em muitos aspectos técnicos, mas ainda assim é a melhor música já gravada. Isso é o punk em sua essência. Mantendo o punk, vamos falar sobre Dead Kennedys Pelle Almqvist – Somos muito influenciados pelo Dead Kennedys, especialmente no primeiro álbum do The Hives, Barely Legal. Há muita coisa de guitarra inspirada neles. Sempre adoramos a guitarra do East Bay Ray. Eles são uma banda incrível, ainda que um pouco irregular. Existe uma diferença grande entre as melhores e as piores músicas, mas, mesmo assim, estão entre as maiores influências punk para nós. Niklas Almqvist – Muitas dessas bandas, na verdade, eu só fui ter os discos em vinil bem mais tarde, talvez com 22 ou 25 anos. Antes disso, era tudo em fita cassete. E eu trouxe um vinil do Millencolin para representar a cena da Suécia. Como é a relação entre vocês? Pelle Almqvist – Essas bandas suecas estavam por perto quando começamos. Estávamos no mesmo selo, vinham de cidades próximas, mais ou menos uma hora de distância. Eles eram dois ou três anos mais velhos do que nós e já estavam começando a fazer sucesso. Eram uma das melhores bandas que você podia ver ao vivo na região onde crescemos. Foi a primeira banda do nosso universo a alcançar um sucesso mais mainstream. Isso foi importante, porque mostrava que era possível. Hoje em dia, somos amigos e sempre é divertido dividir o palco com eles. E qual a expectativa para os shows no Allianz? Pelle Almqvist – Nós já fizemos alguns shows em estádios na América do Sul e foi incrível. Não achamos que dessa vez será diferente. É o mesmo que quando perguntam o que as pessoas devem esperar dos nossos shows. A resposta é nada, além do melhor absoluto. Com o público brasileiro é a mesma coisa. Não esperamos nada além do melhor absoluto. E esperamos que tudo seja ainda maior.
Zayn no Allianz Parque: Cantor anuncia turnê “Konnakol” com show em SP e lança single

As últimas horas foram gigantes para os fãs de Zayn. O astro britânico, que tem explorado sonoridades cada vez mais maduras e alternativas desde sua saída da One Direction, anunciou nesta sexta-feira (6) sua maior turnê mundial até hoje. E o Brasil está na rota. A Konnakol Tour aterrissa em São Paulo no dia 10 de outubro (sábado), para uma apresentação no Allianz Parque. Esta será a primeira vez que Zayn assume o posto de atração principal em estádios e arenas na América do Sul. Single novo na pista O anúncio da turnê chega acompanhado de música nova. Foi lançado o single Die For Me. A faixa é o primeiro gosto do quinto álbum de estúdio do cantor, intitulado Konnakol, que tem lançamento marcado para 17 de abril. Segundo o artista, este é seu projeto com maior influência cultural até o momento, expandindo a sonoridade R&B/Pop que os fãs conheceram em Mind of Mine, mas com um apelo pop ainda mais forte. Zayn, de Vegas para o mundo Zayn vem de uma fase produtiva intensa. Recentemente, ele encerrou sua primeira residência em Las Vegas e colheu os frutos do aclamado álbum Room Under the Stairs (2024). Além disso, sua colaboração com Jisoo (do Blackpink) na faixa Eyes Closed continua rendendo números impressionantes e uma indicação ao iHeartRadio Music Award de 2026. 🎫 Ingressos A venda de ingressos será dividida em duas etapas e promete ser concorrida. A comercialização acontece pela Ticketmaster. 📅 Serviço: Zayn – Konnakol Tour no Brasil Ingressos
Cypress Hill confirma show em São Paulo e altera local em Porto Alegre

