Entrevista | Evergrey – “Tem um ‘feeling’ brasileiro que é extremamente único”

O público brasileiro já é conhecido mundialmente por sua intensidade, mas para Simen Sandnes, baterista do Evergrey, essa conexão vai além do clichê. Em entrevista ao Blog n’ Roll, via Zoom, o músico relembrou sua estreia com a banda justamente em solo brasileiro, uma experiência tão visceral que o levou ao limite físico. A oportunidade para esse reencontro já tem data e local marcados: o Bangers Open Air 2026. O festival, que se consolidou como parada obrigatória para os amantes do metal, acontece nos dias 25 e 26 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo. O Evergrey sobe ao palco no sábado (25), prometendo uma produção mais robusta e um repertório que equilibra o peso do metal progressivo com a melancolia característica do grupo. Segundo o baterista, a banda vive sua melhor fase: “Quero muito dar aos fãs brasileiros uma performance do Evergrey no seu melhor nível histórico”. No dia 5 de junho, a banda lança o álbum Architects of a NewWeave, que já teve dois singles revelados: a faixa-título e The World is on Fire. Além do Evergrey, o line-up do Bangers Open Air 2026 está recheado de gigantes. Entre os destaques confirmados aparecem nomes como Black Label Society, Within Temptation, Killswitch Engage, Jinjer e os suecos do In Flames, um dos pedidos mais fervorosos do público. O festival também aposta na diversidade de vertentes, trazendo desde o power metal do Primal Fear até o projeto Smith/Kotzen, que reúne Adrian Smith (Iron Maiden) e Richie Kotzen. Os ingressos para o Bangers Open Air 2026 estão à venda através do site Clube do Ingresso. O festival oferece diferentes setores e condições de pagamento, lembrando que crianças de até 10 anos de idade não pagam entrada. * Olá Simen, Blog n’ Roll, do Brasil. Falo de Santos, conhece? Santos, sim! Sim, claro, claro. Do Pelé, certo? Sim, com certeza! Pelé!!! Eu costumava jogar futebol antes de começar na música, então o Pelé era um dos meus ídolos. Eu tinha um pôster dele na minha parede e tudo mais. Que incrível! Simen, vou começar: como você vê esse retorno do Evergrey ao Brasil, especialmente tocando em um festival como o Bangers Open Air? Oh, estou ansioso demais por isso! Da última vez que estivemos no Brasil, fizemos três shows, e acho que o show de São Paulo foi provavelmente um dos melhores que já fiz com o Evergrey. E foi logo no começo, porque aquela turnê sul-americana foi a minha primeira turnê com a banda. Então, estou muito ansioso para voltar agora que temos um show maior, mais produção… está tudo um pouco mais, não diria ensaiado, mas está mais “show” agora, sabe? Acho que mais do que antes. Quero muito dar aos fãs brasileiros uma performance do Evergrey no seu melhor nível histórico. Além disso, o Brasil… as pessoas aí são loucas! Eu amo tocar para os fãs sul-americanos. É assim que deve ser: paixão, amor pela música e um público ativo, que canta, grita e tudo mais. Acho que em um festival enorme como o Bangers Open Air, vai ser muito, muito bom. Como você disse sobre os fãs brasileiros, sempre temos uma conexão muito intensa com as bandas. O que torna essa conexão tão especial para o Evergrey? Não tenho certeza do que a torna tão especial, é difícil dizer, mas é definitivamente diferente da Europa. Os latino-americanos, como povo, são mais apaixonados, mais barulhentos, eles entram mais na vibe. Eu diria que, no geral, quando os latinos são apaixonados por algo, eles se entregam de verdade. Na Europa, acho que temos muito mais barreiras sociais, do tipo “você tem que manter a calma”, “se você gosta de algo, não demonstre tanto”. Já na América Latina, especialmente no Brasil com o Carnaval, existe essa cultura de ser apaixonado e celebrar isso. Acho que é por isso que as bandas europeias gostam tanto de ir ao Brasil: a cultura de demonstrar paixão é muito diferente. Vem de todo esse amor pela música e por festejar de um jeito bom. Por causa dos festivais e do Carnaval, o Brasil tem uma tradição única. Como estudei música, um dos meus objetivos de vida é estar no Rio durante o Carnaval, ver os desfiles, participar da música, do samba, da rumba e tudo mais. Gostaria muito de vivenciar isso de perto, mas ainda não consegui. Está na minha lista de desejos. A experiência do Carnaval é única. E para você, que é baterista, o foco na percussão é fantástico. Sim! E o jeito que a música brasileira é tocada… não é algo “reto”, como colcheias perfeitas. Tem um “feeling” brasileiro que é extremamente único. As pessoas tocando pandeiros, aqueles tambores enormes, chocalhos… não é mecânico, tem um balanço (swing) que é insano. Quero muito ver isso de perto. Quem sabe no ano que vem? Talvez a gente faça uma turnê sul-americana exatamente na época do Carnaval. Dedos cruzados! Você mencionou que seu primeiro show com o Evergrey foi no Brasil. Você tem outras memórias marcantes daqui? O problema de excursionar, especialmente na América Latina, é que como os shows envolvem muitos voos, geralmente você só vai ao festival ou ao local, toca, volta para o hotel, dorme, vai para o aeroporto e segue para o próximo país. É basicamente assim. Mas, no show de São Paulo que fizemos, eu dei absolutamente tudo de mim. Depois do show, eu simplesmente desabei. Fiquei “morto”, vomitando por umas quatro horas seguidas porque esgotei todas as minhas energias. Os fãs estavam tão loucos que, na última música, eu pensei: “Não faço ideia de como vou terminar isso”. Foi tão intenso que apaguei no backstage. Tiveram que me levar direto para o hotel enquanto o resto do pessoal foi para o Manifesto Bar. Então, espero que este ano consiga participar da festa com os fãs brasileiros também. Foi uma pena não ter conseguido da última vez, mas realmente não tinha mais nada sobrando de mim. Estava deitado de lado, tremendo, sem conseguir me mexer.

