Demi Lovato confirma shows em São Paulo e Belo Horizonte; veja preços

Demi Lovato, que lançará o oitavo álbum de estúdio, Holy Fvck, no dia 19 de agosto, confirmou shows em São Paulo e Belo Horizonte, para agosto e setembro. As apresentações acontecem em São Paulo, no Espaço Unimed, em 30 de agosto, além de Belo Horizonte, em 2 de setembro, na Esplanada do Mineirão. “Estou muito feliz em voltar à estrada depois de quatro anos sem fazer turnê, ainda mais desde a minha última turnê na América do Sul”, disse Demi Lovato. “Estamos trabalhando muito para entregar um show incrível para todos os meus fãs e mal posso esperar para vê-los pessoalmente para celebrar essa nova música”. Clientes dos Cartões Inter Mastercard terão pré-venda exclusiva para os shows de SP e BH entre 13 e 14 de junho iniciando às 10h online e 11h nas bilheterias oficiais (sem taxa de serviço | São Paulo – Espaço Unimed; Belo Horizonte -Loja Eventim BH ). Para o público geral, a venda começa no dia 15 de junho nos mesmos canais e horários. Outro benefício para os clientes dos cartões Inter Mastercard é o parcelamento em até 5 vezes sem juros. Para quem não é cliente Inter, o parcelamento pode ser feito em até 3 vezes sem juros. Membros do fã clube oficial também terão pré-venda online nas duas cidades, nos dias 09 e 10 de junho, a partir das 10h. SERVIÇO – DEMI LOVATO – HOLY FVCK TOUR SÃO PAULO Data: 30 de agosto de 2022 (terça-feira) Abertura dos portões: 18h30 Show de abertura: 20h30 Horário Demi Lovato: 21h30 Local: Espaço Unimed Endereço: R. Tagipuru, 795 – Barra Funda, São Paulo – SP Ingressos: a partir de R$ 147,75 (ver tabela completa) PREÇOS MEZANINO – R$ 147,75 meia entrada e R$ 295,50 inteira PISTA – R$ 222,75 meia entrada e R$ 445,50 inteira CAMAROTE– R$ 342,75 meia entrada e R$ 685,50 inteira PISTA PREMIUM– R$ 362,75 meia entrada e R$ 725,50 inteira ### SERVIÇO – DEMI LOVATO – HOLY FVCK TOUR BELO HORIZONTE Data: 02 de setembro de 2022 (sexta-feira) Abertura dos portões: 17h30 Show de Abertura: 20h30 Horário Demi Lovato: 21h30 Local: Esplanada do Mineirão Endereço: Av. Presidente Carlos Luz – Belo Horizonte – MG Ingressos: a partir de R$ 212,75 (ver tabela completa) PREÇOS PISTA – R$ 212,75 meia entrada e R$ 425,50 inteira PISTA PREMIUM – R$ 372,75 meia entrada e R$ 745,50 inteira
UK Rocks | Elvis Costello encanta no histórico Brighton Dome

Uma apresentação de Elvis Costello sempre pode surpreender. Aos 67 anos, ele não é o tipo de artista que vive do passado e segue a mesma fórmula para compor desde os primórdios. Portanto, um show dele pode ter punk rock, jazz, blues, música clássica, inglês ou espanhol. São infinitas possibilidades, se levarmos em consideração tudo que ele produziu e lançou desde os anos 1970. Com isso em mente, o show em Brighton, na Inglaterra, no último domingo (5), me deixou sonhando e idealizando o que poderia assistir. Foram 11 anos de espera desde o cancelamento de sua segunda turnê no Brasil. Em Brighton, cidade na qual a gaivota rouba a cena o tempo todo, Elvis deu o pontapé inicial da UK Tour do novo álbum, The Boy Named If. A casa escolhida foi a maravilhosa Brighton Dome, construção histórica que recebeu concertos memoráveis do Pink Floyd, além de ter sido o palco da final do Eurovision de 1974, que consagrou o Abba como vencedor. Aliás, Elvis estava muito bem acompanhado de seus companheiros do The Imposters (Steve Nieve – teclados; Pete Thomas – bateria; Davey Faragher – baixo e backing vocals) e Charlie Sexton, guitarrista fixo da banda de Bob Dylan. O repertório passeou por várias fases da carreira do músico. Em duas horas de apresentação, Elvis conversou muito