Crítica | A Fera

Engenharia do Cinema Este filme realmente faz parte de uma estratégia curiosa da Universal Pictures, pois ele está saindo primeiro na América Latina e depois nos EUA. “A Fera” certamente não vinha sendo tratado como um grande projeto no estúdio, pois além da premissa ser bastante conhecida nos cinemas, não temos este tipo de produção nas telonas há um bom tempo (o último foi “Predadores Assassinos“, em 2019). Filmes de um protagonista lutando contra um animal assassino, ultimamente estão sendo direcionados ao streaming, pois além de serem filmes pequenos, as bilheterias não estão favorecendo mais este gênero há tempos. A história mostra Nate (Idris Elba) que resolve levar suas filhas Meredith (Iyana Halley) e Nora (Leah Jeffries) para uma viagem até a África. Mas durante uma trilha, eles acabam tendo seu caminho cruzado com um leão assassino e, sedento para atacar quaisquer pessoas que estão em seu habitat natural. Imagem: Universal Pictures (Divulgação) O roteiro de Ryan Engle e Jaime Primak Sullivan não nos poupa de colocar várias situações clichês e já conhecidas do gênero (Pai tendo conflito com as filhas, personagens que só aparecem para serem descartados, protagonista de ferro e por aí vai). Mas se tratando de um filme desse estilo, isso já era esperado, porém o problema está exatamente aí. Isso porque o diretor Baltasar Kormákur (“Evereste“) é um profissional que sabe conduzir apenas tomadas de ambiente, mas não às dramáticas. Enquanto temos um visual impecável nas cenas que mostram o visual da África, com vários de seus animais (como Girafas, Leões e etc), temos uma fotografia e cenas realmente bem filmadas neste aspecto. Mas quando ele procura exercer uma atmosfera dramática, acaba perdendo um pouco o tato, uma vez que tanto o roteiro, quanto Halley e Jeffries não são boas atrizes (e se tornam duas presenças irritantes na trama). O mesmo não se pode dizer de Elba e Sharlto Copley, que além de transparecer serem amigos de anos, nos transpõem todo o medo e tensão que eles estão passando à todo momento. Só que quando estes entram em verdadeiro “campo de batalha” com o Leão (que inclusive o CGI em torno dele e de vários outros animais, estão ótimos), faltou uma violência mais gráfica, pois realmente tudo parecia bastante genérico e havia um certo “medo” de mostrar ao público. “A Fera” acaba sendo não só um dos mais esquecíveis filmes de Idris Elba, como também um mero entretenimento pipoca que poderia ter sido jogado diretamente para streaming.
Crítica | Luck

Engenharia do Cinema Após a saída de John Lasseter da Disney/Pixar em 2018, o mesmo acabou indo parar no comando da divisão de animação da Skydance Animation, que na época estava nascendo. Como seu primeiro longa metragem neste, “Luck” foi lançado pela Apple TV+ e desde os primeiros momentos do longa vemos que o veterano levou consigo o “padrão Disney de qualidade” (já que a casa do Mickey não tem produzido nada relevante no estilo, nos últimos anos). A história gira em torno de Sam Greenfield, uma jovem que acaba de alcançar a maior idade e por isso teve de sair do seu orfanato onde estava, tendo de começar uma nova vida sozinha. Após diversos desastres em seus primeiros dias, ela acaba descobrindo uma moeda dourada que lhe fornece bastante sorte e ao perdê-la, acaba descobrindo que ela era um amuleto do gato Bob. Este então a leva para um mundo paralelo, onde gatos e outros animais controlam a sorte e azar da humanidade. É inevitável que o roteiro de Kiel Murray (que roteirizou animações da Disney como “Raya e o Último Dragão” e “Carros”) acabe lembrando demais as animações “Divertida Mente” e “Soul“, embora estarmos falando de estilos totalmente diferentes. E é nítido que a pegada consegue ser a mesma das clássicas produções da Disney, uma vez que Lesseter sabe qual fórmula o público gostaria de ver em cena. Imagem: Apple TV+/Skydance Animation (Divulgação) Um fator considerável é a enorme química e desenvolvimento de Sam e Bob, que conseguem cativar a atenção do espectador em poucos minutos em cena. Só que isso é prejudicado pelo fator que não sentimos uma ameaça para a dupla, já que o próprio roteiro busca soluções fáceis e até mesmo chulas para situações para desenvolverem potenciais vilões (chega a ser engraçado uma delas ter sido resumida a uma conversa com menos de um minuto). Embora a direção de Peggy Holmes (que comandou vários spin-offs da “Sininho” para a Disney) saiba ser operante, não existem detalhes importantes no design da produção e dos personagens (como a Disney anda apresentando), mas são operantes dentro do contexto. “Luck” acaba se tornando um ponta pé inicial positivo, em relação a divisão de animação da Skydance Animation e da Apple TV+. Por mais animações nesta pegada.
