My Dying Bride anuncia seu primeiro show da história em São Paulo em novembro

Treze anos depois de sua única passagem pelo Brasil, o My Dying Bride finalmente fará sua estreia em São Paulo. Um dos principais nomes da história do doom metal britânico se apresenta em 29 de novembro, no Fabrique Club, com Mikko Kotamäki, vocalista do Swallow The Sun, assumindo os vocais. A realização é da Firebird Industries, Matrix Entertainment e Kool Metal Fest. Formado em Bradford, na Inglaterra, em 1990, o My Dying Bride foi fundamental para estabelecer as bases do death-doom britânico. Ao lado de Paradise Lost e Anathema, o grupo integrou a chamada Trindade do Doom Metal, responsável por combinar elementos do death metal com andamentos arrastados, atmosfera gótica, violinos e uma forte carga melancólica. Discos como Turn Loose the Swans (1993) e The Angel and the Dark River (1995) se tornaram referências do gênero e ajudaram a influenciar diferentes gerações dentro do metal. A apresentação no Fabrique Club acontece 13 anos após o show realizado no Teatro Rival, no Rio de Janeiro, até então a única passagem da banda pelo país. O repertório deve percorrer mais de três décadas de carreira, além de apresentar músicas de A Mortal Binding, lançado em 2024 pela Nuclear Blast e atual trabalho de estúdio do My Dying Bride. Produzido por Mark Mynett, A Mortal Binding marcou uma aproximação com o lado mais áspero das origens do grupo. Guitarras densas, ritmos fúnebres e a alternância entre vocais limpos e guturais aparecem em faixas como Her Dominion, Thornwyck Hymn, The 2nd of Three Bells, The Apocalyptist e Crushed Embers, com o violino novamente ocupando posição de destaque nos arranjos. O disco também ganhou um significado especial na trajetória do My Dying Bride por ser o último gravado com Aaron Stainthorpe. Vocalista e um dos fundadores da banda, o músico deixou oficialmente o grupo em outubro de 2025. Para a apresentação em São Paulo, a responsabilidade pelos vocais ficará com Mikko Kotamäki, conhecido pelo trabalho à frente do Swallow The Sun. SERVIÇO My Dying Bride em São Paulo Data: 29 de novembro de 2026 Horário: 17h (abertura da casa) Local: Fabrique Club Endereço: Rua Barra Funda, 1071, bairro Barra Funda, São Paulo/SP Ingresso: ticket.com.vc/evento/my-dying-bride-em-sao-paulo
Entrevista | SOJA – “Paulo Coelho, precisamos fazer uma música juntos, amigo”

O SOJA lança em 31 de julho o aguardado álbum Without Surrender, primeiro trabalho de estúdio do grupo norte-americano desde Beauty in the Silence, vencedor do Grammy de Melhor Álbum de Reggae em 2022. Com 14 faixas, o disco inclui “Time Won’t Wait”, parceria com Di Ferrero, vocalista do NX Zero. Lançada como single em 10 de julho, a música aproxima o reggae melódico da banda do universo do rock e do emo brasileiro, enquanto reflete sobre a velocidade do tempo e a necessidade de aproveitar o presente. Formado em 1997, na região de Washington, D.C., o SOJA construiu uma trajetória marcada pela combinação entre reggae, rock e letras sobre questões sociais, ambientais e espirituais. Liderada pelo vocalista e guitarrista Jacob Hemphill, a banda alcançou projeção internacional com discos como Peace in a Time of War, Born in Babylon, Strength to Survive e Amid the Noise and Haste. O grupo também desenvolveu uma relação especial com o público brasileiro, onde já realizou quase 40 apresentações. No entanto, eles não tocam no país desde outubro de 2022, hiato que chegará a quatro anos em 2026. Em sua terceira entrevista com o Blog N’ Roll, Jacob Hemphill falou com carinho sobre a relação do SOJA com o Brasil e confirmou que a banda pretende retornar ao país para a nova turnê. O vocalista também surpreendeu ao revelar sua paixão por bandas de emo e explicou como o gênero influenciou sua tentativa de tornar o reggae mais acessível a diferentes públicos. Hemphill ainda destacou a importância do poema Desiderata, apresentado a ele por seu pai e responsável por mudar sua maneira de enxergar o mundo, além de inspirar os títulos de diferentes álbuns do SOJA. O que mudou na vida de vocês depois da conquista do Grammy? Esse reconhecimento influenciou