Uma das lendas absolutas do hip-hop mundial, e que possui um lugar cativo no coração dos roqueiros, acaba de ampliar sua passagem pelo Brasil. A Live Nation confirmou que o Cypress Hill, atração do Lollapalooza Brasil, fará uma apresentação extra em São Paulo. O show na capital paulista acontece no dia 22 de março (domingo), na Audio. Os ingressos já estão disponíveis para venda. Além da novidade, houve uma alteração importante na logística da turnê no Sul do país. ⚠️ Atenção, Porto Alegre! Mudança de local para o Cypress Hill O show agendado para o dia 17 de março na capital gaúcha continua confirmado, mas mudou de local. A apresentação, que antes ocorreria em outro espaço, foi transferida para o Opinião. Lenda da “Ladeira do Cipreste” Com mais de 30 anos de estrada, B-Real, Sen Dog e DJ Muggs trazem na bagagem a história de quem foi pioneiro ao misturar batidas latinas, rimas afiadas e uma estética pro-weed que conversou diretamente com a cena do rock alternativo dos anos 90. O grupo vem embalado por momentos históricos recentes. Em 2024, eles finalmente realizaram a profecia de Os Simpsons e tocaram com a Orquestra Sinfônica de Londres. Em 2026, a turnê promete clássicos do álbum Black Sunday (como Insane in the Brain e I Ain’t Goin’ Out Like That) e faixas da discografia recente. 🎫 Serviço: Cypress Hill no Brasil 📍 São Paulo Preços: Onde comprar: 📍 Porto Alegre (Novo local)
Fiddlehead e Rival Schools terão Zander e Capote como abertura em show único no Brasil

Fiddlehead e Rival Schools, dois nomes centrais do rock alternativo e do pós-hardcore em gerações diferentes, fazem uma aguardada dobradinha no Brasil no dia 22 de fevereiro, com apresentação única em São Paulo. O encontro acontece no Fabrique Club e reúne, no mesmo palco, uma das bandas mais relevantes do rock contemporâneo e um dos projetos mais influentes surgidos no início dos anos 2000. Formado em Boston em 2014, o Fiddlehead rapidamente se consolidou como um dos grupos mais expressivos do rock atual. Liderada por Patrick Flynn, também conhecido pelo trabalho no Have Heart, a banda constrói uma sonoridade que une a urgência do hardcore, melodias herdadas do alternativo dos anos 1990 e uma entrega emocional marcada pelo emo. Conversamos com ele recentemente que abordou a expectativa de tocar no Brasil e sobre a influência da filosofia em seu trabalho e vida. O álbum mais recente, Death Is Nothing To Us, recebeu ampla aclamação da crítica internacional e reforçou a reputação do Fiddlehead como uma banda que alia intensidade sonora e densidade lírica. Já o Rival Schools carrega uma trajetória fundamental na consolidação do pós-hardcore moderno. Criada em 1999, a banda reúne músicos com histórico decisivo na cena hardcore, com destaque para Walter Schreifels, ex-Gorilla Biscuits e Quicksand. Ao longo dos anos 2000, o grupo se destacou ao combinar a energia do punk e do hardcore com estruturas melódicas mais acessíveis, criando um rock potente, emocional e livre de fórmulas. Em um período marcado por excessos e artificialismos no rock mainstream, o Rival Schools apostou em criatividade, identidade e força ao vivo, características que seguem definindo sua relevância até hoje. O evento em São Paulo ganha ainda duas bandas nacionais como atrações de abertura. O Zander retorna aos palcos após encerrar a turnê de 15 anos do álbum Braza e prepara um show em formato “best of”, reunindo diferentes momentos de sua discografia. Já a Capote, banda formada em 2023 na cidade de Santos, representa a nova geração do rock alternativo brasileiro, misturando indie, emo e guitarras intensas em um repertório autoral que vem chamando atenção da cena independente. Os últimos ingressos estão à venda no site da Fastix. A realização é conjunta entre Powerline Music & Books e ND Productions.
