Cameron Picton (ex-black midi) apresenta “My New Band Believe”

Quando o black midi encerrou suas atividades em 2023, o mundo do rock experimental ficou órfão de sua construção de mundos caóticos. No entanto, o hiato serviu para que o baixista e vocalista Cameron Picton encontrasse um novo caminho, um que nasceu de um sonho febril em um quarto de hotel na China. O resultado é o álbum homônimo de estreia do My New Band Believe, lançado pela lendária Rough Trade Records. O nome do projeto surgiu literalmente de fragmentos de textos embaralhados que Picton anotou enquanto delirava sob o efeito de uma doença repentina durante uma turnê. O que antes era apenas uma frase peculiar tornou-se a identidade de sua nova fase artística. Menos distorção, mais dinamismo Diferente do som abrasador e matemático de sua antiga banda, o My New Band Believe aposta em uma sonoridade ágil e quase totalmente acústica. Picton trocou o peso eletrônico por uma seção completa de cordas e o mínimo de reverb possível. Mas não se engane: a leveza não significa simplicidade. O álbum é maximalista e dinâmico, onde cada faixa parece se desintegrar para se reorganizar no ímpeto da seguinte. Para dar vida a esse “multiverso” sonoro, Picton se cercou de músicos de alto nível da cena londrina, como Kiran Leonard, Caius Williams, Steve Noble e Andrew Cheetham. O álbum transita por registros emocionais diversos, guiados pela narração carismática e, por vezes, histérica de Cameron. “Kick Me” e o solo transatlântico Para celebrar o lançamento, a banda compartilhou Kick Me, uma gravação ao vivo montada a partir de multitracks de sete performances diferentes realizadas entre Londres e Nova York. O destaque fica para o “solo de guitarra transatlântico”, dividido entre Ryley Walker e Tara Cunningham, sintetizando a proposta de intercâmbio e improvisação do projeto.

Evanescence lança “Who Will You Follow” e anuncia o álbum “Sanctuary” para junho

Amy Lee e o Evanescence disponibilizaram o single Who Will You Follow, faixa que serve de abre-alas para o aguardado álbum Sanctuary, com lançamento mundial marcado para o dia 5 de junho. A nova música chega com uma sonoridade densa e moderna, fruto de uma colaboração com produtores que estão moldando o rock contemporâneo. A ficha técnica de Sanctuary impressiona: conta com a assinatura de Zakk Cervini (Bring Me The Horizon, Bad Omens) e Jordan Fish (ex-BMTH, Architects), além do veterano Nick Raskulinecz (Foo Fighters, Rush), que já havia trabalhado com a banda anteriormente. Refúgio em meio ao caos com Who Will You Follow Segundo Amy Lee, o processo de criação de Sanctuary levou mais de três anos. O álbum foi gestado como uma forma de processar as tensões do mundo atual, transformando o isolamento em conexão musical. O novo trabalho já chega embalado por sucessos recentes. A faixa Afterlife, que integrará o disco, alcançou o topo das paradas de rock nos EUA e no Canadá. Já o single Fight Like A Girl, parceria com K.Flay, reforçou a presença da banda nas playlists de música alternativa nos últimos meses. 20 anos de influência O retorno acontece em um momento em que o legado do Evanescence é mais respeitado do que nunca. O álbum de estreia, Fallen (2003), continua sendo um dos discos mais vendidos do século 21, superando marcos de bandas como Coldplay. Com hinos como Bring Me to Life e My Immortal, o grupo consolidou uma base de fãs global que agora se prepara para uma nova turnê mundial que acompanhará o lançamento de Sanctuary.

Black Pantera lança “Fogo nos Racistas” gravado no Circo Voador

O trio mineiro Black Pantera acaba de dar o primeiro passo para o lançamento do registro mais importante de sua década de estrada. Já está disponível o single Fogo nos Racistas (Ao Vivo no Circo Voador), faixa escolhida para abrir os trabalhos do álbum e DVD Resistência!, que chega às plataformas em abril pela gravadora Deck. Gravado em uma noite histórica no dia 19 de novembro (véspera do Dia da Consciência Negra), o show celebrou os 11 anos da banda em um Circo Voador lotado e pulsante. Ideia “lançada na cara” com Fogo nos Racistas Escolher Fogo nos Racistas como primeiro single não foi apenas uma decisão estratégica, mas um posicionamento político. A faixa é o pilar central do discurso da banda e, na versão ao vivo, ganha uma camada extra de agressividade e urgência com o coro do público carioca. “Essa música diz muito sobre o que o Black Pantera representa. É um som furioso, sem subjetividade, é simplesmente a ideia sendo lançada na cara mesmo”, define o baixista e vocalista Chaene da Gama. “Pikachu do Mosh” O lançamento vem acompanhado de um videoclipe que captura a “fervura” do Circo Voador. Um detalhe curioso que já está chamando a atenção dos fãs é a presença inusitada de um fã fantasiado de Pikachu, que mergulha e desaparece em meio à roda punk ensandecida puxada pelo trio. Lançamento e transmissão O álbum completo Resistência! Ao Vivo no Circo Voador será lançado em abril. No entanto, os fãs terão uma experiência completa no dia 8 de maio, quando o Canal Bis transmitirá o show na íntegra para todo o Brasil.

