Entrevista | The Red Jumpsuit Apparatus – “O Emo ganhou uma nova chance nos últimos anos”

A primeira vez do The Red Jumpsuit Apparatus no Brasil está marcada para o lendário Hangar 110, em São Paulo, no dia 8 de agosto, em uma apresentação especial da turnê que celebra os 20 anos de Don’t You Fake It (2006), álbum que ajudou a definir a sonoridade emo e do rock alternativo dos anos 2000. O show percorrerá os principais momentos do disco que revelou o grupo ao mundo, incluindo clássicos como “Face Down”, “False Pretense” e “Your Guardian Angel”. Duas décadas após o lançamento do álbum de estreia, o The Red Jumpsuit Apparatus continua em atividade e atravessa um novo momento criativo. Em 2025, a banda apresentou os singles “Perfection” e “Slipping Through”, trabalhos que antecederam o álbum X’s For Eyes. O novo material foi bem recebido pelos fãs e ganhou espaço no repertório da atual turnê mundial, que passou por diferentes continentes nos últimos meses. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o tecladista Nadeem Salam revelou que X’s For Eyes possui uma conexão direta com Don’t You Fake It. Segundo ele, o vocalista Ronnie Winter revisitou composições e ideias desenvolvidas há cerca de 20 anos para construir parte do novo álbum. O músico afirmou que a proposta era recuperar a mesma energia criativa do início da carreira, algo que tem sido percebido pelo público durante os shows. Nadeem também comentou sua relação pessoal com o disco de estreia, lembrando que ainda estava no ensino médio quando o álbum chegou às lojas. Além disso, destacou a importância contínua de “Face Down”, canção que aborda a violência doméstica e segue provocando reflexões em diferentes gerações, e falou sobre a expectativa para tocar pela primeira vez no lendário Hangar 110, casa que ele considera ideal para a estreia da banda em solo brasileiro. Como você avalia a recepção de X’s For Eyes desde o lançamento? A recepção tem sido incrível. Acabamos de concluir uma turnê mundial que passou pela Ásia e fizemos vários shows ao lado de bandas como Saosin e Dashboard Confessional. Esse ciclo do álbum tem sido diferente porque, pela primeira vez em muito tempo, nós também estamos extremamente empolgados com o material novo. Tem sido especial ver a reação das pessoas, já que estamos tocando várias dessas músicas ao vivo. A banda nunca deixou de lançar músicas, mas esse momento parece diferente. É um capítulo muito especial para nós. Além disso, nosso primeiro álbum está completando 20 anos, então tudo isso traz uma sensação de ciclo completo. Como um novo membro, qual foi seu papel no processo criativo e na gravação do álbum? Sou responsável pelos teclados e pelos efeitos da banda. Neste álbum, porém, houve algo especial. O Ronnie queria resgatar a mesma sensação que existia quando gravou o primeiro disco. Como o álbum de estreia completa 20 anos, ele voltou aos arquivos antigos e várias músicas nasceram de ideias que ele já desenvolvia naquela época. É como retomar um capítulo que ficou aberto por duas décadas. O resultado foi um disco que traz uma energia muito próxima da do primeiro álbum, e os fãs têm percebido isso. E onde estava o Nadeem em 2006 quando Don’t You Fake It foi lançado? Eu estava no ensino médio. Sou um dos integrantes mais jovens da banda. Eu e o Josh, nosso guitarrista, crescemos ouvindo esse álbum. Ele foi a trilha sonora de uma fase muito importante da minha vida. É surreal pensar que eu cresci ouvindo esse disco e hoje meu trabalho é tocá-lo ao redor do mundo. Se alguém dissesse ao Nadeem de 2006 o que estaria fazendo em 2026, ele acharia que era mentira e provavelmente me bloquearia no MySpace. Agora que você está do outro lado, alguma música desse álbum ganhou um novo significado para você depois de entrar na banda? Sim. Quando eu era fã, interpretava aquelas letras de uma forma muito pessoal. Hoje, estando na banda, minha missão é ajudar a transmitir a mensagem que o Ronnie queria passar. Músicas como “Face Down”, “False Pretense” e “Damn Regret” falam de experiências que muitas pessoas conseguem relacionar às próprias vidas. Agora, através da iluminação, dos efeitos visuais e da produção dos shows, temos a oportunidade de contar essas histórias de uma forma ainda mais completa. No Brasil ainda vemos muitos casos de feminicídio e violência contra a mulher. Como é tocar “Face Down” sabendo que a mensagem continua tão atual? É algo muito poderoso. Nossa base de fãs é bastante diversa e cada pessoa se conecta à música de uma maneira diferente. Quando tocamos “Face Down”, sabemos que grande parte do público espera por esse momento. Ao longo dos anos, conhecemos histórias de pessoas que foram impactadas pela mensagem da canção. Isso deu um significado completamente novo para mim. Não é apenas tocar uma música. É compartilhar uma experiência muito importante com o público. Você já tinha ouvido falar da importância do Hangar 110 para a cena alternativa brasileira? Não conhecia, mas fico feliz de saber disso. Parece que será o lugar perfeito para nossa estreia no Brasil. Estamos muito animados porque tocar em uma casa com tanta história pode ajudar a construir uma relação duradoura com o público brasileiro. Esperamos voltar muitas vezes no futuro. O que você espera da primeira passagem da banda pelo Brasil? Estou muito animado. Além dos shows, existe uma conexão pessoal porque pratiquei capoeira durante muitos anos. Sempre foi minha arte marcial favorita. Também adoro futebol e estou ansioso para conhecer melhor o país. Brinquei até que gostaria de caminhar pelas ruas do Brasil, encontrar uma roda de capoeira e participar dela. Tenho certeza de que será uma experiência incrível e estou realmente ansioso para finalmente conhecer os fãs brasileiros. E como você entrou para a banda? Passou por alguma audição? Minha história com o The Red Jumpsuit Apparatus começou há cerca de 15 anos. Quando eu tinha 17 anos, enviei centenas de e-mails para bandas tentando encontrar uma oportunidade na indústria musical. O Ronnie foi praticamente a única pessoa que me respondeu. Comecei trabalhando

