Crítica | Anatomia de Um Escândalo

Engenharia do Cinema Séries cujo plano de fundo envolvem escândalos sexuais políticos, já se tornaram bastante rotineiras, independentemente da nacionalidade. Anatomia de um Escândalo realmente se encaixa neste parâmetro e mesmo sendo inspirado no famoso best-seller de Sarah Vaughan, não é sinal que estamos falando de algo inovador ou até mesmo bom. É nesta hora que a diretora S.J. Clarkson (Os Defensores) e os roteiristas Melissa James Gibson e David E. Kelley, entram para fazerem seu diferencial. A minissérie gira em torno do influente político britânico James Whitehouse (Rupert Friend), que é acusado de abuso sexual por uma ex-funcionária (Naomi Scott). Neste arco dividido em seis episódios, acompanhamos o julgamento na perspectiva da esposa de James, Sophie (Sienna Miller) e da advogada de acusação Kate Woodcroft (Michelle Dockery). Imagem: Netflix (Divulgação) Por mais que popular possa parecer esta premissa, confesso que a série só começa a engrenar mesmo após seu episódio piloto, por um simples motivo: não há nada de diferente e que consiga captar nossa atenção. E a situação ainda piora, pois durante boa parte dos episódios, além de acompanharmos as duas narrativas distintas, há vários flashbacks com o passado do casal (que acabam até mesmo se tornando cansativos, pois não havia a necessidade disso ser mostrado constantemente).    Mas o acerto começa a se dar pela dramaturgia ter se resumido em momentos chaves, apenas nos olhares de Miller e Dockery (ao invés de recursos pobres como flashbacks de cenas que já vimos). Certamente a dupla vai ser lembrada no Emmy e em outras premiações, por conta deste quesito. Porém, a série acaba perdendo um pouco do gás, ao relatar o arco envolvendo o tema principal. Não há mais acidez, muito menos momentos para refletirmos. Ao invés disso, vemos Evert brincando com os atores que fazem seus filhos (um recurso pobre, feito apenas para demonstrar que o personagem é sereno, fora da ação central). Apesar de habituais erros e ter uma boa narrativa, a minissérie Anatomia de um Escândalo certamente vai fazer apenas um sucesso momentâneo nos próximos dias e depois cairá no esquecimento dos usuários da Netflix.   

Crítica | Alemão 2

Engenharia do Cinema Lançado em 2014, o longa nacional Alemão havia chamado atenção por conta de sua trama que batia com a situação atual das favelas do Rio, que aos poucos estavam sendo pacificadas pela polícia. Com um elenco de ouro composto por Caio Blat, Milhem Cortaz, Otávio Müller, Cauã Reymond e Antônio Fagundes, a produção chegou a receber uma bilheteria plausível, mas não um grande sucesso (já que se assemelhava demais com os então recentes Tropa de Elite). Em Alemão 2, claramente temos um projeto que não havia necessidade de ser feito, e o único propósito desta é apenas mostrar um “mais do mesmo” (que já cansamos de ver em outros filmes, séries e telejornais).     A história se passa em meados de 2018, na época onde as eleições para Presidência estavam ocorrendo e a Polícia Militar consegue montar uma ação para capturar o famoso bandido Soldado (Digão Ribeiro). Escalados para a missão estão os PMs Machado (Vladimir Brichita), Ciro (Gabriel Leone) e a novata Freitas (Leandra Leal). Porém, eles não imaginavam que ao mesmo tempo iria ocorrer uma grande guerra entre facções e eles ficariam entre o fogo cruzado.    Imagem: RT Features (Divulgação) Realmente, durante boa parte da projeção só me veio à mente sucessos do cinema dos EUA como 16 Quadras, O Fugitivo e até mesmo A Testemunha. Mas é algo bastante normal e rotineiro, o cinema nacional beber bastante desta fonte. Porém, o roteiro de Thiago Brito e Marton Olympio bebe muito do clichê das milícias e até mesmo sempre joga para o espectador (pelo menos em boa parte das cenas) que “a polícia está errada em suas atitudes”, enquanto o diretor José Eduardo Belmonte (que também comandou o primeiro) conseguiu criar uma atmosfera muito boa de ação e suspense.       Mesmo não conseguindo estabelecer uma ligação de importância com nenhum dos personagens, o jogo de câmera e as tensões criadas em cenas chave, acabam prendendo a nossa atenção. Mas, quando ficamos dependendo do roteiro, esses sentimentos acabam virando um vazio pleno, carregado apenas de militâncias ideológicas (que só farão sentido para quem já é adepto a linha de pensamento já citada). Uma pena, pois potencial este projeto tinha.        Alemão 2 acaba se tornando mais um filme nacional esquecível, que por conta de mensagens pobres, acaba sendo um mais do mesmo.

