Tom Morello reúne todas as suas facetas em “Everyone Gets Everything They Want”

É praticamente impossível ouvir um disco de Tom Morello sem esperar aquele momento em que a guitarra vai soar como qualquer coisa, menos uma guitarra. Esse é o tamanho do legado que ele construiu no Rage Against the Machine. Em “Everyone Gets Everything They Want”, porém, Morello parece determinado a provar que existe muito mais em seu repertório. O problema é que, ao tentar colocar todas essas versões de si mesmo dentro de um único álbum, ele entrega um trabalho interessante, corajoso e bastante irregular. O disco passa por blues, folk, hard rock, hip hop, eletrônico, punk e metal sem pedir muita licença. A faixa-título já quebra expectativas ao trazer Morello cantando com aquele vozeirão grave que lembra bastante Johnny Cash. Depois, “Adjourn It” coloca Serj Tankian no microfone e imediatamente nos leva para um território muito mais familiar. Aqui aparece aquele Morello que transforma riffs simples em algo enorme, e a química com Serj funciona tão naturalmente que é difícil não pensar que os dois poderiam fazer muito mais juntos. Talvez o grande problema de “Everyone Gets Everything They Want” esteja justamente aí. Quando uma música começa a criar uma identidade, a próxima frequentemente parece pertencer a outro álbum. Não é necessariamente ruim, mas falta aquela sensação de obra fechada. Em alguns momentos, parece menos um disco e mais uma coletânea de tudo que Morello gosta de fazer. Isso explica por que as críticas estão tão divididas: há quem enxergue versatilidade nessa mistura, o que é o meu caso, mas há quem veja falta de direção. “Unconquered”, com o Kneecap, é provavelmente onde essa mistura funciona melhor, principalmente porque Morello os colocou como o novo Rage Against The Machine. A faixa coloca uma pulsação eletrônica quase The Prodigy ao lado do rap confrontador dos irlandeses e abre espaço para o guitarrista fazer aquilo que sabe como poucos: aparecer com a guitarra sem precisar transformar a música em uma demonstração técnica. É pesada, estranha e urgente. Curiosamente, justamente quando ele se distancia do rock mais convencional é que encontramos alguns dos momentos mais interessantes do álbum. Também gosto bastante da ideia de “Date Night”. Morello transforma em música a história real de jovens holandesas que participaram da resistência contra os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. É o tipo de tema que combina perfeitamente com um músico que nunca tentou esconder suas posições políticas. Aliás, quem esperava que Morello estivesse mais moderado aos 62 anos pode esquecer. A política continua sendo parte inseparável de sua música, passando por antifascismo, imigração, resistência e solidariedade. “Everything Burns”, com Caleb Shomo, do Beartooth, vai para o outro extremo e entrega um dos refrões mais imediatos do álbum. “Soldier in the Army of Love” mistura gospel, country, rap e hard rock, enquanto “The Last Rung on the Ladder” e “They Can’t Kill Us All” recuperam diretamente o Morello folk que conhecemos no The Nightwatchman. São músicas que deixam claro que este não é exatamente um álbum feito para quem simplesmente queria ouvir 12 variações de “Bulls on Parade”. Outro elemento importante é Roman Morello. O filho de Tom, com apenas 15 anos, aparece nos créditos de composição de cinco músicas. Há algo bastante interessante nessa relação porque “Everyone Gets Everything They Want” acaba funcionando também como um encontro entre gerações. Em vez de simplesmente tentar reproduzir aquilo que fez nos anos 1990, Morello abre espaço para referências e estruturas mais próximas da música pesada atual. E talvez seja justamente por isso que eu tenha uma relação tão dividida com o disco. Quando funciona, funciona muito. “Adjourn It” e “Unconquered” mostram que Tom Morello ainda consegue soar absolutamente único quando encontra o parceiro e o contexto certos. Em outros momentos, algumas músicas parecem genéricas demais para alguém que passou a carreira inteira fazendo justamente o contrário. “Everyone Gets Everything They Want” não é o disco definitivo de Tom Morello, mas também seria injusto esperar que, mais de 30 anos depois, ele continuasse tentando recriar o Rage Against the Machine, ele não precisa disso. É um álbum de alguém que já não precisa provar que é um dos guitarristas mais inventivos de sua geração e, por isso mesmo, resolveu brincar com tudo que gosta. Às vezes acerta em cheio, outras nem tanto. Mas prefiro um Tom Morello inquieto e tentando coisas diferentes do que simplesmente vivendo de repetir os riffs que mudaram o rock nos anos 1990.

