Entrevista | Shawn James – “Ninguém ligava para Through The Valley até o The Last of Us”

O cantor, compositor e multi-instrumentista norte-americano Shawn James lança nesta sexta-feira (12) o álbum Passage, novo trabalho de estúdio que marca mais um capítulo na trajetória de um dos artistas independentes mais respeitados da cena folk, blues e rock contemporânea. Conhecido mundialmente por sua voz poderosa e pela capacidade de transitar entre momentos intimistas e explosões de intensidade sonora, o músico apresenta um disco que fala sobre transformação, superação e a coragem necessária para seguir em frente. Escrito e gravado ao longo do último ano, Passage surge como uma obra profundamente introspectiva. O álbum equilibra passagens acústicas delicadas com arranjos carregados de peso, misturando blues sombrio, rock, folk e elementos orquestrais. A faixa de destaque é Headed for the End, que também ganha um videoclipe oficial nesta sexta-feira. Entre os momentos mais marcantes do trabalho está Burn, composição que reflete sobre um mundo em constante transformação e os desafios enfrentados pela sociedade contemporânea. Shawn James no Brasil Além do lançamento do novo álbum, Shawn James também se prepara para retornar ao Brasil em agosto. A turnê passará por Porto Alegre, no Teatro Opinião, em 6 de agosto; São Paulo, no Cine Joia, em 7 de agosto; e Curitiba, no Hard Rock Cafe, em 8 de agosto. Os shows prometem reunir clássicos da carreira, como Through The Valley, música eternizada pelo universo de The Last of Us, além das novas composições de Passage. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Shawn James falou sobre a expectativa para o lançamento do álbum, relembrou o impacto inesperado de Through The Valley após sua associação com The Last of Us e comentou a forte conexão que desenvolveu com o público e a cultura brasileira ao longo de suas passagens pelo país. O novo álbum chega às plataformas em poucas horas. Como você está se sentindo neste momento? Estou animado. Sempre existe uma expectativa antes do lançamento de um álbum, especialmente nas primeiras horas. É divertido acompanhar a empolgação das pessoas. A verdade é que escrevi essas músicas no ano passado e terminamos as gravações no final do verão. Então, estou esperando por esse momento há bastante tempo. Originalmente, o disco seria lançado em 1º de maio, mas quando voltei de uma turnê, em março, precisei passar por uma cirurgia e tivemos que adiar tudo um pouco. Está tudo bem agora, mas foi uma longa espera. Estou aliviado e empolgado por finalmente lançar esse trabalho. O que aconteceu para você precisar da cirurgia? Achei que estava com uma intoxicação alimentar. Acordei com uma dor forte do lado esquerdo e fui ao médico. Descobri que era apendicite e precisei retirar o apêndice. Foi muito rápido. Fui dormir com uma dor de estômago e poucas horas depois estava em uma sala de cirurgia. Felizmente aconteceu quando eu já estava em casa, em Portland, no Oregon. Foi intenso, mas estou totalmente recuperado. Como tem sido a reação do público aos primeiros singles de Passage? Tem sido fenomenal. Uma das coisas que gosto de fazer é construir a partir do que já criamos anteriormente. Quando os fãs gostam de discos como Shadows ou The Dark & The Light, eles sabem que podem confiar em mim. Não vou simplesmente mudar tudo de direção. Existe experimentação, claro, mas acredito que as pessoas estão gostando porque encontram elementos familiares apresentados de uma forma nova. Não tenho do que reclamar. Como foi o processo de composição deste álbum? E de onde vêm suas inspirações? A inspiração vem de todos os lugares. Quando eu era mais novo, especialmente na época de Shadows, muitas músicas surgiam de questões pessoais e experiências do passado que eu estava tentando entender. Hoje pode vir de algo que estou vivendo, de um filme incrível que assisti, de um livro, de um mito ou de uma história qualquer. Gosto disso porque amplia as possibilidades criativas. Quanto ao processo de composição, ele varia bastante. Às vezes surge uma ideia de letra, às vezes uma história, outras vezes um riff ou uma progressão de acordes. Em Passage, tentei fazer algo que gosto muito: escrever a música e a letra ao mesmo tempo. Assim, uma inspira a outra e tudo parece mais natural e coeso. Você encontrou alguma inspiração musical no Brasil? Sim. Antes mesmo de visitar o Brasil eu já conhecia alguns estilos brasileiros, como o funk e outros gêneros populares. Mas quando estive aí pude conhecer mais da cultura musical do país. A bossa nova, por exemplo, é muito inspiradora. Cresci em Chicago cercado por gospel, blues, soul, jazz e rock. Quando você conhece outra cultura musical, percebe pequenas diferenças na forma como as pessoas constroem suas canções. Tenho ouvido mais artistas brasileiros ultimamente. Alguém até montou uma playlist para mim. Quem sabe um dia eu consiga escrever uma música em português. Primeiro preciso aprender o idioma. E você conseguiu conhecer melhor o Brasil durante as turnês? Deu tempo? Sim. São Paulo foi a cidade onde tivemos mais tempo para passear. Visitamos mercados, bares e diferentes bairros. Também conheci cidades como Belo Horizonte, Florianópolis, Curitiba e Brasília. Adorei experimentar a culinária brasileira. Sou apaixonado por feijoada. Um dos momentos mais marcantes foi quando visitei uma propriedade em Minas Gerais, a convite do chef Santi Roig. Ver as paisagens, a natureza e o interior do Brasil foi incrível. Gosto muito de conhecer essa parte mais natural do país. Você teve uma infância muito ligada à igreja. Como isso influencia seu trabalho atualmente? Influenciou profundamente minha visão sobre a música. Desde criança eu via pessoas indo à igreja levando seus problemas, suas dores e dificuldades. A música fazia parte desse processo. Via pessoas cantando juntas, chorando, encontrando conforto. Isso me ensinou que a música pode ter um propósito muito maior do que simplesmente soar bem ou parecer algo legal. Hoje recebo milhares de mensagens de pessoas contando como minhas músicas as ajudaram em momentos difíceis. Acho que aprendi muito cedo que a música pode ser uma ferramenta emocional e até terapêutica. Você chegou um pouco depois da era de ouro do rádio e