Julio Meloni transforma São Paulo em protagonista no novo single “Nome de Santo”

Julio Meloni apresenta um novo capítulo de sua trajetória artística com o lançamento de “Nome de Santo”, single que transforma São Paulo em personagem central de uma narrativa sonora marcada por contrastes, simbolismo e atmosfera urbana. Na faixa, o cantor e compositor parte da experiência cotidiana na capital paulista para construir uma leitura que vai além do concreto, convertendo a cidade em uma paisagem ao mesmo tempo real e imaginária. O resultado é uma canção que oscila entre pertencimento e estranhamento, refletindo a complexidade de uma metrópole em constante movimento. A nova música reforça a identidade de Meloni dentro do pop psicodélico, agora com um olhar ainda mais voltado para a vida urbana. Guitarras eletrizadas e sintetizadores expansivos conduzem a sonoridade de “Nome de Santo”, criando uma atmosfera que alterna tensão e contemplação. A proposta é acompanhar, no plano musical, os extremos sugeridos pela letra, que apresenta São Paulo como um organismo vivo, capaz de ser acolhedor e ameaçador ao mesmo tempo. “São Paulo é minha casa faz 25 anos. Me sinto parte dela, mesmo que uma milésima parte. O que me atrai são os seus extremos: uma doce menina ou um poderoso dragão? Foi para entender a cidade onde eu vivo que eu decidi cantá-la”, afirma o artista. Produzida em parceria com Iran Ribas e Kaneo Ramos, a faixa dá sequência a uma colaboração já consolidada na carreira do músico, equilibrando densidade sensorial, textura e impacto melódico em uma produção que dialoga com o indie contemporâneo e o pop experimental. Inserido na cena independente desde 2022, Julio Meloni vem construindo uma obra que cruza referências da música brasileira com elementos do pop internacional e do universo dos sintetizadores. Após o álbum de estreia “Herdeiro da Lua”, lançado em 2023 e revisitado em versão deluxe em 2025, o artista avança agora para uma fase mais provocativa, em que a cidade assume papel central em sua construção estética e conceitual. Com mais de 200 composições autorais e ouvintes em mais de 30 países, Julio Meloni chega a este lançamento em um momento de consolidação. Indicado ao Prêmio Profissionais da Música em 2024, na categoria Pop-Sudeste, e presente na programação da 36ª Bienal de São Paulo em 2025, dentro do projeto Varanda Bienal, o cantor prepara novos lançamentos e o desenvolvimento de seu próximo show. “Nome de Santo” surge, assim, como a abertura de uma nova fase, em que São Paulo deixa de ser pano de fundo e passa a ocupar o centro da narrativa.
Entrevista | Crypta- “A Victoria já entrou contribuindo criativamente, isso foi a chave para efetivá-la”

A Crypta se prepara para encerrar no Brasil o ciclo de shows do álbum Shades of Sorrow, trabalho que consolidou ainda mais a força do grupo no cenário do death metal mundial. Após uma sequência intensa de apresentações, incluindo 31 shows em 39 dias nos EUA, a banda chega à reta final da turnê nacional antes de voltar para a Europa e suas atenções integralmente ao próximo disco. Depois dessas datas, o repertório do álbum atual deve dar espaço ao novo material, que já está em fase avançada de composição. O encerramento dessa etapa em território nacional acontece com duas datas de peso em São Paulo: um show no Hangar 110 e a participação no Bangers Open Air, festival que se tornou uma vitrine importante para a banda no país. As apresentações marcam a despedida ao vivo do repertório dos dois últimos discos e também de algumas músicas mais antigas. Em entrevista ao Blog n’ Roll, a baterista Luana Dametto falou sobre a reta final da turnê de Shades of Sorrow, o processo de composição do novo álbum e a entrada definitiva da guitarrista Victoria Villarreal na formação. Como você avalia esse momento final da turnê de Shades of Sorrow? Houve algum show mais marcante nessa reta final? É difícil apontar um show mais marcante, porque com certeza teve, mas a gente toca tanto que minha memória dura no máximo até o que eu fiz ontem à tarde. Depois eu já deleto tudo. Essas últimas turnês do Shades têm sido muito boas. Já estamos tocando essas músicas há bastante tempo, então é como um impulso final, sabe? Tipo: beleza, vamos