Entrevista | Blackberry Smoke – “O Brit faleceu há três anos, então vamos dedicar essa turnê a ele”

O Blackberry Smoke está de volta ao Brasil após sete anos. A banda norte-americana, um dos principais nomes do renascimento moderno do southern rock, desembarca no país para uma série de quatro shows em abril, passando por Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo e Curitiba. Com uma base fiel de fãs e uma carreira construída na estrada, o grupo retorna em um momento simbólico, celebrando 25 anos de atividade. Com realização da Solid Music Entertainment, a turnê passa por Porto Alegre/RS no dia 8/04 (Urb Stage), Belo Horizonte/MG dia 10/04 (Mister Rock), São Paulo/SP dia 11/04 (Audio) e Curitiba/PR no dia 12/04 (Tork n’ Roll). Formado em Atlanta, o Blackberry Smoke consolidou seu nome ao longo das últimas duas décadas com uma sonoridade que mistura southern rock, country e blues, mantendo uma abordagem orgânica em meio a um mercado cada vez mais digital. Fora do mainstream tradicional, a banda construiu sua trajetória de forma independente, conquistando relevância global e chegando ao topo das paradas de country mesmo sem seguir os padrões do gênero. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Charlie Starr falou sobre a expectativa para o retorno ao Brasil, a nova fase da banda após a perda do baterista Brit Turner e também comentou o cenário atual da música, incluindo a relação entre country e rock e o uso crescente de tecnologia nos shows ao vivo. O que vocês mais esperam dessa volta e existe alguma memória específica da última vez de vocês no Brasil? As pessoas. As pessoas lindas. Eu lembro de como as pessoas cantavam alto as músicas, e eu amo muito isso. O público brasileiro tem fama de ser intenso. Você sentiu isso de forma diferente no palco em comparação com outros países? Cada país é diferente, até cada cidade dentro dos Estados Unidos pode ser diferente, e de uma noite para outra a intensidade muda. Mas é muito especial tocar em lugares que não visitamos com frequência, isso torna tudo ainda mais especial. O setlist será o mesmo da turnê ou podemos esperar surpresas? Com certeza teremos surpresas. A gente muda o setlist toda noite, tentamos não repetir sempre a mesma coisa. Na última passagem, teve alguma música que teve uma reação diferente do público brasileiro? Não sei se diferente, mas eu adoro como o público brasileiro canta até os riffs de guitarra. Tem uma música chamada “Ain’t Got The Blues” e as pessoas estavam cantando a guitarra, isso não acontece com frequência. O que mudou na banda da última visita até agora e o que essa turnê representa para o futuro da banda? Bom, temos outro baterista. Nosso baterista original, Brit, faleceu há três anos, então vamos dedicar essa turnê a ele. Estamos celebrando 25 anos de banda este ano, então já é um bom motivo para comemorar. Vamos seguir em frente. Vocês estão trabalhando em material novo durante a estrada? Sim, estamos escrevendo agora. Está sendo bom, estou animado. Já que vocês compõe na estrada, há algum lugar que já inspirou diretamente vocês a compor músicas? Sim, o tempo todo. Onde quer que a gente vá, eu tento manter a antena ligada, prestar atenção e buscar inspiração em tudo. Depois de 25 anos, vocês ainda estabelecem objetivos ou é mais sobre manter consistência? Acho que é mais sobre consistência. Não sei se alguma vez realmente estabelecemos metas. A gente só quer tocar para o maior número de pessoas possível e fazer a melhor música que puder. Ainda existe algo que vocês querem conquistar na carreira? Eu foco no que estamos fazendo, mas adoraria fazer um show com os Rolling Stones, seria incrível. O Brit era visto como o “norte” da banda. Como vocês reorganizaram esse papel? Não sei se reorganizamos exatamente. A gente absorveu a ética de trabalho dele. Ele era incansável e uma inspiração para continuar seguindo em frente. Ele trabalhava muito na parte de negócios e merchandising, então tentamos manter isso em homenagem a ele. Como foram os primeiros ensaios e shows sem ele? Foi muito surreal. O último show dele foi em Atlanta, na cidade natal. A gente não sabia que seria o último. Ele já estava perdendo algumas habilidades motoras e precisou se afastar em alguns momentos. Foi muito triste, sinto falta do meu amigo. E como o público reagiu a esses primeiros shows sem ele? Acho que todo mundo ficou em choque. Mas todas as noites a gente menciona que o show é para o Brit, e isso cria uma sensação de união com os fãs, porque eles acompanharam tudo, a doença, a piora e a perda. Vocês já lideraram as paradas de country sendo uma banda de southern rock. Como veem essa diferença hoje? É difícil dizer. Muito do country atual nem soa como country para mim. Mas a música evolui, sempre evoluiu. Tem espaço para todo mundo. Como vocês veem artistas pop, como Beyoncé e Post Malone entrando no country? Acho legal. Gosto do disco do Post Malone, ele é muito talentoso. A música da Beyoncé também achei boa. No começo estranhei, mas depois pensei, é um hit. Hoje, com streaming, as pessoas buscam novos caminhos para se manter relevantes. Como vocês veem o rock hoje em dia e o que você acha do uso de backing tracks e elementos eletrônicos nos shows? É algo que sempre evolui. Mas tocar ao vivo, tocar alto e não ser seguro demais, isso é o que define o rock desde o começo. Mas eu gosto de música ao vivo. Se vou ver alguém tocar, quero ouvir tocando de verdade. Não gosto de tracks, acho isso péssimo. Prefiro imperfeição do que algo perfeito demais. Perfeição é chata. Vocês construíram a carreira fora da mídia tradicional. Hoje é mais fácil ou mais difícil seguir fora do mainstream? Acho que é mais acessível hoje, existem mais caminhos. Não sei se mais fácil, mas certamente mais possível. Aprendemos do jeito antigo, controlando tudo, pagando tudo e levando nossa música diretamente para as pessoas. Foi um crescimento orgânico. Que conselho vocês
Stacey Kent lança “A Time For Love” e grava clássico de Pixinguinha

