Abissal funde o peso do rock dos anos 90 com a leveza do dream pop no EP “Sutra”

A banda Abissal, natural de Jundiaí (SP), disponibilizou nas plataformas de áudio o seu mais novo EP, Sutra. O lançamento chega ao mercado chancelado pelo selo independente Casalago Records. Composto por cinco faixas, o trabalho consolida a nova identidade do projeto, que iniciou sua trajetória no distante ano de 2007, passou por hiatos, trocas de nome e agora se firma sob a alcunha de Abissal. Melancolia luminosa e Clube da Esquina Fugindo da crueza de seus primeiros registros, o quarteto formado por Murilo Ferragut (voz e guitarra), Bruno Cavalcanti (baixo), Dan (guitarra) e Uncas (bateria) batizou a própria sonoridade de “melancolia luminosa”. Na prática, a banda utiliza a base pesada do grunge e do rock alternativo da década de 1990 e a envelopa com camadas de post-rock e dream pop. A lista de influências diretas para a construção de Sutra ajuda a explicar a mistura: o grupo cita desde a agressividade do Nirvana e Silverchair, passando pela complexidade do Radiohead e The Smile, até chegar à precisão melódica brasileira do Clube da Esquina, Lô Borges e Os Mutantes. “A Casalago Records teve papel central nesse movimento. A criação do selo foi decisiva para dar estrutura ao projeto e ampliar o nível técnico da produção, baseada em experimentação e lapidação de arranjos”, explica a banda sobre o disco, que teve mixagem e masterização de Gui Godoy. Repertório do Abissal Liricamente, o EP trata de autoconhecimento e da elaboração de traumas. O disco abre com a climática faixa-título Sutra, ganha tração com Ouroboros, e mergulha em conflitos familiares na trinca Meu Templo e O Caminho. A catarse final acontece na faixa de encerramento, Miracéu, uma composição totalmente instrumental. Sublinhando o caráter orgânico do registro no estúdio, a música (e o EP) termina com o vazamento do som das baquetas sendo deixadas de lado pela bateria e uma voz ao fundo perguntando: “Foi?”. 💿 Serviço: lançamento do EP “Sutra” O disco já se encontra disponível para audição integral nos aplicativos de música e encerra um ciclo de reformulação estética do quarteto de Jundiaí. Tracklist

Festival 5 Bandas e Bananada anunciam edição conjunta na Casa Rockambole

O Festival 5 Bandas anunciou uma edição especial em formato collab com o Festival Bananada. O evento conjunto acontecerá no dia 26 de abril (domingo), na Casa Rockambole, reduto alternativo encravado na Vila Madalena, em São Paulo. Embora o line-up com as atrações ainda seja mantido em segredo, a organização já liberou a venda de ingressos no formato blind tickets (às cegas) para os fãs que confiam na curadoria dos selos. Encontro de gerações A parceria marca o diálogo entre dois projetos que compartilham do mesmo DNA: a descoberta e a aposta em novos nomes da música brasileira. De um lado, o 5 Bandas, idealizado por Alexandre Giglio, criador do canal Minuto Indie, que vem se consolidando como uma vitrine fundamental para artistas emergentes em São Paulo. Do outro, o histórico Bananada, fundado por Fabricio Nobre, que há décadas movimenta o underground nacional a partir de Goiânia (e que confirmou seu retorno oficial para agosto de 2026). “Como fã, sempre imaginei coisas desse tipo acontecendo. Fazer um festival em collab com o Bananada é mostrar que o 5 Bandas também é uma nova potência que está se consolidando no mercado. Era uma daquelas ideias utópicas que, numa conversa informal, se concretizou”, celebra Giglio. Para Fabricio Nobre, a união faz todo o sentido mercadológico e cultural. “O Bananada sempre foi um festival de descobertas. Ver o 5 Bandas criando esse mesmo espírito hoje mostra como a cena independente se renova. É um diálogo entre duas gerações que acreditam na mesma coisa: apresentar artistas novos para pessoas curiosas”, resume o fundador. 🎫 Serviço: 5 Bandas feat Bananada Os ingressos do lote Early Birds (venda antecipada sem o anúncio das bandas) já estão disponíveis na plataforma Meaple.