a maneira como vocês trabalharam no novo álbum? Não. Acho que a questão de ganhar um Grammy é que, na sua mente, você não ganhou um Grammy. Na música, a cada novo nível que você alcança, pensa: “Caramba, preciso mudar tudo. Agora estou nesse nível”. O segredo é perceber que você não pode mudar absolutamente nada. Já se passaram cinco anos desde Beauty in the Silence. Em que momento você percebeu que era hora de começar a construir um novo álbum? O que mudou no SOJA durante esse período, que também foi marcado pela pandemia? Sinceramente, estou escrevendo o tempo todo. Estava escrevendo hoje de manhã. Para mim, música não é: “Agora vou fazer um novo álbum”. A música simplesmente faz parte do meu dia. Quando gosto muito de uma composição, eu a levo para o SOJA e digo: “Aqui está uma música”. Nunca escrevo com o objetivo de fazer um álbum, um videoclipe, ganhar um Grammy, alcançar determinada quantidade de streams ou visualizações. Eu simplesmente gosto de fazer música. Vocês costumam fazer muitas colaborações nos álbuns. Isso também faz parte de uma estratégia para alcançar novos públicos ou é algo que vocês realmente consideram importante para o processo de composição e para a música? Não fazemos isso por estratégia. A resposta é semelhante à anterior: fazemos o que consideramos melhor para a música. Tenho uma música no novo álbum chamada “Did I Wait Too Long?”. É uma composição triste sobre um homem ou uma mulher que tratava a outra pessoa como algo garantido, porque já estava cansado da relação. Enquanto isso, outra pessoa conseguiu enxergar as qualidades que existiam nela. Quando essa pessoa vai embora, você finalmente percebe todas as qualidades que ela tinha. Começamos a colocar algumas influências de country na faixa porque era uma história triste, sobre perder algo e nunca mais conseguir recuperar. Maoli é um artista que mistura reggae e country. Mandamos a música para ele e perguntamos o que achava. Ele respondeu: “Adorei, já tenho uma ideia”. É assim que o processo normalmente funciona. Quando conseguimos imaginar a voz ou as palavras de alguém em uma música, entramos em contato com essa pessoa. O SOJA possui uma forte conexão com o Brasil e já colaborou com Marcelo Falcão e Natiruts. Agora vocês trabalham com Di Ferrero, artista muito ligado ao emo e ao rock. Como surgiu esse convite e como vocês o conheceram? Não fui eu quem fez o convite. Pat O’Shea, nosso tecladista, escreveu a música. Então foram Pat e nosso empresário, Elliott, que conversaram diretamente com o Di. Mas fiquei muito animado porque cresci ouvindo muito emo. Posso até mostrar alguns discos para você. Faça a próxima pergunta que estou te ouvindo, vou separar alguns discos. Nesse momento, Jacob mostra cerca de dez discos em vinil, incluindo Bleed America do Jimmy Eat World, From Under the Cork Tree do Fall Out Boy e o álbum homônimo do Portishead. “Time Won’t Wait” fala sobre como o tempo passa rapidamente. Por coincidência, o último álbum de Di Ferrero também aborda o tempo, mais especificamente os ciclos que as pessoas atravessam a cada sete anos. Vocês sabiam dessa conexão? Acho que foi uma coincidência muito feliz, mas não existia uma conexão planejada. Eu ouço muita música. O emo teve um papel muito importante na maneira como passei a enxergar o reggae, porque aquelas bandas pegaram o punk e o transformaram em algo que poderia chegar às massas. Era isso que eu tentava fazer com o reggae desde o começo: torná-lo mais acessível, para que a mensagem pudesse alcançar mais pessoas. A mensagem do reggae realmente mudou minha vida. Acho que estou apenas tentando levá-la para mais pessoas. O título Without Surrender é uma nova referência ao poema Desiderata, especialmente ao trecho “as far as possible, without surrender”? Sim, com certeza. É o que uso para nomear todos os discos. Era algo que eu compartilhava com meu pai. Foi ele quem me ensinou a tocar e a escrever músicas. Quando fiquei bom o suficiente, ele começou a procurar professores para mim, tanto de guitarra quanto de escrita. Desiderata era um poema que eu e meu pai compartilhávamos o tempo todo. Por isso, passei a usar versos do poema