Entrevista | Pennywise – “Muitas pessoas usam Bro Hymn em funerais e nem precisa ser punk para se conectar com ela”

A edição de 2026 da We Are One Tour chega à América do Sul com o Pennywise como um de seus grandes protagonistas. Referência absoluta do skate punk e do hardcore melódico desde os anos 1990, a banda californiana lidera a turnê ao lado do Millencolin e Mute em uma sequência de shows que passa por cinco cidades brasileiras após iniciar a rota em Santiago e Buenos Aires. Em São Paulo, a procura foi tão grande que a primeira apresentação esgotou em apenas três dias, levando ao anúncio de uma data extra na Audio, no dia 31 de março. O line-up ainda conta com a banda paulistana The Mönic na abertura. O Pennywise ainda retorna em maio para o Porão do Rock em Brasília. Formado em 1988 em Hermosa Beach, na Califórnia, o Pennywise se consolidou como uma das forças do skate punk nos anos 1990, ao lado de nomes como Bad Religion, NOFX e The Offspring. Com riffs rápidos, refrões feitos para o coro coletivo e letras que misturam atitude positiva e crítica social, o grupo construiu uma carreira de mais de três décadas. A formação atual reúne Jim Lindberg (vocal), Fletcher Dragge (guitarra), Byron McMackin (bateria) e Randy Bradbury (baixo). Antes da passagem pelo país, o guitarrista Fletcher Dragge conversou com o Blog n’ Roll sobre a evolução do Pennywise desde os primeiros shows em festas de quintal na Califórnia, comentou o peso político do clássico “Fuck Authority” no atual cenário dos Estados Unidos e relembrou o impacto de “Bro Hymn”, homenagem ao baixista Jason Thirsk que se transformou em um dos maiores hinos do punk. A entrevista encerra a série especial do Blog n’ Roll com os headliners da We Are One Tour 2026. Anteriormente falamos com o Mute e o Millencolin. Pennywise tem mais de três décadas de história. Como você vê a evolução da banda de Hermosa Beach para palcos ao redor do mundo? Uau! Sim, muita história. Obviamente começamos em Hermosa Beach, uma pequena cidade da Califórnia. Surfávamos, nadávamos e o punk rock chegou por volta de 1979, 1980. Tínhamos bandas como Black Flag, Red Cross, Descendents e Circle Jerks tocando na nossa cidade, muitas vezes em festas de quintal. Crescer vendo essas bandas nos primeiros anos da nossa adolescência foi muito legal. Quando começamos o Pennywise, também tocávamos em festas de quintal. Depois fomos tocar no Arizona, depois em Tijuana. Ai lançamos nosso disco e alguém disse para irmos para a Europa. Então fomos para a Europa, depois para a Austrália e para a América do Sul. Foi tudo muito rápido, né? Foi louco perceber que nossa música estava indo para fora de Los Angeles. Quando começamos a ver fãs em lugares como Brasil, América do Sul, Austrália, Europa e Japão, graças à Epitaph Records e a bandas como Bad Religion abrindo caminho, foi surreal. Pensar que alguém no Brasil estava ouvindo um disco do Pennywise e dizendo “vocês precisam vir tocar aqui”. Demorou muito tempo para chegarmos ao Brasil, e eu nunca fiquei feliz com essa demora. Sempre havia planos, mas a vida acontecia. Quando finalmente fomos, foi incrível. As pessoas sabiam todas as letras, estavam enlouquecidas. Isso mostra o quanto a música é poderosa. É, o Brasil é muito intenso nos shows… Exatamente. E eu sempre falo que às vezes você pergunta a um garoto qual é sua banda favorita e ele responde Slayer. Aí você pergunta quem é o vice-presidente dos Estados Unidos e ele não sabe. Muitas vezes a música é mais importante para os jovens do que política ou escola. As bandas se tornam parte da identidade deles. Então ter influência no mundo todo, inclusive no Brasil, e ouvir pessoas dizendo que a música ajudou em momentos difíceis da vida, é algo enorme. Quando alguém diz que estava passando por um momento muito duro e que um disco do Pennywise ajudou a seguir em frente, isso é uma evolução gigantesca para nós como músicos. É uma honra saber que pessoas em todo o mundo se conectam com o que fazemos. Vocês