Novo livro analisa a trajetória de Renato Russo através da astrologia

“Nunca brinque com um Peixes de ascendente em Escorpião”. A frase icônica de Faroeste Caboclo não era apenas uma rima de impacto; revelava o interesse de Renato Russo pelo misticismo e pelos astros. Para mergulhar a fundo nessa conexão, a astróloga e jornalista Mariana Candeias (a Piky) lança o livro Renato Manfredini ‘Júpiter’ – As Revoluções Solares do Líder Legionário. O projeto está em campanha de financiamento coletivo no Catarse desde o último dia 27, data em que o eterno líder da Legião Urbana completaria 66 anos. O lançamento oficial está previsto para outubro, marcando os 30 anos de saudade do cantor. Os ciclos de Júpiter e a Legião Diferente de uma biografia convencional, a obra revisita os 12 anos de existência da Legião Urbana, período que corresponde exatamente a um ciclo completo do planeta Júpiter. Mariana Candeias utiliza o mapa natal e as revoluções solares de Renato para explicar momentos cruciais da banda. O livro mostra que Renato estava no início do seu segundo retorno de Júpiter (um símbolo de renascimento) quando lançou o primeiro álbum da Legião, e iniciava o terceiro ciclo quando entregou o melancólico A Tempestade ou O Livro dos Dias, pouco antes de sua partida em 1996. Além das análises técnicas, o texto explora as referências astrológicas espalhadas por hinos como Eduardo e Mônica (a leonina e o garoto de 16), Vinte e Nove (o retorno de Saturno) e Perdidos no Espaço. “O livro propõe uma interpretação da Revolução Solar que foge do convencional, mostrando a astrologia como uma linguagem simbólica capaz de traduzir a produção artística”, afirma a autora. 💿 Serviço: Campanha “Renato Júpiter” O livro será editado pela Garota FM Books e a campanha oferece recompensas exclusivas para quem apoiar o projeto antecipadamente.
Kneecap lança “Fenian” e reafirma identidade irlandesa

Se existe um grupo hoje que personifica a urgência das ruas, esse grupo é o Kneecap. O trio de Belfast acaba de lançar o single Fenian, faixa-título do seu aguardado novo álbum que chega às prateleiras no dia 1º de maio pela Heavenly Recordings. Produzido por Dan Carey (cérebro por trás de bandas como Fontaines D.C.), o som é uma explosão de hip hop com atitude punk. A música é um manifesto. Ao usar a palavra “Fenian”, historicamente um insulto anti-irlandês usado por lealistas britânicos, o trio reverte o estigma e o transforma em um símbolo de orgulho e comunidade. Um sonho febril em Belfast O lançamento chega acompanhado de um videoclipe dirigido por Thomas James. Gravado em West Belfast, o visual é um turbilhão psicodélico que destaca a icônica balaclava tricolor de DJ Provai. O vídeo captura a energia caótica do grupo, convencendo moradores locais a participarem de cenas insanas que borram a linha entre o folclore e o cotidiano da Irlanda do Norte hoje. “É um hino para abraçar nosso passado e curar nossa ressaca colonial, reconectando os guerreiros do folclore com os jovens do Norte da Irlanda de hoje”, afirma o trio. Produção de elite Além do novo single, o próximo disco já conta com as elogiadas Smugglers & Scholars (apresentada no canal Colors) e Liars Tale. A mão de Dan Carey na produção garante que as batidas não sejam apenas para a pista, mas que carreguem a sujeira e a crueza necessárias para o discurso político afiado de Mo Chara e Móglaí Bap.
Pentagram anuncia show de despedida em São Paulo para agosto