com o público, brincou com o fato de ninguém ali estar se importando com o Jubileu da Rainha, além de ter intercalado momentos mais introspectivos com outros animados. Desde o início da pandemia, Elvis viveu momentos distintos. Ficou isolado com a esposa, Diana Krall, e os filhos, lançou alguns discos em dois anos, mas também sofreu com grandes perdas, como a mãe e o amigo produtor Hal Willner. O retorno aos palcos britânicos logo teve uma sensação diferente para o músico. Sua última apresentação pelo país, pouco antes da pandemia, foi em Liverpool. A mãe dele estava lá na plateia. Voltando ao show no Brighton Dome, ele esquentou de vez da metade para o fim. Até o momento, Elvis tinha tocado muitas faixas com poucas luzes no palco, o que fez com que algumas pessoas até tirassem um cochilo na plateia. Accidents Will Happen mudou esse cenário. Quase em sequência, foi sucedida por Watching the Detectives, The Comedians, (I Don’t Want to Go to) Chelsea e Alison. Pump It Up e (What’s So Funny ‘Bout) Peace, Love and Understanding, que deram números finais ao show, tiraram o público das cadeiras. Ninguém mais ficou sentado e cantaram junto com Elvis até o fim. Foi o mais próximo dos tempos de punk rock do músico. Ian Prowse O responsável pela abertura da noite foi Ian Prowse, vocalista das bandas indie Pele e Amsterdam. Com pouco mais de 40 minutos de apresentação, ele priorizou alguns dos sons mais conhecidos de suas duas bandas, além de duas novidades da carreira solo, que teve um álbum lançado no início do ano, One Hand on the Starry Plough. Uma dessas canções foi tocada logo na entrada de Prowse. Diego é um tributo do artista ao inigualável Diego Armando Maradona. Sim, o cara é fanático por futebol. Diego é uma canção bem linda, no piano, com muita influência de The Carpenters. Acompanhado de outros dois músicos, um tecladista e uma violonista, Prowse entoou versos como “você estava louco, louco, louco, ninguém nunca fez isso como você, baby”. Entre um som e outro, Prowse também abusou do humor inglês. Disse que avisou a família que aproveitaria o feriado do Jubileu para fazer um show em uma cidade de praia. Ouviu como resposta uma pergunta: “será lá que passaremos nossas férias?”. Ao que respondeu: “não, é Brighton. Vamos para outro lugar, por favor”. A piada foi bem aceita pelo público, que deu risada e o aplaudiu na sequência.
Exaltado por Stones e Killers, Sam Fender é o nome do verão britânico

Responsável pela abertura do show do The Killers, no Emirates Stadium, em Londres, na última sexta-feira (3), o guitarrista inglês Sam Fender vem conquistando seu espaço com muito merecimento. Antes mesmo de lançar seu primeiro álbum de estúdio, Hypersonic Missiles, em 2019, Fender já lotava shows em Londres, Nova York e Los Angeles. Com o segundo disco, Seventeen Going Under, de 2021, cresceu mais ainda. A faixa-título desse trabalho virou seu single com mais streams. Agora, na atual temporada, segue obtendo conquistas importantes. O show com o The Killers foi o primeiro do artista em um estádio. Algo que ele fez questão de mencionar: “estou muito feliz de estar aqui. É o meu primeiro show em estádio”. Chama a atenção a personalidade deste jovem de 28 anos. No palco, consegue comandar a plateia como poucos. Entra em cena acompanhado com uma superbanda com metais, guitarras, baixo e teclado. A sonoridade também é de quem não ficou acomodado com o que escutava quando adolescente. Fã declarado do Kings of Leon, Fender é fascinado por Jimmy Page, Jimi Hendrix e Slash. O som, no entanto, está mais voltado para a linha de Bruce Springsteen. E isso é bom demais. Em algumas entrevistas, chegou