Malevolent Creation e Mystic Circle anunciam show histórico no Hangar 110

Os veteranos do death metal norte-americano do Malevolent Creation retornam a São Paulo no dia 24 de outubro para uma apresentação especial no Hangar 110. O show marca a celebração dos 35 anos de The Ten Commandments, disco de estreia da banda e um dos registros mais importantes da primeira geração do death metal da Flórida. A noite contará ainda com a participação dos alemães do Mystic Circle, que voltam aos palcos após duas décadas sem apresentações ao vivo. Lançado em 1991, The Ten Commandments ajudou a consolidar o nome do Malevolent Creation entre os principais representantes do death metal norte-americano. Produzido por Scott Burns e com arte assinada por Dan Seagrave, o álbum trouxe clássicos como “Premature Burial”, “Multiple Stab Wounds” e “Thou Shall Kill!”, combinando a brutalidade do death metal com a velocidade e agressividade herdadas do thrash. A atual formação do grupo é liderada pelo guitarrista e fundador Phil Fasciana, único integrante presente em todas as fases da banda. Para a turnê comemorativa, o músico divide o palco com Deron Miller, Jesse Jolly, Chris Cannella e Ronnie Parmer, em uma formação com três guitarras que busca resgatar características dos primeiros anos do grupo. Mystic Circle de volta aos palcos Outro atrativo da noite será o retorno do Mystic Circle aos palcos. Formada em 1992, na Alemanha, a banda construiu uma carreira marcada pela mistura de black metal, death metal e elementos sinfônicos. Após encerrar as atividades em 2007, o grupo retomou suas atividades em 2021 e lançou uma sequência de trabalhos recentes, incluindo Mystic Circle (2022), Erzdämon (2023) e Hexenbrand 1486 (2025). A apresentação em São Paulo faz parte da turnê latino-americana do Malevolent Creation, que também passará por países como México, Costa Rica, Colômbia, Peru, Chile e Argentina. Serviço Malevolent Creation e Mystic Circle em São Paulo Data: 24 de outubro de 2026Local: Hangar 110Endereço: Rua Rodolfo Miranda, 110, Bom Retiro, São Paulo (SP) Ingressos: Fastix