Crítica | Treze Vidas: O Resgate

Engenharia do Cinema Este é um dos meros casos que veremos muito na Amazon Prime Video nos próximos meses, onde após a compra da MGM, os vários filmes que haviam sido feitos pelo estúdio anteriormente passaram a não serem lançados no cinema e sim direto na plataforma de streaming citada. “Treze Vidas: O Resgate” é o primeiro dessa leva (inclusive o segundo será o novo filme de Sylvester Stallone, “O Samaritano“), e mesmo se tratando de um projeto do renomado diretor Ron Howard e estrelado por Viggo Mortensen, Colin Farrell e Joel Edgerton, não teve uma divulgação ampla e muito menos foi cogitado a ir para os cinemas. A história é inspirada em fatos reais e se passa em junho de 2018, mostrando como o mundo parou e se uniu para conseguirem resgatar um time de futebol, que ficou preso em uma caverna na Tailândia, após uma forte chuva inundar o local. Mas o caso é visto na perspectiva da dupla de mergulhadores especializados em resgates, os britânicos Rick Stanton (Mortensen) e John Volanthen (Farrell), que foram responsáveis por liderar a operação. Imagem: MGM (Divulgação) O roteiro de William Nicholson procura retratar toda a operação como se fosse um verdadeiro “documentário”, pelos quais ele se preocupa em relatar as dificuldades e como funcionou todo o percurso dos mergulhadores até os meninos. Como se trata de um caso recente (afinal, aconteceu durante a Copa do Mundo, e a operação foi televisionada junto das partidas) e todos estamos com o caso fresco na cabeça, o roteirista procurou focar em criar tensas em baixo da água. Para isso, o cineasta Ron Howard sabe realmente como criar um suspense e prender atenção do espectador, pois em diversas cenas onde não apenas a dupla citada enfrenta dificuldades no percurso (já que cada viagem durava cerca de sete horas), vários outros mergulhadores enfrentam desafios e eles são apresentados com sensações extremas de claustrofobia e se colocamos na tensão que eles estavam enfrentando. Outro quesito é que Howard mantém um respeito enorme com relação à nacionalidade tailandesa, uma vez que 60% da produção é falada na língua (algo bastante raro, e que inclusive afasta muito do público nos EUA, que assumidamente não assiste nada que for legendado). E isso funciona por conta do fator imersão, e sentimos o quão ele quer que tudo seja da forma mais verídica o possível. “Treze Vidas: O Resgate” é mais um daqueles filmes onde paramos para pensar o quão a humanidade ainda tem esperança, e que prende a atenção do público por conta do fator aventura criado pelo veterano Ron Howard.
