Entrevista | Vitor Isensee – “Ainda existe muita história para acontecer com o ForFun e com o Braza”

Vitor Isensee iniciou um novo capítulo da carreira solo com Amanhece o Dia, primeiro single do álbum que será lançado em breve pela Deck. Produzida por Júlio Raposo, com coprodução do próprio músico, a faixa apresenta uma abordagem mais melódica e direta do que a explorada em Vida E Nada Mais, estreia solo lançada em 2019 sob o nome Izenzee. O novo trabalho terá nove músicas e recupera, entre composições recentes, canções que estavam guardadas havia cerca de uma década. Sem participações especiais, o disco marca também uma aproximação de Isensee com uma maneira mais espontânea de compor, apoiada no violão, no piano e na estrutura tradicional da canção. Fundador do Forfun, banda que encerrou as atividades em 2015 e voltou aos palcos para uma turnê de reunião em 2024, Isensee construiu diferentes caminhos desde o fim do grupo. Ao lado de Danilo Cutrim e Nicolas Christ, iniciou o Braza, projeto que ampliou sua relação com reggae, rap e música brasileira e permanece em atividade. Paralelamente, lançou livros de poesia e desenvolveu sua carreira individual, iniciada musicalmente com Vida E Nada Mais, disco de caráter mais experimental e marcado por participações como Duda Beat, Luê, Morcego e Castello Branco. Agora, aos 43 anos, o músico conversou com o Blog N’ Roll e afirma vê o novo álbum como parte de uma trajetória ainda em construção, conciliando o trabalho solo e o Braza. Sobre o ForFun ele descartou novos álbuns e singles no futuro, porém diz que é questão de tempo até se reunirem nos palcos novamente. Eu ouvi Amanhece o Dia e achei a música bem mais melódica do que o álbum que você havia lançado. Queria entender um pouco esse momento criativo que você está passando agora. Também vi que existem músicas guardadas dos últimos dez anos. Essas canções eram destinadas a algum projeto específico, como Braza ou Forfun, ou são coisas que você escreveu para você mesmo? Acho legal essa percepção, porque, para mim, ela é bem evidente. Nem todo mundo percebe isso de cara, mas essa primeira música que lancei tem uma vibe mais de canção. Acho que ela flerta muito mais com uma forma, não sei se o termo seria “ingênua”, mas mais espontânea de compor. O primeiro disco que lancei, Vida E Nada Mais, de 2019, é um disco que adoro e representa muito o que eu queria fazer naquela época. Mas é um trabalho mais experimental, mais denso e mais difícil de assimilar. Ele vai mais para essa coisa da síncope do rap, é mais falado do que cantado, tem muita letra e muita informação. Quando veio a ideia do novo álbum? Há uns dois anos, talvez um pouco mais, comecei a me movimentar para lançar um novo álbum. Tinha muitas ideias guardadas e fui percebendo que tanto as coisas que estava compondo quanto outras que estavam guardadas havia bastante tempo iam mais nessa direção da canção. Voltei a sentir prazer em pegar o violão, sentar, tocar e cantar. Acho que, não por acaso, isso aconteceu simultaneamente à turnê do Forfun. Em 2024, fizemos uma turnê depois de nove anos sem tocar. A banda se reencontrou e foi muito legal, mas também foi um mergulho no passado, ressignificando tudo no presente. Aquilo me trouxe novamente um pouco dessa forma mais espontânea de compor, que era muito do que eu fazia no Forfun. Não que eu não faça isso no Braza, mas existia muito essa coisa de pegar o violão sozinho no quarto, à noite, e surgir um refrão ou uma parte de uma música. Depois, claro, eu terminava junto com a banda. Sempre foi um trabalho coletivo, mas eu tinha muito essa iniciativa de criar e propor. Foi uma maneira de me conectar novamente com uma forma mais leve de compor. Até os temas refletem um pouco a fase que estou vivendo. Estou na virada dos 40, tenho 43 anos, criança, família. A vida muda muito e os temas mudam. Achei que estava na hora de falar de uma maneira mais direta, simples e suave. Acabei indo muito para esse lado da canção. Amanhece o Dia é uma das músicas antigas? Amanhece o Dia não é uma delas. Ela surgiu mais recentemente, talvez de um ano para cá. Mas existem algumas músicas nesse disco que vem aí que já existem há muito tempo. O álbum terá nove músicas e diria que duas ou três delas existem há dez anos, talvez até mais. Foram coisas que ficaram guardadas. Eu já havia mostrado para a galera da banda, para outros artistas, e não rolou de gravar naquela época. Fui deixando guardado e achei que tinha a ver eu mesmo cantar essas músicas. Isso também é um desafio para mim. No começo do Forfun, inclusive na primeira demo, eu cantava muitas músicas. Depois, na fase posterior da banda, e no Braza isso já se mistura mais, acabei fazendo sempre uma parte mais próxima do rap. Não chega a ser rap, porque acho complicado dizer isso, mas é algo mais falado. Então também é um desafio levar meu vocal para esse lado mais de canção. Mas é algo que tenho muita vontade de fazer e que me dá prazer. Embora seja um desafio, é gostoso aprender e me desafiar. Vocês começaram com uma banda que tinha muito do hardcore melódico, antes mesmo do primeiro álbum. Normalmente, muitas bandas desse gênero permanecem dentro daquele universo ou dão um pequeno passo para o indie rock. O Forfun passou por uma transformação grande e, depois, com o Braza, vocês exploraram ainda mais a música brasileira. O que você tem ouvido atualmente que realmente influencia e toca você? Gosto muito de ouvir coisas antigas, embora tente acompanhar o que está acontecendo hoje. Tom Jobim, João Bosco e João Donato estão sempre nas minhas playlists, até pela minha relação com o piano, a bossa nova e o jazz. Mais recentemente, fui muito impactado por Hugh Masekela e pelo angolano Paulo Flores. Não são necessariamente influências que você identifica diretamente no disco, mas