Entrevista | Fiddlehead – “A maior influência brasileira na minha vida é Paulo Freire”

Pela primeira vez no Brasil, a Fiddlehead desembarca em São Paulo para um show único que marca a estreia de uma das bandas mais relevantes do rock alternativo contemporâneo. Formado em 2014, em Boston, pelo vocalista Patrick Flynn e o baterista Shawn Costa, ambos ex-Have Heart, o grupo construiu uma identidade própria ao misturar a urgência do hardcore com melodias do rock alternativo dos anos 1990 e a carga emocional do emo. Em álbuns como Death Is Nothing To Us, a banda ampliou ainda mais seu alcance ao unir intensidade sonora, lirismo reflexivo e referências filosóficas pouco comuns no gênero. O show acontece no domingo, 22 de fevereiro de 2026, no Fabrique Club, em São Paulo, e reúne três gerações do rock alternativo e do hardcore. Além da Fiddlehead, o evento conta com o Rival Schools, banda histórica liderada por Walter Schreifels, nome fundamental do hardcore e do pós-hardcore desde os anos 1980, e com duas representantes da cena nacional: o veterano Zander, que apresenta um repertório especial após a turnê de 15 anos do álbum Braza, e a Capote, banda santista formada em 2023 que vem chamando atenção pela fusão entre indie, emo e rock alternativo. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Patrick “Pat” Flynn fala sobre a expectativa para a estreia da Fiddlehead no Brasil, a relação artística com o Rival Schools e os temas centrais de Death Is Nothing To Us, álbum marcado por reflexões sobre vida, morte, educação e esperança. Não é sua primeira vez aqui, porém será a primeira vez da Fiddlehead no Brasil. O que esperar sobre o público brasileiro? A minha antiga banda, Have Heart, tocou no Brasil há cerca de 20 anos, e foi uma das experiências mais intensas que já tive. Tocamos no mundo inteiro, mas o Brasil foi um dos lugares mais caóticos e especiais. Havia uma sensação muito forte de amizade, o que no punk é a melhor combinação possível. Nos últimos anos, muitas pessoas começaram a comentar nas redes pedindo para a Fiddlehead vir para o Brasil. Não existe nada mais motivador do que alguém dizer “venha tocar aqui”. Finalmente conseguimos fazer isso acontecer, mesmo sendo uma banda que não toca tanto, porque todos nós temos nossas vidas fora da música. O som da Fiddlehead mistura de tudo um pouco: hardcore, post-hardcore, alternativo e emo sem soar nostálgico. Como vocês equilibram essas influências e deixam tudo com uma cara mais moderna? Nós simplesmente tentamos escrever músicas que gostamos de ouvir. Não escrevemos pensando no público, mas temos a sorte de que as pessoas se conectaram com isso. Quando você sente que tem essa permissão, fica mais fácil criar algo honesto, que reflete quem você é, tanto liricamente quanto musicalmente. Todos viemos do hardcore, mas amamos várias formas de música punk. Isso nos permite escrever sem ficar presos a um gênero ou a regras específicas. Já que vocês fazem do jeito que gostam, como funciona o processo de gravação da banda? As músicas chegam prontas ao estúdio? É um processo muito colaborativo. Alguém aparece com um riff, manda pelo celular, e se gostarmos, começamos a desenvolver juntos. É raro alguém escrever uma música inteira sozinho. Depois que a estrutura está pronta, eu levo a música comigo por um tempo, e aí fica mais fácil escrever as letras. No estúdio, todo mundo está aberto a mudar direções, desde que faça sentido para a banda. O hardcore nasceu com a força da juventude, amadureceu e mudou com o passar dos anos. O que daquela época você vê como essencial hoje? Acho que o hardcore está em um momento muito positivo. Bandas como Turnstile ajudaram a mostrar para o mundo o que o hardcore tem de melhor: criatividade, juventude e energia positiva. O foco precisa continuar sendo esse, manter o gênero útil, criativo e relevante. Vocês vão dividir o palco