sempre trouxeram política para a música. Como é ter o hino “Fuck Authority” em um cenário atual de tendências autoritárias nos Estados Unidos? É incrível, porque você pode subir ao palco e dizer “foda-se essa administração, foda-se Trump, foda-se o ICE” e tocar “Fuck Authority”. O público sabe exatamente o que fazer. Essa música foi escrita sobre um sistema policial abusivo em Los Angeles que estava envolvido em corrupção, assassinatos e tráfico de drogas. Quando isso veio à tona, foi a inspiração para a música. Todos ajudaram a escrever, mas a ideia começou ali. No fim das contas, todos têm alguém abusando de autoridade. Pode ser polícia, pais, professores ou governo. Muitas pessoas usam o poder que têm para explorar os outros, e é disso que a música fala. Agora, com o que está acontecendo nos Estados Unidos, a música parece ainda mais relevante. É como “Killing in the Name”, do Rage Against the Machine. Essas músicas continuam importantes porque sempre haverá pessoas lutando contra abuso de poder. Realmente é muito atual, minha irmã também mora na Califórnia e ela está bem preocupada com a atuação do ICE. Olha, eles falam sobre pegar criminosos e estupradores e toda essa merda. Primeiro de tudo, nem todos são criminosos e nem todos são estupradores. É assim que o Trump tenta classificar todo mundo e isso é besteira. Ninguém vai reclamar se você pegar criminosos. Mas quando você pega o cara que trabalha na construção, o cara que trabalha no restaurante, as mulheres que trabalham em hotéis ou os caras que trabalham no campo, aí estamos falando de pessoas muito trabalhadoras. Eu cresci na construção civil e metade dos trabalhadores comigo eram indocumentados. E eles eram as melhores pessoas: ótimos pais de família, pessoas muito honestas. São trabalhadores muito fortes. Atacar essas pessoas na rua é doentio. É simplesmente doentio. É fascista. Se você vier na minha casa, bater na minha porta usando máscara e sem identificação, vai ter
Entrevista | Kadavar – “Eu só quero ser um som. Não quero ser um personagem público. Prefiro apenas ser um som”

O Kadavar retorna ao Brasil neste mês trazendo no setlist seus dois últimos álbuns lançados no ano passado. Será show único no país, dia 21, no Carioca Club em São Paulo. A realização é da Agência Sobcontrole. Os ingressos estão à venda no Clube do Ingresso. Formada em Berlim em 2010, a banda alemã construiu uma trajetória marcada pelo resgate da estética do rock setentista, combinando riffs pesados, psicodelia e uma abordagem fortemente inspirada na gravação analógica. Com o passar dos anos, porém, o grupo ampliou seu alcance sonoro, incorporando novas texturas e explorando caminhos mais experimentais dentro do rock. Ao longo de mais de uma década de carreira, o Kadavar passou de uma promessa da cena stoner e retrô para um nome consolidado no circuito internacional. Álbuns como Abra Kadavar e Berlin ajudaram a definir a identidade inicial da banda, enquanto trabalhos mais recentes mostram um grupo disposto a expandir suas referências e testar novas direções criativas. Essa evolução também aparece no palco, onde o quarteto costuma equilibrar peso, psicodelia e longas improvisações. Em conversa com o Blog n’ Roll, o guitarrista Jascha Kreft e o baixista Simon Bouteloup falaram sobre o processo que levou à criação de dois discos em sequência, a origem da frase “I Just Want To Be A Sound” e a relação da banda com redes sociais e algoritmos. Acaba de completar quatro meses desde o lançamento do último álbum. Como foi a recepção do público até agora? Foi a reação que vocês esperavam enquanto gravavam o álbum? JASCHA KREFT: Nós estávamos em uma situação muito oportuna de trazer esse álbum com a gente em uma turnê antes do seu verdadeiro lançamento. Tocamos muitas músicas ao vivo, então foi muito legal experimentá-las dessa forma e ver as pessoas segurando o álbum nas mãos antes mesmo de ele estar oficialmente disponível. E eu acho que o público também ficou feliz em levar para casa algo que