O peso do Pentagram sempre esteve entre o colapso e a imortalidade. Formada em 1971, a banda norte-americana que ajudou a inventar o que hoje chamamos de doom metal confirmou seu retorno a São Paulo para o dia 13 de agosto de 2026. O show, que acontece no Fabrique Club, faz parte da Farewell Tour, Last Latin American Run, anunciada como a última passagem do grupo pelos palcos latino-americanos. Liderada pelo icônico e indestrutível Bobby Liebling, o Pentagram vive um momento curioso. Em 2025, a presença de palco magnética de Liebling viralizou globalmente através de memes, apresentando a banda a uma nova geração de fãs que agora busca entender a densidade de clássicos como “Be Forewarned” e “Relentless”. Mais de 50 anos de distorção A trajetória do Pentagram é uma das mais tortuosas do rock. Embora tenham surgido na mesma época que o Black Sabbath, o primeiro disco oficial só saiu em 1985. Nesse intervalo, a banda moldou o som arrastado e ameaçador que influenciaria nomes como Cathedral e Candlemass. Diferente de muitas bandas em turnê de despedida, o Pentagram não volta como uma peça de museu. Em janeiro de 2025, eles lançaram “Lightning in a Bottle”, o décimo álbum de estúdio e o primeiro em uma década. O trabalho provou que, mesmo após 50 anos de altos e baixos (retratados no emocionante documentário Last Days Here), o vigor de Liebling e sua nova formação — com Tony Reed, Henry Vasquez e Scooter Haslip — permanece intacto. Despedida no Fabrique Club A escolha do Fabrique Club para o show de despedida garante a proximidade ideal para um culto de doom metal. Será a última oportunidade de testemunhar a “presença hipnótica” de Bobby Liebling em solo paulista, em uma noite realizada pela Powerline Music & Books em parceria com a Heart Merch. 💿 Serviço: Pentagram em São Paulo (Farewell Tour)
Jovem Dionísio lança “Migalhas” com palco sobre rodas

A Jovem Dionísio decidiu que a melhor forma de apresentar seu terceiro disco de inéditas, Migalhas, lançado nesta quarta-feira (1º de abril), era voltando para a rua. Mas eles não vão de qualquer jeito: a banda curitibana adquiriu um clássico ônibus Scania dos anos 2000 e o adaptou para ser o palco itinerante de sua nova turnê nacional. O conceito é uma espécie de “circo contemporâneo sobre rodas”. A ideia dos “meninos de Curitiba” é estacionar em praças e espaços públicos, abrindo o ônibus e transformando o deslocamento em linguagem visual. O disco: império do “erro” e da textura Se você espera a perfeição milimétrica de Acorda Pedrinho, Migalhas pode te surpreender. O álbum marca um amadurecimento radical do quinteto. Gravado integralmente ao vivo em apenas duas semanas, o disco não utilizou autotune ou intervenções digitais de correção. A aposta aqui é na respiração coletiva, na textura dos instrumentos e até no “erro” que traz humanidade à música. Sonoramente, o grupo expandiu o vocabulário com: Vida no Scania A turnê itinerante foca inicialmente no Paraná, mas deve percorrer todo o Brasil ao longo de 2026. O ônibus funciona como camarim, transporte e, claro, a estrutura de som que vai levar a catarse do palco direto para o asfalto. É um movimento que reforça o DNA indie e alternativo da banda, buscando uma conexão mais visceral com o público.
Após novidades com Korn e Rock in Rio, Black Pantera anuncia primeiro audiovisual

Se existe uma banda que define o “agora” do rock brasileiro, esse nome é Black Pantera. O trio mineiro formado por Charles Gama, Chaene da Gama e Rodrigo “Pancho” consolidou em 2026 uma trajetória que muitos levam décadas para alcançar. O grupo acaba de anunciar uma agenda que coloca o metal nacional em destaque nos maiores palcos do país e do mundo. O grande marco de abril é o lançamento de Resistência! Ao Vivo no Circo Voador. O primeiro registro audiovisual da banda documenta a noite histórica de 19 de novembro do ano passado, no Rio de Janeiro, celebrando os 11 anos de carreira na véspera do Dia da Consciência Negra. O repertório traz a fúria de hinos como Fogo Nos Racistas e Padrão é o Caralho, capturando a catarse que o trio promove ao vivo. Do Allianz Parque ao Rock in Rio A agenda de shows para os próximos meses é de tirar o fôlego. No dia 16 de maio, o Black Pantera sobe ao palco do Allianz Parque, em São Paulo, para abrir o show dos gigantes do Korn. Para os mineiros, dividir o palco com os pioneiros do nu metal é um fechamento de ciclo, já que o Korn é uma das maiores influências declaradas do grupo. E não para por aí: o trio foi confirmado pela terceira vez no Rock in Rio. Eles se apresentam no dia 5 de setembro, no Palco Sunset, consolidando-se como uma das poucas bandas de rock pesado a ter residência quase fixa no festival. Reconhecimento e novo disco A fase iluminada rendeu indicações ao Prêmio da Música Brasileira nas categorias “Melhor Artista” e “Melhor Lançamento (Rock)” pelo single Seleção Natural. Enquanto colhem os frutos, os caras já estão em estúdio com a gravadora Deck preparando o sucessor do aclamado Ascensão, com previsão de lançamento ainda para este segundo semestre.
Ecca Vandal anuncia álbum gravado em “modo offline”