Chapterhouse celebra 35 anos de clássico em noite ruidosa no Cine Joia

O show mal havia começado quando as guitarras que dão início à Ecstasy II, canção que os ingleses do Chapterhouse escolheram para abrir a apresentação da última terça-feira (29), no Cine Joia, em São Paulo, já davam os indícios de que a banda não sairia do palco antes de deixar boa parte do público com os ouvidos zumbindo. A faixa é uma das primeiras compostas pela banda e foi tocada de forma reduzida e sem os vocais, servindo principalmente para deixar todo mundo no clima para o que seria a atração principal da noite: a execução, de cabo a rabo, do seminal disco Whirlpool, de 1991, peça central da curta discografia do grupo. Quando a acelerada Breather, que abre o álbum, estourou no sistema de som da casa, o cartão de visitas já estava dado. Nos anos que separam essa nova reunião da última vez em que a banda tocou junta, em 2010, durante uma tentativa menos bem sucedida de voltar às atividades após ter se separado nos anos 90, nada da intensidade parece ter ficado para trás. Ainda é possível se perder nas camadas sonoras, distorções e microfonias criadas pelas guitarras de Andrew Sherriff, Stephen Patman e Joe Light, este último tendo entrado para a turnê substituindo Simon Rowe. Quem rouba a cena, no entanto, é o baterista Ashley Bates, que tem a mão pesada sem perder a precisão, além de ser o mais despojado, levantando os dois braços antes de cada música e fazendo aviãozinho de papel com o setlist ainda antes do show.  O baixo de Greg Moore é mais discreto, complementando o peso da cozinha e sustentando as guitarras. Os vocais, ora de Sherriff, ora de Patman, flutuam em meio à massa de som. A banda é daquelas que gosta de tocar alto e a expressão “parede de som”, usada à exaustão para descrever o som do shoegaze, fez muito sentido na noite de terça.   Apesar de nunca ter chegado ao nível de reconhecimento de contemporâneos do gênero como o Slowdive ou o My Bloody Valentine, as nove canções que compõem o repertório de Whirlpool mostram o motivo da banda seguir sendo reverenciada. O disco é dos mais versáteis e inventivos do período. A trinca que abre já é um bom termômetro disso. Da acelerada Breather, que fez muita gente no Cine Joia pular, passando pela canção que talvez seja o maior sucesso, Pearl, com as suas melodias pop etéreas evocando o som que era feito em Manchester na época, desembocando na cadenciada e hipnotizante Autosleeper, com explosões rítmicas ainda mais marcantes ao vivo, a apresentação traduziu a capacidade da banda de transitar entre influências sem perder a coesão. Lados B e favoritas do Chapterhouse Após a execução do disco, a banda fez uma rápida saída e anunciou que voltaria para tocar “lados B e algumas das nossas músicas favoritas”. A execução de álbuns inteiros ao vivo costuma ser uma faca de dois gumes. Uma sequência pensada para funcionar em estúdio nem sempre é a ideal para uma apresentação ao vivo. Além disso, se o disco é um dos principais da carreira da banda, o risco é de amontoar todas as faixas que boa parte do público quer ouvir logo no começo ou no final da apresentação. O Chapterhouse não é o tipo de artista que atrai muitos incautos para o seu show, de modo que a maioria dos fãs que estava no Cine Joia era familiarizada com o repertório escolhido para o segundo set. Ainda assim, apesar de a banda seguir tocando com a mesma intensidade, o público teve uma recepção mais morna, voltando a ficar mais agitado no bis, com a clássica faixa título do EP Mesmerise. Edit this setlist | More Chapterhouse setlists Terraplana Os curitibanos do terraplana foram os escolhidos para abrir os trabalhos da noite com um show de aproximadamente uma hora calcado no repertório de seu segundo disco, natural, lançado no ano passado. Há alguns anos rodando o Brasil e, mais recentemente, a Europa e os Estados Unidos, a banda está em seu melhor momento ao vivo até agora, com uma apresentação redonda e bem entrosada. Aproveitando a boa estrutura da casa, eles não deixaram nada a dever no quesito da qualidade do som, com as guitarras rasgadas e os momentos mais intensos já começando a ensurdecer o público antes da atração principal. Ao final da dobradinha airbag e morro azul, que encerrou o show, havia gente na pista pedindo por mais. Edit this setlist | More terraplana setlists