ainda não estava disponível nos serviços de streaming. Quando vocês perceberam que tinham material suficiente para dois discos diferentes? E por que decidiram lançar separadamente em vez de fazer um álbum duplo? JASCHA KREFT: Nós terminamos o álbum I Just Want To Be A Sound, que levou bastante tempo. Acho que algo como um ano e meio, ou dois anos, trabalhando nela quase constantemente. Depois disso, a máquina da criatividade começou a funcionar e sentimos vontade de continuar. Estávamos em um momento em que ainda havia algumas músicas que sobraram das sessões de I Just Want To Be A Sound. Ao mesmo tempo, continuávamos gravando por conta própria e ficamos surpresos com o quão fluido o processo estava. Então chegamos a um ponto em que percebemos que estávamos praticamente terminando outro álbum. Também tivemos a sorte de ter o apoio do nosso selo para fazer algo assim, o que nem sempre é comum. Eu estou aqui com o autor da frase “I Just Want To Be A Sound”. Essa frase é muito poderosa. Quando ela surgiu e quando você percebeu que poderia virar o título de um álbum? SIMON BOUTELOUP: Acho que essa frase apareceu cerca de dez anos atrás. Um antigo baterista me perguntou por que eu não estava nas redes sociais. E ainda não estou. Eu disse a ele diretamente que, se pudesse escolher, preferiria não estar. Eu só quero ser um som. Não quero ser um personagem público. Prefiro apenas ser um som. Então foi assim que surgiu. Durante o processo do álbum, ela apareceu novamente e naquele momento simplesmente ressoou com todos nós e com o que queríamos fazer com o disco. Ela apareceu dessa forma e todos concordamos com a ideia de que primeiro seria uma música e depois um tema para o álbum. Tem uma frase parecida do Jaron Lanier, que trabalha na Microsoft. Ele disse: “Eu evito as redes sociais assim como evito as drogas”. SIMON BOUTELOUP: Essa é boa. Sim, é verdade. Também pode ser muito viciante. Hoje muitos artistas pensam primeiro em singles e playlists antes de pensar em um álbum. Para vocês, o formato do álbum ainda é essencial para contar uma história? JASCHA KREFT: Definitivamente. Eu acho que escolher qual música será um single ou não é algo secundário. Primeiro existe o álbum, e tudo vem depois. Para nós isso é algo muito natural. Também não fazemos edições de singles para aumentar as chances de entrar em playlists. A maioria dos nossos singles ainda tem quatro minutos ou mais. E, na maioria das vezes, os algoritmos não gostam muito disso. A banda começou muito associada ao revival do rock dos anos 70. Em que momento vocês perceberam que precisavam ir além dessa identidade? JASCHA KREFT: Eu não acho que precisávamos necessariamente ir além disso. A banda também poderia ter continuado fazendo isso e alguns fãs ficariam felizes. Talvez outros fãs também gostassem de ouvir o mesmo álbum repetidamente. Falando sobre o público de rock, ele costuma reagir muito quando uma banda muda de som. Como foi lidar com a recepção de fãs mais conservadores durante essa evolução? JASCHA KREFT: Acho que sempre estivemos muito conscientes de que isso poderia acontecer e de que alguns fãs mais conservadores talvez não gostassem. E acho que isso também é completamente normal. Obviamente você acaba vendo algumas reações ou comentários. Mas eu acho que não há razão para ser rude ou muito agressivo. Às vezes isso acontece, mas faz parte. A última visita da banda ao Brasil foi em 2018. Nessa nova turnê, o setlist vai misturar material clássico com músicas recentes, certo? Vocês podem dar algum spoiler sobre o que os fãs brasileiros podem esperar? SIMON BOUTELOUP: Nós sempre tentamos incorporar todos as fases da banda no setlist, especialmente quando temos tempo para isso. Em um show completo você consegue desenvolver um pouco mais toda a discografia. Com certeza vamos tocar algumas músicas novas, talvez cinco ou seis, mas também as antigas e algumas coisas mais psicodélicas. JASCHA KREFT: Também temos uma versão de 15 minutos de Purple Sage, que fecha o
