Entrevista | Story of The Year – “O mais legal é ver os fãs crescendo junto conosco. Essa é uma das coisas mágicas da música”

Duas décadas depois de se firmar como um dos nomes mais marcantes do post-hardcore dos anos 2000, o Story of the Year segue ativo e conectado com sua base de fãs. A banda voltou ao radar do público brasileiro após a passagem pelo país em 2025, quando realizou dois shows em menos de 24 horas em São Paulo: Tokio Marine Hall e I Wanna Be Tour no Allianz Parque. A recepção intensa do público reforçou a relação histórica com os fãs brasileiros. Esse novo momento também acompanha o lançamento de A.R.S.O.N. (All Rage Still Only Numb), álbum que mantém a identidade sonora do Story of the Year ao mesmo tempo em que aprofunda temas como frustração, desgaste emocional e autoconhecimento. O disco marca novamente a parceria com o produtor Colin Brittain, atual baterista do Linkin Park, que já havia trabalhado com a banda no álbum anterior. Entre os primeiros cartões de visita do novo trabalho estão os singles Gasoline e Disconnected, músicas que apresentam o peso, a urgência e o lado emocional que definem a sonoridade da banda. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o vocalista Dan Marsala e o guitarrista Ryan Phillips falaram sobre o processo criativo do novo álbum do Story of the Year, a relação da banda com o próprio legado e deixam claro que não devem retornar ao Brasil tão cedo. Qual é a história por trás de A.R.S.O.N. e o que esse título significa? DAN MARSALA: O título surgiu a partir de uma linha da música Gasoline, que abre o álbum. Eu canto “here for the arson” e aquilo ficou na cabeça da gente. Como acontece na maioria das vezes com o Story of the Year, nós só decidimos o nome do disco no final. Primeiro olhamos para a coleção de músicas e tentamos entender qual é a sensação geral daquele conjunto. A palavra ARSON parecia forte e estava muito presente naquele momento. Então voltamos um passo e pensamos no que o acrônimo poderia significar. As palavras Rage e Numb apareceram logo de cara e fizeram muito sentido para todos nós. No fim chegamos a “All Rage Still Only Numb”. Isso resume bem o sentimento do álbum. Existe muita raiva ali, muitas letras introspectivas, sombrias e um pouco caóticas. Pareceu o nome certo para o disco. O disco parece mais intenso e direto em muitos momentos. Essa agressividade foi uma decisão consciente ou algo que aconteceu naturalmente durante a composição? DAN MARSALA: Não houve muito planejamento. A gente simplesmente entra em uma sala, começa a tocar e tenta fazer músicas que realmente gostamos. O objetivo sempre é criar algo que nos empolgue de verdade. Quando percebemos, as músicas já estão tomando forma e seguimos esse caminho. RYAN PHILLIPS: Honestamente, quase nada nesse disco foi planejado. Eu parei de tentar forçar a barra quando estou escrevendo. Não fico pensando “hoje vou fazer uma música pesada” ou “vou escrever algo mais rápido ou mais lento”. Eu simplesmente sento, toco e deixo as ideias fluírem. Quando chega a hora de escrever as letras, o processo é parecido. Foi um fluxo muito natural. As músicas se tornaram o que deveriam ser. Não foi uma decisão consciente de deixar o disco mais agressivo. Foi simplesmente o que saiu da gente naquele momento. No início da carreira vocês falavam muito com adolescentes. Hoje as letras abordam temas da vida adulta, família e responsabilidades. Como foi envelhecer junto com o público? DAN MARSALA: Isso aconteceu de forma muito natural. Nós ficamos mais velhos e nossos fãs também cresceram com a gente. Você escreve sobre aquilo que conhece e sobre o que é pessoal naquele momento da sua vida. Então as letras acabam refletindo isso. O mais legal é ver os fãs crescendo junto conosco. Muitos deles agora têm filhos e levam as crianças para os shows. Nós meio que crescemos juntos. Essa é uma das coisas mágicas da música. RYAN PHILLIPS: Seria muito estranho se ainda estivéssemos escrevendo do ponto de vista de um adolescente (risos). Nós fazemos arte e ela precisa vir de um lugar autêntico. Hoje estamos em um momento completamente diferente da vida. Também é curioso perceber como as letras mudam de significado com o tempo. Às vezes escuto músicas que escrevemos há 20 anos e elas me atingem de uma forma totalmente diferente, quase como se fosse outra banda. Nós mudamos como pessoas e como banda. E é muito legal encontrar fãs que dizem que escutam a banda desde a escola, que se casaram ouvindo nossas músicas ou que tocaram Story of the Year no casamento. Poder fazer isso por tanto tempo é muito especial. Já que vocês falaram sobre autenticidade, a música 3AM aborda temas bem íntimos. Como a vida na estrada, conciliando com família e filhos, impactou essa composição? DAN MARSALA: Acho que, coletivamente, essa é uma das nossas músicas favoritas do disco, principalmente pelas letras. Esse tema é muito real para nós. Eu, o Ryan e o Josh temos filhos e famílias em casa. Sair em turnê por um mês para tocar música é incrível, porque temos a sorte de viver disso, mas ao mesmo tempo é muito difícil deixar os filhos e a família. 3AM nasceu muito dessa sensação. É uma música muito pessoal e provavelmente uma das minhas preferidas do álbum. RYAN PHILLIPS: Para mim também é a melhor música do disco, principalmente por causa da letra. Elas realmente me impactam. Eu sinto algo forte sempre que escuto essa faixa. DAN MARSALA: Nós já tentamos escrever músicas sobre esse tema antes, mas por algum motivo 3AM conseguiu capturar exatamente essa sensação. Existe uma mistura de felicidade, saudade e peso emocional. Essa estranheza caótica de estar feliz com o que faz, mas ao mesmo tempo sentir o peso da distância. Acho que essa música traduz muito bem isso. Relembre aqui a entrevista com o Story of The Year antes da vinda ao Brasil Hoje alguns artistas já não priorizam o YouTube como principal plataforma de lançamento. A própria Taylor Swift preferiu fazer o
Memphis May Fire e Blessthefall confirmam três shows no Brasil em agosto de 2026

