Hellbenders lança “Desejar Sem Destruir” e anuncia EP em português

Uma das bandas mais influentes da cena de Goiânia, o Hellbenders, acaba de dar um passo decisivo em sua carreira. Conhecidos por mais de uma década de composições em inglês e turnês internacionais, o grupo lançou o single Desejar Sem Destruir. A faixa é o primeiro cartão de visitas de um EP inédito e marca a guinada definitiva da banda para as composições em português. Se a base do som continua fincada no stoner rock e no hard rock setentista, a nova fase traz uma sonoridade mais densa e contemporânea. Com guitarras em afinações baixas e timbres de bateria que flertam com o rock pesado dos anos 2000, lembrando nomes como Queens of the Stone Age e Helmet, o Hellbenders mostra um amadurecimento técnico notável. Ansiedade e identidade visual Liricamente, Desejar Sem Destruir mergulha nas angústias da vida moderna. A letra aborda a ansiedade e as pressões de um mundo em transição entre o analógico e o digital, propondo uma reflexão sobre o autocuidado e os limites da urgência cotidiana. A ficha técnica do lançamento é pesada: a produção é de Braz Torres, com mixagem e masterização do mestre Gabriel Zander (figura central do rock independente nacional). Já a capa leva a assinatura de Douglas Pereira, artista do coletivo Bicicleta Sem Freio (e também baterista do Black Drawing Chalks), que traduziu a temática da música em uma arte que representa a construção de múltiplas versões de si mesmo.
Teddy Swims inicia nova fase com o cativante single “Mr. Know It All”

Depois de fazer história com o hit diamante Lose Control, que quebrou recordes ao permanecer surreais 112 semanas na Billboard Hot 100, Teddy Swims está oficialmente de volta. O cantor lançou o single Mr. Know It All, via Warner Records, marcando o início de uma nova jornada sonora e emocional. A faixa é uma fusão sofisticada: traz grooves com inspiração vintage, a grandiosidade dos refrões do rock dos anos 80 e uma produção moderna que destaca a voz potente e rouca de Swims. Autossabotagem e sociologia Liricamente, Mr. Know It All mergulha nas águas profundas da autossabotagem nos relacionamentos. Teddy Swims explica que a música foi inspirada no “Dilema do Profeta”, conceito do sociólogo Robert K. Merton sobre profecias autorrealizáveis. “A música fala sobre como tanto o medo quanto o controle podem destruir algo real. Quando você acredita que já sabe como tudo vai terminar, você se afasta para se proteger, e essa distância acaba sendo o motivo do fracasso”, revela o artista. Para este retorno, Swims reuniu novamente seu “time de ouro” de produtores, incluindo Julian Bunetta e John Ryan, responsáveis por lapidar a identidade que o transformou em uma força global do soul contemporâneo.
Buhr lança o álbum “Feixe de Fogo” e reafirma sua vanguarda sonora

Sete anos é o tempo que separa Desmanche (2019) do novo capítulo artístico de Buhr. O álbum Feixe de Fogo, lançado pelo selo Sound Department, chega como um manifesto de movimento. Gravado ao longo de dois anos em uma peregrinação por Fortaleza, Sobral, Salvador, São Paulo e Recife, o disco é o primeiro a levar a assinatura Buhr, refletindo a identidade não binária de elu e um novo lugar de fala no debate sobre feminismo e arte. Produzido por Buhr e Rami Freitas, o trabalho é um amálgama de rock, reggae e ruídos experimentais. O tambor continua sendo a espinha dorsal das composições, mesmo quando camuflado por sintetizadores e samples ruidosos. Um time de mestres das cordas para acompanhar Buhr Se o conceito do álbum é o “derretimento de fronteiras”, a lista de colaboradores confirma essa tese. BUHR reuniu nomes que definem a guitarra brasileira nas últimas décadas: O disco ainda conta com o baixo de Dadi (Novos Baianos/A Cor do Som) em Motor de Agonia e arranjos de metais do Maestro Ubiratan Marques. Métrica e oralidade A estranheza peculiar de BUHR continua intacta. Suas letras narram enredos tensos e ferozes através de melodias que, por vezes, beiram a doçura. É um universo pop, mas fincado na oralidade e em métricas não convencionais, onde cada música funciona como uma pequena novela cotidiana sobre as dores das cidades.
Atreyu convoca Max Cavalera para o single “Children Of Light”