Muca e Roberto Menescal lançam single com anaiis

O que acontece quando você une a estética de produção londrina contemporânea com o DNA harmônico de um dos pais fundadores da Bossa Nova? A resposta atende pelo nome de Playing On The Loose Fields. A faixa é a primeira amostra do álbum Beleza, um projeto colaborativo idealizado pelo produtor, guitarrista e compositor brasileiro radicado em Londres, Muca, em parceria com Roberto Menescal. Caleidoscópio global de Muca e Menescal Movido pelo desejo de revisitar suas raízes brasileiras após 16 anos vivendo no Reino Unido, Muca concebeu o disco não apenas como um retorno pessoal, mas como uma reimaginação cultural. Para dar vida a essa visão, ele convidou ninguém menos que Menescal para tocar e co-produzir o álbum, unindo mais de seis décadas de história musical em um único projeto. “Este é, de longe, o projeto musical mais audacioso que abracei na vida”, afirma Muca. “Passar alguns dias no estúdio no Rio com o Menescal foi uma lição de vida, seu conhecimento e contribuição foram incrivelmente inspiradores.” Menescal devolve os elogios: “Me diverti muito trabalhando neste disco. Projetos como este permitem aprender algo novo e trazer pessoas e ideias frescas.” A grandiosidade do projeto se reflete no formato do disco: o álbum apresentará 12 cantoras diferentes (6 cantando em inglês e 6 em português). O line-up de vozes já confirmadas inclui nomes de peso como Liana Flores, Josyara, Fabiana Cozza, Sofia Grant, SARAH, Mirella Costa, Ilessi, Alice SK, Heidi Vogel, Joia Luz e Amanda Maria. Poesia de “Playing On The Loose Fields” Para o single de estreia, a dupla recrutou a cantora franco-senegalesa anaiis, conhecida por sua arte fluida e seu estilo vocal extremamente caloroso. A letra da canção é assinada pelo aclamado poeta britânico L.A. Salami. Seus versos transitam entre a memória e a presença, celebrando a coragem da autoexpressão. O resultado é uma música íntima, delicada e emocionalmente ressonante.
Rafael Kadashi transforma dor em poesia no single “Desilusão”

Nem todo lançamento de sexta-feira precisa ser feito para as pistas de dança. Às vezes, a trilha sonora ideal para o fim de semana é aquela que nos ajuda a olhar para dentro. É exatamente esse o convite que o cantor e compositor carioca Rafael Kadashi faz ao público com o lançamento do single Desilusão. A faixa é a principal amostra do universo conceitual do seu aguardado próximo álbum, batizado de Poemas da Meia-Noite. Cicatrizes do amor e a madrugada Fruto do subúrbio do Rio de Janeiro, Kadashi sempre construiu sua obra a partir da observação atenta das relações humanas. Em “Desilusão”, esse olhar se volta para as contradições do afeto e para as marcas deixadas pelos vínculos que inevitavelmente se desfazem. A letra mergulha na vulnerabilidade de quem tem a coragem de se entregar a um sentimento, mesmo sabendo dos riscos emocionais da queda. No refrão, o artista decreta: “A desilusão da alma tem poder / de te levar abaixo do chão”. No entanto, a música não estaciona na tristeza; ela abre espaço para uma virada reflexiva focada na superação e na força transformadora do amor próprio. “Poetizei e musiquei todos os nossos dramas noturnos. Quando não estamos bem, é nesse silêncio da madrugada que encontramos perguntas profundas sobre quem somos e para onde vamos”, explica Rafael sobre a atmosfera do novo disco. Trajetória de intensidade da Kadashi A construção dessa identidade autoral centrada na vulnerabilidade não é de hoje. A trajetória de Kadashi vem numa crescente emocional desde o EP Livre (2017), passando pelos discos Quebrado (2018) e Pedaços (2022). A fase atual, no entanto, é a mais ambiciosa do artista. Além do álbum Poemas da Meia-Noite, Rafael prepara o lançamento do seu livro de poemas, Inteireza, que dialoga diretamente com as composições. E os motores não param: ele já está trabalhando no projeto sucessor, Poemas do Meio-Dia, que promete explorar uma fase estética e emocional completamente nova e iluminada.