Vitor Isensee retoma carreira solo com o single “Amanhece o Dia”

Vitor Isensee, fundador do Forfun e atualmente integrante do BRAZA, está de volta à carreira solo com “Amanhece o Dia”. Lançado pela Deck, o single é a primeira amostra de um novo trabalho previsto para outubro e recupera o lado mais melódico e intimista do compositor. “Amanhece o Dia” parte de uma imagem simples, o início de uma nova manhã, para abordar passagem do tempo, cotidiano e a possibilidade de recomeçar. A composição integra um conjunto de músicas acumuladas por Isensee ao longo dos últimos dez anos, período marcado por diferentes fases de sua trajetória artística. “É uma música que representa bem o astral do álbum que vem aí. Letra simples e direta, com essa coisa da aurora da manhã e as promessas que se renovam”, explica o músico. A produção ficou por conta de Júlio Raposo, com coprodução do próprio Isensee. O lançamento também representa uma retomada da produção solo do artista. Em 2019, sob o nome Izenzee, ele apresentou “Vida E Nada Mais”, álbum que contou com participações de Duda Beat, Luê, Morcego e Castello Branco e mostrou uma vertente diferente daquela explorada em seus trabalhos com bandas. A trajetória de Isensee, porém, permanece diretamente associada ao rock brasileiro das últimas duas décadas. Ele integrou o Forfun desde sua formação, em 2001, até o encerramento das atividades em 2015, participando da transformação do grupo em um dos nomes de referência de sua geração. Posteriormente, seguiu ao lado de Danilo Cutrim no BRAZA, ampliando a mistura de rock, reggae, rap e música brasileira. Com “Amanhece o Dia”, Vitor Isensee abre agora mais uma frente dessa trajetória. O single já está disponível nas plataformas digitais e funciona como primeiro passo para um projeto que recupera composições guardadas durante uma década e transforma pequenas experiências cotidianas em canções.

Rochelle Jordan recruta Kaytranada para remix de “TTW” antes de show no Brasil

A canadense Rochelle Jordan lançou “TTW (Kaytranada Remix)”, nova versão de uma das faixas de “Through The Wall”. A música abre oficialmente “Disc 3”, terceiro capítulo de um projeto dividido em cinco partes que entrega o repertório do álbum a diferentes produtores. O EP completo chega em 9 de outubro, um dia antes da apresentação da cantora no ZIG Festival 2026, em São Paulo. Na releitura, Kaytranada leva “TTW” para seu território característico, combinando os vocais de Rochelle com grooves sincopados e uma abordagem voltada à pista. O produtor canadense é um dos principais nomes envolvidos em “Disc 3”, que contará ainda com TOKiMONSTA remixando “The Boy” e Mirasia assumindo “On 2 Something”. O projeto começou com “Disc 1”, que reuniu Honey Dijon, Ron Trent, Hallogenix e KLSH. Na sequência, “Disc 2” trouxe versões assinadas por Chad Hugo, Terry Hunter, Shanti Celeste e Bianca Oblivion. A ideia é ampliar progressivamente o universo de “Through The Wall” por meio de diferentes interpretações da música eletrônica, R&B e club music. A nova fase acontece também depois de Rochelle ser convidada por Mariah Carey para participar do remix oficial de “Didn’t Mean To Turn You On”, lançado dentro das comemorações relacionadas aos 25 anos da trilha sonora de “Glitter”. A colaboração acrescenta mais um nome importante à lista de conexões construídas pela canadense ao longo da carreira. Com mais de 500 milhões de streams acumulados globalmente, Rochelle Jordan chega ao Brasil para se apresentar no ZIG Festival em 10 de outubro, em São Paulo. A passagem acontece imediatamente depois do lançamento de “Disc 3” e em paralelo a uma turnê norte-americana ao lado de Suki Waterhouse. “TTW (Kaytranada Remix)” já está disponível nas plataformas digitais pela EMPIRE, enquanto “Disc 3” será lançado integralmente em 9 de outubro.