O Épicco estreia com Algo Mais e aposta em mistura de soul, rock e brasilidade

A banda O Épicco dá um novo passo na carreira com o lançamento de seu primeiro álbum, Algo Mais, já disponível em todas as plataformas digitais. Fundado pelo vocalista Whil Savegnago, o grupo aposta em uma sonoridade que transita entre soul, R&B, blues e rock dançante, com forte influência da música brasileira. Gravado na Toka Produtora e com curadoria do produtor e guitarrista Eduardo Loja, o disco apresenta 13 faixas que exploram diferentes vertentes musicais, consolidando a identidade de uma big band contemporânea. Com formação robusta e novos integrantes, incluindo um trio de metais, o álbum resgata elementos clássicos do jazz, soul e R&B, atualizados com referências modernas. A faixa-título “Algo Mais”, que abre o disco, estabelece o tom do projeto com inspiração nos anos 70 e 80 e no soul nacional. Já músicas como “Vício”, “Pode se Jogar” e “Um Dia de Cada Vez” dialogam com o pop rock brasileiro, enquanto “Somos Dois Exagerados” mergulha na linguagem do blues. Outras canções como “Acende”, “Leva Nada” e “Clichê” ampliam o alcance do álbum, conectando-se tanto com playlists de MPB quanto com o pop rock. Segundo Whil Savegnago, o diferencial da banda está na força instrumental e na dinâmica coletiva. A proposta é clara: criar uma experiência musical que vá além do entretenimento, incentivando o público a buscar uma vida mais leve, com menos excessos e mais conexão com o que realmente importa. Formada em 2018, em Ribeirão Preto, O Épicco já passou por palcos importantes, abriu show para o Kiss na cidade e soma participações em festivais relevantes como o Brazilian Bacon Day, onde também está confirmada como um dos destaques da edição de 2026.

Entrevista | Supercombo – “Com as duas partes juntas é um dos discos mais incríveis da banda”

O Supercombo lança nesta sexta-feira, 10 de abril, a segunda parte do álbum Caranguejo, pela Deckdisc, concluindo um projeto concebido desde o início como um disco dividido em dois tempos. Após apresentar a primeira metade ao longo de 2025 em uma série de shows por seis estados, o novo capítulo chega com oito faixas inéditas que ampliam a proposta do trabalho, explorando diferentes climas, ritmos e atmosferas sem perder a unidade estética construída anteriormente. O show de lançamento será dia 26 de abril na Casa Natura. Musicalmente, o rock segue como base da identidade do Supercombo, mas ganha contornos mais abertos nesta segunda etapa. A sequência se inicia com “Combustão”, uma vinheta que funciona como ponte entre as duas partes, e avança para momentos de maior impacto, como “Deixa a Maré Te Levar”, marcada por riffs mais pesados e energia crescente. Ao mesmo tempo, o álbum aprofunda narrativas já sugeridas, como em “Deixar Pra Lá”, que dialoga diretamente com “Alento”, e em “Como Se Fosse Ontem”, que revisita a nostalgia da adolescência sem se prender ao passado. Com a Parte 2, Caranguejo se consolida como o trabalho mais elaborado da carreira da Supercombo, resultado de um período mais longo em estúdio e de uma produção refinada assinada por Victor de Souza, o Jotta. O disco completo, agora com 15 faixas, reforça o momento de maturidade criativa do grupo e sua proposta de construir álbuns como experiências contínuas. O Blog N’ Roll acompanhou de perto esse processo e esteve, na última sexta-feira (03/04), no estúdio da banda ao lado do fã-clube para uma audição exclusiva da segunda parte do projeto em primeira mão. Como é que foi ver a recepção dos fãs agora na audição dessa segunda parte de Caranguejo? Léo Ramos – Absurdamente incrível. A gente sempre fica numa expectativa porque a parte 1 foi tão bem recebida por eles e aí a gente pensando, né? Pô, e aí? E a parte 2? Será que a galera vai gostar? Mas eu acho que pra mim superou as expectativas, tanto pra gente quanto pra eles. Foi um momento muito legal. Tenho certeza que com as duas partes juntas, pra mim, é um dos discos mais incríveis da banda. Tem uma parte favorita de vocês? A 1 ou a 2? Léo Ramos – Cara, eu acho que eu gosto mais da 2 agora. André “Dea” – Eu acho que por ser mais novinha, todo mundo tá com a 2 no coração. Carol Navarro – Vou votar na 2 também. É, a parte 2 tem uns rifão. Não que o primeiro não tivesse, né? Mas a 2 vai ser divertido de tocar no show. Paulo Vaz – Eu gosto mais da segunda parte também. Eu acho que ela é mais concisa em relação aos timbres, a sonoridade. Eu sinto ela com mais pressão. Então eu gosto mais da segunda parte, mas amo a primeira também. E qual vai ser a primeira música de trabalho dela? Léo Ramos – Eu acho que vai ser Como Se Fosse Ontem, do Vitor Kley. Brincadeira, risos. A gente não sabia, ou a gente não lembrava, sei lá, que o Vitor Kley tinha uma música chamada Como Se Fosse Ontem. Beijo, Vitor Kley, te amo. Mas enfim, acho que vai ser esse single o primeiro. E sobre o que fala a letra? Léo Ramos – É sobre nostalgia, sobre uma época em que a gente só ia pros Corujão jogar CS até de madrugada, até o dia raiar. E a vida era muito mais simples. É uma música sobre isso, mais leve, né? Levinho.