Crítica | Bom dia, Verônica (2ª Temporada)

Engenharia do Cinema Sendo uma das mais sucedidas produções nacionais da Netflix, “Bom Dia, Verônica” foi uma das grandes sensações de 2020 e mesmo sendo inspirado em um único livro, foi concebida como uma minissérie e inesperadamente ganhou uma segunda temporada, se tornando assim uma série (inclusive, a terceira temporada provavelmente já está à caminho também). Essa segunda temporada se passa um tempo depois da primeira, com Verônica (Tainá Müller) vivendo uma vida escondida e tentando investigar uma nova grande ameaça, que demonstra ter uma ligação forte com o policial Cláudio (Eduardo Moscovis), pelo qual ela conseguiu deter no ano antecessor. Agora seus caminhos acabam sendo cruzados com Mathias (Reynaldo Gianecchini), que é líder de uma seita religiosa e que secretamente abusa de diversas mulheres com a condição de que irá curá-las. Imagem: Netflix (Divulgação) Agora com seis episódios, com em torno de 45 minutos cada, a única sensação que temos é o fato de tudo ter sido feito às pressas, devido a forma de como algumas cenas são jogadas e apresentadas. Existem diversos momentos fortes e pesados nesta trama, pelas quais necessitavam de uma atmosfera ser criada, antes de ser jogada pelo espectador. Tudo é meramente jogado e não conseguimos criar uma antipatia como no primeiro ano. Embora a história seja muito boa e remete bastante ao caso de João de Deus, com uma excelente interpretação de Gianecchini (cuja presença chega realmente a ser intimidadora), seus contratempos não são bons. Enquanto Klara Castanho extrapola com suas caras e bocas para representar uma atuação dramática (mostrando que realmente ela não é boa atriz para este tipo de projeto), e para este tipo de papel necessitava de uma atriz com mais peso e semblante dramático. Indo um pouco mais a fundo, a direção é totalmente amadora com relação as cenas de ação, vide às cenas de luta envolvendo Müller. Há não só um número infinito de cortes, como também a câmera balança ao máximo e tudo tenta esconder o fato que a mesma está coreografando posições com outros atores (chega a ser vergonhoso ver isso, pois acaba soando tudo como amador ao máximo). A segunda temporada de “Bom Dia, Verônica” mostra que às vezes para se conseguir fazer uma ótima temporada, precisa de cuidados e tempo para criar atmosferas. Coisa que realmente não aconteceu aqui.
Crítica | Predador: A Caçada

Engenharia do Cinema Desde que foi anunciado pela 20th Century Studios, “Predador: A Caçada” causou muita desconfiança por todos, uma vez que a Disney conseguiu a proeza de estragar todas as obras que eram da Fox até então. Porém, mesmo tendo como diretor o experiente Dan Trachtenberg (“Rua Cloverfield, 10”) sabíamos que o projeto teria uma chance grande de ser bom. E felizmente ele acertou em sua narrativa, e conseguiu tirar o gosto amargo que a versão “satírica” de 2018, havia deixado. A história se passa em 1719, quando a índia Naru (Amber Midthunder) e sua tribo tem seus caminhos cruzados com o misterioso ser alienígena Predador, e tudo começa a se tornar um verdadeiro jogo de gato e rato. Imagem: 20th Century Studios (Divulgação) Trachtenberg está ciente que o local onde se passa a narrativa pode haver diversas cenas explorando o ambiente e situações que fazem jus ao termo “Predador”. De forma progressiva, este é apresentado sempre de maneira sutil, com animais pequenos sendo atacados por maiores, e estes sendo finalizados pelo próprio Predador (inclusive o CGI é muito bem conduzido nestas horas). Outro quesito que chamou atenção é a fotografia de Jeff Cutter (que já trabalhou com o diretor em “Rua Cloverfield, 10“), que se assemelham a verdadeiras pinturas de tão belas, e que seriam melhor aproveitadas se a produção tivesse sido lançada nos cinemas (mostrando mais uma vez que a Disney não sabe trabalhar seus produtos). Mas como estamos tratando de uma produção do gênero de terror, obviamente que as mortes e as formas de como ela seriam feitas, deveriam ser criativas e impactar o espectador. Só que mesmo se tratando de um produto direto para o streaming, vemos que o estúdio tinha medo de mostrar certas mortes e elas sempre são “cortadas” ou “vistas de outros ângulos”, para não chocar o espectador. Sem dúvidas, o original acaba vencendo neste quesito também. Agora com relação ao roteiro de Patrick Aison, confesso que ele possui diversos problemas a começar pela questão de colocar a protagonista como uma pessoa implacável e todos os outros personagens ao seu redor sejam vilões ou burros (inclusive, as falas sempre fazem questão de enaltecer a mesma ou jogar frases de efeito que tratam debates inexistentes naquela época). Inclusive a própria Naru consegue ter carinho e atenção do espectador em poucos minutos de projeção, não pelo seu carisma, e sim pela presença de seu cachorro (cujas cenas de interação entre eles são ótimas). “Predador: A Caçada” pode-se dizer como uma luz no fim do túnel, em meio ao caos de diversas produções horripilantes que a Disney fez com os produtos da Fox.