A relação de Stacey Kent com o Brasil não é apenas de passagem; é uma colaboração que dura décadas. A cantora norte-americana lançou o álbum A Time For Love, um trabalho que reforça a sua ligação com a música lusófona e os standards internacionais. O grande destaque para o público brasileiro é a inclusão de uma versão de Carinhoso, a obra-prima de Pixinguinha, interpretada com o sotaque delicado que se tornou marca da artista. O disco foi gravado numa formação de trio, focando na clareza vocal e no espaço entre os instrumentos. A direção musical é assinada pelo saxofonista Jim Tomlinson (marido e parceiro de longa data de Stacey) e conta com o pianista Art Hirahara. Conexão brasileira Stacey Kent transita entre o inglês, o francês e o português com naturalidade. Ao longo da sua carreira, já colaborou com ícones como Marcos Valle, Roberto Menescal e Danilo Caymmi. Esta proximidade com a Bossa Nova e a MPB é o resultado de uma formação plural: graduada em Literatura Comparada em Nova Iorque, Stacey mudou-se para Londres para estudar na Guildhall School of Music and Drama, onde iniciou a sua carreira profissional. Com mais de 2 milhões de álbuns vendidos e uma nomeação para o Grammy, a discografia de Stacey inclui sucessos como Breakfast On The Morning Tram. O novo álbum, A Time For Love, apresenta uma seleção de canções que honram a tradição do jazz enquanto abraçam a chanson francesa e a música brasileira.
OneRepublic lança o single “Need Your Love”

O OneRepublic acaba de disponibilizar o seu novo single, Need Your Love, via BMG. A faixa, produzida pelo líder da banda e premiado produtor Ryan Tedder, marca um regresso à sonoridade mais direta do grupo, focando-se numa mensagem de valorização do afeto em detrimento das ambições materialistas. A canção já era conhecida dos fãs mais atentos, tendo sido testada em concertos durante o ano de 2025. Agora, ganha uma versão definitiva de estúdio e um videoclipe gravado num armazém industrial, focado na performance crua da banda. Além das tabelas: jogos e animes O lançamento de Need Your Love surge num momento em que o OneRepublic diversifica as suas frentes de atuação na cultura pop. Recentemente, o grupo colaborou em projetos de grande escala: Uma década de domínio pop Com mais de 10 mil milhões de transmissões (streams) no Spotify, o OneRepublic consolidou-se como um dos pilares da pop global. Desde o sucesso de Apologize em 2007, a banda tem mantido uma presença constante nas tabelas com hits como Counting Stars e, mais recentemente, I Ain’t Worried, que foi o grande destaque da banda sonora de Top Gun: Maverick.
Drift Mothership lança “Remedy” antes de turnê brasileira com Ill Niño