Crítica | Um Jantar Entre Espiões

Engenharia do Cinema Ta aí um filme que dificilmente conseguirá cair nas graças do espectador, pois ele claramente foi feito com o único propósito de dizer que o ator Chris Pine (o Capitão Kirk, da franquia cinematográfica de Star Trek e que assina a produção aqui) é um bom ator dramático. Mesmo com um bom marketing da Amazon, alegando que se tratava de um “grande filme de espionagem”, durante a projeção de Um Jantar Entre Espiões a única coisa que vinha a mente era “este é mais um longa de romance, ao invés de investigação”. Inspirado no livro de Olen Steinhauer (que também assina o roteiro), a trama mostra o agente Henry Pelham (Pine) que acaba sendo sucumbido de se reencontrar com sua ex-namorada e também agente Celia Harrison (Thandiwe Newton), com o intuito de conseguir informações sobre uma fracassada missão de ambos. Só que à medida que o papo avança, coisas piores vão sendo colocadas na mesa.    Imagem: Amazon Studios (Divulgação) O principal demérito de roteirista de um filme, ser o autor da obra literária original, é que ele está familiarizado tanto com aquele arco, que acaba deixando de lado o fator “o público precisa comprar este universo e estes personagens”. Neste fator, Steinhauer peca e feio. Com uma narrativa que mescla presente e passado, constantemente, não acabamos conseguindo entrar no jogo que o diretor Janus Metz cria. Realmente não ficamos empolgados com absolutamente nada, muito menos com as atuações de Pine e Newton (mesmo com a ótima química de ambos e eles estando bem em cena). Embora a fotografia de Charlotte Bruus Christensen aproveite bem para trabalhar pastilhas acinzentadas, para as cenas de romance no passado e alaranjadas no presente, é triste ver que o que é retratado em cena, não faz jus a este tipo de trabalho. Isso sem citar quando Metz tenta criar uma atmosfera de suspense, mesmo com nós já cientes com o que está por vir na cena. Lamentável. Um Jantar Entre Espiões acaba sendo mais um filme feito apenas para arrecadar prêmios e fazer com que Chris Pine ganhe seu biscoito.