Duo punk The Meffs critica a falsa autenticidade da indústria musical no single “Business”

O duo britânico de punk rock The Meffs confirmou os detalhes do seu segundo disco de estúdio. O álbum, batizado de Business, será lançado no dia 11 de setembro pelo selo FLG. Para antecipar o projeto, a banda natural de Essex disponibilizou nesta quarta-feira (18) o videoclipe e o áudio da agressiva faixa-título. Formado por Lily Hopkins (vocal e guitarra) e Lewis Copsey (bateria), o grupo tem chamado a atenção no circuito independente britânico por sua ética do it yourself (DIY) e por atuar como patronos do Music Venue Trust, organização que defende espaços de shows de pequeno porte no Reino Unido. Crítica à indústria A faixa Business aborda diretamente as contradições do mercado da música e a exigência por artistas moldáveis. “Na vida, dizem para você ser o seu ‘eu autêntico’, mas apenas se esse ‘eu’ se encaixar em um molde e for bom para a marca. Nos dizem que não somos duros o suficiente, mas também não somos suaves o suficiente; não somos queer o suficiente, mas somos queer demais. Nós sabemos quem somos. Business é uma canção de amor”, ironiza a banda. O álbum completo conta com a produção de Dan Weller. O repertório de 11 faixas foi gravado em meio a uma agenda lotada, que incluiu a abertura de shows para gigantes como Sex Pistols, The Undertones, Alice Cooper e apresentações em festivais como Glastonbury e Download. Velocidade e política A sonoridade do disco promete capturar a urgência e a sujeira das apresentações ao vivo do duo. O roteiro do álbum inclui faixas de curtíssima duração, como Fight (uma explosão de apenas 30 segundos), e composições voltadas à crítica social e política, como Disorder (Wake Up) e a irônica So Modern (Keep Up). 💿 Serviço: The Meffs – Business O single “Business” já pode ser ouvido nas plataformas de áudio e o álbum entrou em período de pré-venda nas lojas internacionais.

Butthole Surfers desenterra álbum perdido de 1998 para apagar desastre com a indústria fonográfica

A justiça histórica finalmente bateu à porta de uma das bandas mais excêntricas do rock alternativo norte-americano. O Butthole Surfers anunciou nesta quarta-feira (18) o lançamento oficial de After The Astronaut, um disco de estúdio que estava pronto e finalizado desde 1998, mas que acabou engavetado pelas grandes gravadoras. Para marcar o anúncio, o grupo liberou o videoclipe inédito para a versão original de Jet Fighter, uma faixa que aposta em uma sonoridade densa e próxima ao trip-hop psicodélico. Intervenção da Disney e o fator Kid Rock A história de After The Astronaut é um retrato clássico da interferência corporativa na música dos anos 90. Após o sucesso estrondoso e improvável do single Pepper e do disco de ouro Electric Larryland em 1996, a banda gravou o sucessor natural do projeto. A Capitol Records, no entanto, cancelou o lançamento de última hora. O material foi então comprado pela Hollywood Records (selo afiliado à Disney), que exigiu mudanças drásticas. A banda foi obrigada a regravar as faixas e incluir parcerias comerciais duvidosas, como um gancho escrito por Kid Rock para o single The Shame Of Life. O resultado dessa interferência foi o desastroso álbum Weird Revolution, lançado em 2001. A experiência foi tão traumática que a banda nunca mais lançou um disco de inéditas desde então. “A Hollywood Records comprou o álbum, mas queria fazer mudanças nele, o que foi uma experiência muito desconfortável para nós”, relembra o guitarrista Paul Leary. O baterista King Coffey detalha a visão original do projeto, que agora chega ao público sem filtros: “Foi um projeto divertido. Estávamos usando todos os brinquedos digitais à nossa disposição e brincando com as coisas que nos divertiam. Não estávamos preocupados com o rádio, era uma volta às nossas raízes experimentais”. Renascimento cultural O resgate do álbum original pega carona no atual momento de redescoberta da banda. O Butthole Surfers é o tema central do novo documentário The Hole Truth And Nothing Butt, o que motivou a primeira apresentação ao vivo do grupo em oito anos. Além disso, a banda teve uma de suas músicas incluída recentemente na trilha sonora da série Stranger Things. 💿 Serviço: Butthole Surfers – “After The Astronaut” O clipe de “Jet Fighter” (dirigido por Jeffrey Garcia) já está disponível. O álbum resgata a tracklist idêntica à planejada em 1998. Tracklist de After The Astronaut

St. Vincent eleva o rock alternativo no álbum “Live in London!”, gravado com orquestra de 60 músicos

