Aléxia lança Garra e resgata a energia da MTV dos anos 2000

A cantora e compositora Aléxia dá um passo decisivo na carreira com o lançamento de Garra, seu primeiro álbum de estúdio. Disponível nas plataformas de streaming, o disco reúne 14 faixas e consolida a identidade que ela define como heavy pop, uma fusão entre o peso do rock e do metal e o apelo melódico do pop. O trabalho ganha ainda mais força com o show de lançamento marcado para este domingo, 3 de maio, no Manifesto Bar, com participações de Debrix, Flor Et, Horney e Mi Vieira. Mais do que uma estreia, Garra funciona como um manifesto pessoal. O álbum mergulha em temas como saúde mental, luto e reconstrução, transformando experiências difíceis em narrativa musical. A metáfora da “garra” que fere, mas também fortalece, sintetiza esse processo. Em entrevista recente ao Blog N’ Roll antes de sair em turnê com o The Calling, a artista reforça essa abordagem íntima ao falar sobre sua composição como um reflexo direto do que vive. “Gosto muito de escrever sobre coisas que eu realmente vivo”, afirma, destacando a música como uma espécie de terapia e ferramenta de expressão emocional. O repertório evidencia essa carga em faixas como “Fevereiro”, que aborda o luto sem simplificações, e “Letra e Música”, onde expõe vulnerabilidades ligadas ao amor. Já o single “Seja Você” antecipa o tom do disco ao discutir identidade e pertencimento. A própria definição de heavy pop também nasce dessa mistura de referências. “Se você gosta de pop, vai curtir; se gosta de rock alternativo, também”, resume a cantora ao explicar sua sonoridade híbrida. A produção do álbum marca um avanço na carreira, com um trabalho mais coeso e alinhado à energia ao vivo da artista. Essa evolução dialoga com o momento atual, em que Aléxia acumula experiência de estrada e amadurecimento artístico. A participação na turnê do The Calling, por exemplo, foi um divisor de águas. “É uma oportunidade que muitas bandas independentes adorariam”, destacou a cantora sobre a experiência de dividir palco e aprender com uma estrutura maior. Com cerca de quatro anos de trajetória e mais de 400 shows realizados, Aléxia chega ao lançamento de Garra respaldada por vivência e construção consistente dentro da cena. A artista já dividiu espaço com nomes como CPM 22, Stone Temple Pilots, Nando Reis e Detonautas, consolidando um percurso que agora ganha forma definitiva no álbum de estreia. Garra sintetiza essa caminhada e aponta para um momento de afirmação, em que dor, identidade e potência sonora se encontram em equilíbrio.

Entrevista | Rancore – “Brio representa o que manteve a banda viva por 25 anos”