Os veteranos do metalcore norte-americano Atreyu elevaram o nível de agressividade para o seu próximo ciclo. A banda lançou o single Children Of Light, que conta com a participação de Max Cavalera (Soulfly, Cavalera Conspiracy, ex-Sepultura). A faixa é o mais novo aperitivo do 10º álbum de estúdio do grupo, The End is Not the End, previsto para chegar às lojas e plataformas no dia 24 de abril de 2026 via Spinefarm. Inspirada diretamente pelo som do Sepultura clássico dos anos 90, Children Of Light foi descrita pela banda como uma “música de festival”, feita para abrir rodas e emanar um espírito primal. “Queríamos o Max envolvido, embora parecesse um pedido impossível. Estamos honrados em compartilhar o microfone com uma lenda”, comentou o grupo em nota oficial. Álbum mais pesado da carreira da Atreyu Segundo o vocalista Brandon Saller, o novo trabalho marca um retorno às raízes experimentais do Atreyu, quando a banda não se encaixava em nenhum rótulo específico (emo, metal ou punk). The End is Not the End é prometido como o disco mais pesado e “mais metal” que o quinteto já produziu. O processo de composição foi dividido entre dois extremos: Jornada sonora Produzido por Matt Pauling, o álbum promete transitar entre melodias expansivas e uma brutalidade cinematográfica. Faixas como Dead, Ghost in Me e a própria parceria com Max Cavalera mostram uma banda que, após mais de duas décadas de estrada, ainda busca o frescor da agressividade espontânea.
Como o Capital Inicial cruzou o rock com a nova geração da música brasileira

Poucas bandas no Brasil conseguem transitar tão bem entre o rock clássico dos anos 80 e o pop contemporâneo quanto o Capital Inicial. Se no passado o grupo se imortalizou com parcerias com Zélia Duncan e Kiko Zambianchi, nos últimos anos a estratégia foi “oxigenar” o repertório convidando artistas que dominam as paradas atuais. Esses encontros, registrados principalmente no projeto Capital Inicial 4.0, mostram que os hinos da banda têm fôlego para novas roupagens. Confira os destaques dessa integração geracional: 1. Pop ousado de Marina Sena A versão de Natasha com Marina Sena é, talvez, a mais comentada. Marina não apenas emprestou sua voz anasalada e marcante, mas incorporou a personagem do clipe, trazendo uma estética visual mais “popstar” e menos “rocker” para a clássica canção de rebeldia. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Capital Inicial (@capitalinicial) 2. Leveza com Vitor Kley e Ana Gabriela Em Primeiros Erros (Chove), o Capital abriu espaço para o estilo “good vibes” de Vitor Kley. O resultado foi uma versão solar, que suaviza o peso emocional da letra original de Kiko Zambianchi. No mesmo clima, Ana Gabriela dividiu os vocais em Fogo, trazendo uma melodia mais doce e romântica para uma das canções mais sensuais do grupo. 3. Peso do rock e do rap O intercâmbio com o underground e com outros gêneros também rendeu frutos: Guia rápido de feats
“American Dream” encerra hiato de uma década do Alabama Shakes

O Alabama Shakes, vencedor de quatro prêmios Grammy, lançou o single American Dream. A faixa não é apenas uma música nova, mas o marco inicial de um novo capítulo: a confirmação do terceiro álbum de estúdio da banda, o primeiro desde o aclamado Sound & Color (2015). Composta por Brittany Howard, Heath Fogg e Zac Cockrell, a nova canção traz um riff de guitarra “sujo” e cadenciado, servindo de base para a interpretação visceral de Brittany. A letra é um retrato cru das tensões sociais de 2026, questionando o custo de vida, a pressão laboral e a desilusão com o antigo “sonho americano”. Crítica social em tom de soul American Dream mistura harmonias vocais inspiradas nos anos 50 com uma produção de rock alternativo moderna. Brittany descreve a música como um apelo por mudança. “É um retrato do que estamos vivendo hoje. Pergunto-me como chegamos a um ponto com tanta pressão e tão pouco apoio”, afirma a vocalista. O lançamento segue o single de retorno Another Life, lançado no ano passado, que já indicava que a chama da banda continuava acesa mesmo após dez anos de projetos paralelos e hiato. Turnê mundial e festivais na agenda do Alabama Shakes A banda já confirmou uma extensa turnê como headliner pela América do Norte e, pela primeira vez em mais de uma década, retornará ao Reino Unido e à Europa. O giro inclui paradas em festivais icônicos como o Bonnaroo e o New Orleans Jazz & Heritage Festival, além de apresentações ao lado de nomes como Mavis Staples e a Tedeschi Trucks Band.
Yellowcard e Blippi lançam versão familiar de “Bedroom Posters”