Memphis May Fire e Blessthefall, dois nomes consolidados do metalcore e do post-hardcore norte-americano, voltam ao Brasil em agosto de 2026 para uma série de três apresentações. A turnê passa por Belo Horizonte no dia 27, em São Paulo no dia 29 e termina em Curitiba no dia 30. A realização é da Liberation MC. A passagem das bandas pelo país acontece em momentos diferentes de suas carreiras, mas ambos relevantes dentro das respectivas discografias. O Memphis May Fire chega embalado pela fase do álbum Shapeshifter, enquanto o Blessthefall apresenta material de Gallows, trabalho lançado em 2025 que marcou o retorno do grupo ao estúdio após um hiato de sete anos. Os shows também marcam as primeiras apresentações do Blessthefall na América do Sul desde o lançamento de Gallows. O disco foi impulsionado pelos singles “mallxcore”, “Wake The Dead” e “Drag Me Under”, reforçando o retorno da banda ao circuito de turnês. Antes desse trabalho, o grupo já havia alcançado bons resultados nas paradas norte-americanas, com dois álbuns seguidos no Top 25 da Billboard 200, Hollow Bodies e To Those Left Behind. Memphis May Fire No caso do Memphis May Fire, a nova visita ao Brasil também chama atenção pelo intervalo desde a última passagem pelo país, que aconteceu em agosto de 2014. Desde então, o grupo manteve a identidade baseada na combinação de peso e melodias marcantes, fórmula que ajudou a banda a liderar a parada Hard Music Albums da Billboard e alcançar o Top 20 da Active Rock no rádio. Lançado em 28 de março de 2025 pela Rise Records, Shapeshifter é o oitavo álbum de estúdio do Memphis May Fire. O trabalho foi apresentado ao público ao longo de uma sequência de singles, com faixas como “Chaotic”, “Paralyzed”, “Necessary Evil”, “Infection”, “Hell Is Empty”, “Overdose” e “The Other Side”. As músicas mais recentes foram produzidas e mixadas pelo guitarrista Kellen McGregor, um dos fundadores da banda. A base rítmica formada pelo baixista Cory Elder e pelo baterista Jake Garland completa a estrutura do grupo, enquanto os vocais de Matty Mullins tiveram produção de Cameron Mizell, que já havia trabalhado com a banda no álbum Unconditional, de 2014. Segundo Mullins, a proposta das novas músicas passa pela conexão direta com o público. O vocalista afirma que a ideia é criar canções que possam acompanhar diferentes momentos do dia a dia, seja em casa, no carro ou durante um treino, mantendo a identificação com quem acompanha a banda desde o início. Blessthefall O Blessthefall também chega ao Brasil em uma nova etapa da carreira. O grupo já havia retomado o contato com o público brasileiro em maio de 2024, quando realizou apresentações em Curitiba e São Paulo, também organizadas pela Liberation. Agora, com Gallows, a banda retorna à estrada com um novo capítulo na discografia e leva esse repertório para os palcos brasileiros. Serviço Memphis May Fire + Blessthefall em Belo HorizonteData: 27 de agosto de 2026Local: Mister RockEndereço: Av. Tereza Cristina, 295, Prado, Belo Horizonte (MG)Ingressos: www.clubedoingresso.com/evento/memphismayfire-blessthefall-bh Memphis May Fire + Blessthefall em São PauloData: 29 de agosto de 2026Local: Carioca ClubEndereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899, Pinheiros, São Paulo (SP)Ingressos: www.clubedoingresso.com/evento/memphismayfire-blessthefall-sp Memphis May Fire + Blessthefall em CuritibaData: 30 de agosto de 2026Local: Tork n’ RollEndereço: Av. Marechal Floriano Peixoto, 1695, Curitiba (PR)
Ludovic solta o visceral e reflexivo single “Pedestal”