com o Rival Schools. Como você enxerga essa conexão entre as bandas? O Walter Schreifels é uma lenda. Toda a banda é, de alguma forma, produto do trabalho dele. Somos grandes fãs do Rival Schools, então foi uma surpresa incrível tocar com eles no ano passado. Criamos uma relação muito boa, conversamos bastante sobre música. Quando soubemos que poderíamos repetir isso na América Latina, foi ainda mais especial. Em Death Is Nothing To Us, as letras falam muito sobre morte, mas nunca de forma negativa. Como foi trabalhar essa abordagem? Existe uma frase do filósofo Cornel West que sempre me marcou: “Eu não sou um otimista, mas sou escravo da esperança”. Isso define muito como eu vejo a vida. Perder pais e amigos é algo profundamente doloroso, mas eu fiz a escolha de procurar essas pessoas na minha vida, mesmo sem a presença física delas. Essa mentalidade me ajudou a atravessar muitos momentos difíceis e chegar a um lugar de felicidade real. Já que você mencionou a filosofia, referências como Lucrécio e Jean Améry são incomuns no hardcore. Como isso entra na sua escrita? Eu sou professor de História e filho de um professor de poesia. Cresci cercado por palavras e pelo poder delas. Não leio poesia o tempo todo, mas tento enxergá-la na vida cotidiana. Quando encontro escritores ou filósofos que me ajudam a ver beleza e significado nas coisas comuns, eu mergulho fundo neles. Isso acaba se refletindo naturalmente nas letras. Existe alguma história de bastidor importante por trás de Death Is Nothing To Us? O título surgiu de forma curiosa. Eu estava escrevendo as letras enquanto participava de uma troca de livros no trabalho. O livro que peguei citava Lucrécio e a ideia de que a morte não é nada para nós, no sentido de não ficarmos obcecados por ela, mas focarmos na importância da vida. Isso acabou conectando tudo o que eu vinha escrevendo desde os discos anteriores. Quando escreve sobre temas sensíveis como morte, você sente vontade de ir para um lado mais leve ou continuar explorando temas profundos? Um pouco dos dois. Eu amo rir, me divertir com amigos, mas a vida não
Anônimos Anônimos assina com a Forever Vacation e lança single “Eu Lembro”

A banda paulistana Anônimos Anônimos entra em uma nova fase com o lançamento de “Eu Lembro”, primeiro single do álbum de estreia Acabou Sorrire, previsto para maio. A faixa marca também a estreia do grupo no catálogo da Forever Vacation Records, selo criado pelo músico e produtor Alexandre Capilé e que vem se consolidando como um dos espaços mais ativos do rock alternativo brasileiro fora do circuito mainstream. “Eu Lembro” funciona como um cartão de visitas direto para o disco. A canção aposta em melodias emotivas e letras confessionais, dialogando com o alternative rock do fim dos anos 1990 e início dos 2000, em referências que passam por nomes como Jimmy Eat World e Saves the Day, mas filtradas por uma sensibilidade contemporânea e local. O single chega acompanhado de um videoclipe dirigido por Rick Costa, com foco na performance da banda, reforçando o caráter direto e despojado da música. Segundo o vocalista e guitarrista Flávio Particelli, o disco nasce de um processo de depuração estética e emocional. As músicas priorizam melodias fortes e letras pessoais, caminho que a banda identifica como o ponto em que sua identidade se manifesta com mais clareza. O título do álbum faz uma referência irônica a Acabou Chorare, dos Novos Baianos, e traduz o tom introspectivo do repertório, que equilibra melancolia, autoironia e maturidade artística. O lançamento de “Eu Lembro” inaugura a sequência de singles que antecede a chegada do álbum completo, previsto para maio. Até lá, o Anônimos Anônimos apresenta um trabalho que consolida sua identidade dentro do rock alternativo nacional e aponta para um novo momento criativo, agora com estrutura, produção e circulação ampliadas.
