Conheça a Alem do Front, o peso do nu-metal e hardcore que pulsa em São Paulo

Se alguém ainda ousa dizer que o rock está perdendo a força nas ruas, é porque ainda não cruzou com o som da Alem do Front. Nascida em 2023 no ABC Paulista e com integrantes vindos das Zonas Sul e Leste de São Paulo, a banda é a prova viva de que a música pesada continua pulsando e se reinventando nas metrópoles. Carregando diferentes histórias e vivências, o grupo encontra sua voz em riffs pesados, letras intensas e uma energia que não pede licença para entrar, ela simplesmente invade. DNA: nu-metal, hardcore e rap A sonoridade da Alem do Front bebe diretamente da fonte do nu-metal, mas as influências não param por aí. É nítida a presença do hardcore e do rap na espinha dorsal da banda. O resultado é um som visceral, com uma pegada própria e sem nenhum medo de experimentar. Mas a Alem do Front vai além da música: é um manifesto. Cada composição funciona como um grito de resistência e liberdade. Nos palcos, eles entregam shows explosivos, abordando temas do cotidiano, autoconhecimento e uma forte crítica social. A missão é ser verdadeiro, autêntico e sem filtros, conectando fãs que acreditam na força transformadora da música. Formação O peso sonoro e a presença de palco são garantidos por um quinteto de peso: Discografia Desde a sua fundação, a banda vem construindo um catálogo sólido que já conquistou espaço em playlists e rádios independentes. Confira os lançamentos e assista aos clipes: 1. A Cicatriz é Uma Dádiva (2023): a faixa de estreia já ditou o ritmo do que a banda veio fazer na cena. 2. Poesia Bélica (2024): com rimas afiadas e guitarras pesadas, a faixa é um verdadeiro soco no estômago. 3. Simples Ato (2024): mantendo a constância, a música aprofunda a identidade do grupo. 4. Primeiro Aplauda (2025): o lançamento mais recente consolida a evolução técnica e lírica do quinteto.

Depois das Dunas lança o single “Tempo” e anuncia novo EP

A banda Depois das Dunas acaba de lançar o single Tempo, faixa que abre os caminhos para o aguardado EP Memória de Tempos Perdidos. Se você curte guitarras densas, camadas melódicas envolventes e aquela dose de melancolia urbana típica do indie rock nacional, essa é a pedida ideal para a sua playlist de fim de semana. Peso das lembranças Sonoramente, Tempo transita entre o indie atmosférico e a intensidade emocional. A letra propõe uma jornada introspectiva sobre a passagem dos dias, as marcas que o relógio deixa em nós e o peso inevitável das lembranças. É uma faixa sensível, que mostra o amadurecimento das composições do grupo. De Osasco para a cena Formada em Osasco, a Depois das Dunas conta com Denis Scapin (vocal e guitarra), Wesley Santana (vocal e bateria), Paulo Brito (vocal e guitarra) e Arthur Pasini (vocal e baixo). A estética do quarteto bebe direto da fonte de grandes nomes do rock alternativo e do emo nacional atual. Entre as principais influências, eles citam Molho Negro, Terno Rei, Jovens Ateus e Menores Atos — uma mistura que garante autenticidade, energia e reflexão na mesma medida. Caminho até o novo EP O single se junta a lançamentos anteriores que já vinham desenhando a identidade do novo EP. Entre eles, estão Anseio (que ganhou um clipe imerso na atmosfera da cidade) e Marcela (que explora o despertar de um amor com a participação especial do saxofonista Rômulo Luis). Com mais três canções previstas para completar Memória de Tempos Perdidos, o projeto consolida a maturidade da Depois das Dunas e crava o nome da banda como uma das grandes promessas da nova geração independente.