a declarar que seu irmão o apresentou os álbuns Born to Run e Darkness on the Edge of Town, do The Boss. Aliás, por falar em personalidade, ele deixa isso bem claro em pequenos gestos também. Por exemplo, esticar uma bandeira do Newcastle, seu time de coração, em cima do teclado, mesmo sabendo que está na casa do Arsenal. Quem se importa, né? Fender também atrai muito o público jovem por ter mantido uma carreira de ator em papéis secundários em séries de TV. No show na casa do Arsenal (chamo assim porque os vizinhos do estádio simplesmente ignoram o nome Emirates Stadium), Fender tocou dez músicas. Foram seis do álbum mais recente, duas do primeiro, uma do EP Dead Boys, além de um b-side de Seventeen Going Under. Aliás, as duas músicas destacadas do show foram as presentes nesse single: Seventeen Going Under fechou a apresentação com o estádio quase inteiro cantando junto, enquanto Howdon Aldi Death Queue veio com uma pegada bem punk rock, acompanhada por um vídeo cheio de críticas sociais. Fender fala com propriedade desses problemas. Nunca foi um abastado. Desde os 15 anos canta na rua para ajudar a família. Seu padrasto, que serviu as Forças Armadas, chegou a viver como sem-teto por mais de um ano, enquanto a mãe precisou se aposentar precocemente por conta da fibromialgia. Em entrevistas recentes, Fender conta que as drogas sempre estiveram presente em sua região. Conseguiu fugir do vício que levou muitos de seus amigos embora, mas não esconde que pensou em vender para poder ajudar a família com o dinheiro. Felizmente a música mostrou um caminho melhor. Por fim, não bastasse as conquistas recentes, Sam Fender também tocará com os Rolling Stones no Hyde Park, em Londres, em julho. Que esse fenômeno chegue logo ao Brasil!
UK Rocks: The Killers empolga com show repleto de surpresas no Emirates Stadium

Após dois anos de uma série de adiamentos em função da pandemia do coronavirus, o The Killers, enfim, está conseguindo apresentar o último álbum de estúdio, Imploding The Mirage, de 2020, para o público europeu. Depois de viajar para o México, a banda deu start aos concertos britânicos em maio, passando por cidades como Sheffield, Doncaster, Bristol, Coventry, Southhampton e Middlesbrough. Na última sexta-feira (3), Londres recebeu o primeiro de dois shows de Brandon Flowers e companhia. O local escolhido foi o Emirates Stadium, casa do Arsenal. Diante de 65 mil pessoas, Flowers entregou o que se espera do The Killers: um show próprio para arenas. O palco, aliás, é uma grande surpresa. Inicialmente parece bem simples, minimalista ao extremo. Mas basta rolar os primeiros acordes da banda, completamente diferente (sobrou Flowers e Vanucci na bateria), e três telões imensos com imagens em alta definição são revelados. My Own Soul’s Warning, um dos singles de Imploding The Mirage, abriu o show. Aliás, com explosão e chuva de papel picado logo no início, o que já despertou a atenção dos fãs. Importante destacar como o grupo segue deixando suas canções sempre aptas para momentos triunfais dos shows. A breve passagem por Enterlude preparou o público para uma trinca clássica do Killers: When You Were Young, Jenny Was a Friend Mine e Smile Like You Meant It. Com um equilíbrio interessante no set, a banda visitou todos os álbuns trazendo canções como Shot at The Night e Running Towards a Place, antes de entregar mais dois super hits: Human e Somebody Told Me. Aliás, Human veio com dezenas de bailarinos nos quadradinhos dentro do telão, que dançaram uma coreografia com menções à letra. Flowers e Vanucci seguem como os capitães do navio. São eles que comandam os novos integrantes e o