Entrevista | Ash – “Foi uma emoção enorme descobrir que tínhamos fãs apaixonados que sabiam cada palavra das letras”

O rock alternativo e o power pop devem muito ao Ash. Surgida na Irlanda do Norte no auge do Britpop, a banda liderada por Tim Wheeler conseguiu algo raro: sobreviver a três décadas de mudanças na indústria fonográfica mantendo a mesma energia juvenil que os colocou no topo das paradas em 1996. Prestes a completar 30 anos do lançamento do icônico álbum 1977 (o disco de Girl From Mars e Kung Fu), o trio atualmente percorre o Reino Unido com a Ad Astra Tour, divulgando o elogiado álbum Ad Astra (2025). Em entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, Wheeler reflete sobre a longevidade do grupo, os planos de celebração para 2026 e a lembrança marcante da única passagem da banda pelo Brasil. Vocês estão prestes a começar a Ad Astra Tour no Reino Unido. Depois de tantos anos na estrada, você ainda sente aquele “frio na barriga” antes da primeira noite? Como sua rotina de preparação mudou desde o início até agora? Fizemos uma turnê bem extensa desse álbum até o Natal do ano passado. Tem sido ótimo dividir a turnê em blocos menores para que possamos realmente aproveitar. Recomeçar depois de algumas semanas em casa pareceu um pouco estranho… até que a música de introdução começou a tocar! Senti aquela mesma descarga de adrenalina de antigamente quando as luzes da casa se apagam. Hoje em dia, sabemos exatamente o que precisamos fazer para entregar um show consistentemente excelente todas as noites. Definitivamente, somos menos caóticos do que éramos nos anos 90! O nome da turnê Ad Astra (“para as estrelas”) se encaixa perfeitamente com a estética de ficção científica que o Ash sempre teve. Existe um conceito ou tema específico por trás desses shows, ou é puramente uma celebração da música? É realmente tudo sobre a música. Estamos apostando mais forte no novo álbum desta vez. É incrível poder tocar nove músicas do Ad Astra em um set de uma hora e meia. Com um catálogo tão grande, parece uma jogada corajosa, mas os fãs estão nos apoiando totalmente, o que é ótimo. Precisamos mencionar um marco enorme: 2026 marca o 30º aniversário do seu álbum de estreia, 1977. Olhando para trás, como você se sente em relação a esse disco hoje? Parece uma vida diferente, ou a energia de músicas como Girl From Mars ainda soa fresca para você? É estranho, mas realmente não parece que faz três décadas que começamos a gravá-lo. Talvez porque muitas daquelas canções estiveram conosco em todos os shows desde então. E sim, elas recebem uma resposta tão enérgica do público que nunca parecem velhas. Acho que momentos assim mantêm a gente e o público conectados àquela época. Talvez isso traga o passado para o presente e encurte a distância entre os dois. Falando sobre 1977, existem planos para celebrar este 30º aniversário especificamente? Talvez um relançamento, um documentário especial ou uma série de shows dedicados no final do ano? Há muitos planos ainda ganhando forma, então tudo o que posso dizer no momento é: fiquem de olho… Com uma discografia tão vasta, de 1977 a Ad Astra, quão difícil é montar o setlist para 2026? Há algum “lado B” ou música obscura que vocês estão trazendo de volta para esta turnê? Tem sido muito divertido. Uma coisa que estamos fazendo nesta turnê é mergulhar mais fundo no catálogo antigo e misturar o setlist todas as noites. Isso nos mantém alertas e faz de cada show uma experiência única. Race the Night (2023), álbum anterior do Ash, também foi muito bem recebido. Agora que as músicas já “viveram” no mundo por um tempo, quais faixas desse álbum se tornaram suas favoritas para tocar ao vivo? Temos um grupo de músicas do Race the Night que costumamos revezar nesta turnê. A faixa-título, Crashed Out Wasted e Braindead são as que costumam aparecer. Se eu tivesse que escolher apenas uma, ficaria com Braindead. Vocês sempre tiveram uma forte conexão com o power pop guiado por guitarras e o indie rock. Como você vê o estado atual da música rock no Reino Unido e no mundo? Alguma banda nova te empolga agora? Acho que a música vai bem. Faz parte do que nos torna humanos e sempre precisaremos dela, não importa o que aconteça na indústria. Tivemos muitas bandas de abertura ótimas recentemente, incluindo Coach Party e Bag of Cans. É ótimo ver o Geese indo tão bem, e também o Big Special. O Brasil tem uma base de fãs do Ash muito apaixonada que interage muito nas redes sociais. Você tem alguma lembrança ou impressão específica dos fãs sul-americanos de interações ou viagens anteriores? Isso é muito legal de ouvir. Tocamos na América do Sul apenas uma vez, em um festival em 2011, em São Paulo (SWU). Sinceramente, não sabíamos o que esperar, mas fomos surpreendidos pela resposta. Foi uma emoção enorme descobrir que tínhamos fãs apaixonados que sabiam cada palavra das letras! Sabemos que a logística pode ser difícil, mas a América do Sul está no radar do Ash para o final de 2026 ou 2027? Os comentários “Come to Brazil” estão em todo o seu Instagram! Com certeza, nós adoraríamos. Estou ligando para o meu agente agora mesmo! Obrigado por nos avisar!