Crítica | Sonic 2

Engenharia do Cinema Sendo um dos maiores sucessos no meio do cenário de pandemia, a franquia cinematográfica de Sonic realmente está surpreendendo demais a Paramount Pictures e fãs do personagem. Em “Sonic 2: O Filme“, parece que os roteiristas Pat Casey, Josh Miller e John Whittington ouviram as críticas dos fãs no antecessor e fizeram novamente um filme com base no que o público queria ver (vide a decisão de mudarem o visual do Sonic, no primeiro). Sim, estamos falando de uma continuação muito melhor que seu antecessor. Na trama, após Tom (James Marsden) e Maddie (Tika Sumpter) irem ao casamento da irmã desta, Sonic acaba ficando sozinho em Green Hills e agora vivendo uma vida de rei na casa do casal. Porém, seu descanso é interrompido quando o Dr. Ivo Robotnik (Jim Carrey) retorna ao nosso mundo, acompanhado do raivoso Knuckles. Para enfrentá-los, Sonic acaba se aliando ao seu novo amigo, Tails.    Imagem: Paramount Pictures (Divulgação) Realmente, estamos falando mais uma vez de um filme onde o veterano Jim Carrey rouba a cena em vários aspectos. Seja por conta de seu perfil caricato como o excêntrico vilão (que já entrou na lista de seus melhores personagens) ou suas diversas cenas com Knuckles (que chegam a ser hilárias, em algumas partes). Por mais que Carrey e os próprios Sonic, Tails e Knuckles consigam segurar boa parte do filme sozinhos, o roteiro ainda tenta recapitular alguns personagens que haviam tido boas piadas no antecessor. Sem necessidade de terem aparecido novamente, temos cenas envolvendo o desligado policial Wade (Adam Pally), a irmã pentelha de Maddie, Ranchel (Natasha Rothwell). As vezes estamos no meio de uma cena de ação, mas a montagem repentinamente coloca arcos destes e o único pensamento é “volte para o Sonic e Robotnik, por favor!” Com relação às cenas de ação e efeitos visuais, o longa novamente consegue ter tomadas e desenvolvimentos muito bons (inclusive, o aspecto cartunesco na retratação do trio central é espetacular e eles realmente parecem existir). Contudo, mesmo tendo conferido a versão dublada (já que a legendada saiu em praças limitadíssimas, no Brasil todo) digo que o trabalho estava muito bem realizado e não fez perder a graça original que o filme teria.     “Sonic 2: O Filme” consegue ser mais divertido que o primeiro, e consegue corrigir alguns erros do seu antecessor.  

Crítica | Morbius

Engenharia do Cinema Um pouco antes de Morbius ser lançado originalmente no início de 2020, o ator Jared Leto se encontrava em um retiro espiritual, isolado de tudo e todos (tanto que ele não soube da pandemia, durante boa parte do mesmo). Dois anos depois, finalmente entendemos porque ele queria se isolar: realmente, depois dele ter finalizado sua participação nesta bomba, certamente ele queria ficar sem contato nenhum com a sociedade. Sim, estou falando do pior filme lançado neste ano (difícil conseguir imaginar se teremos algo pior) e ainda com o selo da Marvel (apesar de não ter o envolvimento de Kevin Feige) com a Sony Pictures.    Na trama, Leto interpreta o renomado cientista Dr. Michael Morbius, que durante anos tentou procurar uma cura para sua doença que causava diversos problemas sanguíneos e ósseos. Após ele finalmente ter acertado no desenvolvimento do soro, ele decide aplicar em si mesmo. Só que devido a uma mistura no DNA de morcegos com humanos, ele acaba assumindo uma mutação que o faz ser um vampiro. Imagem: Sony Pictures (Divulgação) Realmente não sei por onde começar, sobre qual seria o pior ponto nesta produção. Seja a trilha sonora óbvia de Jon Ekstrand, a edição porca de Pietro Scalia e principalmente o roteiro de Matt Sazama e Burk Sharpless. Com diálogos clichês, desinteressantes e personagens totalmente burros e com decisões totalmente estúpidas (afinal, substituir um fusível em uma máquina medicinal é algo digno para o protagonista ganhar uma bolsa de estudos em uma renomada faculdade, sim isso realmente acontece no filme), a cada frame a vergonha parece ser aumentada ainda mais. Para piorar a situação, ainda o vilão Milo (Matt Smith) consegue ser tão ruim, mas tão ruim, que chamar ele disso soa como elogio. Mas, ainda temos uma dupla de investigadores (vividos por Tyrese Gibson e Al Madrigal) que demoram quase 70 minutos do longa para descobrirem o óbvio. Isso porque não citei que o interesse amoroso de Morbius, Martine Bancroft (Adria Arjona, que parece mais um clone da Jessica Alba) só aparece para fazer caretas e gritar por socorro (sim, eles ainda estão na década de 50). Realmente outro fator que nos faz não ter interesse por estes personagens, é o péssimo trabalho de montagem do filme, que parece ter sofrido vários problemas na pós-produção e os executivos da Sony queriam não só tirar várias cenas de violência para ter uma censura 12 anos, mas também encurtar o longa para ter mais sessões (e logo, isso trará mais lucro). Só que em uma era onde temos “Batman” e “Vingadores Ultimato” com três horas e “Coringa” com um orçamento pequeno, censura 18 anos, fazendo bilhões, realmente isso não faz mais sentido. Isso porque não falei dos efeitos visuais, que se resumem a deixar Milo e Morbius com uma cara de zumbis, e em cenas de ação tudo ser resumido a slow-motion e ventos. Parece que os envolvidos deste longa não viram a evolução nos filmes da Marvel, e sequer se deram o trabalho de analisar que ultimamente este tipo de projeto não pode tratar mais o espectador como mero jumento. “Morbius” acaba sendo uma das maiores vergonhas da história do cinema, e serve apenas para você passar raiva durante quase duas horas de exibição.

