Lollapalooza in loco: Sete shows na Sexta-Feira com revival do Nu Metal e afirmação da nova cena pop

A convite do Lollapalooza Brasil, acompanhei in loco os dois primeiros dias do festival, sexta e sábado, em uma maratona de 14 shows que ajudaram a desenhar o termômetro da edição. Entre apostas da nova cena, nomes já consolidados e headliners de peso, o evento mostrou seus contrastes logo nas primeiras horas. Na sexta, cheguei direto ao palco Samsung para conferir a vencedora da seletiva da 89FM Rádio Rock. A Ginger and the Peppers confirmou o hype das redes sociais com um som calcado no classic rock setentista, evocando referências como Led Zeppelin e AC/DC. Cantando em inglês, a banda teve como destaque a presença de sua vocalista Julia, que sustenta a identidade do grupo com segurança. Permaneci na mesma área, transitando entre os palcos Samsung e Flying Fish durante as próximas horas. O Viagra Boys entregou um dos shows mais divertidos do dia, com energia contagiante e uma mistura crua de indie e punk. Nem pareciam que haviam feito um sideshow há menos de 24 horas. Mesmo quem não conhecia o repertório acabou fisgado pela intensidade da apresentação, que teve direito até a stage dive de um dos integrantes. Na sequência, Ruel quebrou a sequência mais pesada com um pop dançante e bem executado. Aproveitando o momento do single “Don’t Say That”, mostrou maturidade aos 22 anos, alternando entre coreografias e momentos mais intimistas, como a versão voz e violão de “Girls Just Wanna Have Fun”, de Cyndi Lauper. Um dos nomes mais aguardados, o Interpol reforçou uma impressão recorrente em festivais: funciona melhor para fãs do que para novos públicos. Com execução impecável e elegância visual, a banda optou por uma postura distante, quase protocolar, o que esfriou o clima entre a explosão do Viagra Boys e a expectativa pelo Deftones. Em contraponto, o Men I Trust, no palco ao lado, transformou o espaço menor em um grande coro coletivo. Com forte carisma de sua vocalista, Emma, o show ganhou clima de luau ao anoitecer, com o público cantando em uníssono. Quando o Deftones subiu ao palco, Chino Moreno já ditava o ritmo com intensidade máxima. A apresentação foi explosiva e reafirmou o status de headliner da banda, mesmo com foco no material mais recente do elogiado álbum Private Music e ausência de alguns hits. Houve sinalizadores, mosh e entrega do público. O ponto negativo ficou por conta do uso dos telões, pouco funcionais para quem acompanhava de longe e sentado nos morrinhos. Encerrando a noite, Sabrina Carpenter assumiu o posto de headliner com um espetáculo pensado nos mínimos detalhes. Após passagens anteriores pelo Brasil como coadjuvante, inclusive abrindo para Taylor Swift e Ariana Grande, a artista agora liderou o primeiro dia com autoridade. O show foi protocolar, mas altamente eficiente, com cenário cinematográfico, trocas de figurino e forte interação visual. Em “Juno”, a participação de Luísa Sonza dividiu opiniões. No fim, hits como “Espresso” e um show pirotécnico transformaram a noite em um verdadeiro réveillon pop. No sábado, a proposta era acompanhar mais sete apresentações em um dia considerado mais fraco de lineup. Sem soldout, o público caiu de 100 mil para cerca de 85 mil pessoas. Comecei novamente pelo palco Samsung com o Hurricanes, que mantém viva a estética e sonoridade dos anos 70. Funcionou como um bom cartão de visitas para quem ainda não conhecia o grupo. No palco principal, Agnes Nunes foi uma grata surpresa. Misturando MPB e pop, conquistou o público com autenticidade e emoção, chegando às lágrimas ao reconhecer o peso de estar ali como mulher preta e paraibana. A participação de Tiago Iorc em “Pode Se Achegar” elevou ainda mais o momento. De volta ao Samsung, o projeto Foto em Grupo reuniu integrantes de Daparte, Lagum e Anavitória. Apostando no carisma de Ana Caetano e Pedro Calais, o grupo trouxe uma releitura moderna da vibe dos Novos Baianos. Além das faixas autorais, covers funcionaram bem para completar o set, com destaque para o momento político em “Eu Te Odeio”, com críticas a Donald Trump e Jair Bolsonaro. No palco principal, MARINA mostrou força de headliner mesmo fora desse posto. A área ficou lotada antes das 17h e o público criou uma atmosfera própria ao usar leques como percussão, transformando o show em uma experiência coletiva marcante. Representando o hip hop chicano, o Cypress Hill manteve sua identidade intacta. Sem concessões ao restante do lineup, entregou um show fiel à sua estética, com forte presença da cultura cannabis e momentos como o cover de “Bombtrack”, do Rage Against the Machine. Logo depois, o TV Girl apresentou um show despretensioso, quase caótico. O vocalista alternava entre comer banana e fumar vape nos intervalos, enquanto a banda sustentava um indie pop sem guitarrista que funcionou melhor ao vivo do que no papel. Coube à Chappell Roan encerrar minha jornada no sábado em meio a um dos episódios mais comentados do festival. A artista subiu ao palco sob gritos e protestos ligados a uma polêmica envolvendo a filha do ator Jude Law e enteada de Jorginho, jogador do Flamengo. Segundo relatos da família, a cantora teria acionado a segurança do hotel após acusar a criança de assédio durante o café da manhã, episódio que rapidamente dominou as redes sociais. Mesmo com o rótulo de “fofoca do dia”, Chappell fez uma estreia consistente no Brasil. Diferente da estética ensolarada de Sabrina Carpenter, apostou em um cenário de castelo gótico e uma banda formada por mulheres, trazendo um peso mais próximo do rock à sua apresentação. No repertório, incluiu um cover de “Barracuda”, do Heart, reforçando a conexão com o rock feminino clássico. Hits como “Pink Pony Club” foram cantados em coro, embalados por uma plateia que manteve a já tradicional coreografia com leques. Ao fim do show, a cantora se pronunciou, pediu desculpas pelo ocorrido e afirmou não ter relação com a atitude do segurança. Em dois dias, o Lollapalooza expôs suas dualidades: entre o espetáculo calculado do pop e a entrega crua do rock, entre novas apostas e nomes consolidados. No fim, mais do