Melanie Martinez anuncia o álbum distópico “Hades” após recorde com single

A construção de universos visuais e sonoros sempre foi a marca registrada de Melanie Martinez. Agora, ela se prepara para nos guiar por uma paisagem menos fantástica e mais visceral. Nesta quinta-feira (5), a artista confirmou o lançamento de seu quarto álbum de estúdio, intitulado Hades. O disco chega às plataformas no dia 27 de março, mas o público já sentiu o impacto dessa nova era: o single Possession, lançado recentemente, quebrou recordes imediatos. Maior estreia feminina de 2026 Os números não mentem sobre a fidelidade da fanbase de Melanie. Possession, a primeira música inédita da cantora em três anos, estreou com mais de 2,7 milhões de streams no Spotify em apenas 24 horas. O feito tornou a faixa o lançamento mais rápido da carreira da artista e a maior estreia feminina de 2026 até o momento. “A mistura de doçura e escuridão de Melanie é deliberada, e é exatamente isso que a torna uma artista pop singular”, observa Talia Kraines, editora de Pop do Spotify. Conceito de Hades Se em Portals (2023) Melanie explorou a vida após a morte e o renascimento, em Hades ela volta os olhos para a realidade. A artista descreve a nova era como uma paisagem distópica e cinematográfica, funcionando menos como fantasia e mais como um “espelho fragmentado do presente”. Segundo Melanie, o álbum aborda padrões destrutivos e sistemas de controle: “Cada música deste disco explora uma armadilha diferente criada por esse tipo de energia maligna e patriarcal que é Hades. Não se trata de prever um futuro distópico. Trata-se de reconhecer padrões destrutivos que já existem… Controle disfarçado de proteção. Crueldade apresentada como lógica”. Sucesso global O novo trabalho sucede uma trilogia de sucessos comerciais (Cry Baby, K-12 e Portals) que, juntos, estrearam no topo das paradas alternativas e lotaram arenas ao redor do mundo, incluindo apresentações memoráveis no Madison Square Garden e no Lollapalooza. Para os fãs, o pré-save de Hades já está disponível. Ouça o single Possession
Titãs celebram 40 anos de “Cabeça Dinossauro” com show especial em SP

Há discos que marcam uma época e há discos que definem a identidade de um país. Lançado em 1986, Cabeça Dinossauro pertence à segunda categoria. Quatro décadas depois, o grito visceral contra as instituições (Polícia, Igreja, Estado) soa tão atual quanto no período da redemocratização. Nesta quarta-feira (4), o trio remanescente dos Titãs, Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto, anunciou que vai celebrar esse marco histórico no palco. A turnê Titãs – Cabeça Dinossauro 40 anos tem apresentação confirmada para o dia 28 de março, no Espaço Unimed, em São Paulo. Manifesto de 1986 O álbum, produzido por Liminha, rompeu com o pop-rock da época ao entregar faixas agressivas e minimalistas como Polícia, Bichos Escrotos e AA UU. “Inventamos ali o nosso vocabulário – riffs fortes, vocais gritados, letras sintéticas e precisas… Isso, somado à temática das canções, deixou uma marca profunda na nossa trajetória”, relembra Sérgio Britto. Para Branco Mello, a celebração vem do próprio espírito da faixa-título: “Cabeça Dinossauro, Pança de Mamute, Espírito de Porco. Dessa pequena e poderosa letra composta em 1986 nasceu o título de um dos álbuns mais lembrados e celebrados da nossa história”. Direção e produção O espetáculo terá direção de Otávio Juliano, nome que já assinou a direção do Titãs Encontro e de projetos de Caetano Veloso e Maria Bethânia. A promessa é de um show que não apenas toque as músicas, mas traduza visualmente a estética “crua e revolucionária” que a crítica de 1986 aclamou. Serviço: Titãs – Cabeça Dinossauro 40 anos Ingressos