tocar essas agora e depois focar totalmente no disco novo. Também é a última chance de tocar algumas músicas que a gente não vinha tocando há um tempo, inclusive faixas do Echoes of the Soul que estavam mais abandonadas. A gente pensou: vamos colocar de volta no setlist, já que é a última turnê dessa fase. Ainda tem uma sequência importante na Europa, entre junho e agosto, e aí sim eu acredito que essa turnê do disco se encerra de vez. Os shows finais no Brasil serão no Hangar 110 e no Bangers Open Air. Existe um peso especial por serem datas em casa? Estou achando muito massa que, nessa última sequência de shows no Brasil, a gente teve a oportunidade de tocar no Bangers, que é um festival grande. Como são as últimas datas no Brasil com esse disco, foi importante conseguir uma vaga forte assim para divulgar esse final de turnê. Além do Bangers, também tivemos o festival em Friburgo, que foi muito bom, e ainda teremos esse show do Hangar. Talvez não sejam tantas datas no Brasil, mas são datas muito boas para fechar esse ciclo. Também existe a empolgação do público pela oficialização da nova integrante. A gente já tinha tocado com a Victoria antes, então não foi exatamente uma surpresa, mas a confirmação dela trouxe um novo olhar para a banda, inclusive de pessoas que ainda não conheciam o trabalho. Por que decidiram efetivar a Vitória agora, nessa reta final da turnê? A gente já queria há algum tempo ter uma nova integrante na banda. Desta vez, ao invés de simplesmente chamar alguém direto, resolvemos fazer diferente: testar em turnê, testar em várias situações e depois decidir. Tecnicamente, muitas pessoas poderiam assumir o posto. Tivemos músicos testados até mesmo pela internet. Mas o que estávamos procurando ia muito além da parte técnica. Queríamos alguém que agregasse nas composições, alguém com background no death metal e experiência na cena. A Victoria já entrou contribuindo criativamente. Ela compôs, mandou ideias, e a gente percebeu que aquilo combinava muito com a banda. Isso foi a chave final para efetivá-la. Então deu tempo dela conseguir colocar o DNA dela no próximo álbum? Sim. Embora tenha sido oficializada agora, ela já vinha participando desse processo há algum tempo. Durante essa fase de testes, ela já estava compondo com a gente. Quando ela mandou algumas composições, a reação foi imediata: “isso aqui combina”. Foi aí que entendemos que era o momento certo para efetivar. Então, sim, deu tempo de ela deixar a marca dela no disco. É, se teve essa química, é melhor não perder a oportunidade. Você pode contar em que estágio está o próximo álbum? A gente já tem quase o disco todo. Talvez mais um mês para terminar a composição e mais uns dois meses para acertar todos os detalhes. As demos principais da maioria das músicas já estão prontas. O maior desafio é realmente encontrar tempo, porque estamos sempre em turnê. Nos intervalos entre as datas, a ideia é finalizar tudo para conseguir gravar ainda este ano. O lançamento, muito provavelmente, fica para o ano que vem, porque depois da gravação ainda existe todo o processo de produção, prensagem e lançamento. Então a ideia é entrar em estúdio após os shows finais na Europa? Exatamente. Talvez um pouco depois, para dar tempo de colocar tudo em ordem e também descansar o corpo após a turnê. Mas o plano é esse: finalizar os shows, organizar tudo e partir para a gravação. Existe uma ligação enorme de vocês e o Bangers. O show no Bangers terá algo especial? Sim. Como é um show focado nos dois últimos discos, a gente mudou o setlist em comparação ao que vinha fazendo até agora. Estamos trazendo algumas músicas que fazia muito tempo que não tocávamos, faixas que a gente achou que talvez nunca mais voltassem ao repertório. Como é a última oportunidade de tocar esse material, resolvemos aproveitar. Tem como dar um spoiler? Dá sim. Uma das músicas é “I Resign”, que voltou ao set. Fazia muito tempo que eu não tocava essa música, precisei até assistir ao meu próprio playthrough para lembrar como era. Ainda bem que tinha vídeo, pois eu já tinha esquecido. E além da Crypta você tem realizado sonhos, né? Como foi participar da homenagem ao Joey Jordison? Foi uma das coisas mais importantes que já me