Hellbenders lança “Desejar Sem Destruir” e anuncia EP em português

Uma das bandas mais influentes da cena de Goiânia, o Hellbenders, acaba de dar um passo decisivo em sua carreira. Conhecidos por mais de uma década de composições em inglês e turnês internacionais, o grupo lançou o single Desejar Sem Destruir. A faixa é o primeiro cartão de visitas de um EP inédito e marca a guinada definitiva da banda para as composições em português. Se a base do som continua fincada no stoner rock e no hard rock setentista, a nova fase traz uma sonoridade mais densa e contemporânea. Com guitarras em afinações baixas e timbres de bateria que flertam com o rock pesado dos anos 2000, lembrando nomes como Queens of the Stone Age e Helmet, o Hellbenders mostra um amadurecimento técnico notável. Ansiedade e identidade visual Liricamente, Desejar Sem Destruir mergulha nas angústias da vida moderna. A letra aborda a ansiedade e as pressões de um mundo em transição entre o analógico e o digital, propondo uma reflexão sobre o autocuidado e os limites da urgência cotidiana. A ficha técnica do lançamento é pesada: a produção é de Braz Torres, com mixagem e masterização do mestre Gabriel Zander (figura central do rock independente nacional). Já a capa leva a assinatura de Douglas Pereira, artista do coletivo Bicicleta Sem Freio (e também baterista do Black Drawing Chalks), que traduziu a temática da música em uma arte que representa a construção de múltiplas versões de si mesmo.

Teddy Swims inicia nova fase com o cativante single “Mr. Know It All”

Depois de fazer história com o hit diamante Lose Control, que quebrou recordes ao permanecer surreais 112 semanas na Billboard Hot 100, Teddy Swims está oficialmente de volta. O cantor lançou o single Mr. Know It All, via Warner Records, marcando o início de uma nova jornada sonora e emocional. A faixa é uma fusão sofisticada: traz grooves com inspiração vintage, a grandiosidade dos refrões do rock dos anos 80 e uma produção moderna que destaca a voz potente e rouca de Swims. Autossabotagem e sociologia Liricamente, Mr. Know It All mergulha nas águas profundas da autossabotagem nos relacionamentos. Teddy Swims explica que a música foi inspirada no “Dilema do Profeta”, conceito do sociólogo Robert K. Merton sobre profecias autorrealizáveis. “A música fala sobre como tanto o medo quanto o controle podem destruir algo real. Quando você acredita que já sabe como tudo vai terminar, você se afasta para se proteger, e essa distância acaba sendo o motivo do fracasso”, revela o artista. Para este retorno, Swims reuniu novamente seu “time de ouro” de produtores, incluindo Julian Bunetta e John Ryan, responsáveis por lapidar a identidade que o transformou em uma força global do soul contemporâneo.

Buhr lança o álbum “Feixe de Fogo” e reafirma sua vanguarda sonora

Sete anos é o tempo que separa Desmanche (2019) do novo capítulo artístico de Buhr. O álbum Feixe de Fogo, lançado pelo selo Sound Department, chega como um manifesto de movimento. Gravado ao longo de dois anos em uma peregrinação por Fortaleza, Sobral, Salvador, São Paulo e Recife, o disco é o primeiro a levar a assinatura Buhr, refletindo a identidade não binária de elu e um novo lugar de fala no debate sobre feminismo e arte. Produzido por Buhr e Rami Freitas, o trabalho é um amálgama de rock, reggae e ruídos experimentais. O tambor continua sendo a espinha dorsal das composições, mesmo quando camuflado por sintetizadores e samples ruidosos. Um time de mestres das cordas para acompanhar Buhr Se o conceito do álbum é o “derretimento de fronteiras”, a lista de colaboradores confirma essa tese. BUHR reuniu nomes que definem a guitarra brasileira nas últimas décadas: O disco ainda conta com o baixo de Dadi (Novos Baianos/A Cor do Som) em Motor de Agonia e arranjos de metais do Maestro Ubiratan Marques. Métrica e oralidade A estranheza peculiar de BUHR continua intacta. Suas letras narram enredos tensos e ferozes através de melodias que, por vezes, beiram a doçura. É um universo pop, mas fincado na oralidade e em métricas não convencionais, onde cada música funciona como uma pequena novela cotidiana sobre as dores das cidades.