Se você está sentindo um esgotamento mental causado pelo feed infinito das redes sociais, a nova fase de Ecca Vandal vai servir como um antídoto. A artista australiana acaba de anunciar seu novo álbum, Looking For People To Unfollow (Procurando pessoas para deixar de seguir), com lançamento marcado para o dia 22 de maio via Loma Vista Recordings. O anúncio chega no momento em que Ecca se prepara para um dos maiores marcos de sua carreira: a estreia no festival Coachella este mês, seguida por uma turnê em arenas abrindo para o Deftones. Gravado no quarto de infância O conceito do disco é a subtração. Para fugir das métricas e da pressão por “visibilidade online”, Ecca e o produtor Richie Buxton se trancaram no quarto de infância dele, na região costeira de Melbourne, por quase dois anos. Com uma internet propositalmente lenta e longe da cena urbana, eles construíram um estúdio caseiro para criar algo “tangível, imperfeito e real”. “Nós eliminamos tudo que não nos servia: os cronogramas, as métricas e a pressão do algoritmo. Voltamos a fazer as coisas com as mãos. Queríamos celebrar o álbum como uma obra completa, enquanto o mundo corre atrás de trechos de 15 segundos”, afirma Ecca. O novo single, Sorry! Crash, é o exemplo perfeito dessa energia sem filtros. A faixa sucede os singles já lançados como Molly e Then There’s One, consolidando uma sonoridade que bebe tanto da fonte do punk agressivo do Fugazi quanto da soul music de Nina Simone. Do underground para as arenas Ecca Vandal já não é uma novidade para quem acompanha o circuito de festivais. Ela já dividiu palcos com gigantes como The Prodigy, Queens of the Stone Age, Idles e Limp Bizkit. Sua performance é conhecida pela alta voltagem, misturando jazz, hip-hop e eletrônica de uma forma que desafia rótulos.
Pennywise entrega show catártico no encerramento da We Are One Tour

Encerrando a noite com o peso de uma instituição do punk rock da Califórnia, o Pennywise transformou a Audio, na terça-feira (31), em um cenário de caos controlado e celebração. Se as bandas anteriores prepararam o espírito, o quarteto de Hermosa Beach veio para cobrar o resto do fôlego que o público ainda guardava. Jim Lindberg comandou o público com sua voz ríspida e presença de palco autoritária, enquanto Fletcher Dragge, com sua guitarra “gigantesca” e atitude desafiadora, mantinha a aura de perigo e rebeldia que é a marca registrada do grupo. O show foi uma sucessão de hinos de resistência e união. Músicas que definiram gerações foram entoadas a plenos pulmões, criando rodas de pogo que ocupavam quase toda a extensão da pista. A cozinha formada por Randy Bradbury e Byron McMackin é, possivelmente, uma das mais sólidas do gênero, garantindo que a velocidade nunca atropele a melodia. O Pennywise não faz apenas um show, eles promovem uma experiência coletiva onde a barreira entre ídolo e fã é quebrada pelo suor e pela ideologia compartilhada. >> LEIA ENTREVISTA COM FLETCHER DRAGGE Peaceful Day e Same Old Story entraram logo no início do set, enquanto Fuck Authority (precedida por um discurso forte contra governantes) e um medley com músicas do NOFX (Bob e Kill All the White Man) e Beastie Boys (Fight For Your Rights) se destacou no meio do repertório. A reta final foi ainda mais apoteótica, com Society, Perfect People e Living for Today. Na sequência, Nikola Sarcevic, vocalista do Millencolin, voltou ao palco para tocar baixo e cantar Stand By Me. Como não poderia deixar de ser, o grand finale veio com Bro Hymn, aqui acompanhada por todos os integrantes do Mute, The Mönic e Millencolin, que fizeram os backing vocals. O coro fúnebre que virou celebração à vida foi um dos momentos mais especiais da We Are One Tour. A boa notícia é que o Pennywise já tem data para voltar a São Paulo: 23 de maio no Hangar 110. Venda de ingressos deve começar ainda hoje, às 19h.
Millencolin entrega set nostálgico para surfistas e fãs de Tony Hawk