Crítica | Candy

Engenharia do Cinema Não é de hoje que a atriz Jessica Biel tem buscado um novo rumo em sua carreira. Após ter estrelado vários Blockbusters de ação e filmes de comédia romântica genéricos, ela deixou este perfil de lado e tem focado apenas em estrelar e produzir séries de suspense policial. Depois de ter conseguido enorme sucesso em “The Sinner” (que depois de sua temporada, a então minissérie ganhou mais outros três anos estrelados por Bill Pullman), agora ela assume em “Candy” mais uma história inspirada em fatos reais. A história gira em torno de Candy Montgomery (Biel), uma dona de casa que é acusada de assassinar sua vizinha Betty Gore (Melanie Lynskey) com várias machadadas. Durante os cinco capítulos, vemos os verdadeiros motivos que levaram a mesma a cometer tamanha insanidade. Imagem: Star+ (Divulgação) Começo enfatizando que mesmo com uma premissa que já vimos em vários outros seriados ou programas televisivos, onde o único diferencial se da no desfecho da atração. Mas o escopo e andamento da história em momento algum conseguem convencer o espectador do que estar por vir, mas graças ao carisma de Biel compramos a série. Sua degradação e olhares realmente são de uma psicopata desde os primeiros minutos que a vemos em cena. Porém, quando estamos fazendo um parâmetro com Lynskey, não conseguimos ter afeição com a mesma (mesmo com ela sofrendo de depressão e vários problemas psicológicos, não é uma personagem que nos faça até mesmo nos emocionarmos quando ela é morta), muito menos por seu marido Allan (Pablo Schreiber), que é um dos chave da trama e acaba sendo retratado como um verdadeiro banana sem expressão pelo próprio roteiro (até mesmo quando não deveria). “Candy” realmente poderia ter sido concebido como um filme, ao invés de uma minissérie mediana com um andamento cansativo e sempre previsível.
Crítica | DC – Liga dos Superpets
Engenharia do Cinema Sem dúvidas “DC – Liga dos Superpets” é um típico caso de animação que deve ter sofrido aos montes em seus bastidores, durante a concepção. A começar que nitidamente ela poderia ter sido lançada diretamente no HBO Max, pois não necessita uma ida aos cinemas para poder conferir a mesma. E segundo, os roteiristas Jared Stern (que também assina a direção com Sam J. Levine) e John Whittington parece que estavam focados em fazer uma animação com menos de 40 minutos e, os outros 60 foram meramente feitos por outras pessoas para dar a metragem de um filme. A história tem inicio com a relação do supercão Krypto e Superman sendo “abalada” após este começar a levar seu namoro com Lois Lane mais a sério, o que faz com o primeiro desacreditar se ainda será o eterno parceiro do homem de aço. Mas após este “sair de cena”, ele acaba se juntando com outros animais que adquiriram super-poderes para “salvarem o dia”. Imagem: Warner Bros Pictures (Divulgação) O principal problema desta animação, é que embora ela consiga captar algumas referencias já conhecidas das HQs de heróis como Superman, Batman, Flash, Mulher-Maravilha e Aquaman, ela não consegue criar uma atmosfera que nos faça se interessar pelo contexto da história como um todo. Só sentimos a “obrigação” de estar ali vendo por ser um mero produto da DC, nada mais além que será explorado futuramente (e ainda entra o argumento de reformulação, que está ocorrendo atualmente no estúdio). Apesar das crianças facilmente serem conquistadas pelo carisma dos animais protagonistas, os adultos certamente irão lutar contra o sono, uma vez que o roteiro apenas recicla piadas e situações já mostradas em outras animações com a mesma pegada (vide “Os Sem Floresta” e “Batman: Lego“, este que inclusive também é escrito por Jared Stern). “DC – Liga dos Superpets” consegue ser mais um mero exemplo de que a DC realmente precisava de uma reestruturação, pois em momento algum conseguimos sentir divertimento ou até mesmo importância para esta animação.