Diretamente da cena de Los Angeles, a banda Drift Mothership acaba de disponibilizar o seu novo single, Remedy, em todas as plataformas de streaming nesta sexta-feira (3). O lançamento funciona como o cartão de visitas perfeito para a turnê sul-americana que o grupo inicia no final deste mês, acompanhando os veteranos do Ill Niño como banda de abertura. A sonoridade de Remedy traduz bem a proposta do grupo: uma composição carregada de emoção que utiliza o piano como base melódica, culminando em um breakdown de guitarras pesadas que deve funcionar muito bem ao vivo. Rota sul-americana e datas no Brasil O Drift Mothership começa a maratona por Lima e Santiago antes de cruzar a fronteira brasileira. Por aqui, a banda passará por quatro capitais, incluindo uma apresentação na Audio, em São Paulo, no feriado de 1º de maio. Confira a agenda completa em solo brasileiro:
Balara lança releitura acústica de “Tempo Perdido”

Existem canções que são patrimônio cultural do Brasil, e Tempo Perdido é, sem dúvida, uma delas. Nesta sexta-feira (3), o cantor e compositor Balara (projeto solo de Luccas Trevisani) disponibiliza em todas as plataformas a sua versão para o clássico da Legião Urbana. A faixa faz parte da série Balara – Acusticamente, projeto que já ultrapassou a marca de 5 milhões de streams no seu primeiro volume. A proposta de Balara é despir o rock oitentista de Renato Russo e trazer a composição para o terreno da MPB contemporânea. Com um BPM mais lento e arranjos sutis de violão, a releitura preserva o riff icônico da introdução, mas foca na interpretação vocal e na reflexão da letra. Maratona audiovisual da Balara tem sequência com Tempo Perdido O lançamento chega acompanhado de um videoclipe dirigido por Isadora Baptista. O registro aposta no minimalismo, mas os bastidores revelam um esforço técnico considerável: o vídeo foi gravado durante uma maratona em que o artista registrou mais de 50 clipes em apenas cinco dias, utilizando oito cenários diferentes. “A ideia não era rivalizar com a original, que é insubstituível. O que eu quis foi trazer uma nova atmosfera, permitindo que pessoas que talvez não se conectem com o rock descubram a beleza dessa canção pelo caminho do acústico”, explica Balara. O que vem por aí Este single prepara o terreno para os Volumes 2 e 3 do projeto acústico. Além disso, o artista já confirmou para maio de 2026 uma colaboração inédita com um dos grandes nomes da MPB nacional, seguida por uma turnê que levará esse formato intimista para os palcos de todo o país.
Day Limns estreia projeto “Nova” da Podpah Records com faixa inédita

A Podpah Records deu o pontapé inicial em sua mais nova vitrine musical: o programa Nova. Focada em live sessions minimalistas que privilegiam a performance crua, a produção escolheu a cantora e compositora Day Limns para inaugurar a temporada. Na ocasião, a artista apresentou a inédita Energia, uma faixa que sintetiza sua nova fase criativa em 2026. Conhecida nos bastidores como uma das mentes por trás de hits de Anitta, Luísa Sonza e Vitão, Day agora foca os holofotes em sua própria trajetória. A apresentação no estúdio do Podpah marca a transição definitiva para a sua “Era Solar”, onde o rock introspectivo e denso do início da carreira dá lugar a um pop urbano vibrante e cheio de identidade. “Era Solar” e o sucesso de “Imagina” Em Energia, Day Limns troca os conflitos internos por uma celebração da conexão coletiva. A produção moderna e a pegada envolvente mostram uma maturidade que vem sendo construída desde sua finalidade no The Voice Brasil em 2017. Atualmente, ela colhe os frutos dessa evolução com o hit Imagina, parceria com Giana Mello que figurou no Top 20 do Spotify Viral no Brasil e alcançou a 16ª posição no Top 50 Viral de Portugal.
O Teatro Mágico anuncia a turnê “A Corda Bamba no Pescoço”

Depois de passar o último ano celebrando duas décadas de história com o projeto O Reencontro, O Teatro Mágico decidiu que é hora de parar de olhar pelo retrovisor. A trupe liderada por Fernando Anitelli anunciou nesta semana a sua nova jornada pelos palcos brasileiros: a turnê A Corda Bamba no Pescoço. Desta vez, o grupo deixa o resgate afetivo de lado para mergulhar em uma sonoridade mais urgente e provocativa. O novo espetáculo propõe uma reflexão sobre a contemporaneidade, utilizando a poesia e o humor para questionar o silenciamento das relações humanas e o impacto da “tecnologia desregrada” no nosso cotidiano. Poesia combativa A trupe completa volta à estrada com um repertório que mistura canções inéditas, compostas especialmente para este conceito, com sucessos da carreira que ganharam novos arranjos e significados dentro da proposta cênica. “Falaremos poeticamente da nossa atualidade, de um olhar mais combativo frente a esse tempo de anestesia e silenciamento de importâncias. É um olhar crítico com poesia, humor e um coração aberto”, afirma Fernando Anitelli. Rota da turnê A jornada começa em maio por Belo Horizonte e São Paulo, seguindo para o Nordeste e o Sul do país. Estão previstas mais de 40 apresentações, com novas cidades sendo anunciadas gradualmente. 🗓️ Datas confirmadas Maio Junho e Julho Agosto
The Cranberries celebra 33 anos de álbum de estreia com raridades e versões latinas