Se existe um nome que evoca shows lendários, catarse coletiva e letras que são verdadeiros socos no estômago dentro do cenário independente brasileiro dos anos 2000, esse nome é Ludovic. E para a alegria (e melancolia) dos fãs, o quarteto paulistano acaba de dar mais um passo rumo ao seu aguardado novo disco. Nesta sexta-feira (6 de março), a Ludovi liberou nas plataformas digitais o single Pedestal. A faixa é a segunda amostra do próximo trabalho de estúdio do grupo, previsto para sair ainda neste semestre pela Balaclava Records, quebrando um jejum histórico de vinte anos desde o último álbum cheio da banda. Peso da paixão e o fim das idealizações da Ludovic Sucedendo a excelente e calorosa recepção do single anterior, Desde que eu morri, a nova faixa consegue balancear perfeitamente a sonoridade visceral, caótica e característica do Ludovic com elementos surpreendentemente novos, como harmonizações vocais elaboradas e passagens rítmicas complexas. Liricamente, o vocalista e compositor Jair Naves continua afiado. A canção aborda o perigo e a inevitabilidade das idealizações românticas que a paixão cega traz consigo. Formação de peso Citados frequentemente como influência direta por diversas bandas da nova geração, o Ludovic prova que o tempo só afiou suas garras. A formação que entra em estúdio para consolidar esse novo capítulo reúne gigantes da nossa cena alternativa:
Nevermore anuncia retorno triunfal e shows no Brasil em abril

O Nevermore, uma das bandas mais respeitadas, técnicas e influentes do metal moderno, anunciou oficialmente o seu retorno às atividades. E a melhor parte? O público brasileiro será um dos primeiros a testemunhar esse novo capítulo ao vivo no mês de abril, com direito a show em festival e uma apresentação exclusiva em São Paulo. Desde sua formação após o fim do Sanctuary, a banda construiu uma discografia intocável, entregando clássicos absolutos como Dead Heart in a Dead World e This Godless Endeavor. Agora, o legado ressurge com força total e propósito renovado. Nova formação e a fúria criativa Sob a liderança dos membros clássicos Jeff Loomis (guitarra) e Van Williams (bateria), o Nevermore apresenta uma line-up poderosa para honrar a sua história: Jack Cattoi assume as guitarras ao lado de Loomis, Semir Özerkan comanda o baixo, e a difícil missão dos vocais fica a cargo de Berzan Önen. Depois de anos afastados, a energia que sempre moveu o grupo voltou a pulsar. “Isso vem sendo gestado há bastante tempo e agora começou a se concretizar. Então que momento melhor para dar início a tudo do que agora?”, afirma o baterista Van Williams, resumindo o espírito combativo dessa nova fase. Dose dupla no Brasil: Bangers Open Air e side show 🎫 Serviço: Nevermore no Carioca Club (side show) Não marque bobeira, pois a capacidade da casa é limitada e os fãs esperaram anos por esse momento.
Tom Ribeira encanta com o lançamento do seu primeiro EP, “Pedaço”