público. Os ingleses acompanharam o vocalista em todos os momentos de interação. Shadowplay, cover do Joy Division, foi mantida no repertório, que ainda trouxe uma novidade para os fãs mais atentos: Pressure Machine, faixa-título do último álbum da banda, lançado em 2021. Foi a primeira vez que ela foi tocada ao vivo. Confuso? A turnê é para divulgar o penúltimo álbum, mas no caminho já saiu outro disco. No entanto, o foco é mesmo Imploding The Mirage, representado com cinco canções, a mesma quantidade de Hot Fuss, maior sucesso comercial da banda. Pressure Machine, por exemplo, só teve duas faixas lembradas: a homônima e In The Car Outside, que vieram em sequência. Sobre a escolha de Pressure Machine no set, Flowers deu uma explicação curiosa durante o show: “Jo Whiley (radialista), ela sempre nos defendeu desde o início – ela está aqui esta noite. Ela deveria ter um jubileu, certo? Ela disse algumas coisas maravilhosas sobre esta próxima música e ela pediu hoje à noite – se você não gosta, culpe-a. Chama-se Pressure Machine“. Em For Reasons Unknown, Flowers fez o que o público brasileiro já viu na última passagem da banda pelo País, no Lollapalooza. Viu um fã com um cartaz dizendo que queria tocar uma música com eles e o convidou para assumir a bateria. O escolhido foi Patrick, que mostrou muita personalidade ao chamar o público para o acompanhar nas batidas. Vanucci foi para a guitarra nesse momento. Ao término da canção, Patrick deixou a cena, mas Flowers foi atrás para abraçar o menino. Parecia impressionado com o que vou no palco. O público gritou o nome de Patrick, que estava visivelmente emocionado. A Dustland Fairytale foi o momento das luzes dos celulares roubarem a cena. Com o Emirates Stadium completamente iluminado pelos fãs, Flowers iniciou a canção de forma acústica para deixar a plateia ainda mais emotiva. Sempre à vontade para homenagear suas influências e artistas marcantes, Flowers puxou uma versão de The First Time Ever I Saw Your Face, de Ewan MacColl & Peggy Seeger. Da parte do público, porém, passou quase batida. Runaways, que tem um refrão perfeito para explodir em estádios, veio na sequência, acompanhada por Read my Mind e Dying Breed. Antes da pausa costumeira para o bis, o Killers apresentou mais dois highlights da apresentação: Caution, com chuva de papel picado e explosões nas areias mostradas no telão, além de All These Things That I’ve Done, com o estádio inteiro cantando junto. Spaceman e Mr. Brightside apareceram no bis. A segunda, no entanto, começou bem descaracterizada por entrado em uma versão remix. Felizmente, a original foi tocada na sequência, garantindo um final apoteótico na casa dos Gunners, com muita queima de fogos em cima do palco.
UK Rocks | Me First and the Gimme Gimmes + Pinc Louds + 4ft Fingers no O2 Academy Islington
Alfie Templeman lança álbum de estreia Mellow Moon

A sensação de 19 anos Alfie Templeman lançou o álbum de estreia Mellow Moon via Chess Club Records/AWAL. Comentando sobre Mellow Moon, Alfie detalhou o momento da carreira. “É praticamente impossível um álbum definir quem você é quando você tem 19 anos, mas acho que a mensagem real que quero dizer com este álbum é que ainda estou descobrindo minha vida, e o passeio está apenas começando. Aprendi muito sobre mim desde que comecei Mellow Moon, e espero que você também aprenda muito mais.” >> Confira entrevista com Alfie Templeman << Ele acrescenta sobre o novo vídeo, Colour Me Blue, também lançado hoje. “Não corro mais. Não quero mais correr e não me associo a isso. Mas foi ótimo filmar o vídeo, e Martyn, meu pai, fez um pequeno cameo também, veja se consegue vê-lo!”.