Peter Frampton quebra jejum de 16 anos e recruta Tom Morello para novo álbum de inéditas

Uma das maiores lendas vivas da guitarra elétrica está de volta ao estúdio com material original. Peter Frampton confirmou o lançamento de Carry the Light, o seu primeiro álbum com composições de rock totalmente inéditas em 16 anos. O projeto tem lançamento marcado para o dia 15 de maio, via selo UMe. O disco marca uma passagem de bastão familiar: as faixas foram coescritas e produzidas em parceria com seu filho, Julian Frampton. Tributo de Peter Frampton a Tom Petty Para abrir os trabalhos da nova era, Frampton disponibilizou nas plataformas digitais o single Buried Treasure. A faixa conta com a participação do tecladista Benmont Tench (membro fundador do Tom Petty & The Heartbreakers). A música funciona como uma grande homenagem ao falecido ícone do rock norte-americano Tom Petty. Em um exercício criativo curioso, Frampton construiu toda a letra da canção utilizando exclusivamente títulos de músicas da discografia de Petty. Encontro de gerações na guitarra Além do valor nostálgico, Carry the Light chama a atenção pela robusta lista de convidados que cruzam diferentes gerações da música. O icônico Tom Morello (Rage Against the Machine / Audioslave) empresta seus riffs pesados e efeitos característicos para a faixa de protesto Lions At The Gate. A aclamada cantora e multi-instrumentista H.E.R. divide as linhas de guitarra com Frampton na instrumental Islamorada. O tracklist de dez faixas ainda conta com contribuições de Sheryl Crow dividindo os vocais em Breaking The Mold, harmonias do veterano Graham Nash em I’m Sorry Elle e o saxofone de Bill Evans em duas faixas. * Tracklist

Black Veil Brides explora a vingança e a resiliência no anúncio do 7º álbum “Vindicate”