Uma das vozes mais promissoras e cativantes da nova cena musical brasileira, Tom Ribeira lançou nesta sexta (6) o seu primeiro EP de estúdio, batizado de Pedaço. Com mais de 400 mil seguidores nas redes sociais e uma comunidade digital extremamente fiel, o cantor e compositor de 24 anos entrega um recorte íntimo e plural que traduz a sua geografia do afeto. O trabalho tem a MPB como fio condutor, mas passeia com maestria por paisagens sonoras contemporâneas desenhadas com samba, bossa nova, pop e forró. De Botucatu para os palcos de Paris A jornada de Tom é digna de filme. Nascido em Botucatu, no interior de São Paulo, ele evoca em seu lirismo a simplicidade e o apreço por suas raízes. A faixa Botucatu, por exemplo, é uma celebração poética da terra natal, citando o Rio Lava-Pés e a Cuesta, mas expandindo o sentimento para a universalidade da experiência latino-americana. Essa quebra de fronteiras não é apenas poética. Em 2022, o artista deixou o interior paulista para fazer um mochilão na Europa e, poucos meses depois, já estava se apresentando em palcos históricos de Paris, como o La Cigale e o L’Elysée Montmartre. Sua sonoridade remete à tradição de mestres como Dorival Caymmi e Cartola, flertando com a suavidade de Gal Costa e o experimentalismo de Itamar Assumpção. Faixa a faixa de “Pedaço”, do Tom Ribeira Gravado após um ano de intensa imersão criativa e produzido por Breno Viricimo, o disco traz composições que transitam entre o particular e o universal:
Juvi lança o denso álbum “O Sonho da Lagosta”

Quem conheceu Juvi apenas pelos seus vídeos virais nas redes sociais está prestes a ser atropelado por uma avalanche sonora de altíssima qualidade. A cantora, compositora e multi-instrumentista consolida de vez o seu nome na cena musical brasileira com o lançamento do álbum de estúdio O Sonho da Lagosta, via gravadora Deck. O projeto marca uma ruptura brutal, e muito bem-vinda, em relação aos seus trabalhos anteriores. Sai o humor como fio condutor e entra uma sonoridade orgânica, crua e levada a sério. Complexo de lagosta e a atitude punk de Juvi O conceito por trás do disco é fascinante. O título é inspirado no “complexo de lagosta”, uma metáfora da psicanálise que traça uma analogia sobre a vulnerabilidade e a transformação. Assim como o crustáceo precisa quebrar e abandonar o próprio exoesqueleto apertado (ficando totalmente exposto) para conseguir crescer, o ser humano também precisa de rupturas para evoluir. O álbum é exatamente sobre isso: recomeços. E Juvi não poupa ninguém. Com um discurso que beira a acidez do punk, ela disseca relacionamentos amorosos, dramas familiares e as complexidades das amizades. “É um álbum em que eu me mostro como guitarrista e vocalista. Toquei todos os instrumentos, tem menos efeitos na voz e muitos arranjos instrumentais. É um disco mais sério, o humor aparece como um acidente, não como fio condutor”, afirma a artista. Caldeirão psicodélico Musicalmente, O Sonho da Lagosta é uma viagem. Juvi misturou a grandiosidade do rock psicodélico de lendas como Pink Floyd, Frank Zappa e Cream, com referências quentes da música latina, que vão desde a loucura de Ca7riel & Paco Amoroso até a genialidade de Tom Zé e Fito Páez. O resultado é um disco com forte presença de percussão, efeitos analógicos e delays imersivos. O trabalho, que já havia sido antecipado em janeiro pelo ótimo single tá na hora de terminar, guarda ainda uma surpresa de peso no repertório: uma releitura visceral de Essa Noite Não (clássico de Lobão), a única faixa do disco que não leva a assinatura autoral de Juvi.
Amorphis anuncia três shows no Brasil em outubro

Celebrando uma das fases mais ambiciosas e expansivas de sua carreira, a instituição finlandesa do metal Amorphis confirmou três apresentações no Brasil em outubro de 2026. Os shows fazem parte da turnê mundial que promove Borderland, álbum de estúdio lançado pelo grupo em 2025. O itinerário da banda pelo país passará pelas seguintes capitais: Era “Borderland” e a mitologia nórdica Famoso por sua fusão impecável de metal melódico com paisagens sonoras progressivas, o Amorphis consolidou uma nova e poderosa etapa artística com Borderland. Concebida para traduzir todo o universo lírico e pesado do disco para os palcos, a nova turnê aposta em uma experiência ao vivo absurdamente imersiva. Os fãs podem esperar por ambientações visuais inspiradas na mitologia, na natureza e na melancolia nórdica. O setlist promete ser um presente para os fãs de longa data, equilibrando os clássicos absolutos de uma carreira que já ultrapassa três décadas com os arranjos expandidos das composições mais recentes. Conexão com o Brasil Não é segredo para ninguém que o Amorphis possui uma relação fortíssima com o público brasileiro. Construída ao longo de décadas de turnês regulares e presenças constantes em grandes festivais, a afinidade musical da banda encontrou no Brasil um dos mercados mais fiéis e receptivos do mundo para o metal progressivo e melódico. 🎫 Serviço: Amorphis no Brasil A realização é da Bangers Open Air com produção da Honorsounds. Garanta o seu ingresso nos links oficiais: 📍 Curitiba (PR) 📍 Belo Horizonte (MG) 📍 São Paulo (SP)
Adrian Younge lança o imersivo single “Visual Assault”