Crítica | Trem-Bala

Engenharia do Cinema Não hesito em dizer que estamos falando de mais um excelente entretenimento de ação que o cinema nos promoveu neste ano junto de “Top Gun: Maverick” e “Ambulância“. “Trem-Bala” não chama a atenção por ter vários nomes conhecidos encabeçados por Brad Pitt, mas também por se tratar de ter como diretor David Leitch (que depois de “John Wick”, tem conquistado Hollywood por saber trabalhar bem em filmes do gênero). Inspirado no livro de Kôtarô Isaka, a história mostra o habilidoso assassino profissional Joaninha (Pitt) que é contratado por Maria (Sandra Bullock) para pegar uma mala misteriosa em um trem, descer na primeira estação que aparece e lhe entregar. Seria algo fácil, se no mesmo local não tivesse com vários outros assassinos que estariam dispostos a completar suas respectivas missões. Imagem: Sony Pictures (Divulgação) Claramente o roteiro de Zak Olkewicz sabe que ele tem um cenário pouco explorado no cinema, e que várias possibilidades poderiam ser criadas. Então junto de Leitch o mesmo acaba criando uma verdadeira atmosfera que se assemelha demais ao icônico cinema Yakuza (gênero bastante popular no japão, pelos quais mostram intensas e violentas batalhas entre máfias locais) e ao estilo investigativo de Agatha Christie (mais precisamente “O Assassinato No Expresso Oriente“), porém com pitadas satíricas de humor negro e muita violência gráfica (mas tudo dentro do contexto, nada é jogado de forma exagerada). Isso sem citar que ele está ciente que há em mãos vários perfis que ele poderia dominar e abordar, e é quando temos momentos icônicos com personagens como os irmãos assassinos Tangerina (Aaron Taylor-Johnson) e Limão (Brian Tyree Henry), a misteriosa Príncipe (Joey King, que não só rouba a cena, como também está excelente no papel de uma jovem psicopata), e o vingativo mexicano Lobo (Bad Bunny). Junto a eles existem algumas pontas breves de nomes como Zazie Beetz, Logan Lerman, Karen Fukuhara e outras pelas quais deixarei como “surpresas” para você (já que entrarei em território de spoilers). E claro, Pitt está bastante à vontade no papel e está ciente da farra satírica desenvolvida ali. Mas já aviso de antemão que estamos falando de um mero entretenimento escapista, por tanto, deixa a lógica e mentalidade na entrada da sala de exibição (já que existem muitas maluquices sendo executadas, dentro da possibilidade do universo estabelecido). Tanto que os amantes da cultura japonesa, sentirão que Leitch não só teve um enorme respeito com a nacionalidade, como 30% do longa é falado na língua (algo raro de se ver em produções deste nicho). “Trem-Bala” acaba sendo um retrato satírico do cinema Yakuza e Agatha Christie, pelos quais lhe fazem ser mais um excelente e divertido filme de ação.
Crítica | Jennifer Lopez: Halftime

Engenharia do Cinema Realmente é difícil conseguir engolir este documentário em prol dos 50 anos da atriz e cantora Jennifer Lopez, realizado pela Netflix. Rotulado como “Jennifer Lopez: Halftime” a produção tem apenas um intuito: mostrar que com 50 anos, ela faz jus de ser uma das maiores personalidades da cultura pop. Só que a dupla de diretores Amanda Micheli e Sam Wrench, parece ter pego várias esquetes daquela e juntado tudo em uma montagem grotesca e amadora, cujo único intuito é levantar bandeiras ativistas e deixar totalmente a própria Lopez como coadjuvante (como ocorreu no documentário recente sobre o “Pelé”). Ao contrário do que muitos pensam, essa produção procura apenas focar na fase onde a cantora intercalava seus ensaios para sua marcante apresentação no Super Bowl de 2020, junto da cantora Shakira e sua campanha para conseguir a indicação ao Oscar 2020, por sua excelente atuação em “As Golpistas“. Imagem: Netflix (Divulgação) Com relatos da própria cantora e de pessoas ligadas a ela, vemos o quão ela estava interessada em seu pico de trabalho naquela época e realmente não parava, uma vez que ela sempre lutou para chegar neste momento em sua carreira, que era a indicação ao Oscar e se apresentar no intervalo de um dos maiores espetáculos mundiais (que é o Super Bowl). Só que apesar de estarmos falando de uma produção com cerca de 100 minutos, o assunto é dominado por cerca de 40 minutos e o restante apenas vemos o lado ativista da cantora e o quão ela estava disposta a fazer uma campanha política anti-Trump e o quão a imprensa era tenebrosa com ela em algumas fases na carreira. Estes momentos são jogados como um foco maior, e passagens como o relacionamento conturbado com sua mãe e família, são deixados de lado (e citados por menos de dois minutos, enquanto a apresentação dela na posse de Joe Biden, é mostrado por completo). “Jennifer Lopez: Halftime” joga no lixo uma oportunidade de mostrar mais a fundo a história da cantora, e o quão realmente ela é importante para a cultura pop, em prol de mostrar uma militância desnecessária.