Party On Wacken 2026: maior festival de metal do mundo ganha esquenta oficial no Brasil

O Wacken Open Air, meca sagrada do heavy metal mundial, completará 35 anos de história em 2026 com uma iniciativa sem precedentes. Intitulado Party On Wacken 2026, o evento celebrará a data de forma simultânea em 35 países, e o Brasil, com sua legião apaixonada de metalheads, obviamente não ficaria de fora. A edição nacional vai acontecer no dia 18 de abril (sábado), na Audio, em São Paulo. A realização é do Bangers Open Air, com produção da HonorSounds, garantindo que o espírito do vilarejo alemão seja perfeitamente traduzido para o público brasileiro. Força do metal nacional Para representar o Brasil nessa celebração global, a organização montou um line-up que é uma verdadeira aula de peso e brutalidade. O palco da Audio receberá quatro instituições do metal extremo brasileiro, unindo diferentes gerações: Essa escolha reforça a relevância do nosso cenário no exterior. A relação do público brasileiro com o Wacken é histórica e vem sendo construída desde 2001, impulsionada pelo apoio da revista Roadie Crew, que atua como ponte oficial do festival no país há mais de duas décadas. Uma festa global Ao todo, a festa acontecerá em 35 nações, incluindo Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Argentina, Chile e Austrália. O projeto promete shows ao vivo, ativações especiais, festas temáticas e conteúdos oficiais que conectam a comunidade global do heavy metal. É a chance de viver a energia de Wacken sem precisar atravessar o oceano. 🎫 Serviço: Party On Wacken 2026 | Edição Brasil Ingressos: Os ingressos já estão à venda online.

Dreko transforma queda em resiliência no single “Subir de Novo”

A cena do trap nacional ganha um lançamento que troca a ostentação vazia pela honestidade emocional. O cantor, compositor e produtor Dreko liberou o single Subir de Novo, uma faixa que funciona como um manifesto direto sobre queda, reconstrução e resiliência. Com a participação do artista Diih, a música antecipa o clima do aguardado álbum Metamorfose, chancelando a fase mais madura da carreira do produtor, com lançamento via Cósmica Records. Dor sem vitimismo A faixa inicia no território das lembranças, revisitando um amor do passado marcado por excessos e abandono. Dreko não tem medo de expor suas feridas e sua vulnerabilidade ao admitir: “Sinto falta, confesso que não sou tão forte assim”. O grande trunfo da composição é não romantizar a dor e nem cair no vitimismo. A frustração é transformada em movimento contínuo, culminando em um refrão que bate como um lema de sobrevivência: “Se eu cair de volta nessa merda, eu vou subir de novo”. Foco e lealdade de Dreko A virada narrativa acontece com a entrada de Diih. O artista de Teresina conduz a música para a importância do foco, da disciplina e de manter os pés no chão. Seus versos destacam que, por trás do sucesso, existe o peso de uma caminhada solitária, onde apenas as raízes importam: “No processo, tu tá sozinho / Só fica os irmão”. Rumo à “metamorfose” Dentro da narrativa do álbum Metamorfose, Subir de Novo representa o momento exato em que a dor deixa de ser uma prisão e vira impulso para o futuro. É o trap contemporâneo servindo de veículo para reflexões profundas sobre crescimento e propósito.

Como o All You Can Eat abriu as portas do hardcore internacional em Santos, em 1995