Se você achava que já tinha visto de tudo na música em 2026, prepare-se: o Yellowcard, um dos maiores nomes do pop-punk dos anos 2000, acaba de lançar um dueto com o fenômeno da educação infantil Blippi. A parceria acontece em uma nova versão do single Bedroom Posters, lançada via Better Noise Music. Originalmente, a faixa conta com a participação de Joel Madden (Good Charlotte) e ocupa o Top 5 das paradas de rádio alternativa nos EUA. No entanto, para a colaboração com Blippi, a letra foi totalmente repaginada. Saem os dilemas adolescentes e entra o fascínio infantil por veículos e aventuras. Aviões, montanhas-russas e escavadeiras A nova versão troca versos sobre “rasgar posters do quarto” por “olhar para os posters” e entoa coros sobre aviões e montanhas-russas. A iniciativa faz parte do projeto Year of Vehicles (O Ano dos Veículos), uma série de lançamentos de Blippi que celebra caminhões monstros, escavadeiras e carros de corrida. Para Ryan Key, vocalista do Yellowcard e pai de primeira viagem, o projeto tem um gosto especial: “Meu filho de 2 anos já mostra sinais de ser muito musical. Ver a equipe do Blippi reescrever a letra foi incrível, e espero que isso inspire uma nova geração de pequenos roqueiros”, comentou o cantor. “Crossover” geracional entre Yellowcard e Blippi Não é a primeira vez que os dois colaboram; o Yellowcard já havia aparecido na faixa Go Go Go de Blippi. A estratégia parece clara: atingir os pais que cresceram ouvindo pop-punk e que agora buscam conteúdos que possam compartilhar com seus filhos pequenos sem perder a própria identidade musical.
Tropikal Punk estreia com manifesto sonoro entre o ruído e a tradição

Belém sempre foi um celeiro de misturas improváveis, mas o que a Tropikal Punk apresenta em seu álbum de estreia, homônimo, eleva o conceito de “fusão” a um novo patamar de urgência. Formada por veteranos da cena paraense (com passagens por bandas como Pig Malaquias e Mangabezo), o quarteto entrega um disco que é, ao mesmo tempo, um retrato visceral do Norte do Brasil e uma crítica ácida ao colapso global. O álbum transita com naturalidade entre o punk rock direto, o dub pesado, o thrash metal e experimentações eletrônicas, tudo atravessado por um olhar distópico sobre a vida urbana em meio à floresta. Da Crítica às Big Techs ao calor de Belém A jornada começa com “Big Tech”, uma faixa que usa guitarras dissonantes para questionar nossa dependência digital. O tema retorna ao final do disco em uma versão eletrônica e dançante, com a participação de luxo de Aldo Sena, o ícone da guitarrada, criando uma ponte única entre o som de raiz e o futuro tecnológico. Outro ponto alto é Burn, Belém, Burn. A canção transforma a capital paraense em protagonista de uma narrativa sobre as mudanças climáticas, um tema que ecoa forte após a cidade ter sido o centro das atenções mundiais com a COP30. Já em “Peter Tosh”, a banda funde o peso do metal com efeitos eletrônicos em uma fuga simbólica da realidade urbana. Identidade e colapso do Tropikal Punk Composto por Ruy Montalvão (vocais e beats), Márcio Maués (guitarras), Vladimir Cunha (baixo) e Renato Damaso (bateria), o Tropikal Punk não se contenta em ser apenas “mais uma banda de rock”. O álbum explora estéticas como o psycho blues dos anos 70 em Drones e o pós-punk em Poser, provando que a música feita no Pará é tão plural quanto complexa. É um disco que exige atenção, feito de ruídos e grooves que tentam traduzir o que é viver em um país que oscila entre a tradição e o desastre iminente.
Garotos Podres registram o clássico “Mais Podres do Que Nunca” em show no PR

A banda Garotos Podres participou da segunda edição do projeto BVDR Grava, uma iniciativa conjunta da Belvedere Casa de Cultura e da Quero Rec Music, focada em documentar apresentações icônicas da cena independente. O registro, realizado em fevereiro de 2026, traz um momento raro: a banda apresentando na íntegra o álbum Mais Podres do Que Nunca. Lançado originalmente em 1985, o disco é um dos pilares do punk nacional, contendo hinos de protesto e crônicas urbanas que moldaram o gênero no Brasil. Energia do underground no show do Garotos Podres O show aconteceu no Belvedere, em Curitiba, um espaço conhecido por manter a estética e a proximidade das tradicionais casas de show independentes. Além do setlist focado no primeiro álbum, a apresentação contou com a abertura das bandas locais Dedo Podre e Capetassauras, reforçando o intercâmbio entre gerações. O material audiovisual completo, que busca preservar a “sujeira” e a energia real do palco sem excessos de pós-produção, já está disponível no YouTube. Projeto BVDR Grava O objetivo da série BVDR Grava é justamente este: atuar como um arquivo vivo da música marginal brasileira. Ao captar o som direto da “fervura” do público, o projeto documenta não apenas a música, mas a cultura que envolve esses espaços de resistência artística.