Crítica | Terror no Estúdio 666

Engenharia do Cinema Este é aquele típico longa cujo propósito foi apenas reunir os amigos, gravar várias cenas distintas e tirar boas lembranças. Porque não existe outra justificativa melhor para o vocalista do Foo Fighters, Dave Grohl idealizar este “Terror no Estúdio 666“. Tendo como base clássicos slashers como “Horror em Amityville” e “O Iluminado“, este filme certamente pode ser considerado uma homenagem bastante pobre aos citados.     Na trama os integrantes do Foo Fighters interpretam versões satíricas de si mesmos, e após uma pressão do empresário da banda (Jeff Garlin), o vocalista Dave Grohl acaba fazendo com que ele e os outros membros da banda se mudarem, temporariamente, para uma mansão isolada, com o intuito de fazerem seu novo álbum. Porém, acontecimentos no local fazem com que a situação acabe envolvendo várias possessões demoníacas.    Imagem: Sony Pictures (Divulgação) O roteiro de Jeff Buhler e Rebecca Hughes parte da seguinte premissa: você já conhece os Foo Fighters e sabe como são as personalidades deles. Agora se divirta em ver em várias situações esdrúxulas do cinema de horror. Em um filme de slasher, um dos principais tópicos é que não nos importamos com os personagens e os vemos apenas como pedaços de carne, esperando para serem cortados das mais malucas formas. Mas aqui, estamos falando de uma banda, onde existe uma legião de fãs. Só que em momento algum nós conseguimos realmente demonstrar interesse por ninguém, que não fosse o próprio Grohl.     Apesar dele estar até mesmo engraçado na brincadeira, e ter conseguido encarnar bem sua versão satírica, o restante da banda parece estar lá apenas por questões contratuais (mas vale ressaltar que ele teve um arco bem próximo com o finado baterista Taylor Hawkins). Por conta destes quesitos, a narrativa de BJ McDonnell acaba se tornando bastante cansativa, e 100 minutos se transformam em quase três horas (independentemente se você é fã ou não da banda, pois sequer são exploradas músicas da mesma).   Além do desperdício de não terem explorado músicas populares da banda, nomes como Will Forte, Jenna Ortega e até mesmo o veterano John Carpenter são totalmente desperdiçados em cenas banais, e de pouca exploração. Chega a ser vergonhoso, em alguns momentos. Em sua conclusão, “Terror no Estúdio 666” acaba soando mais com uma reunião de amigos, ao invés de um filme slasher, pois não existe outro motivo para os Foo Fighters terem idealizado este projeto pensado por Dave Grohl.

