EXCLUSIVO – Lucia Vulcano explora brutalidade e sentimentalismo no álbum “chucra & sensível”

A musicista e compositora mineira Lucia Vulcano lançou chucra & sensível, segundo álbum de sua carreira solo e sucessor de vim, vi e me fudi, de 2024. Composto entre 2025 e 2026, o disco aprofunda características já presentes no trabalho da artista: guitarras pesadas, riffs marcados, mudanças de compasso e letras sarcásticas, ao mesmo tempo em que coloca no centro a contradição da convivência entre brutalidade e sentimentalismo. É dessa oposição que surge o título do álbum. Para Lucia, os dois polos não são necessariamente incompatíveis. “O conceito é a dicotomia entre ser chucra, porém sensível. As músicas transitam entre essas duas contradições que, ao meu ver, são complementares. Há beleza em ser sentimentalmente chucra e brutalmente sensível”, explica. Entre as referências estão L7, Soundgarden, Black Sabbath e Hole, ao lado de universos aparentemente mais distantes, como Jeff Buckley e Marília Mendonça. Essa última aproximação aparece de forma direta em Eu Sei de Cor, canção composta por Danillo Dávila, Elcio di Carvalho, Lari Ferreira e Junior Pepato e consagrada na voz de Marília Mendonça, que ganha no disco uma releitura concebida por Thiago Machado (Porquinho). Em chucra & sensível, a faixa é deslocada para um universo que Lucia define como “emo BR dos anos 2000”. O resultado preserva a linguagem desenvolvida por Lucia em seu primeiro álbum, mas amplia o espaço dado às melodias e às tensões entre agressividade e vulnerabilidade. Essa dualidade surge de um processo de composição que a artista descreve menos como um ritual de inspiração, e mais como algo parte de sua própria rotina. “Eu penso em compor, sento com minha guitarra e escrevo uma música. Registro porcamente com o pouco equipamento que tenho e vou trabalhando nela a partir daí. É um processo mundano, quase como arrumar a casa, tomar banho e se alimentar. Precisa ser feito e eu faço”, conta. chucra & sensível foi gravado entre junho e julho de 2026 no Acústico Motor, em Belo Horizonte, com produção de Rafael Dutra, parceiro de trabalho de Lucia desde 2018, quando colaboraram na gravação do primeiro disco do power trio pata, em que ela atuava como guitarrista e vocalista. A capa do álbum também nasceu de uma observação cotidiana, embora pouco convencional. Durante quase um ano, Lucia fotografou ratos mortos encontrados pelas ruas de Belo Horizonte, sobretudo no período de chuvas. “Eu ando muito a pé e tenho o péssimo costume de andar olhando para o chão. Comecei a ver que tinha muito rato morto em BH, principalmente no período de chuvas, quando eles morrem afogados no esgoto”, conta. Com o tempo, a busca pela imagem da capa passou até a envolver pessoas da vizinhança. “Tirei tanta foto que o pessoal da minha rua começou a me perguntar o porquê de eu estar fazendo isso. Quando falei que queria fazer uma capa para o disco, começaram a me avisar: ‘ó, ali tem um rato morto, na esquina tem outro’. Não sei por que essa ideia nasceu dentro de mim, mas ela foi se formando e crescendo até eu encontrar a cena ideal e que não causasse tanta repulsa em quem visse – porque tem umas fotos bem gore”, completa. A capa é assinada pela própria Lucia, com lettering de Marcelo Miranda.

Mötley Crüe resgata versão original de “Take Me To The Top” após 45 anos

O Mötley Crüe disponibilizou nas plataformas digitais uma versão remasterizada de “Take Me To The Top”, gravada originalmente em 1981 para a primeira edição de “Too Fast For Love”. A faixa, lançada na época pelo selo independente Leathür Records, chega ao streaming pela primeira vez e antecipa a edição comemorativa de 45 anos do álbum de estreia da banda, prevista para 30 de outubro pela BMG. A gravação recupera um dos primeiros registros do grupo, anterior à reformulação do disco pela Elektra Records em 1982. “Take Me To The Top” também voltou recentemente ao repertório dos shows do Mötley Crüe depois de 42 anos de ausência, durante a turnê norte-americana “The Return Of The Carnival Of Sins”, que passou por 33 cidades e reuniu quase meio milhão de espectadores. Lançado originalmente em 1981, com uma tiragem inicial de apenas 900 cópias, “Too Fast For Love” ajudou a estabelecer as bases da cena hard rock de Los Angeles nos anos 1980. A mistura de energia punk, visual glam e apresentações intensas chamou a atenção da Elektra Records, que assinou com o quarteto poucos meses depois. A nova edição do álbum, lançada em agosto de 1982, ampliou o alcance da banda com músicas como “Live Wire”, impulsionada também pela exposição na então recém-criada MTV. Para celebrar o aniversário, o Mötley Crüe preparou um box comemorativo que reúne as versões remasterizadas de 1981 e 1982, gravações raras e inéditas de um show realizado no Perkins Palace em 1982 e as primeiras demos de estúdio, registradas em março de 1981. O material inclui ainda uma réplica da fita cassete original, compacto de sete polegadas, livro de fotografias com 100 páginas e outros itens de colecionador. O relançamento também coincide com novas marcas comerciais alcançadas pelo catálogo da banda. “Kickstart My Heart” ultrapassou 1 bilhão de reproduções no Spotify, enquanto “Dr. Feelgood” recebeu certificação de nove vezes platina nos Estados Unidos. Outros clássicos, como “Girls, Girls, Girls”, “Home Sweet Home” e “Live Wire”, também conquistaram novas certificações. Com a edição de 45 anos de “Too Fast For Love”, o Mötley Crüe revisita o período anterior ao sucesso mundial, quando Nikki Sixx, Tommy Lee, Mick Mars e Vince Neil ainda construíam sua identidade nos clubes de Los Angeles. O material recupera gravações que documentam o início de uma trajetória que ajudaria a definir o hard rock da década seguinte.

