The Adicts se despede do público brasileiro com show apoteótico no Carioca Club

The Adicts

A noite de 18 de março de 2026 ficará marcada na memória dos punks paulistanos como o capítulo final de uma era. O Carioca Club foi o palco escolhido para a “Adios Amigos Tour”, a turnê de despedida dos ingleses do The Adicts da América Latina. Após quase cinco décadas de estrada, a banda provou que o vigor do punk rock permanece intacto, entregando uma performance que misturou caos, glitter e nostalgia. Estética Laranja Mecânica e showmanship Desde os primeiros acordes de Let’s Go, ficou claro que o visual inspirado no filme Laranja Mecânica continua sendo o pilar do grupo. O vocalista Keith “Monkey” Warren, um dos maiores showmen da história do gênero, comandou o público com sua habitual maestria. Entre serpentinas, confetes e truques de mágica punk, Monkey transformou o Carioca Club em um espetáculo teatral visceral. Setlist de hits e emoção no show do Adicts O repertório foi generoso, cobrindo todas as fases da carreira estabelecida desde os anos 70. A sequência inicial com Joker in the Pack e Horrorshow preparou o terreno para o que viria a seguir: um desfile de hinos entoados a plenos pulmões por um público que suou e pulou sem descanso. Os destaques absolutos foram as execuções de: O encerramento não poderia ser mais emblemático. Com a plateia em êxtase, a banda entregou a cover de You’ll Never Walk Alone, um momento de comunhão absoluta entre os músicos e os fãs brasileiros, selando a gratidão mútua de anos de história. A passagem da turnê “Adios Amigos” por São Paulo, com realização da Powerline e Heart Merch, não foi apenas um show, mas uma celebração da longevidade. O evento, que contou com o aquecimento de Supla e Lixomania, reafirmou que o punk rock, quando feito com o profissionalismo e o carisma de Monkey e sua trupe, se torna atemporal.

Na abertura para The Adicts, Supla promove festa de karaokê punk com hits e reencontro com Clemente

Dando continuidade à noite histórica no Carioca Club, o palco foi tomado pelo “Papito” mais famoso do Brasil. Supla entregou um show de exatos 50 minutos que, embora seguisse a estrutura da apresentação realizada no final do ano passado na abertura para Billy Idol (Vibra SP), reafirmou por que ele continua sendo um dos maiores showmen do país. Entre hits autorais e versões inusitadas A performance começou com a enérgica Charada Brasileiro. Em um momento de descontração que já é marca registrada de sua personalidade imprevisível, Supla arriscou alguns toques em um trompete. Embora a execução tenha sido tecnicamente “desastrada”, o gesto serviu para inflamar o público, que entende o punk de Supla como uma celebração da atitude sobre a perfeição técnica. O setlist seguiu com uma sequência matadora de clássicos que moldaram sua carreira solo: Além dos hits, o show funcionou como um verdadeiro “karaokê punk”. Com sua banda afiada, Supla apresentou versões personalizadas de ícones globais, indo do clássico John Lennon e Billy Idol ao punk visceral dos Ramones, chegando até ao pop contemporâneo de Harry Styles. Essa mistura eclética é o que garante ao Supla um público multigeracional. Reencontro de Supla com Clemente Nascimento O ponto alto da noite, e certamente o mais emocionante, foi a participação especial de Clemente Nascimento (líder dos Inocentes e guitarrista do Ira!). Após o susto recente que o levou à internação por problemas cardiológicos, Clemente subiu ao palco visivelmente recuperado e com a energia renovada. O que deveria ser apenas uma participação em Humanos acabou se estendendo. Atendendo ao clamor da pista e à sintonia com o anfitrião, Clemente permaneceu no palco para o hino Garota de Berlim. Ver dois ícones da fundação do rock e do punk brasileiro dividindo o microfone em 2026 foi, sem dúvida, o momento memorável que justificou o ingresso para muitos fãs presentes.

Lixomania abre noite no Carioca Club com punk raiz e nostálgico

Lixomania

A noite da última quarta-feira (18) transformou o Carioca Club, em São Paulo, em um verdadeiro epicentro do punk rock mundial. Antes das performances de Supla e da lendária banda inglesa The Adicts, quem ditou o tom da urgência e do inconformismo foi o Lixomania. Como uma das pioneiras do movimento no Brasil, a banda carregou para o palco o peso de ser uma das 20 participantes do histórico festival O Começo do Fim do Mundo (1982). O que se viu no palco não foi apenas um show de abertura, mas uma aula de história viva ministrada pelo vocalista Moreno. Moreno, o elo com a geração de 1980 Único remanescente da formação clássica, Moreno provou que o tempo não abrandou sua entrega. Entre discursos afiados e uma performance vocal vigorosa, ele conectou o público à essência da cena de 1982. O setlist foi um deleite para os puristas, focado no emblemático EP triplo Violência e Sobrevivência. Clássicos como a faixa-título, O Punk Rock não Morreu e a melódica (à moda punk) Os Punks Também Amam ressoaram com a mesma relevância de décadas atrás. Mosh pit e crítica social A energia na pista do Carioca Club atingiu o ápice quando o grupo apresentou Buracos Suburbanos, cover do Psykóze, e a explosiva Presidente. Esta última foi precedida por um discurso contundente de Moreno, que não poupou críticas a nenhum ocupante da cadeira máxima da República, do passado ao atual governo, reforçando o pilar anárquico e apartidário do punk. O público respondeu à altura: o mosh pit (a famosa “roda punk”) foi constante, unindo veteranos de jaqueta de couro a novos admiradores em uma celebração de resistência urbana. Por que o show do Lixomania é relevante hoje? Assistir ao Lixomania em 2026 é entender as raízes da música marginal brasileira. Enquanto o The Adicts trouxe o espetáculo visual e o “Clockwork Punk”, o Lixomania entregou o punk paulistano bruto, aquele forjado na periferia e na luta por espaço cultural. Destaques do show