Crítica | Inverno

Engenharia do Cinema Pode-se dizer que “Inverno” é um dos projetos mais pessoais do cinema nacional, no período pós-lockdown. Totalmente idealizado pelo cineasta Paulo Fontenelle e o casal Thaila Ayala e Renato Góes, em meados de 2020, foi pensado como algo para ser feito da forma mais segura possível e também acessível (afinal, não era fácil gravar um filme, em meio a diversas restrições sanitárias). Mesmo com uma ótima história de bastidores, estamos falando de um projeto que infelizmente não fez jus ao processo.     Na trama, o casal Beatriz (Ayala) e Rodrigo (Góes) estão vivendo uma grande crise no relacionamento, devido as altas tensões criadas durante o período de lockdown, na pandemia. Mas a situação fica mais delicada quando uma antiga amiga da primeira (Barbara Reis), resolve passar uns dias com os mesmos. Porém eles descobrem que ela está listada na lista dos falecidos pela COVID-19, em um jornal.  Imagem: Cachoeira Filmes (Divulgação) Apesar da atmosfera de tensão ser semelhante com a de vários casais mundo afora, durante a época de lockdown, o roteiro de Fontenelle acaba apelando para o recurso de “terror psicológico” ao tentar confundir a mente do espectador com alguns ocorridos. Porém, realmente em dado momento tudo soa como um conjunto de esquetes, editadas na forma de um filme.    A começar pela enorme ausência de explicações para a relação entre os personagens, pois eles estão ali, simplesmente jogados e agindo conforme consequências que o roteiro deixa nossa própria cabeça raciocinar o que significa tudo aquilo. Mas, mesmo com boas atuações do trio protagonista, isso não torna suficiente para conseguirmos comprar a premissa do longa.     Mesmo com uma ótima história de bastidores, o longa “Inverno” acaba sendo mais uma pérola do cinema nacional que logo cairá no esquecimento.

Conversamos com elenco e equipe do longa “Inverno”

Engenharia do Cinema Na manhã desta segunda-feira, 04 de abril, ocorreu um bate-papo com o elenco do longa nacional “Inverno“, que terá lançamento exclusivo no streaming do Telecine nesta terça-feira, 05 de abril, e com uma exibição neste mesmo dia, às 22 horas, no Telecine Toutch. Filmado logo após o fim do lockdown, em setembro de 2020, a produção foi pensada como um terror psicológico, usando como um plano de fundo a pandemia. Na conversa estiveram presentes os atores Renato Goés, Thaila Alaya, o diretor Paulo Fontenelle e o produtor/diretor de fotografia Breno Cunha. “Tivemos a ideia de rodar um filme entre abril e maio de 2020, mas tivemos de adiar por conta da pandemia. Porém, durante uma conversa por telefone com o Renato[Goés], surgiu de fazermos algo na pandemia. E pensei em um filme com três pessoas. E ele citou que a Thaila [Alaya] também estava pensando em algo, então pensamos em fazer este filme “Inverno” durante a pandemia. O filme acabou seguindo os cuidados de prevenção em sets de cinema, dentro da casa da Thaila [Alaya] e do Renato [Goés]. Inclusive foi um desafio enorme, por ter criado uma atmosfera de terror nestas condições.” Declarou Paulo.    Imagem: Cachoeira Filmes (Divulgação)  Aproveitando o gancho, Renato comentou que durante a pandemia a Netflix foi o estúdio a criar todas as restrições e cuidados que deveriam ser feitos, durante as gravações, em setembro de 2020. Mas, ela acabou sendo a última a conseguir cumprir todos os requisitos, e até mesmo eles conseguiram ir mais a frente da própria gigante do streaming, neste tópico.    “Realmente foi na nossa casa, e foi uma forma de reduzir custos e seguir os protocolos de COVID com mais segurança. Na verdade, começamos por ela, pois já era o nosso lugar desde o princípio. Chegou a ser hilário, porque nós começamos as gravações exatamente no mesmo local onde fomos confinados durante cinco, seis meses. Enquanto todos estavam começando a sair de suas casas, nós começamos a trabalhar em nossas casas.” Comentou Renato, aos risos.  Conhecida por fazer constantes participações em filmes nos EUA (vide “Pica-Pau” e “Zeroville“), questionamos a atriz Thaila Alaya sobre como ela encarava este diferencial de restrições. Uma vez que ela já gravou em Hollywood e em várias produções brasileiras. “Já tinha feito dois trabalhos de pandemia, antes de gravar ‘Inverno’. ‘Moscou’ foi gravado em um cenário físico e o ‘Distrito 666‘ foi totalmente à distância. Em todos os cenários tínhamos este cuidado, de trabalhar com qualidade e com segurança. Então para mim, acabou sendo até que uma experiência ‘normal’, mas bastante agitada.” Comentou a atriz, rindo de toda a atmosfera promovida.     Questionado sobre como era fazer um longa de terror brasileiro, em um contexto de pandemia, Paulo foi bastante sucinto, pois este era seu terceiro filme no gênero (após “Escuro” e o ainda inédito “Sala Escura“, que foi gravado antes de “Inverno“). “Quando pensamos em um terror, foi muito dentro da capacidade em fazer um filme deste estilo no Brasil, e é até onde nós podemos ir. Inclusive, tivemos um enorme trabalho para fazer tudo bem calculado e que o mesmo funcione dentro das condições colocadas. Tanto que conseguimos criar uma atmosfera de “O Iluminado” com “Bebe de Rosemary”, inclusive ele bate muito com o envolvimento do público com os personagens. Aliás, muita coisa foi mérito do próprio Renato [Góes], Thaila [Alaya] e Bárbara [Reis]. Se o espectador não se assemelhar com eles, certamente não irá levar sustos.   

