Entrevista | Horsegirl – “Minha esperança é só comer comida gostosa, comprar alguns discos e passear por aí”

Há uma linha tênue que separa o resgate nostálgico da pura originalidade, e as americanas do Horsegirl caminham por ela com a segurança de veteranas. Nascido na efervescente cena jovem de Chicago e hoje radicado em Nova York, o trio formado por Penelope Lowenstein, Nora Cheng e Gigi Reece tornou-se um dos nomes mais incensados da nova vanguarda das guitarras. Com uma identidade moldada pela ética do “faça-você-mesmo” (DIY), a banda transforma referências clássicas do shoegaze, pós-punk e indie noise dos anos 80 e 90 em algo urgente, magnético e profundamente contemporâneo. ​O passaporte para o reconhecimento global definitivo veio carimbado pelo aclamado segundo álbum, Phonetics On and On. Lançado no ano passado, o trabalho consolidou o Horsegirl nos holofotes da crítica internacional, figurando no topo das listas de melhores discos de 2025. Ao contrário da estreia crua que buscava emular a energia dos palcos, o registro recente revelou um amadurecimento corajoso de estúdio, desbravando texturas experimentais e drones sintetizados sem perder o apelo de suas melodias pop tortas. ​A prova de fogo desse repertório diante do público brasileiro acontece no sábado (23), em São Paulo. O Horsegirl é uma das atrações mais aguardadas do C6 Fest, festival que ocupa o Parque Ibirapuera. O show será às 14h40, na Tenda MetLife. Os ingressos estão esgotados. Em uma conversa franca e descontraída com o Blog n’ Roll, por chamada de vídeo, embalada pela sinfonia caótica de sirenes e buzinas de uma Nova York ensolarada, a guitarrista e vocalista do Horsegirl, Penelope Lowenstein, falou sobre as expectativas para a estreia em solo brasileiro, a transição geográfica e criativa da banda, os bastidores do elogiado EP Julien 2 e o desafio diário de equilibrar negócios e amizade. Confira a entrevista na íntegra a seguir. ​Oi, Penelope, como você está? Estou bem, e você? ​Estou bem também. O dia está ensolarado por aí, lindo! Sim, super quente lá fora hoje. Por isso tenho que ficar com todas as janelas abertas. Se você ouvir coisas como sirenes ou buzinas, é só a loucura de Nova York acontecendo. Sinto muito! ​Tudo bem. Esta é a primeira vez do Horsegirl se apresentando no Brasil, um país com uma base de fãs de indie rock muito apaixonada. O que você já ouviu falar sobre o público brasileiro e o que está mais animada para vivenciar no palco do C6 Fest? Bem, ouvi dizer que o Brasil ama rock, então estou animada para ver isso de perto. Poder viajar no geral por causa dos shows é uma forma muito interessante de conhecer um lugar. Felizmente, vamos ter muitos dias de folga em São Paulo. Minha esperança é só comer comida gostosa, comprar alguns discos enquanto estivermos lá e passear por aí. Estou muito, muito animada. Inclusive, eu estava dizendo na minha última entrevista que São Paulo é o lugar para onde eu mais queria ir. Sinto que é uma chance incrível de conhecer um local que desejava visitar há muito tempo. ​Sim, parece perfeito. Você já pesquisou sobre São Paulo? Onde quer ir? Eu falei com alguns amigos que conheço por lá e estou tentando fazer com que eles me deem recomendações fora do circuito turístico tradicional, sabe? Honestamente, não tem muita comida brasileira nos Estados Unidos que eu tenha provado. Quero muito experimentar a culinária local. No mais, pretendo ver um pouco de música. ​Sim. Galeria do Rock é um lugar muito bom para ir. Sim! ​A Galeria do Rock é tipo um shopping. Ah, eu anotei isso! Já ouvi falar. Fica no Centro? ​Fica no Centro. Ok, já sei sobre esse lugar, então. Tenho uma lista crescendo. ​Perfeito! O festival mistura atrações históricas com a nova vanguarda da música global. Como você vê o papel do Horsegirl nesse circuito, levando música movida a guitarra e uma estética faça-você-mesmo (DIY) para grandes palcos? Estava olhando o lineup e pensei que parece uma boa mistura de atrações internacionais com artistas brasileiros. Fiquei bem lisonjeada por sermos escolhidas como uma das bandas americanas do evento. Espero que a gente mostre algo interessante que talvez não esteja sendo feito no Brasil no momento.  É muito legal ser representante de algo no exterior. Nós viemos de um grupo de bandas em Chicago que nunca imaginou que teria a chance de viajar tão longe para tocar para as pessoas. Especialmente se a mensagem em torno das coisas DIY for inspiradora para o público, isso me deixa muito feliz. É incrível pensar em conseguir espalhar isso mais longe do que você achou que conseguiria. ​E Phonetics On and On completou um ano desde o seu lançamento, cercado de elogios e figurando nas principais listas de melhores do ano de 2025. Olhando para trás agora, como você processa o impacto que esse álbum teve na carreira do Horsegirl? Foi um momento importante. Para uma banda, fazer um primeiro disco é muito diferente de fazer um segundo e sair do outro lado. Às vezes você tem um primeiro trabalho de sucesso e depois fica um pouco perdida, sem saber o que fazer.  Nós tomamos um rumo muito diferente entre o nosso primeiro e o segundo disco. Nossos shows ficaram ainda maiores e pareceram mais significativos do que na primeira vez. Isso nos deu muita confiança de que podemos mudar as coisas na nossa carreira e ter liberdade para seguir o que é interessante para nós.  Ter feito algumas coisas diferentes na minha vida com essa idade tão jovem afirma, de uma perspectiva de carreira, que posso fazer muitas coisas distintas como musicista. Essa foi uma lição valiosa para nós. Superar o desafio de um segundo disco parece algo grandioso. O terceiro acaba sendo um bloqueio mental porque você já passou por isso duas vezes antes. ​Vocês começaram o Horsegirl em Chicago e depois se mudaram para Nova York, certo? Sim! ​O quanto essa mudança de cenário e viver em Nova York influenciou a composição e as origens das músicas no segundo disco? Foi fundamental! Éramos muito jovens quando escrevemos nosso primeiro disco, tínhamos uns 16