O quinteto norte-americano Black Veil Brides confirmou os detalhes do seu sétimo disco de estúdio. Intitulado Vindicate, o álbum tem lançamento agendado para o dia 8 de maio, através da editora Spinefarm. Para antecipar o projeto aos fãs, a banda disponibilizou nas plataformas digitais o single que dá nome ao disco. O novo trabalho sucede a uma série de lançamentos prévios (como as faixas Bleeders, Hallelujah e Certainty) e promete manter a estética sombria e o peso das guitarras que definem a identidade do grupo no metal alternativo. Dualidade da vingança no novo single do Black Veil Brides Composto por 14 faixas, o disco propõe uma narrativa lírica densa. Segundo o vocalista Andy Biersack, o foco central da obra recai sobre a resiliência perante o passado e a dualidade dos sentimentos de vingança. “Este álbum é baseado nos sentimentos de vingança e reivindicação. São emoções que podem impulsionar-nos ou prender-nos. Podem alimentar o crescimento, a ambição e ajudar-nos a superar aquilo que nos tentou derrubar, mas também podem tornar-se destrutivas se permitirmos que nos consumam”, explica o frontman. A faixa-título, Vindicate, espelha essa carga conceptual. A canção abre com uma introdução teatral marcada pelo som de um calíope, evoluindo rapidamente para uma parede agressiva de guitarras construída pela dupla Jake Pitts e Jinxx, sempre sustentada pela bateria de Christian Coma e pelo baixo de Lonny Eagleton. A estreia da música é acompanhada por um videoclipe oficial com realização a cargo de George Gallardo Kattah. Tracklist de “Vindicate”

Isa Buzzi expande álbum de estreia para formato transmídia com livro e websérie

A cantora catarinense Isa Buzzi levou o conceito de narrativa contínua para além dos aplicativos de música. A artista disponibilizou na última sexta-feira (20) o seu álbum de estreia, batizado de Clube dos Corações Partidos (ou apenas CCP). O projeto chega ao mercado através da tradicional gravadora Deck. Composto por 12 faixas (incluindo os singles prévios Coração Blindado, Contrato e Amor Fatal), o disco foi estruturado cronologicamente para contar uma única história do início ao fim. Expansão transmídia da Isa Buzzi Fugindo do formato tradicional de lançamento de um álbum pop, Isa Buzzi apostou em um ecossistema transmídia para o Clube dos Corações Partidos. O universo narrativo das 12 canções vem sendo complementado por uma websérie em formato vertical, cujos episódios são publicados no YouTube, Instagram e TikTok desde novembro de 2025. O conceito será finalizado no segundo trimestre deste ano com a publicação de um livro de ficção física, focado em aprofundar a trama e os personagens introduzidos no disco. Banda de estúdio Apesar da forte presença digital (a cantora soma mais de 2,5 milhões de seguidores em suas redes), a construção musical do álbum priorizou instrumentações orgânicas. A produção de CCP é assinada por maBê, que também assumiu o baixo, guitarras e as programações. A ficha técnica de estúdio conta ainda com Plinio Drums (bateria), Gabriel Planas (que assumiu o baixo nas faixas Contrato e Delírio) e Marcos Bohrer (guitarra), garantindo uma roupagem de pop rock à narrativa.

Thursday faz cover inusitado de 4 Non Blondes

A veterana banda norte-americana Thursday pode até ter rezado todos os dias para evitar qualquer situação em que fosse obrigada a tocar o mega-hit What’s Up, clássico de 1993 do 4 Non Blondes. Mas essas preces não foram atendidas. O inusitado encontro musical é fruto de uma série de vídeos promovida pelo aplicativo de aulas de música Musora. A premissa do programa é sádica e fascinante: eles convidam bandas para o estúdio e as desafiam a recriar faixas que estão completamente fora de suas zonas de conforto sonoro (em episódios anteriores, o canal já fez os metaleiros progressivos do Leprous tocarem A-ha, e o duo pop Fionn tocar System Of A Down). Resignação em pânico e arranjos do Thursday para hit do 4 Non Blondes No mais recente episódio da série, os ícones do post-hardcore recebem o desafio de tocar o “imorrível” sucesso do 4 Non Blondes com o que só pode ser descrito como uma “resignação em pânico”. A partir daí, Geoff Rickly (vocal) e companhia ganham poucas horas dentro do estúdio para descobrir como traduzir a faixa para o seu próprio estilo. O documentário de 19 minutos culmina com a banda apresentando a versão final, que surpreende pela segurança e pelas escolhas estéticas. Quem esperava que Rickly fosse rasgar a garganta e usar seus tradicionais gritos rasgados de hardcore no lendário refrão (“And I say, hey-ey-ey…”) vai se surpreender. Seja por necessidade ou por contenção artística, a banda segura o histrionismo da versão original, entregando um refrão subestimado, melancólico e sombrio, que soa exatamente como uma música do Thursday deveria soar.