Crítica | Eiffel

Engenharia do Cinema Desde sempre, ao ouvirmos falar da cidade de Paris, na França, a primeira coisa que vem à mente é a icônica Torre Eiffel. Mas, muitos realmente não sabemos como ela foi realizada e as dificuldades que o Engenheiro Gustave Eiffel enfrentou para conseguir tirar este projeto do papel. Realizado pelo cinema francês, podemos dizer que a direção de Martin Bourboulon é realmente grandiosa, pois além de ter um enorme cuidado técnico ao recriar um cenário onde a Torre estava em suas primeiras estacas, ele nos brinda com os bastidores de um dos maiores marcos da humanidade.     A história é centrada quando Gustave (Romain Duris) ainda estava batalhando para tirar do papel sua Torre, pelos quais era considerado um trabalho bastante audacioso e impossível para a época. Ao mesmo tempo, ele acaba se apaixonando pela jovem Adrienne Bourgès (Emma Mackey). Imagem: Amazon Studios (Divulgação) O roteiro de Caroline Bongrand procura ter um enorme cuidado para explicar as cenas aos quais são mostrados os detalhes de como a Torre em si, seria erguida. Com um complexo estudo de Gustave, aos poucos ele foi conquistando o governo francês para ter condições financeiras de fazer este projeto funcionar. Apesar deste arco ser bastante interessante, ele perde um pouco de forças quando é intercalado com o arco romântico deste com Adrienne, pois não é nítida a química entre Mackey (realmente ela está em seu pior papel aqui) e Duris. Com relação a fotografia da época, realmente o trabalho de Matias Boucard é tão lindo que alguns frames facilmente poderiam ser considerados ótimos papéis de parede (vide as cenas envolvendo as primeiras estacadas da Torre). Certamente é um dos grandes acertos desta produção. Apesar de não ter acertado totalmente em sua narrativa, “Eiffel” é uma narrativa interessante do cinema francês sobre a construção de um dos seus maiores ícones da Engenharia e Arquitetura.