Atreyu convoca Max Cavalera para o single “Children Of Light”

Os veteranos do metalcore norte-americano Atreyu elevaram o nível de agressividade para o seu próximo ciclo. A banda lançou o single Children Of Light, que conta com a participação de Max Cavalera (Soulfly, Cavalera Conspiracy, ex-Sepultura). A faixa é o mais novo aperitivo do 10º álbum de estúdio do grupo, The End is Not the End, previsto para chegar às lojas e plataformas no dia 24 de abril de 2026 via Spinefarm. Inspirada diretamente pelo som do Sepultura clássico dos anos 90, Children Of Light foi descrita pela banda como uma “música de festival”, feita para abrir rodas e emanar um espírito primal. “Queríamos o Max envolvido, embora parecesse um pedido impossível. Estamos honrados em compartilhar o microfone com uma lenda”, comentou o grupo em nota oficial. Álbum mais pesado da carreira da Atreyu Segundo o vocalista Brandon Saller, o novo trabalho marca um retorno às raízes experimentais do Atreyu, quando a banda não se encaixava em nenhum rótulo específico (emo, metal ou punk). The End is Not the End é prometido como o disco mais pesado e “mais metal” que o quinteto já produziu. O processo de composição foi dividido entre dois extremos: Jornada sonora Produzido por Matt Pauling, o álbum promete transitar entre melodias expansivas e uma brutalidade cinematográfica. Faixas como Dead, Ghost in Me e a própria parceria com Max Cavalera mostram uma banda que, após mais de duas décadas de estrada, ainda busca o frescor da agressividade espontânea.

Como o Capital Inicial cruzou o rock com a nova geração da música brasileira

Poucas bandas no Brasil conseguem transitar tão bem entre o rock clássico dos anos 80 e o pop contemporâneo quanto o Capital Inicial. Se no passado o grupo se imortalizou com parcerias com Zélia Duncan e Kiko Zambianchi, nos últimos anos a estratégia foi “oxigenar” o repertório convidando artistas que dominam as paradas atuais. Esses encontros, registrados principalmente no projeto Capital Inicial 4.0, mostram que os hinos da banda têm fôlego para novas roupagens. Confira os destaques dessa integração geracional: 1. Pop ousado de Marina Sena A versão de Natasha com Marina Sena é, talvez, a mais comentada. Marina não apenas emprestou sua voz anasalada e marcante, mas incorporou a personagem do clipe, trazendo uma estética visual mais “popstar” e menos “rocker” para a clássica canção de rebeldia. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Capital Inicial (@capitalinicial) 2. Leveza com Vitor Kley e Ana Gabriela Em Primeiros Erros (Chove), o Capital abriu espaço para o estilo “good vibes” de Vitor Kley. O resultado foi uma versão solar, que suaviza o peso emocional da letra original de Kiko Zambianchi. No mesmo clima, Ana Gabriela dividiu os vocais em Fogo, trazendo uma melodia mais doce e romântica para uma das canções mais sensuais do grupo. 3. Peso do rock e do rap O intercâmbio com o underground e com outros gêneros também rendeu frutos: Guia rápido de feats

“American Dream” encerra hiato de uma década do Alabama Shakes

O Alabama Shakes, vencedor de quatro prêmios Grammy, lançou o single American Dream. A faixa não é apenas uma música nova, mas o marco inicial de um novo capítulo: a confirmação do terceiro álbum de estúdio da banda, o primeiro desde o aclamado Sound & Color (2015). Composta por Brittany Howard, Heath Fogg e Zac Cockrell, a nova canção traz um riff de guitarra “sujo” e cadenciado, servindo de base para a interpretação visceral de Brittany. A letra é um retrato cru das tensões sociais de 2026, questionando o custo de vida, a pressão laboral e a desilusão com o antigo “sonho americano”. Crítica social em tom de soul American Dream mistura harmonias vocais inspiradas nos anos 50 com uma produção de rock alternativo moderna. Brittany descreve a música como um apelo por mudança. “É um retrato do que estamos vivendo hoje. Pergunto-me como chegamos a um ponto com tanta pressão e tão pouco apoio”, afirma a vocalista. O lançamento segue o single de retorno Another Life, lançado no ano passado, que já indicava que a chama da banda continuava acesa mesmo após dez anos de projetos paralelos e hiato. Turnê mundial e festivais na agenda do Alabama Shakes A banda já confirmou uma extensa turnê como headliner pela América do Norte e, pela primeira vez em mais de uma década, retornará ao Reino Unido e à Europa. O giro inclui paradas em festivais icônicos como o Bonnaroo e o New Orleans Jazz & Heritage Festival, além de apresentações ao lado de nomes como Mavis Staples e a Tedeschi Trucks Band.