Primavera na Cidade reúne oito atrações internacionais em três noites de shows em dezembro

O Primavera Sound São Paulo 2026 anunciou a programação do Primavera na Cidade, iniciativa que levará oito apresentações internacionais para casas de shows da capital paulista nos dias 2, 3 e 4 de dezembro. Entre os destaques estão Nation of Language, Model/Actriz, Mannequin Pussy, Smerz, Ecco2k e o encontro entre underscores e umru. Os shows acontecerão no Cine Joia e na Audio, antecipando a programação principal do festival, marcada para 5 e 6 de dezembro, no Autódromo de Interlagos. A primeira noite, em 2 de dezembro, reunirá o duo norueguês Smerz e a banda norte-americana Model/Actriz no Cine Joia. Enquanto o Smerz explora uma mistura experimental de pop e música eletrônica, o Model/Actriz apresenta uma sonoridade que combina dance-punk, noise rock e elementos industriais. A proposta reúne duas atrações que representam diferentes caminhos da música alternativa contemporânea. No dia 3 de dezembro, a Audio receberá quatro apresentações: Metrika, Ecco2k, Sophia Stel e um set conjunto de underscores b2b umru. A programação será dedicada principalmente às novas tendências da música eletrônica e do pop experimental. Entre os destaques está Ecco2k, artista sueco associado ao coletivo Drain Gang, além da parceria entre underscores e umru, dois nomes ligados à renovação da música eletrônica alternativa. O encerramento acontecerá em 4 de dezembro, novamente no Cine Joia, com Nation of Language e Mannequin Pussy. O Nation of Language é um dos nomes em ascensão do synth-pop e do post-punk contemporâneo, com influências de bandas como New Order e Depeche Mode. Já o Mannequin Pussy mistura punk rock, indie e hardcore, destacando-se pela intensidade de suas apresentações e pela alternância entre momentos melódicos e explosões de guitarras. A iniciativa busca ampliar a presença do Primavera Sound na cidade, levando parte de sua programação para espaços tradicionais do circuito musical paulistano. Além de oferecer apresentações mais intimistas de artistas presentes no festival, o projeto permite que o público acompanhe atrações internacionais em ambientes diferentes da estrutura de um grande evento. Os compradores do Passaporte do Primavera Sound terão acesso antecipado à retirada gratuita de até dois ingressos por CPF, entre 20 de outubro, às 10h, e 21 de outubro, às 10h, conforme disponibilidade. A venda geral começa em 21 de outubro, ao meio-dia, pela Ingresse.
Zakk Sabbath e Black Label Society dividem noite histórica em São Paulo pela primeira vez

Zakk Wylde encerrou sua turnê brasileira neste domingo (18), no Terra SP, em São Paulo, com uma noite que reuniu três apresentações, muito peso e diversas homenagens a Ozzy Osbourne. O guitarrista norte-americano foi o grande protagonista do evento, subindo ao palco com o Zakk Sabbath e, posteriormente, com o Black Label Society. Antes disso, o Dark Chapel, liderado pelo guitarrista do Black Label Socity, Dario Lorina, ficou responsável pela abertura. Mais do que uma sequência de shows, a apresentação mostrou diferentes facetas de Wylde, desde sua ligação com o legado do Black Sabbath até a trajetória construída com sua própria banda. A noite começou com o Dark Chapel já com a casa cheia. Com um repertório enxuto, a banda apostou em um hard rock pesado, com influências de blues e uma sonoridade que dialoga diretamente com o universo de Zakk Wylde. Entre os destaques esteve “Burns The Flame”, uma das músicas mais conhecidas do grupo, além de uma versão de “Ain’t No Sunshine”, clássico de Bill Withers. Apesar do tempo reduzido, o Dark Chapel cumpriu bem a missão de aquecer o público. Dario demonstrou desenvoltura como guitarrista e vocalista, aproveitando a oportunidade para apresentar um trabalho autoral que vai além de sua função no Black Label Society. Foi uma abertura direta, sem grandes intervalos, mas suficiente para mostrar a personalidade da banda. Zakk Sabbath transforma o Terra SP em uma celebração ao Black Sabbath Na sequência, Zakk Wylde subiu ao palco com o Zakk Sabbath, projeto dedicado ao repertório do Black Sabbath. A formação reúne os músicos do Black Label Society, com exceção de Dario Lorina, que havia acabado de se apresentar com o Dark Chapel. A configuração permitiu que Wylde comandasse duas apresentações completas na mesma noite, algo inédito em suas passagens pelo Brasil. O repertório trouxe clássicos fundamentais da história do heavy metal, com