Dance of Days abre temporada 2026 com show catártico em São Paulo

A banda paulistana Dance of Days anunciou a abertura da sua temporada de apresentações de 2026 com um show marcado para o próximo sábado, 14 de março, na Jai Club, em São Paulo. O grupo promete entregar um espetáculo de uma hora e meia de duração, passeando de forma visceral por sucessos dos aclamados álbuns A História Não Tem Fim, Coração de Tróia, A Valsa de Águas Vivas, Lírios Aos Anjos e Insônia, além de revisitar clássicos de toda a sua discografia. Da ilha para a metrópole Fundada em 1997 e originária da Personal Choice, reconhecida como a primeira banda de emocore brasileira, a Dance of Days atravessou gerações. O público que lotava as gigs insanas no início dos anos 2000 hoje já é adulto, mas continua acompanhando o grupo com a mesma devoção e intensidade. Para a vocalista Nenê Alltro, que desde 2020 vive na pacata cidade de Cananéia (a última ilha do litoral sul paulista), o retorno aos palcos da capital tem um sabor especial de reencontro. “Quando me mudei da metrópole para a ilha, imaginava uma carreira mais tranquila, apenas com shows pontuais e especiais. Mas… São Paulo é assim, né? Nossa família gosta de se reunir, então queremos fazer sempre o nosso melhor para ela. Por isso, voltar para tocar é sempre uma alegria!”, explica Nenê. Roteiro da noite do Dance of Days A noite na Jai Club ainda contará com a energia das bandas de abertura Becold e Capitão Náufrago, aquecendo o público antes da atração principal. Após o compromisso em São Paulo, a Dance of Days já tem as malas prontas para seguir viagem rumo a duas apresentações na CAOS, em Porto Alegre. 🎫 Serviço: Dance of Days na Jai Club
Regiane Cordeiro divulga seu 1º álbum solo, “Raiz do Mundo”

Após uma década de protagonismo na cena, a cantora e compositora Regiane Cordeiro lançou o seu aguardado primeiro álbum solo, batizado de Raiz do Mundo. Lançado estrategicamente no mês que celebra as mulheres, o trabalho já está disponível em todas as plataformas digitais e funciona como uma poderosa reafirmação da sua identidade como mulher preta, independente e guardiã de um legado ancestral. Legado mineiro e a viola caipira no reggae O título do álbum é uma homenagem direta às origens de Regiane, que cresceu no norte de Minas Gerais. A artista é parte da tradicional Família Cordeiro, uma linhagem composta por seu pai, irmãos e sobrinhos, todos cantores e multi-instrumentistas que mantêm viva a arte regional. Essa herança sanguínea e afetiva é a grande base estética do disco. Regiane inovou ao trazer elementos do cancioneiro popular mineiro para dentro do reggae convencional. “Trago por exemplo a viola caipira para esse disco. O cancioneiro popular mineiro adora essa raiz, e eu achei importante trazer. Convidei o Moreno Overá para somar o toque da viola aos arranjos do Luizinho Nascimento”, explica a cantora. Na belíssima faixa Chão Vermelho, Regiane reverencia seus antepassados e sela um encontro emocionante com a lendária Célia Sampaio (a dama do reggae maranhense), unindo a maturidade da sua história familiar à realeza do reggae brasileiro. African voice e o encontro de mulheres Tecnicamente, a obra destaca o estilo African-voice de Regiane. A artista fez questão de não polir excessivamente a gravação, mantendo a textura, o grão da voz e a emoção crua para preservar o caráter ritualístico da sua música. Além de sua força solo, o álbum promove um verdadeiro encontro histórico de potências femininas. Confira as participações de peso que compõem o disco: Faixa Participação Especial O que a música representa Vida Importa Marina Peralta Uma celebração da confiança mútua e da vida. A Gira Mis Ivy A união da potência do Dancehall brasileiro com a força ancestral. Era das Máquinas CAYARÌ A artista indígena traz cantos em sua língua nativa falando de cura e natureza. Mulheres Reais Elaine Alves Uma nova versão para honrar as mulheres que abriram os caminhos. O disco ainda conta com a assinatura magistral do produtor Wagner Bagão na versão Mulheres Reais Dub, feita sob medida para bater forte nas caixas de som dos bailes. Para Regiane, entender a própria origem é o que permite a expansão. Como ela mesma resume: “Voltar à raiz é uma forma de encontrar poder”.
