Entrevista | Six Feet Under – “Comprem seus ingressos porque não voltaremos tão cedo”

O Six Feet Under chega ao Brasil pela primeira vez entre o fim de outubro e o início de novembro, encerrando uma espera que atravessa praticamente toda a trajetória da banda. Liderado por Chris Barnes, o grupo fará quatro apresentações: Belo Horizonte, em 30 de outubro, Recife, no dia 31, São Paulo, em 1º de novembro, e Curitiba, no dia 2. A passagem acontece em meio à turnê latino-americana e terá o Chaos Synopsis como convidado especial. Formado na Flórida em 1993, o Six Feet Under se tornou a principal banda de Barnes após sua saída do Cannibal Corpse e construiu uma identidade própria dentro do death metal, privilegiando grooves, riffs pesados e andamentos mais cadenciados. “Haunted” (1995), “Warpath” (1997) e “Maximum Violence” (1999) estabeleceram a base dessa sonoridade, posteriormente desenvolvida ao longo de uma extensa discografia. Atualmente, Barnes divide a banda com Jack Owen, seu antigo companheiro de Cannibal Corpse, além de Ray Suhy, Jeff Hughell e Marco Pitruzzella. A estreia brasileira também coincide com uma nova fase criativa. “Next to Die”, lançado pela Metal Blade Records, sucede “Killing for Revenge” (2024) e reforça a parceria entre Barnes e Owen. Antes da primeira passagem do Six Feet Under pelo país, Chris Barnes conversou com o Blog n’ Roll sobre a longa espera para tocar no Brasil, o novo álbum, os 30 anos de “Haunted”, sua relação com Jack Owen, a evolução de sua técnica vocal e os primeiros anos do death metal da Flórida. O vocalista também relembrou sua participação em “Ace Ventura: Pet Detective”, experiência que ajudou a apresentar o gênero a um público muito além do circuito do metal extremo. Esta será a primeira passagem do Six Feet Under pelo Brasil. Por que demorou tanto para isso finalmente acontecer? Vocês chegaram a tocar na Colômbia há quase dez anos. Nunca estivemos no Brasil. Esta será realmente a primeira vez. Desde aquele show na Colômbia, estivemos no México duas vezes. Por que demorou tanto? Porque isso é um negócio, o negócio da música. As propostas para fazermos shows não apareceram ou simplesmente não faziam sentido logisticamente. Foi por isso. Mesmo sem o Six Feet Under ter tocado aqui antes, você já tinha alguma percepção sobre os fãs brasileiros da banda? Recebe mensagens ou acompanha os comentários vindos do Brasil? Sim. Não estaríamos indo até aí se não tivéssemos fãs que quisessem nos ver. Sempre existiu interesse dos fãs para que fôssemos ao Brasil fazer um show. Neste momento, finalmente faz sentido, enquanto no passado não fazia. Então, eu diria aos fãs brasileiros que estão querendo nos ver há tanto tempo: seria uma boa ideia comprar seus ingressos antecipadamente e ir a esses shows que faremos em cada uma dessas cidades, porque duvido que voltemos tão cedo. Essa será realmente a oportunidade de vocês nos verem. Se não comprarem os ingressos e perderem esses shows, a responsabilidade é de vocês. Vocês estão pedindo para irmos até aí fazer um show. Se perderem, a culpa não é nossa. Estamos indo encontrar vocês. Então comprem os ingressos. Caso contrário, esperem mais uma década. [risos] O Brasil tem uma tradição muito forte no metal extremo, com bandas como Sepultura e Sarcófago. Quanto você conhece da história do metal brasileiro? Alguma banda brasileira teve impacto sobre você ao longo dos anos? Provavelmente só o Sepultura. Depois de mais de três décadas de carreira, você ainda sente algum tipo diferente de empolgação ou ansiedade quando está prestes a tocar pela primeira vez para os fãs de um país? Não. Eu encaro da mesma maneira que normalmente faço. Eu me preparo muito bem para as turnês com antecedência, subo ao palco e tento cantar as músicas da melhor maneira possível. Espero que todo mundo se divirta ouvindo a música que fazemos. Como esta será a primeira vez do Six Feet Under no Brasil, imagino que os fãs esperem ouvir músicas de diferentes períodos da carreira. Como vocês estão preparando o setlist para esses shows? É o mesmo setlist que estamos tocando durante todo o verão na Europa e na América do Norte. Então tem bastante material clássico e algumas músicas dos dois últimos álbuns. Falando sobre o novo álbum, “Next to Die”, depois de tantos discos e mais de três décadas de carreira, o que ainda motiva você a começar um novo álbum? Nós gostamos de criar música nova. Verdade… O álbum chegou apenas dois anos depois de “Killing for Revenge”. Quando terminaram aquele disco, você já sentia que a banda estava atravessando um período especialmente produtivo? Na verdade, não. Nós simplesmente gostamos de escrever música. Chegou a hora de escrever outro álbum e trabalhamos duro nele. Jack Owen comentou que inicialmente estava escrevendo músicas mais rápidas e agressivas, enquanto você sugeriu recuperar um pouco do groove dos primeiros discos. Como essa ideia se desenvolveu durante o processo de composição? Eu sempre gosto de ter um conjunto variado de músicas. Não gosto que tudo fique preso a um único andamento. Acho mais interessante ter uma abordagem dinâmica para o conjunto de músicas que você coloca em um álbum. Quando escuto “Next to Die”, percebo dois lados do Six Feet Under: um mais rápido e agressivo e outro mais lento e orientado pelo groove. Você citou a abordagem dinâmica, mas podemos dizer que é uma assinatura da banda? Acho que essa sempre foi, de certa maneira, a fórmula da nossa música. Se você olhar para todos os álbuns que fizemos, existem músicas com andamentos mais rápidos e outras mais lentas. Portanto, não é tão diferente dos outros discos. A diferença é que, desta vez, separamos esses andamentos e colocamos cada um deles em um lado do álbum. Você e Jack também produziram o álbum. Qual é a importância de ter esse nível de controle sobre o processo para chegar exatamente ao som que vocês imaginam para o Six Feet Under? Gostamos de encontrar por conta própria o som que queremos. Não é algo tão estruturado e também não entramos no processo com uma ideia completamente