O genial compositor, produtor e multi-instrumentista de Los Angeles, Adrian Younge, entregou uma verdadeira obra de arte em formato de áudio. Ele liberou nas plataformas digitais o intenso single Visual Assault. A faixa é uma das peças centrais que antecipam o seu aguardado novo álbum, batizado simplesmente de YOUNGE, com lançamento mundial marcado para o dia 17 de abril de 2026 pelo selo Linear Labs. Hip hop encontra a música clássica Totalmente instrumental e gravado de forma orgânica em fita analógica, o novo projeto se apresenta como a magnum opus de Younge: um manifesto orquestral inteiramente pensado a partir da lógica de batidas e samples do hip hop. Escrito sob a perspectiva de um produtor contemporâneo, mas com a disciplina e o rigor da música clássica e cinematográfica, o disco YOUNGE funde orquestrações expansivas, seções rítmicas ao vivo e guitarras estouradas em fuzz. Arranjado e regido pelo próprio artista, o álbum combina uma orquestra de 30 músicos com sua banda base. O resultado evoca a tradição de lendas como Ennio Morricone e Lalo Schifrin, soando exatamente como uma trilha sonora perdida de um filme policial dos anos 1970, mas reimaginada para os ouvidos atuais. Tensão de Adrian Younge em “Visual Assault” O novo single, Visual Assault, abre-se como um confronto direto. A introdução traz uma bateria sincopada, baixo pesado e um synth cortante, estabelecendo uma atmosfera de absoluta inquietação enquanto os metais e as cordas trocam frases curtas. No meio da música, a estrutura sufocante se rompe e se expande em uma passagem melódica em tom maior, um momento de clareza que logo é engolido novamente pela tensão, reforçando o contraste arquitetônico da faixa.
Mari Romano lança o divertido single “Maluco da Retronoia”

Quem nunca mandou uma mensagem para um amigo e, ao demorar para receber a resposta, começou a criar mil teorias da conspiração na cabeça? É exatamente sobre esse estado de desconfiança e ansiedade moderna que a compositora, arranjadora e produtora musical carioca Mari Romano canta em seu mais novo single, Maluco da Retronoia. A faixa é a segunda amostra do seu aguardado novo álbum de estúdio, Além da Pele, sucedendo o single Tudo Errado (lançado no fim de janeiro). Origem inusitada da “Retronoia” Usando o humor de forma inteligente, Mari transforma a paranoia do dia a dia em um samba experimental delicioso. A inspiração para a faixa surgiu de uma situação real e cômica com um amigo. “Eu tinha saído com amigos e voltei pra casa com aquela sensação meio paranoica de que talvez um amigo tivesse ficado chateado comigo. Mandei mensagem pedindo desculpas e ele respondeu: ‘Que isso? Você tá na maior retronoia, relaxa!’. Eu estava com o violão no colo e respondi gravando um áudio cantando: ‘Maluco da retronoia…’. Quando vi, a música já existia, e eu adorei justamente esse jeito torto, meio deslocado”, diverte-se a artista. Produção refinada de Mari Romano Depois de anos dedicados a uma carreira brilhante como editora de som e sound designer em podcasts de destaque no Brasil e no exterior, Mari retorna à música autoral assumindo o protagonismo criativo absoluto: ela assina a produção, os arranjos e a direção musical. A sonoridade de Maluco da Retronoia ganha contornos geniais com participações de peso. A percussão é assinada pelo saudoso Zero Awá, mestre do samba falecido em 2024, membro fundador da Orquestra Imperial e um produtor extremamente inventivo. Para completar a atmosfera vibrante, o sax tenor de Jorge Continentino funciona como uma resposta melódica irresistível ao canto de Mari.