Testament é confirmado no Liberation Festival 2026 após esgotar show no Carioca Club

O Testament está confirmado como a terceira atração do Liberation Festival 2026, que acontece no dia 12 de dezembro, no Vibra, em São Paulo. A banda californiana apresentará o set especial “Title Track Attack!”, que percorre diferentes fases da carreira com um repertório formado por faixas-título de sua extensa discografia. O grupo se junta ao Dimmu Borgir e Charlotte Wessels no line-up do festival. A confirmação acontece após esgotarem os ingressos para o show do dia 6 de dezembro, no Carioca Club, ao lado de Municipal Waste e Immolation. A apresentação no Liberation Festival será a segunda da banda em São Paulo no mesmo mês e reforça a forte relação do Testament com o público brasileiro. Desde a histórica estreia no país, em 1989, o grupo acumula diversas passagens pelo Brasil e, em 2026, realiza sua maior sequência de shows por aqui, incluindo apresentações em Curitiba, Limeira, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e duas datas na capital paulista. O retorno também dá sequência ao sucesso da turnê promovida pela Liberation em 2025, marcada por casas lotadas e ingressos esgotados. Formado em 1983, o Testament é um dos pilares do thrash metal da Bay Area e construiu uma trajetória marcada por clássicos como The Legacy, The New Order, Practice What You Preach e Souls of Black. A banda vive um momento de destaque com Para Bellum (2025), álbum que ampliou ainda mais seu peso ao incorporar elementos de black e death metal. O disco alcançou o topo da parada britânica de rock e metal, foi eleito o melhor álbum de metal de 2025 pelo Loudwire e consolidou a formação atual com Chuck Billy, Eric Peterson, Alex Skolnick, Steve Di Giorgio e Chris Dovas. Além do Testament, o Liberation Festival 2026 já confirmou a presença do Dimmu Borgir, um dos maiores nomes do black metal sinfônico, e de Charlotte Wessels, ex-vocalista do Delain, que divulgará o elogiado álbum solo The Obsession. Marcando o retorno do festival após oito anos, o evento promete reunir alguns dos principais nomes do metal mundial em uma das edições mais aguardadas pelos fãs brasileiros. SERVIÇO Liberation Festival 2026 Atrações reveladas: Dimmu Borgir, Charlotte Wessels + Testament + bandas Data: 12 de dezembro de 2026 Local: Vibra Endereço: Avenida das Nações Unidas, 17955 São Paulo/SP Ingressos: clubedoingresso.com/evento/liberationfest2026
Entrevista | A Flock of Seagulls – “Sem a MTV provavelmente teríamos levado dez anos para sermos notados”

Depois de mais de quatro décadas de carreira, o A Flock of Seagulls finalmente fará sua estreia no Brasil. A banda britânica sobe ao palco do Cine Joia, em São Paulo, no dia 7 de outubro, em apresentação única promovida pela Maraty. Liderado por Mike Score, o grupo traz ao país um repertório que ajudou a definir a sonoridade da new wave e do synthpop nos anos 1980, reunindo clássicos como I Ran (So Far Away), Space Age Love Song, Wishing (If I Had a Photograph of You) e The More You Live, the More You Love, além de músicas do recente álbum Some Dreams, lançado em 2024. Formado em Liverpool na transição entre os anos 1970 e 1980, o A Flock of Seagulls se tornou um dos principais nomes da chamada Segunda Invasão Britânica nos Estados Unidos. A combinação de sintetizadores, guitarras atmosféricas e uma identidade visual marcante ganhou projeção mundial com a chegada da MTV, enquanto o instrumental D.N.A. rendeu ao grupo o Grammy de Melhor Performance Instrumental de Rock em 1983. Ao longo dos anos, a banda passou por mudanças de formação, mas Mike Score manteve o projeto em atividade, investindo em releituras sinfônicas, projetos especiais e, recentemente, no primeiro álbum de inéditas em quase três décadas. A apresentação em São Paulo também marca um momento especial para os fãs brasileiros, já que diversas tentativas anteriores de trazer a banda ao país acabaram não se concretizando. Agora, a formação composta por Mike Score, Pando, Kevin Rankin e Gord Deppe promete um set que mistura sucessos da fase clássica com composições recentes. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Mike Score falou sobre a influência da banda em diferentes gerações, o impacto da MTV na carreira e a aguardada estreia do A Flock of Seagulls no Brasil. Depois de mais de 40 anos de carreira, vocês conseguem enxergar hoje a verdadeira dimensão da influência que vocês tiveram sobre bandas como U2, The Cure, The Smiths e até grupos mais recentes, como The Killers? Consigo perceber isso um pouco. Mas acho que essas bandas também nos influenciaram tanto quanto nós as influenciamos. A música funciona de forma circular. Eu escrevo uma música, alguém é influenciado por ela, essa pessoa escreve outra música e, depois, ela acaba me influenciando de volta. É assim que a música evolui. Eu, por exemplo, não sou um grande fã de heavy metal, mas gosto de alguns guitarristas e bateristas do gênero. Então você absorve essa influência e coloca isso dentro de uma música pop. De repente, ela ganha uma característica diferente. Depois, uma banda de metal pode ouvir isso e pensar: “Gostei da forma como eles usaram aquela guitarra e aquele ritmo”. É um processo contínuo de evolução. Quando vocês começaram a banda, imaginavam que músicas como I Ran e Space Age Love Song seriam descobertas por novas gerações por meio de videogames, séries e filmes? Antes de conseguirmos um contrato, costumávamos brincar dizendo que dependeria de nós criar uma grande banda, porque não gostávamos muito do que estava sendo lançado naquela época. Depois assinamos um grande contrato e, de repente, realmente dependia de nós. Jamais imaginamos que isso duraria mais de 40 anos. Pensávamos que seria incrível viver essa experiência por dois ou três anos, gravar um álbum, talvez ter um sucesso e, com sorte, fazer uma turnê mundial. Mas continuar vendo as pessoas indo aos shows, conhecendo profundamente a banda e mantendo essa conexão tantos anos depois é algo muito além do que esperávamos. Nunca vimos isso acontecer dessa forma. Hoje o álbum de estreia é considerado um clássico da new wave, mas vocês surgiram em um Reino Unido dominado pelo punk de Sex Pistols e The Clash. Como esse cenário influenciou a banda? Primeiro é preciso entender que ninguém na banda sabia tocar direito. Eu tocava um pouco de baixo, meu irmão nunca havia tocado bateria e simplesmente decidiu que seria baterista. Compramos uma bateria e começamos. Paul Reynolds tinha apenas 17 anos e pouca experiência. Nós apenas nos reuníamos para tocar, eu levava algumas ideias e tudo era muito divertido. Só quando começamos a escrever músicas como Space Age Love Song, I Ran e Wishing percebemos que estávamos criando um som diferente. Foi nesse momento que pensamos: “Ninguém soa como nós”. Depois veio o contrato e o resto é história. Você já ouviu a versão brasileira de I Ran, gravada pelo Supla? Não, nunca ouvi. Vou procurar quando estiver aí. Normalmente escuto músicas que já conheço. Ouço bastante o começo da carreira do Roxy Music e Pink Floyd. Às vezes alguém me mostra alguma banda nova e fico impressionado ao perceber como a música evoluiu a partir do que fizemos. Também fico orgulhoso de saber que ainda conseguimos influenciar artistas atuais. NOTA DA REDAÇÃO: A música “Cena de Ciúmes” é creditada como uma versão do A Flock of Seagulls e está presente no álbum Menina Mulher (2004). O trabalho reúne covers de artistas nacionais que influenciaram Supla. O clipe (acima) conta com participação de Luciana Gimenez. Qual foi o papel da MTV na história do A Flock of Seagulls e na chamada Segunda Invasão Britânica dos anos 1980? Sem a MTV provavelmente teríamos levado cinco ou dez anos para sermos notados. Antes dela, as bandas precisavam fazer turnês, conquistar espaço nas rádios e crescer lentamente. Quando a MTV surgiu, estávamos na sala de estar das pessoas. Elas podiam nos ver e ouvir ao mesmo tempo. Se gostassem do que viam, viravam fãs rapidamente. Para nós, sinceramente, acho que não teríamos chegado tão longe sem a MTV. Seu penteado virou um dos maiores símbolos dos anos 1980 e até foi homenageado em Friends. Como você vê isso hoje? Acho engraçado. Nunca levei meu cabelo tão a sério. Ele combinava com a estética da banda e chamava atenção, que era exatamente o que queríamos. Naquela época era importante ter uma imagem forte. David Bowie tinha a dele, Alice Cooper também. Quando surgiu aquele penteado, ele acabou se tornando parte da