Pequeno Cidadão anuncia single “Cara de Abacate” e shows na Semana da Criança

Pequeno Cidadão lança em 9 de outubro “Cara de Abacate”, single que transforma uma antiga brincadeira infantil de palmas e percussão corporal em música. A faixa chega às plataformas às vésperas do Dia das Crianças e recupera uma atividade transmitida principalmente pela tradição oral entre diferentes gerações. Popular especialmente a partir dos anos 1980, a brincadeira dispensa brinquedos ou qualquer tipo de tecnologia e depende apenas da interação entre os participantes. Em “Cara de Abacate”, esse batuque corporal serve como base para um rock psicodélico, acompanhado por jogos de palavras e movimentos que convidam as crianças a participarem da própria música. O lançamento pelo selo Pequeno Cidadão também antecede uma sequência de três apresentações durante o fim de semana do Dia das Crianças. O grupo toca no Sesc Pompeia, em São Paulo, no dia 10 de outubro, segue para o Sesc Bauru no dia 11 e encerra a programação no Sesc Interlagos, também na capital paulista, no dia 12.

P.O.D. recruta Cory Brandan, do Norma Jean, no pesado single “Outbreak”

P.O.D. está de volta com Outbreak, novo single que traz a participação de Cory Brandan, vocalista do Norma Jean. A faixa sucede o álbum Veritas, lançado em 2024, e chega acompanhada por um videoclipe inspirado em filmes e games de apocalipse zumbi. Produzida por Will Yip, conhecido por trabalhos com Turnstile, Code Orange e Circa Survive, a música nasceu da aproximação entre P.O.D. e Norma Jean durante a turnê conjunta realizada em 2024. Segundo Sonny Sandoval, a intenção era encontrar um convidado capaz de acompanhar uma composição que considera uma das mais pesadas já feitas pelo grupo. A escolha de Cory Brandan acrescenta vocais ainda mais agressivos à faixa. Outbreak combina riffs de Marcos Curiel, baixo de Traa Daniels e samples de alertas de emergência em uma construção que reforça a atmosfera de caos. A inspiração veio da relação dos integrantes com games e ficção científica, além da percepção de um cotidiano cada vez mais frenético. O lançamento dá continuidade à fase iniciada com Veritas, disco que ultrapassou 83 milhões de reproduções e alcançou o Top 10 das paradas de Hard Rock e Rock da Billboard. No ano passado, o grupo também lançou I Won’t Bow Down, colaboração com Andrés Giménez, do A.N.I.M.A.L., reforçando suas raízes latinas. A relação recente com o Brasil inclui a apresentação no Knotfest em 2024 e uma turnê própria realizada no ano seguinte, com seis cidades e show esgotado em São Paulo. Com quase 35 anos de trajetória, o P.O.D. mantém ainda no repertório músicas como Alive, Boom e Youth of the Nation, responsáveis por projetar a banda mundialmente no início dos anos 2000. Outbreak já está disponível nas plataformas digitais pela Mascot Records e aponta os próximos passos do P.O.D. rumo aos 35 anos de carreira, que serão completados em 2027.