Entrevista | Tigers Jaw – “Ficamos realmente impressionados com a paixão do público no Brasil”

O Tigers Jaw retorna ao Brasil em outubro para três apresentações da turnê de “Lost On You”, sétimo álbum de estúdio da banda e primeiro trabalho inédito em cinco anos. O grupo toca no Cine Joia, em São Paulo, no dia 10 de outubro, segue para o Rio de Janeiro no dia 11, com local ainda a ser anunciado, e encerra a passagem pelo país no Belvedere, em Curitiba, no dia 12. Os shows fazem parte de uma extensa passagem pela América Latina, que inclui ainda México, Guatemala, Costa Rica, Colômbia, Chile e Argentina. Formado há duas décadas em Scranton, na Pensilvânia, o Tigers Jaw construiu uma das trajetórias mais consistentes do emo e rock alternativo norte-americano dos anos 2000. Atualmente formado por Ben Walsh, Brianna Collins, Mark Lebiecki, Colin Gorman e Teddy Roberts, o grupo chega com um disco novamente produzido por Will Yip e marcado pela passagem do tempo, memória, ansiedade e pelas incertezas que permanecem da juventude à vida adulta. Ao mesmo tempo, “Lost On You” preserva elementos fundamentais da identidade da banda, principalmente a combinação das vozes de Walsh e Collins e o equilíbrio entre guitarras melódicas, peso e delicadeza. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Ben Walsh falou sobre a relação do Tigers Jaw com o público brasileiro, a descoberta da banda por uma nova geração de fãs e o atual momento da cena emo. O vocalista e guitarrista também explicou o significado por trás de “Lost On You”. Vocês estão voltando ao Brasil depois de alguns anos. O que você lembra das visitas anteriores ao país e dos fãs brasileiros? Ficamos realmente impressionados com a paixão do público no Brasil. Nós nos sentimos muito bem recebidos e queridos quando tocamos aí e estamos muito animados para voltar. Nossas visitas anteriores ao país foram repletas de comidas e bebidas incríveis, lugares lindos, mergulhos no mar e buscas por camisetas piratas legais de bandas que amamos. O título “Lost On You” permite diferentes interpretações. O que ele significa para você? Eu interpreto de duas maneiras. Pode significar estar completamente encantado por alguma coisa ou pode significar não entender absolutamente nada do que está acontecendo. O novo álbum tem ocupado bastante espaço nos setlists recentemente. Podemos esperar o mesmo no Brasil? Estamos celebrando a turnê mundial de “Lost On You”, então vamos tocar uma boa quantidade de músicas do novo álbum. Mas, na maioria dos nossos shows como atração principal, tocamos por mais de uma hora. Então haverá uma boa mistura de músicas de diferentes momentos do nosso catálogo. “BREEZER” chama atenção pela atmosfera influenciada pelo shoegaze. Como você enxerga a mistura entre emo, shoegaze e indie na música do Tigers Jaw? Tivemos uma variedade muito grande de ideias para este disco e, sempre que alguma delas parecia inspiradora para nós, fomos atrás até sentirmos que estava certa. Acho que “BREEZER” é um bom exemplo de como entramos em um tipo diferente de sonoridade, mas a música ainda soa como Tigers Jaw. O álbum “Tigers Jaw”, de 2008, continua sendo descoberto por pessoas que eram crianças ou que nem sequer tinham nascido quando ele foi lançado. Como é perceber uma nova geração chegando aos shows por causa dessas músicas? É sempre incrível ver novas pessoas descobrindo a nossa banda. Somos muito gratos por continuarmos crescendo, encontrando oportunidades e vivendo novas experiências depois de tantos anos fazendo música. Poder viajar pelo mundo e criar uma conexão com as pessoas por meio da música é um sonho. O emo passou por uma verdadeira montanha-russa ao longo dos anos. Como você enxerga o momento atual da cena? A cena emo está prosperando e buscando referências em uma variedade enorme de influências, tanto em todas as diferentes ondas do emo quanto em gêneros que estão fora dele. É sempre muito legal ver novas bandas levando a música adiante.