AURORA abre os arquivos do primeiro álbum em “The Moth Tapes”

Dez anos depois de apresentar seu universo ao mundo com “All My Demons Greeting Me As A Friend”, AURORA retorna às origens com “All My Demons Greeting Me As A Friend (The Moth Tapes)”. A nova edição de seu álbum de estreia reúne demos, gravações alternativas e materiais produzidos no início da carreira, incluindo a inédita “Let Me Heal You (demo)”. Lançado originalmente em 2016, “All My Demons Greeting Me As A Friend” estabeleceu boa parte dos elementos que acompanhariam a norueguesa nos anos seguintes. Natureza, humanidade, fantasia, escuridão e vulnerabilidade já apareciam em músicas como “Running With The Wolves” e “Runaway”, que agora ganham versões alternativas recuperadas dos arquivos da artista. Entre as descobertas está “Let Me Heal You”, composição que AURORA relaciona diretamente à maneira como enxerga a própria música. “Sempre considerei a música como um remédio, e o álbum inteiro trata de enfrentar seus próprios demônios antes de poder ajudar outra pessoa a afastar os dela”, explica. Para a cantora, tentar cuidar dos outros antes de conseguir lidar consigo mesmo pode levar ao esgotamento. “The Moth Tapes” foi montado a partir de gravações intimistas, demos e outros registros produzidos durante o período de criação do primeiro álbum. O material recupera também a participação de colaboradores importantes na formação de sua identidade musical, entre eles Magnus Skylstad, Odd Martin, Michelle Leonard e Sacha Skarbek. A retrospectiva acontece enquanto uma das músicas daquele período vive um novo momento. “Runaway”, lançada originalmente em 2015 e redescoberta mundialmente em 2021, voltou a crescer nas plataformas em 2026 e registrou recentemente seu maior dia de streaming desde a primeira explosão viral. A faixa também reapareceu entre as músicas mais identificadas pelo Shazam em diferentes países. A trajetória da canção acompanha de certa forma a própria transformação de AURORA. Da adolescente que escrevia músicas em uma pequena cidade norueguesa, ela passou a ocupar grandes arenas e construiu uma comunidade internacional de fãs conhecida como Warriors & Weirdos. Disponível também em uma edição especial em vinil inspirada em mariposas, “The Moth Tapes” integra as comemorações pelos dez anos de “All My Demons Greeting Me As A Friend”. Mais do que reeditar o álbum, o projeto mostra versões ainda em formação das ideias que acabariam definindo a carreira de AURORA.

Nickelback explora vulnerabilidade no novo single “Make Me Love You”

O Nickelback lançou “Make Me Love You”, terceiro single de “Everything Under The Sun”, novo álbum de estúdio da banda canadense, previsto para 30 de outubro pelo Virgin Music Group. Depois do peso de “Rattle The Cage” e do tom emocional de “Leave Me Behind”, a faixa apresenta outra faceta do disco ao abordar a insegurança que acompanha o início de um relacionamento. “Make Me Love You” trabalha justamente com o momento em que se permitir gostar de alguém também significa aceitar a possibilidade de se machucar. A letra explora vulnerabilidade e medo diante de um novo romance, colocando o desejo de criar uma conexão em conflito com as experiências que fazem alguém manter suas defesas. A música amplia também o panorama apresentado até agora para “Everything Under The Sun”. “Rattle The Cage”, que conta com participação de John 5, apostou em guitarras mais pesadas e energia de arena, enquanto “Leave Me Behind” abordou lealdade e resiliência. O novo single desloca o foco para uma composição mais pessoal e introspectiva. Essa variedade ajuda a explicar o título escolhido para o álbum. A proposta de “Everything Under The Sun” é percorrer diferentes experiências e sonoridades, alternando grandes refrões característicos do Nickelback com momentos mais íntimos. O trabalho será o primeiro álbum do grupo desde “Get Rollin’”, lançado em 2022. Formado em Hanna, na província canadense de Alberta, o Nickelback atravessa mais de três décadas de carreira e soma quase 60 milhões de álbuns vendidos mundialmente. A banda também ganhou um novo olhar sobre sua trajetória nos últimos anos com o documentário “Hate to Love: Nickelback”, que abordou tanto o enorme sucesso comercial quanto a rejeição que acompanhou o grupo durante parte de sua história. “Everything Under The Sun” chega, portanto, em um período de renovada exposição para o Nickelback. Com três músicas já apresentadas, a banda começa a desenhar um álbum que procura equilibrar o rock de arena responsável por seus maiores sucessos com letras mais pessoais e diferentes níveis de intensidade.