Após tocar Brio ao vivo ano passado no Bar Alto para fãs selecionados, o novo trabalho do Rancore chega pelo selo Balaclava como um dos lançamentos mais densos e significativos da carreira da banda. Longe de soar como um simples retorno, o disco assume o papel de reinvenção, equilibrando a urgência do hardcore com uma abordagem mais ampla e madura. Há um senso de continuidade, mas também de ruptura. Seria muito fácil a banda se apoiar nos sucessos do passado, mas o novo trabalho se mostra mais focado em redefinir o próprio caminho após anos de hiato, afinal são 15 anos desde Seiva. A sonoridade pós punk dos anos 80 é a grande tônica do alto, que passa também por influências do punk nacional 77 e até música eletrônica e hinos xamânicos. A sonoridade e diversidade acompanha essa transformação. “Brio” expande o alcance do Rancore no mundo do hardcore com camadas melódicas e atmosferas mais elaboradas, criando um álbum que transita entre a agressividade e momentos mais introspectivos. Há um cuidado evidente na construção dos arranjos e na dinâmica das músicas, reforçando a ideia de maturidade artística. Essa nova fase também passa pela produção de Daniel Pampuri, nome que esteve envolvido em trabalhos de peso como o álbum Cowboy Carter, de Beyoncé, o que ajuda a dimensionar o salto técnico e estético presente no disco. Esse direcionamento já vinha sendo sinalizado pela banda em apresentações recentes. A conexão com o público segue como elemento central, mas agora ancorada em um repertório novo que sustenta essa intensidade ao vivo. Não se trata de revisitar o passado, mas de construir um novo capítulo com base em tudo o que a banda representa dentro do hardcore nacional. Em entrevista após participação no festival Arena Hardcore em São Paulo no mês passado, Teco Martins detalhou o processo de construção do disco, começando pela escolha do nome. “Até os 45 do segundo tempo, o álbum ia se chamar ‘Sexo Selvagem’, que é uma música do disco”. Mas havia um incômodo interno, pelo risco de fechar portas ou gerar censura”, contou. A virada veio a partir de uma sugestão próxima ao círculo da banda. “Quando surgiu ‘Brio’, fez sentido na hora. É uma palavra forte, pouco comum, e representa o que a gente mais precisou para manter o Rancore vivo por 25 anos. Nomear tem força, tem peso, e todo mundo comprou a ideia.”, confessa o vocalista” A incerteza sobre o futuro também aparece de forma transparente. “A vida do artista é cheia de altos e baixos. Às vezes dá vontade de largar tudo, é intenso demais. Mas quando a gente faz um show assim, recarrega e faz valer a pena”, afirmou. Sem promessas, o foco está no presente. “A gente voltou, fez um álbum, está construindo essa turnê. Não sabemos até quando vai, então é aproveitar agora.” Ainda assim, a entrega permanece inegociável. “Um show do Rancore não dá para fazer pela metade.” O lançamento de “Brio” está chegando e sei que não foi fácil escolher o nome e ele quase foi nomeado como Sexo Selvagem. Como foi esse processo até chegar ao resultado final? Teco Martins – Até os 45 do segundo tempo, o disco ia se chamar “Sexo Selvagem”, que é uma música do álbum. Mas tinha um integrante que se incomodava com esse nome, achava que poderia fechar portas, gerar censura. Aí o Gabriel, que era fã e hoje é um dos meus melhores amigos e trabalha com a banda, sugeriu “Brio”, que é uma das primeiras palavras da primeira música do disco. Na hora fez sentido. É uma palavra forte, não tão comum, e representa o que a gente mais precisou para manter o Rancore vivo por 25 anos. Nomear algo tem força, tem peso. Quando surgiu, todo mundo concordou e hoje estamos muito felizes. Vocês deixaram uma mensagem enigmática nas redes sociais sobre o futuro da banda. O público ficou preocupado. Como você vê esse momento? Teco Martins – Não dá para saber, cara. Manter uma banda é muito intenso, inconstante, desafiador. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir mais para o meio do mato ainda. Mas quando a gente faz um show como o de hoje, é um respiro, vale a pena. A gente recarrega. A vida do artista é cheia de altos e baixos. Então, sinceramente, não sei até quando isso vai durar. Pode durar bastante, mas também pode não durar. Por isso, aproveitem. A banda voltou, fez um álbum, está em turnê. Nosso foco agora é trabalhar esse disco. O que vem depois é um mistério. É possível que dure muito, mas é improvável. Alexandre Nunes – A gente já ouviu que deveria compor mais, então as coisas estão acontecendo. Estamos construindo essa fase desde que voltamos, ainda é recente. O primeiro passo é trabalhar “Brio”, fazer essa turnê acontecer. Depois a gente vê. Estamos abertos, mas sem garantias. Há uma percepção muito forte de conexão com o público, quase como algo espiritual. Você sente isso também? Teco Martins – Eu não iria pela parte espiritual de igreja ou discípulos. A gente não quer isso. Queremos uma troca sincera. No hardcore é tudo muito real, te pega pela alma. Quando subimos no palco, estamos dispostos a tudo, não dá para fazer um show do Rancore pela metade. É muito intenso. Eu acredito sim em uma experiência transcendental. A música é só a ponta do iceberg, tem muita coisa ali que vem do coração.

7ª edição do Rolê das Tribos acontece nesta sexta-feira (1)

Rock, pop, reggae e muita brasilidade: assim vai ser o Rolê das Tribos! A 7ª edição do evento acontece nesta sexta-feira (1) a partir das 20h no Mangute Lounge e promete agitar do início ao fim. A primeira atração da noite é a DZ ROCK, banda de grunge caiçara. Além de músicas autorais, o repertório também contará com o melhor do pop e rock (nacional e internacional). Vale ressaltar que o vocalista Roger DZ é, também, o fundador do evento. “Eu sempre gostei muito de rock n’ roll, mas também sempre gostei de outros estilos musicais. Eu gosto de música! Então eu sempre tive vontade de idealizar um evento com essa mescla. E o Rolê das Tribos veio com essa ideia: de trazer diversidade musical”, explica Roger. Em seguida, Diego Alencikas sobe ao palco com MPB, brasilidades e forró. O momento perfeito para arriscar dançar um xote ou pé de serra, quem sabe? A apresentação terá participação especial de Gibi Wagner. Por fim, para fechar o Rolê das Tribos com chave de ouro, a SKASU fará um show com músicas autorais e muito pop reggae. A cantora independente Anne Marie, ex-participante do programa The Voice Brasil, é convidada da banda. Rolê além da música Agora, se você gosta de exposições fotográficas, está aí mais um motivo para você não ficar de fora do Rolê das Tribos. Afinal, o evento contará com obras de Tiago Cardeal, fotógrafo que registra o cotidiano de Santos de forma sensível e única. E por último, o público também poderá fazer flashes tattoos disponíveis no local. Os ingressos estão a venda pelo site da Articket. Como minha banda pode participar da próxima edição? Se você é cantor(a) ou tem uma banda e quer participar do próximo Rolê das Tribos, basta entrar em contato através do perfil oficial do evento. Em seguida, envie o seu material completo e, pronto: é só aguardar a curadoria de Roger DZ e sua equipe.