Story Of The Year se inspira no clássico Mulher Nota 1000 no clipe de “See Through”

Os pioneiros do post-hardcore norte-americano Story Of The Year lançaram o videoclipe de See Through. A canção é um dos grandes destaques de A.R.S.O.N. (sigla para “All Rage, Still Only Numb”), sétimo álbum de estúdio da banda de St. Louis, disponibilizado via SharpTone Records. Com direção assinada por Jordan Phoenix, o registro audiovisual aposta no bom humor e na ficção científica trash ao homenagear o clássico cult dos anos 1980 Mulher Nota 1000 (Weird Science, de John Hughes). No clipe, o vocalista Dan Marsala encarna um cientista louco que tenta criar a “mulher dos seus sonhos” em um laboratório repleto de bobinas de Tesla e alavancas mecânicas, desencadeando uma sucessão de falhas técnicas e desfechos caóticos entre os riffs pesados do grupo. Produção com Colin Brittain (Linkin Park) e turnê com Silverstein Lançado no início de 2026, A.R.S.O.N. consolida a maturidade composicional e a agressividade melódica do quarteto formado por Dan Marsala (vocal), Ryan Phillips (guitarra), Adam Russell (baixo) e Josh Wills (bateria). A produção musical é assinada por Colin Brittain, produtor de renome na cena alternativa e atual baterista do Linkin Park.

Rodrigo Santos celebra 60 anos de carreira de Nelson Motta em disco com participações

Unindo o vigor do rock brasileiro a novas texturas de reggae, samba-funk e baião, o cantor e baixista Rodrigo Santos (ex-Barão Vermelho) lançou nas plataformas digitais o projeto especial Rodrigo Santos Canta Nelson Motta. O trabalho celebra seis décadas de trajetória de um dos maiores letristas, produtores e cronistas da cultura nacional, revisitando parcerias clássicas de Nelson Motta com nomes como Lulu Santos, Erasmo Carlos, Rita Lee e Guilherme Arantes. O próprio Nelson Motta assina o texto de apresentação do disco, destacando o entusiasmo com a homenagem: “Como dizia Johnny Alf, o inesperado fez uma surpresa: Rodrigo Santos, baixista roqueiro raiz, me diz que queria gravar um disco inteiro com novas interpretações de meus rocks e baladas com Lulu Santos, Erasmo Carlos, Rita Lee e outros parceiros, e a participação de convidados. Adorei a ideia, recebi como uma baita homenagem, um presentão pelos meus 60 anos de música.” Encontros históricos e reinvenção rítmica Longe de se limitar a reproduzir os arranjos originais, o álbum mergulha em recriações ousadas de andamento, ritmo e interpretação:

Circuito #09 promove volta do Los Pirata pelo interior e capital de SP

O projeto itinerante Circuito – Nova Música, Novos Caminhos anunciou sua nona edição para o mês de novembro. Entre os dias 5 e 7 de novembro de 2026, a caravana percorrerá o estado de São Paulo promovendo o aguardado retorno do cultuado trio chicano-paulistano Los Pirata, a presença da cantora catarinense Gab Ferreira e o som da banda sueco-brasileira Elephant Run, além de integrar bandas locais em cada parada. Com realização da Vegas Cultural e curadoria assinada pelo jornalista e produtor Lúcio Ribeiro, o Circuito #09 parte da capital rumo ao Vale do Paraíba e à Região Metropolitana de Campinas: A volta do Los Pirata e o encontro de linguagens O grande destaque desta edição é o regresso aos palcos do trio Los Pirata, formado por Paco Garcia, Loco Sosa e Jesús Sanchez. Nome influente do underground paulistano dos anos 2000, o grupo acaba de retomar as atividades em estúdio com o disco La Arca del Tesoro Perdido, unindo portunhol magnético, o frescor do surf rock instrumental dos anos 1960 e a distorção noise dos anos 1990 em versões peculiares de clássicos como Iron Man (Black Sabbath) e Gita (Raul Seixas). Ao lado deles, a escalação reúne: A cultura da estrada contra a dependência algorítmica Iniciado em 2025, o projeto já colocou mais de 34 bandas e artistas solo para rodar cerca de 3 mil quilômetros pelo território brasileiro, tendo passado recentemente pelo Centro-Oeste em conexões com Brasília e o festival Bananada, em Goiânia. Pelo laboratório itinerante já circularam nomes como Dora Morelenbaum, Jadsa, PLUMA, Papisa, Exclusive Os Cabides, Pelados, Supervão e Chococorn and the Sugarcanes. Para Lúcio Ribeiro, o foco primordial está no estágio anterior à consagração massiva: “A curadoria do Circuito procura justamente esse momento anterior ao reconhecimento mais amplo — quando existe uma produção artística consistente, mas ainda é preciso criar os caminhos para que ela encontre audiência. Para quem acompanha música, significa descobrir bandas fora dos algoritmos e dos grandes festivais. Para os músicos, significa tocar para pessoas que ainda não os conhecem e testar repertório ao vivo.” Serviço: Circuito #09 (SP, Taubaté e Americana) São Paulo (SP) Taubaté (SP) Americana (SP) Curadoria: Lúcio Ribeiro | Realização: Vegas Cultural

Black Pantera apresenta show do álbum Continental no Sesc Pompeia

O trio mineiro Black Pantera desembarca em São Paulo para duas noites consecutivas na Comedoria do Sesc Pompeia, nos dias 2 e 3 de outubro (sexta e sábado), às 21h. As apresentações celebram a turnê do aclamado álbum Continental, quinto disco de estúdio da carreira do grupo, lançado pela gravadora Deck. O momento marca uma fase de consagração artística para a banda de Uberaba (MG). Indicados ao Grammy Latino pelo álbum Resistência! Ao Vivo no Circo Voador, os músicos chegam à capital paulista embalados por uma performance histórica no palco do Rock in Rio. A força sonora e a diversidade de Continental Lançado em agosto, Continental parte do rock pesado e do crossover característicos do Black Pantera para explorar a amplitude rítmica e cultural do país, tratando o Brasil em suas dimensões e contrastes: Os ingressos já estão disponíveis para compra direta por meio dos canais digitais e bilheterias da rede Sesc São Paulo. Serviço: Black Pantera no Sesc Pompeia

Catïça aborda taxação de super-ricos no single “Surpresinha”

Canalizando revolta social em riffs cortantes de punk metal, o quarteto Catïça lançou nas plataformas digitais o single Surpresinha. A pedrada é a terceira e última amostra antes da chegada de Cereja de Xuxu, segundo álbum de estúdio da banda, com lançamento agendado para outubro de 2026 pelo selo Deck. A faixa sucede os singles já divulgados Pé Vermei e Em Todos Esses Anos Nessa Indústria Vital, Essa É A Primeira Vez Que Isso Me Acontece, consolidando uma guinada mais agressiva e direta na sonoridade do grupo. Crítica sem rodeios à manutenção de privilégios Com versos ácidos e diretos, Surpresinha foi composta a partir das discussões sobre a taxação de grandes fortunas e super-ricos, temática urgente que encontra barreiras históricas na proteção de privilégios pelas elites econômicas. “A música vem de um sentimento de raiva, de impotência, de olhar pra essas paradas e sentir que a gente não pode fazer nada”, desabafa o vocalista Nobu. Formada por Nobu (Lucas Waricoda, vocais), Wiu (William Lopes, guitarra), Dedé (André Melo, baixo) e Jordão (Diego Jordão, bateria), a Catïça aposta no peso do crossover entre o punk rock e o heavy metal para expor os contrastes do cotidiano urbano e as fraturas sociais do país.