Pet Shop Boys revisita vida e legado de Alan Turing em novo álbum

O Pet Shop Boys lançou “A Man from the Future”, álbum conceitual inspirado na trajetória de Alan Turing, matemático britânico considerado um dos pioneiros da computação moderna. Desenvolvido em parceria com Andrew Hodges, autor da biografia “Alan Turing: The Enigma”, o trabalho reúne oito faixas que combinam música eletrônica, arranjos orquestrais e narração para contar a história de um dos nomes mais importantes da ciência do século XX. O projeto acompanha cronologicamente a vida de Turing, desde a juventude e o interesse pela matemática até sua participação na Segunda Guerra Mundial, quando teve papel fundamental nos esforços britânicos para decifrar mensagens criptografadas pela máquina alemã Enigma. O disco também aborda suas contribuições para o desenvolvimento dos computadores e suas ideias pioneiras sobre inteligência artificial. A narrativa não deixa de lado a perseguição sofrida pelo cientista em razão de sua homossexualidade. Condenado pela Justiça britânica em 1952, Turing morreu por suicídio dois anos depois, aos 41 anos. A última faixa inclui um trecho de um pronunciamento feito em 2009 pelo então primeiro-ministro Gordon Brown, que pediu desculpas oficialmente pelo tratamento recebido pelo matemático. Em 2013, Turing recebeu um perdão real póstumo da rainha Elizabeth II. Musicalmente, “A Man from the Future” apresenta composições de Neil Tennant e Chris Lowe acompanhadas por narrações da atriz Juliet Stevenson, baseadas na biografia escrita por Hodges. Os arranjos orquestrais são assinados por Sven Helbig e executados pelo Manchester Camerata Octet, enquanto integrantes do coro masculino da Manchester Grammar School participam de quatro músicas. A obra, na verdade, não é inteiramente inédita. Sua primeira versão foi desenvolvida entre 2012 e 2013 e apresentada em julho de 2014, durante a série BBC Proms, no Royal Albert Hall, em Londres. Na ocasião, o Pet Shop Boys dividiu o palco com a BBC Concert Orchestra e os BBC Singers. Mais de uma década depois, a dupla decidiu revisitar a composição, ampliando a presença dos elementos eletrônicos e substituindo a formação orquestral original por um conjunto de oito instrumentistas de cordas. Segundo Tennant e Lowe, a intenção sempre foi homenagear um homem que contribuiu decisivamente para a ciência e para seu país, mas acabou perseguido por sua sexualidade. A dupla destaca que Turing não apenas antecipou possibilidades da computação moderna, como também imaginou uma sociedade na qual a homossexualidade seria aceita naturalmente. Lançado pela Parlophone Records, “A Man from the Future” transforma essa trajetória em uma narrativa musical que atravessa ciência, guerra, preconceito e reconhecimento histórico, aproximando o universo eletrônico do Pet Shop Boys de uma das histórias mais marcantes do século passado.

La Dispute anuncia três shows no Brasil em maio de 2027 com Zeta

O La Dispute anunciou sua primeira turnê completa pela América Latina, com três apresentações no Brasil em maio de 2027. A banda norte-americana de post-hardcore tocará em Curitiba, no Belvedere, em 28 de maio; São Paulo, no Carioca Club, em 29 de maio; e Rio de Janeiro, no Agyto, em 30 de maio. Os venezuelanos do Zeta serão os convidados especiais nas três datas, realizadas pela ND Productions e Áldeia Produções. Antes de chegar ao Brasil, a turnê passará por Costa Rica, Colômbia, Peru, Chile e Argentina, ampliando a presença do grupo na região. O retorno acontece 11 anos depois da primeira passagem da banda pelo país, encerrando uma longa espera dos fãs brasileiros. O repertório terá músicas de diferentes fases da carreira, além de composições de “No One Was Driving the Car”, trabalho mais recente do quinteto. Formado em Grand Rapids, Michigan, o La Dispute construiu uma identidade própria ao combinar post-hardcore, emo, spoken word e rock experimental. A interpretação intensa de Jordan Dreyer e as letras narrativas, frequentemente dedicadas a conflitos pessoais, relacionamentos e questões existenciais, ajudaram a consolidar a banda como uma das referências do gênero nas últimas duas décadas. A turnê também marca o encontro com o Zeta, grupo venezuelano que mistura punk, post-rock, psicodelia e ritmos afro-caribenhos. A banda acompanhará o La Dispute não apenas no Brasil, mas também nas apresentações de Colômbia, Peru, Chile e Argentina. Em comunicado, Jordan Dreyer reconheceu a demora para retornar à América Latina. O vocalista lembrou que, desde a primeira visita, a banda prometia voltar para realizar mais shows, mas os planos acabaram sendo adiados repetidamente. “Prometemos voltar à América Latina e demoramos demais para cumprir. Tivemos nossos motivos, mas eles não importam mais. Agora estamos cumprindo essa promessa, por nós mesmos e também por vocês”, afirmou. Os ingressos para as apresentações brasileiras estão à venda pela Fastix. Serviço – La Dispute + Zeta no Brasil Ingressos: Fastix.