Livremente Sounds estreia com o clipe inspirador de “Solaris”

A banda paulista Livremente Sounds lançou o seu single de estreia, Solaris, que já está disponível nas principais plataformas digitais. A faixa conta com a produção caprichada de Bruno Dupre, integrante do grupo Brasativa. Composta pelo vocalista Caio antes mesmo de a banda ter sua formação completa, Solaris é, em sua essência, um hino sobre sentir-se vivo e não ter medo de encarar os desafios diários. “É sobre darmos a cara para bater e ter fé, independente da realidade que vivemos. Acreditamos que seja uma canção de esperança por um olhar mais maduro e menos utópico”, revela o cantor. Sombra do CBJR e do reggae A sonoridade da faixa nasceu de forma orgânica. Durante as sessões para criar a melodia, os integrantes estavam imersos no som do grupo norte-americano SOJA, o que naturalmente empurrou a música para uma cadência mais reggae. Mas a grande surpresa veio no ápice da composição. A banda percebeu que a explosão de esperança no final da música carregava uma influência muito direta e visceral de um dos maiores hinos do rock caiçara: “Lugar ao Sol”, do Charlie Brown Jr. “Foi uma influência que aconteceu, não pensamos nisso no primeiro momento, apenas percebemos ao terminar a canção”, afirma Caio. Essa mistura que bebe na fonte do reggae, passa pela energia do hardcore e culmina na atitude rock tem conexão direta com o DNA sonoro que sempre ferveu na Baixada Santista. Mergulho na natureza de São Paulo Para acompanhar o lançamento, a Livremente Sounds também disponibilizou um videoclipe oficial dirigido por Danilo Costa. Com roteiro assinado pelo próprio vocalista, as gravações aconteceram no distrito de Marsilac, no extremo sul de São Paulo, retratando os músicos num dia de folga em total imersão com a natureza — um contraste visual perfeito para a selva de pedra paulistana. Identidade e propósito da Livremente Sounds Formada em 2025 por Caio (voz), Dudu (guitarra), Tufê (baixo) e Funga (bateria), a banda não tem medo de rótulos, mas sabe exatamente onde quer pisar. Eles definem sua sonoridade como um rock com total abertura para experimentações. “Em nossas músicas vai ter rap, reggae, ska, punk rock, hardcore, e no final tudo é rock”, crava o vocalista. Em um cenário musical cada vez mais dominado por lançamentos acelerados e descartáveis, a banda surge com a proposta de construir uma trajetória sólida, focada no longo prazo e na conexão real com o ouvinte.