A cantora, compositora e guitarrista norte-americana St. Vincent (Annie Clark) oficializou nesta quarta-feira (18) o lançamento de um projeto de proporções eruditas. A artista disponibiliza nesta sexta-feira, dia 20 de março, o álbum Live in London!, via selo Total Pleasure/Virgin Music Group. O registro documenta a grandiosa apresentação de Clark durante o evento BBC Proms de 2025, realizado no Royal Albert Hall, em Londres. Peso de 60 instrumentistas Para o repertório do show, que passeia por todas as fases de sua discografia, a cantora subiu ao palco acompanhada pela orquestra conduzida pelo renomado maestro e arranjador britânico Jules Buckley, composta por 60 instrumentistas. O formato sinfônico desconstruiu e ampliou a sonoridade de faixas como New York, Slow Disco e Smoking Section, fundindo a complexidade da música clássica com as guitarras angulosas e a estética do art rock que definem o trabalho de St. Vincent. Turnê sinfônica na América do Norte O sucesso da gravação em Londres motivou a cantora a transportar o formato para a estrada. Junto com o anúncio do disco, St. Vincent confirmou uma longa turnê norte-americana onde se apresentará exclusivamente acompanhada por orquestras locais sob a direção de Buckley. A rota inclui apresentações ao lado da Filarmônica de Nova York (no Lincoln Center), da Sinfônica de Chicago, da Sinfônica de São Francisco e da orquestra do Hollywood Bowl, em Los Angeles. “Neste verão, terei o prazer de fazer shows com orquestras conceituadas nos Estados Unidos”, declarou a artista em nota. “Fiz isso uma vez em Londres e foi… glorioso pra caralho! Então vamos lá, rumo à beleza!”. 💿 Serviço: St. Vincent – “Live in London!” O álbum chega aos aplicativos de música nesta sexta-feira (20), mesma data em que a venda geral de ingressos para a turnê sinfônica será aberta. Tracklist

Rock in Rio fecha line-up de rock com The Hives, Rise Against e despedida do Sepultura

The Hives

A organização do Rock in Rio 2026 encerrou o mistério sobre a programação dos dias focados nas guitarras. Nesta terça-feira (17), o festival anunciou os nomes que completam os line-ups dos Palcos Mundo e Sunset para os dias 4 e 5 de setembro, juntando-se aos já anunciados Foo Fighters, Avenged Sevenfold e Bring Me The Horizon. O grande peso histórico do anúncio ficou por conta do Sepultura. A banda brasileira foi confirmada para abrir o Palco Mundo no dia 5 de setembro, realizando não apenas a sua despedida do festival, mas o penúltimo show de sua carreira, antecedendo o encerramento definitivo de suas atividades em São Paulo. Confira como ficou a divisão dos palcos: 4 de setembro: punk, garage rock e nostalgia nacional O dia encabeçado pelo Foo Fighters ganhou reforços de peso internacional que farão suas estreias na Cidade do Rock. 5 de setembro: metal moderno e nova geração O dia que já contava com Avenged Sevenfold e Bring Me The Horizon assumiu uma postura focada no rock e metal contemporâneo, com forte presença feminina no palco secundário. 🎸 Serviço: Rock in Rio 2026 Os ingressos do formato “Rock in Rio Card” já estão esgotados. A organização anunciará a data para a venda geral de ingressos em breve.

The Red Jumpsuit Apparatus adia show em São Paulo para agosto

A apresentação da banda norte-americana The Red Jumpsuit Apparatus, inicialmente marcada para o dia 28 de março, foi reagendada para o dia 8 de agosto (sábado). O local do evento permanece inalterado: o Hangar 110, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. Segundo o comunicado oficial, a mudança de data ocorreu devido a motivos pessoais dos integrantes da banda, sendo uma decisão alheia ao trabalho da produtora brasileira Áldeia Produções Artísticas. Ingressos e política de reembolso Para os fãs que já haviam garantido presença, a organização reforça que todos os ingressos adquiridos seguem válidos para a nova data em agosto, sem necessidade de troca. Para aqueles que não puderem comparecer no dia 8 de agosto e optarem pelo estorno do valor, o contato deve ser feito diretamente com a plataforma Pixelticket através do e-mail (contato@pixelticket.com.br) ou pelo WhatsApp de suporte (11 97135-5496). Turnê ‘Don’t You Fake It’ A passagem do grupo pelo Brasil integra a turnê internacional que celebra os 20 anos de lançamento do álbum Don’t You Fake It (2006). O disco cravou o nome da banda no auge da cena emo e do rock alternativo da primeira década dos anos 2000. O grande diferencial do The Red Jumpsuit Apparatus na época foi furar a bolha do underground com o single Face Down. Diferente de seus contemporâneos que focavam em desilusões amorosas, a faixa trazia uma denúncia explícita contra a violência doméstica, narrando a história de uma mulher vítima de agressões. A postura direta fez com que a música fosse adotada em campanhas de conscientização contra relações tóxicas e violência de gênero. O show no Hangar 110 será focado na execução desse álbum clássico na íntegra (incluindo sucessos como False Pretense e a balada Your Guardian Angel), além de abrir espaço para singles mais recentes, como Perfection e Slipping Through. 🎫 Serviço: Nova Data – The Red Jumpsuit Apparatus A doação de 1kg de alimento não perecível ou de um pacote de absorvente feminino garante o benefício do Ingresso Promocional Solidário.