O Rollins Band pode ter sido o primeiro nome gringo punk ou de hardcore de peso a pisar em Santos, em 1994, mas o contexto era outro: um megafestival gratuito nas areias da praia. Quando falamos do verdadeiro “marco zero” do underground, do espírito do it yourself (faça você mesmo) operando na raça e inaugurando a rota das turnês independentes na Baixada Santista, a história aponta para o dia 4 de novembro de 1995. Nesta data, a banda californiana All You Can Eat desembarcou no Teatro de Arena (canal 1), para um show histórico com ingressos a módicos R$ 5. Com produção local encabeçada por Fabrício Souza, baixista do Garage Fuzz, e apoio do Safari Hamburguers e da Secretaria de Cultura, o evento foi a faísca que faltava. “Foi um dos meus primeiros shows como produtor de eventos”, relembra Fabrício. “Representou o potencial para o estilo que a região tinha, abrindo as portas da cidade para várias outras turnês de punk e hardcore que vieram a acontecer. Foi um divisor de águas”. Conexão do All You Can Eat com Santos: fanzines, Ratos de Porão e Fat Mike A vinda do All You Can Eat para o Brasil não envolveu grandes agências corporativas, mas sim selos postais e fanzines. Devon Morf, vocalista da banda, trabalhava com as icônicas publicações americanas Maximum Rocknroll e Flipside. “Eu lia muitas cartas deles e fiz muitos pen pals (amigos por correspondência) em todos os continentes”, conta Devon. A paixão pela cena nacional surgiu através do escambo. “Fiz conexão com um cara no Brasil e trocávamos discos de punk brasileiro por discos de metal dos EUA. Isso me tornou um grande fã das bandas brasileiras. Ratos de Porão, até hoje, é uma das minhas bandas favoritas”. Essa imersão no underground rendeu frutos históricos. Devon estudou com Fat Mike (do NOFX) em São Francisco e trabalhou na lendária gravadora Fat Wreck Chords quando ela ainda funcionava em uma casa. “Muitas pessoas no Brasil perguntavam quando o NOFX viria. Eu contei ao Mike o quão animados eram os fãs brasileiros”, revela o vocalista. Embora o NOFX só tenha conseguido descer para a América do Sul algum tempo depois, a semente californiana já estava plantada. Caos na Arena e a invasão do público O local escolhido para a gig santista foi o Teatro de Arena (hoje conhecido como Teatro Rosinha Mastrângelo). Segundo resenha da época publicada no fanzine Surfcore, de Marco Casado e Victor Martins, o espaço era “bem pequeno, mas com uma acústica incrível”. O local ficou completamente lotado, deixando muita gente do lado de fora. A escalação de peso contava com o Garage Fuzz, que, segundo o fanzine, foi “matador” e fez todo mundo pular. A outra banda local foi o Safari Hamburguers, que na opinião da publicação estreava uma formação “cabulosa” com Fabião nos vocais. Quando o All You Can Eat, formado por Devon (vocais), Danny (guitarra), Craig (baixo) e Seth (bateria), começou a tocar, a configuração do teatro em formato de arena (sem um palco elevado) garantiu uma proximidade perigosa e divertida. O Surfcore relatou a típica catarse da época: “Sempre aparecem aqueles atravessados que vão lá, abraçam o guitarrista e enchem o saco da banda, não deixando os caras tocarem direito”. Mas o caos era parte intrínseca do espetáculo. O fanzine descreve que o show foi maravilhoso, “com o vocalista subindo pelas colunas e fazendo macaquices, e o baterista que deixava o prato cair em cima de toda música que acabava, pulava com o bumbo, batia no prato”. Skates, Pelé, capoeira e a “Califórnia Brasileira” Fora do palco, a turnê sul-americana, que passou por cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Curitiba e Buenos Aires, teve momentos de turismo afetivo. O roadie da banda, Todd, era fanático por Pelé desde a infância e ficou maravilhado por estar na cidade onde seu herói viveu e reinou. A cultura urbana santista também impressionou os gringos. Antes da turnê, o baterista Seth visitou a redação da renomada revista Thrasher, que abasteceu a banda com camisetas e bonés para distribuírem no Brasil. “Ficamos maravilhados com todos os skatistas no Brasil”, recorda o vocalista. A performance insana no palco também rendeu histórias inusitadas nos bastidores. O curioso termo “macaquices”, usado pelo fanzine Surfcore para descrever os pulos de Devon no Teatro de Arena, foi confirmado pelo próprio músico em um relato recente. “Depois do show, uma mulher muito legal disse que gostou da apresentação e que eu me movia e pulava como um ‘Macaco’”, diverte-se. A conversa com a fã revelou uma conexão transcultural: “Ela disse que fazia capoeira, e acabou que eu estava fazendo aulas de capoeira na faculdade em San Francisco. Ela queria se encontrar para jogar na praia de manhã, mas o All You Can Eat ia partir para Curitiba naquela mesma noite”. A vontade de aproveitar a praia santista, no entanto, foi cobrada anos mais tarde. Devon retornou à cidade em uma turnê com a banda What Happens Next?. “O Boka nos disse que poderíamos surfar, mas acabou não tendo ondas. Estava um dia lindo e quente, e eu só tinha surfado com roupas de borracha na fria San Francisco. Infelizmente, perdi alguns momentos na Califórnia Brasileira!”, relembra o vocalista, citando o famoso apelido da região. O saldo da passagem do All You Can Eat em 1995 vai muito além dos 5 reais cobrados na porta do Teatro de Arena. O show provou que a Baixada Santista tinha força motriz, bandas de altíssimo nível para segurar um line-up e um público sedento por energia. Foi a noite em que Santos confirmou, com suor, fanzines e stage dives improvisados, que estava pronta para abraçar de vez a sua vocação underground.