U2 usa o português na comunicação do novo álbum Carnaval de Luz

O U2 anunciou “Carnaval De Luz”, 16º álbum de estúdio da carreira e primeiro trabalho completo de material inédito da banda em nove anos. E tem um detalhe que chama a atenção dos brasileiros: além do título do disco estar em português, o novo single atende por “Silencio”. Coincidência ou não, Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. parecem estar praticando o idioma. O álbum chega em 13 de novembro pela Island Records, justamente no ano em que o grupo celebra cinco décadas de história. O anúncio veio acompanhado de “Silencio”, segundo single apresentado do álbum depois de “Street of Dreams”, lançada em julho. Com apenas 2 minutos e 35 segundos, a nova música é descrita pelo próprio grupo como uma homenagem à irreverência do surf punk e conta com produção adicional de Ryan Tedder. O videoclipe foi gravado na Cidade do México e dirigido pela dupla Cliqua, formada por Pasqual Gutiérrez e Raúl “RJ” Sanchez. Produzido por Jacknife Lee, “Carnaval De Luz” percorre temas como espiritualidade, amizade, liberdade e resistência. A banda também recupera parte de seu lado mais experimental, enquanto procura manter estruturas mais diretas em músicas como “The Greatest Show On Earth”, “Glorify” e “Midnight Sunshine”. Segundo The Edge, trata-se de uma coleção “confusa, provocadora e sagrada”. O álbum está diretamente conectado aos EPs “Days of Ash” e “Easter Lily”, ambos lançados de surpresa em 2026 e gravados durante o mesmo período criativo. Os três projetos seguem uma espécie de linha do tempo inspirada no calendário litúrgico: o carnaval antecede a Quaresma, representada por “Days of Ash”, e posteriormente a Páscoa e o renascimento de “Easter Lily”. Somados os lançamentos, o U2 chegará ao fim de seu 50º ano com 24 novas músicas apresentadas em 2026. “Carnaval De Luz” também reúne colaboradores importantes da história e do entorno musical do grupo. Brian Eno participa da composição e toca sintetizadores em três faixas, Martin Garrix é coautor de “Glorify” e Daniel Lanois toca pedal steel em “Torn”. Esta última traz ainda um dueto com Dolly Parton, em sua última performance vocal gravada, segundo o U2. A canção foi escrita pela banda ao lado de Parton e Johnny McDaid e aborda relações familiares rompidas. O lançamento ganha peso histórico por coincidir com os 50 anos do episódio que deu origem ao U2. Em setembro de 1976, Larry Mullen Jr. colocou no quadro de avisos da Mount Temple Comprehensive School, em Dublin, um bilhete procurando músicos para formar uma banda. Bono, The Edge e Adam Clayton responderam ao chamado e, depois de passarem pelos nomes Feedback e The Hype, os músicos chegaram ao U2. “Carnaval De Luz” será lançado em diferentes configurações físicas e digitais, incluindo CD, vinil, edições coloridas e box sets. Mais do que marcar os 50 anos do grupo, o álbum encerra a maior espera por um disco inteiramente novo do U2 em sua trajetória recente e inaugura um novo capítulo nove anos depois de seu último trabalho de inéditas.