El Negro foge do estúdio e grava o álbum “Bronco” no porão da antiga prefeitura de Porto Alegre

A padronização sonora dos estúdios modernos fez a banda gaúcha El Negro buscar uma rota de fuga radical para o seu quarto disco. O trio disponibilizou nas plataformas digitais o álbum Bronco, um trabalho cuja sonoridade foi moldada diretamente pela arquitetura do local onde foi concebido. Fugindo das cabines de gravação tradicionais, o grupo formado por Mumu (vocal, guitarra e teclados), Fabian Steinert (baixo e guitarra) e Leandro Schirmer (bateria e percussão) montou seus equipamentos no subsolo da antiga prefeitura de Porto Alegre, um prédio de arquitetura neoclássica no centro da capital gaúcha. El Negro aposta na acústica do porão e rejeição à IA A escolha do porão não foi um mero capricho estético. A banda utilizou o espaço como um elemento ativo na captação do áudio, capturando a reverberação e a crueza do ambiente para encorpar a sua mistura de rock de garagem com electro rock. Segundo o vocalista Mumu, a decisão é uma resposta direta à plastificação da música atual. “Fizemos testes em diferentes lugares antes de escolher a antiga prefeitura. Isso era feito nos anos 70 e me parece muito atual em épocas de inteligência artificial. A busca é por um som com mais presença, textura e personalidade em um momento em que a padronização técnica é cada vez mais acessível”, explica o músico. Conexões com o rock gaúcho Para além da experimentação acústica, Bronco solidifica suas raízes na cena do Rio Grande do Sul ao recrutar dois nomes de peso para o repertório:

Mari Romano canta em inglês e flerta com o krautrock no inusitado single “Mosquito”

Um jogo de palavras aleatórias durante uma residência artística foi o gatilho para o single Mosquito, da cantora e compositora carioca Mari Romano. A faixa ocupa um papel central em seu próximo álbum de estúdio, batizado de Além da Pele. A composição surgiu quando Mari e o artista de Los Angeles Oto-Abasi decidiram sortear palavras em inglês para criar poemas como forma de passar o tempo. A partir dos termos mosquito, flower e cry, a carioca pegou o violão e estruturou o que viria a ser a única faixa cantada em idioma estrangeiro do seu novo disco. Krautrock e microfones vintage em Mosquito, de Mari Romano Fugindo de estruturas convencionais, Mosquito assume um clima soturno e de faroeste. A sonoridade rítmica e hipnótica da faixa carrega forte influência da banda alemã Can (um dos pilares do krautrock dos anos 70). A base musical foi gravada com a cozinha afiada formada por Guilherme Lírio (baixo) e Jeremy Gustin (bateria). O tratamento vocal também recebeu atenção técnica específica. A captação ocorreu no estúdio do músico Vovô Bebê, com operação de Rafaela Prestes. “A voz principal foi gravada com a técnica de emparelhar lado a lado um microfone moderno com um microfone super antigo. Isso gerou um efeito quase de rádio antigo, dando um caráter próprio para a interpretação”, detalha a produção. Liricamente, a faixa traça um paralelo sobre a mortalidade, comparando a fragilidade da vida de um inseto à condição humana diante das leis da natureza. Remix para as pistas O lançamento duplo também joga a faixa diretamente nas pistas de dança. Mosquito ganhou um remix oficial assinado pelo DJ e produtor Vinicius Tesfon, que transformou a levada soturna original em um groove no estilo house/disco, adicionando inclusive um novo verso cantado em espanhol. A força da versão eletrônica foi tamanha que a faixa acabou sendo prensada em vinil para integrar uma coletânea exclusiva da Mov Dome, a tenda de música eletrônica do festival Rock The Mountain.