Towa Bird lança álbum “Gentleman”; ouça!

Se você acompanha a nova safra do indie rock, o nome de Towa Bird certamente já cruzou o seu feed. Conhecida por sua técnica impecável na guitarra, sua atitude andrógina e por ter acompanhado Reneé Rapp na estrada, a artista anglo-filipina acaba de dar o pontapé inicial em sua nova era com o álbum Gentleman. Atitude, desejo e androginia do Towa Bird Carro-chefe do álbum, a faixa-título é uma declaração ousada. Towa utiliza o deboche e o magnetismo andrógino para explorar sua própria sexualidade e o desejo queer, vestindo um arquétipo tradicionalmente masculino de forma provocativa e livre. “Eu queria começar o álbum abraçando a androginia e expressando esse lado da minha sexualidade de forma direta. Existe vulnerabilidade em outros momentos do disco, mas com Gentleman eu queria iniciar tudo com uma grande explosão”, explica a artista. Som da liberdade de estúdio A canção foi a primeira a ser escrita e gravada para o novo projeto, ditando imediatamente o tom de todo o disco. Criada de forma espontânea ao lado do produtor Wimberly, a faixa é uma colisão perfeita de pop-punk acelerado, vocais rasgados e riffs de guitarra que parecem disparados por uma metralhadora. Para Towa, o segredo da energia da música foi a ausência de cobrança nas sessões de estúdio: “Nossa única intenção naquele dia era criar algo punk, empolgante e rápido. Estávamos apenas experimentando e vendo no que dava. Entrar no estúdio com essa mentalidade tirou toda a pressão, e essa sensação de liberdade nos acompanhou até o fim do processo”, relembra.

Bayside Kings lança “A Lei do Retorno” e consolida nova fase pela Deck

A banda santista Bayside Kings disponibilizou em todas as plataformas o single A Lei do Retorno, o primeiro lançamento de 2026 e o pontapé inicial para o novo álbum de estúdio que chega via gravadora Deck. Com 16 anos de estrada, o grupo formado por Milton Aguiar (voz), Teteu (guitarra), Manolo (baixo) e David Gonzalez (bateria) vive o seu momento de maior expansão. A virada de chave aconteceu após a pandemia, quando a banda tomou a decisão corajosa de migrar as composições do inglês para o português. O resultado? Uma conexão imediata com um público muito maior, sem perder um grama da agressividade característica. Hardcore, scratches e atitude urbana em A Lei do Retorno Em A Lei do Retorno, o Bayside Kings expande suas fronteiras sonoras ao convidar o DJ Terrorscreen. A faixa incorpora elementos do hip-hop, como scratches, que se fundem perfeitamente à batida acelerada do hardcore. É um som que carrega o asfalto no DNA, unindo a fúria das rodas de pogo com a estética das ruas. Liricamente, a música é um soco no estômago da inércia. Milton Aguiar entrega uma letra sobre persistência e o foco no futuro, criticando a falsidade e a busca vazia por validação. “Seguir tentando é a única forma de quebrar ciclos, sair do lugar e não ser engolido. A música é sobre carregar o passado sem ficar preso nele”, define o vocalista. Rumo ao palco principal do Porão do Rock A força dessa nova fase será testada em um dos maiores palcos da América Latina. O Bayside Kings está confirmado para os dias 22 e 23 de maio no festival Porão do Rock, em Brasília. Se no ano passado eles já haviam roubado a cena, em 2026 a banda retorna com o status de atração do palco principal, consolidando de vez o nome de Santos no topo do mapa do rock nacional contemporâneo.