União de Aurora e Tom Rowlands libera o hipnótico single Somewhere Else

O universo da música eletrônica e da pop alternativa ganhou um novo e poderoso capítulo com o mais recente single do duo Tomora, o ambicioso projeto que une a artista norueguesa Aurora a Tom Rowlands, a mente brilhante dos eternos The Chemical Brothers. A nova faixa, intitulada Somewhere Else, já se encontra disponível em todas as plataformas de streaming, acompanhada por um videoclipe oficial impressionante realizado por Adam Smith e S T A R T. Essência pura de Aurora e Tom Rowlands em “Somewhere Else” A canção apresenta os Tomora na sua forma mais pura e destilada: uma síntese perfeita de mensagem, melodia e potência sonora. A música arranca com uma linha vocal etérea e quase extraterrestre, canalizada de forma sublime por Aurora. Aos poucos, a base rítmica de Rowlands entra em cena, conjugando uma atmosfera contemplativa com uma batida intensa. É o som do pop do século 21: íntimo, mas simultaneamente desenhado para ecoar em grandes recintos. “Somewhere Else é uma das primeiras canções que escrevemos como Tomora. E ela abriu uma grande porta para nós, para dentro do nosso próprio mundo”, comenta Aurora. Tom Rowlands acrescenta: “Desde que a Aurora cantou esta melodia para mim, ela ficou a rodar na minha cabeça e a iluminar os meus dias. Tocámos uma versão inicial no Festival de Glastonbury e foi mágico. Poder partilhá-la agora é uma alegria enorme.” Do Coachella ao álbum “Come Closer” A especulação em torno do duo começou a ganhar força quando o enigmático nome Tomora surgiu no cartaz do festival Coachella 2026. O véu começou a levantar-se com o aclamado single de estreia Ring the Alarm. A parceria, no entanto, não é fruto do acaso. A semente criativa foi plantada durante as sessões de No Geography (2019), dos The Chemical Brothers, e floresceu com a colaboração de Rowlands no álbum de Aurora, What Happened to the Heart? (2024). Agora, preparam-se para editar o seu primeiro longa-duração, Come Closer, com data de lançamento global agendada para 17 de abril de 2026 (via Fontana). Ao longo de 12 faixas, o duo constrói uma viagem que vai da psicadelia dos anos 60 ao futurismo imaginado para 2060. * 💿 Come Closer
Nanda Moura lança a visceral “Sempre Não é Todo Dia”

Após o excelente lançamento de Louca, a cantora e guitarrista Nanda Moura, uma das vozes mais marcantes e autênticas do blues rock contemporâneo brasileiro, disponibilizou o seu novo single: Sempre Não é Todo Dia. A faixa é uma releitura ousada e criativa da composição original de Oswaldo Montenegro e Mongol (que integrou a peça Aldeia dos Ventos nos anos 80 e ganhou fama na voz de Zizi Possi). Nas mãos de Nanda, a música é reconduzida por caminhos muito mais ásperos e intimistas. Desafio de Nanda Moura de reinventar um clássico Munida de um violão resonator e do clássico slide, a interpretação de Nanda assume os contornos poeirentos do blues do Mississippi, reforçando a visão da artista de que a essência da canção “é, naturalmente, um Blues”. A letra narra o amanhecer de uma mulher que percebe que nem todo dia é possível manter a postura impecável e “principesca” que a sociedade espera dela. Criar uma versão própria para uma obra tão consolidada exigiu cautela e coragem. “A maior dificuldade que eu tive foi de não cantar imitando o estilo do Oswaldo. Ele tem uma identidade muito forte”, confessa Nanda Moura. O esforço, no entanto, foi recompensado da melhor forma possível. Ao ouvir a releitura minimalista e crua, o próprio Oswaldo Montenegro reagiu com entusiasmo absoluto: “Fiquei muito honrado com sua versão. Quero muito que todo mundo ouça o que eu ouvi aqui!”. >> LEIA ENTREVISTA COM NANDA MOURA Desvio para o vermelho A faixa chega acompanhada de um belíssimo vídeo-conceito, que estreia simultaneamente no canal oficial da artista no YouTube. A produção mantém o fundo infinito branco que já havia sido apresentado no clipe de Louca, mas agora introduz o vermelho como uma nova e intensa camada simbólica. Espelhos, objetos de cena e a própria maquiagem rompem a neutralidade visual da imagem. “Cildo Meireles foi uma inspiração, especialmente na ideia do desvio para o vermelho”, explica a cantora. O lançamento marca o segundo capítulo de uma tríade audiovisual que vai culminar em um terceiro vídeo (totalmente imerso na cor), concluindo o seu aguardado EP.