destaque para “Children of the Grave” e “War Pigs”. A primeira ganhou força com os riffs característicos de Tony Iommi reinterpretados pela pegada de Wylde, enquanto a segunda proporcionou um dos momentos de maior participação do público. Não se trata de uma tentativa de reproduzir fielmente o Black Sabbath, mas de apresentar essas composições sob a identidade de um guitarrista que conhece profundamente o universo musical de Ozzy Osbourne. Aliás, a presença de Ozzy foi sentida durante toda a noite. Em diferentes momentos, Zakk incentivou a plateia a gritar o nome do cantor, conduzindo as manifestações com movimentos dos braços, praticamente como um maestro diante de uma orquestra. A resposta foi imediata, transformando o Terra SP em um coro coletivo de reconhecimento a um dos maiores nomes da história do heavy metal. O Zakk Sabbath também serviu para evidenciar uma característica importante de Wylde: sua capacidade de equilibrar respeito às composições originais com uma personalidade instrumental bastante marcante. Seus solos extensos, o vibrato característico e a maneira agressiva de atacar as cordas acrescentaram uma assinatura própria aos clássicos. Mesmo com décadas de familiaridade com essas músicas, o guitarrista conseguiu manter a apresentação interessante e intensa. >> ENTREVISTA COM BLACK LABEL SOCIETY Black Label Society reúne peso, emoção e homenagens Depois de revisitar o Black Sabbath, chegou a vez do Black Label Society assumir o palco principal. A abertura foi especialmente forte, com a dobradinha “Funeral Bell” e “Name in Blood”. A segunda, particularmente, esteve entre os melhores momentos do show. É uma das minhas favoritas do repertório da banda e funcionou muito bem ao vivo, com riffs marcantes e aquela combinação de peso e groove que se tornou uma das principais características do grupo. Assim como no Rio de Janeiro na noite anterior, a apresentação mostrou um Black Label Society bastante entrosado, com Zakk alternando vocais, riffs pesados e solos prolongados. Mesmo depois de já ter realizado um show com o Zakk Sabbath, o guitarrista manteve a intensidade e demonstrou disposição para comandar mais uma apresentação exigente. Sua presença de palco continua sendo um espetáculo à parte, especialmente nos momentos em que assume longos solos e estabelece uma conexão direta com o público. Um dos momentos mais emocionantes aconteceu durante “In This River”, música que se tornou uma homenagem permanente a Dimebag Darrell, guitarrista do Pantera assassinado em dezembro de 2004. Zakk assumiu o teclado para interpretar a composição, criando um contraste com a sequência de músicas pesadas. Durante a execução, o pedestal apresentou problemas, exigindo a intervenção de um roadie. O imprevisto, porém, não interrompeu a apresentação, e o músico seguiu tocando com a ajuda do profissional. Existe uma curiosidade importante sobre “In This River”: apesar de ter se tornado uma homenagem a Dimebag, a música foi escrita antes de seu assassinato. A composição acabou sendo lançada e dedicada ao amigo após sua morte, ganhando um significado que ultrapassou sua proposta original. Desde então, tornou-se um dos momentos mais simbólicos dos shows do Black Label Society. A reta final reservou outra sequência de destaque. “Suicide Messiah” abriu caminho para “Ozzy’s Song”, composição de Zakk dedicada a Ozzy Osbourne. Dessa vez, foi a vez de Dario Lorina ocupar o teclado. A interpretação reforçou o caráter pessoal das homenagens, mostrando que a relação entre os dois músicos sempre ultrapassou a parceria profissional. Wylde integrou a banda de Ozzy por décadas e participou de momentos fundamentais de sua carreira solo, construindo uma ligação que permanece evidente em suas apresentações. Outra homenagem aconteceu com “No More Tears”, um dos maiores sucessos da carreira de Ozzy. O mais interessante foi perceber que a execução ficou muito mais próxima da gravação original do álbum homônimo de 1991 do que da versão registrada pelo próprio Black Label Society. A escolha valorizou a identidade da composição e funcionou como um tributo direto ao repertório que ajudou a transformar Zakk Wylde em um dos guitarristas mais reconhecidos de sua geração. O encerramento veio com “Stillborn”, um dos maiores clássicos do Black Label Society. Depois de “Suicide Messiah” e “Ozzy’s Song”, a faixa completou uma trinca final que sintetizou bem a apresentação: riffs pesados, melodias marcantes e uma plateia completamente envolvida.