Em março de 1993, quatro jovens de uma pequena cidade na Irlanda lançavam um álbum que mudaria o curso do rock alternativo. Everybody Else Is Doing It So Why Can’t We?, a estreia do The Cranberries, apresentou ao mundo a voz única e etérea de Dolores O’Riordan. Trinta e três anos depois, esse legado ganha um novo capítulo: a Island/UMe anunciou o lançamento da 33rd Anniversary Deluxe Edition para o dia 22 de maio de 2026. A edição comemorativa não é apenas um resgate nostálgico, mas uma atualização técnica. O produtor original do disco, Stephen Street, retornou ao estúdio para criar mixagens estéreo totalmente novas para 2026, buscando capturar “o som dos Cranberries” com as tecnologias atuais sem perder a essência de Dublin. Linger em “Spanglish” e tributo latino ao Cranberries O grande diferencial desta edição de luxo é o intercâmbio cultural. O álbum traz releituras em espanhol de dois dos maiores hits da banda: O material bônus ainda inclui um remix onírico de Linger feito por Iain Cook (Chvrches) e registros históricos ao vivo no London Astoria em 1994. Memórias de estúdio Para os fãs, o lançamento traz depoimentos raros de Noel Hogan e Fergal Lawler sobre as sessões no Windmill Lane 2. Eles relembram a transição de Dolores, que passou de uma jovem nervosa que olhava para o chão a uma estrela que dominava arenas com uma ousadia hipnotizante. “Tudo parecia um conto de fadas na época. Dolores tinha uma atitude de ‘é assim que eu sou, é pegar ou largar’ que o público simplesmente adorava”, recorda o guitarrista Noel Hogan.
Dirty Honey cumpre promessa ao Blog n’ Roll e apresenta faixa inédita na Audio

Alguns anos mais velha que a Jayler, a californiana Dirty Honey também soube aproveitar o sideshow na Audio, em São Paulo, na última quinta-feira (2), para conquistar um público novo com seu rock clássico e visceral. Pela primeira vez no Brasil, a banda liderada pelo vocalista Marc LaBelle e pelo guitarrista John Notto manteve a temperatura elevada, mesmo após o show incendiário da Jayler. Aliás, os jovens integrantes da banda britânica foram vistos curtindo atentamente a performance de um dos camarotes da Mercury, no mezanino. Tal como a Jayler, a Dirty Honey também bebe fartamente na fonte do rock setentista, mas com uma influência de Aerosmith ainda mais latente, algo que fica evidente nas baladas e na presença de palco magnética de LaBelle. O grupo ainda mescla com maestria uma pegada blueseira a canções mais pesadas, criando uma sonoridade robusta. >> LEIA ENTREVISTA COM O DIRTY HONEY Impulsionado pelo hit When I’m Gone (presente na trilha sonora de Minecraft), o quarteto protagonizou momentos memoráveis na Audio. Faixas empolgantes como California Dreamin’ e Get a Little High prepararam o terreno para Don’t Put Out the Fire, momento em que Marc LaBelle inovou ao colocar uma cadeira no meio da pista, subindo nela para reger o coro dos fãs de perto. O setlist do Dirty Honey na Audio também cumpriu uma promessa exclusiva feita em entrevista ao Blog n’ Roll. Conforme revelado por LaBelle, a banda trabalha em um novo álbum, sucessor de Can’t Find the Brakes (2023), desde outubro. A promessa de que apresentariam material inédito caso se sentissem confiantes se concretizou com Lights Out, que teve sua estreia mundial ao vivo em solo paulistano. Segunda banda a subir ao palco do Monsters of Rock neste sábado (4), no Allianz Parque, o Dirty Honey prova que, assim como a Jayler, merece um público digno, que chegue cedo para prestigiar a nova safra do rock antes da maratona de 12 horas de festival. Edit this setlist | More Dirty Honey setlists