O Millencolin possui uma relação simbiótica com o Brasil que já dura quase três décadas. Desde a primeira visita em 1998, os suecos aprenderam a ler o público brasileiro como poucos. No show da Audio, a banda estava visivelmente relaxada e em clima de festa, celebrando não apenas o encerramento da bem-sucedida We Are One Tour 2026, mas também um feito esportivo: a classificação da Suécia para a Copa do Mundo após vencer a Polônia. A euforia era tanta que os músicos adotaram a comemoração de Viktor Gyökeres, craque do Arsenal, simulando a máscara do vilão Bane sobre o rosto. Musicalmente, o que se viu foi uma “metralhadora” de clássicos. A sequência inicial com Penguins & Polarbears, Bullion, Sense & Sensibility, Ray e Olympic é o tipo de setlist que não deixa ninguém parado. Os guitarristas Mathias Färm e Erik Ohlsson continuam sendo o motor visual do grupo, transbordando uma alegria genuína por estarem ali. Já o frontman Nikola Šarčević mantém sua postura mais contida, que para alguns pode parecer desinteresse, mas que se revela apenas um estilo próprio de condução, especialmente da metade para o fim, quando ele se solta e interage com a empolgação dos companheiros. >> LEIA ENTREVISTA COM MATHIAS FÄRM O ápice emocional veio com o resgate de Mr. Clean, que transportou os veteranos de volta aos anos 90, na era das fitas VHS de surf e do icônico CD azul da revista Fluir. Para fechar, o hino No Cigar, imortalizado na trilha de Tony Hawk’s Pro Skater, transformou a Audio em um coro uníssono. O Millencolin entregou uma performance leve, nostálgica e impecável, reafirmando seu status de lenda do hardcore melódico.
Étienne Dionne rouba a cena em show marcante do Mute no We Are One Tour

Diretamente do Canadá, o Mute subiu ao palco da Audio, na noite de terça-feira (31), para mostrar por que o punk rock técnico ainda tem uma base de fãs tão sólida e apaixonada. O grande diferencial da banda reside na figura de Étienne Dionne, que acumula as funções de baterista e vocalista principal com uma maestria impressionante. É hipnotizante observar a precisão cirúrgica de suas viradas enquanto mantém linhas vocais melódicas e potentes, sem perder o carisma que o torna o centro gravitacional do quarteto. O setlist foi um exemplo de equilíbrio, navegando por diferentes fases da carreira e mantendo a velocidade lá no alto. Músicas como Resistance e Coming Back abriram o caminho para o que seria uma aula de skate punk moderno. A sequência com Wolf’s Den e Communication Breakdown destacou o trabalho excepcional das guitarras, que alternavam entre riffs rápidos e solos carregados de técnica. >> LEIA ENTREVISTA COM ÉTIENNE DIONNE A reta final do show foi uma sucessão de momentos intensos. Strangers Back Again e The Tempest prepararam o terreno para o encerramento catártico com Nevermore, Fading Out e a clássica Bates Motel. O Mute conseguiu transformar a Audio em um caldeirão de energia, provando que a distância entre Quebec e São Paulo é encurtada instantaneamente quando o primeiro acorde de quinta é disparado. Foi uma apresentação técnica, veloz e, acima de tudo, extremamente divertida para quem aprecia a complexidade do gênero.