Entrevista | Matt Simons – “Expresso minhas emoções quando canto”
Metallica incendeia Morumbi em noite de nostalgia

Foram dois anos de espera até o Metallica, enfim, se apresentar no estádio do Morumbi, em São Paulo. O atraso causado pela pandemia, no entanto, não tirou o ímpeto da banda, muito menos dos fãs, que lotaram a casa do tricolor paulista em plena terça-feira. Aliás, quem comprou ingresso para ver o Metallica, ganhou dois shows incríveis de abertura: Ego Kill Talent e Greta Van Fleet, que iniciaram os trabalhos ainda no fim da tarde. Ego Kill Talent A primeira banda a subir ao foi o Ego Kill Talent, que recentemente fez um show tributo a Taylor Hawkins, do Foo Fighters, no Lollapalooza. A banda paulistana teve apenas 30 minutos para dar o recado, mas aproveitou muito bem o tempo, emendando um som atrás do outro sem enrolação e conversa fiada. Na bagagem, trouxe o excelente segundo álbum de estúdio, The Dance Between Extremes, lançado no ano passado. O set curto, com sete canções, equilibra bem um pouco de cada um dos dois álbuns de estúdio. E o mais legal foi ver a recepção e o carinho que o público teve com o grupo, que bom alcance internacional. Greta Van Fleet Logo depois, o Greta Van Fleet, a banda mais “ame ou odeie da atualidade”, apareceu. Em sua terceira apresentação em São Paulo (antes tocou no Lollapalooza e Lolla Parties de 2019), o grupo mostrou ainda mais consistência do que na primeira vez. Os irmãos gêmeos Josh Kiszka e Jake Kiszka, vocal e guitarra, respectivamente, estavam mais à vontade no palco. Logo nas duas primeiras canções conquistaram o público carrancudo do Metallica com o potente alcance vocal e solos absurdos de guitarra. The Battle at Garden’s Gate (2021) respondeu por metade do repertório, composto por apenas oito músicas em quase uma hora de apresentação. No entanto, foram duas canções do disco From The Fires que mais se destacaram no show: Black Smoke Rising logo no começo e Highway Tune, que encerrou a festa. Curioso notar que não somente as canções, mas o figurino e o próprio telão, o tempo todo em preto e branco, garantem um tom mais nostálgico para o show. Impossível não lembrar de Led Zeppelin, mas o Greta mostra que já conseguiu moldar essa influência para algo bastante original. Metallica Com 20 minutos de atraso, o Metallica colocou o Morumbi abaixo com uma estrutura absurda: cinco telões gigantes que revezavam imagens dos integrantes com animações incríveis, além de torres de fogo que esquentaram toda a plateia. Whiplash (Kill ‘Em All, de 1983) abriu a apresentação, tal como nos shows de Curitiba e Porto Alegre. O single de estreia da carreira do Metallica, no longínquo 1983, funcionou como um na porta para quem estava se queixando do pequeno atraso. O peso do início da carreira se manteve na sequência com Ride The Lightning, faixa-título do segundo disco do Metallica, de 1984. Aliás, quem teve a proeza de seguir passando frio após esse início absurdamente quente, esquentou com Fuel, do Reload (1997). Durante a execução, torres de fogo foram acesas no meio da pista e nos dois lados do palco. Conversando com pessoas que ficaram em setores diversos no estádio, ficou quente igual para todos. O repertório do Metallica seguiu muito nostálgico com a inclusão de Seek & Destroy, do álbum de estreia, entoada a plenos pulmões pelos fãs mais apaixonados. Nostalgia dá o tom do show do Metallica A trinca seguinte mostrou que o Metallica não estava disposto a tirar o pé do acelerador. Os dois anos de atraso, felizmente, deixaram os músicos ainda mais empolgados em cena. Em sequência vieram Holier Than Thou, One e Sad but True. A primeira e a terceira do campeão de vendas Black Album (1991) e a segunda do clássico …And Justice for All (1988), responsável pela primeira turnê do Metallica no Brasil, em 1989. Dirty Window (St Anger, 1999) e No Leaf Clover (S&M, 2003), em sequência, foram uma forma encontrada pelos músicos de não deixar passar em branco álbuns mais “recentes” da discografia. Porém, o que estava funcionando mesmo com os fãs e o Metallica conhece bem sua base em São Paulo eram os clássicos, a fase mais pesada da banda. For Whom the Bell Tolls e Creeping Death, do Ride Lightning, vieram em dobradinha, sucedidas por Welcome Home (Sanitarium) e Master of Puppets, do disco de 1986. Bis trouxe dois grandes clássicos A saída rápida do palco, antes do bis, não dá tempo nem de comprar uma bebida com os ambulantes. James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo já retornaram antes de qualquer possibilidade de ação por parte dos fãs. E, aqui, vale ressaltar a disposição dos músicos no palco. Os shows já não têm mais três horas de duração (foram quase duas), mas a disposição de todos os integrantes no palco é impressionante. Todos parecem estar se divertindo o tempo todo. No encore, Spit Out the Bone, último single do álbum mais recente, Hardwired… to Self-Destruct, de 2016, foi a primeira, substituindo Battery, do Master of Puppets. Nothing Else Matters e Enter Sandman para encerrar o show nos remetem ao início dos anos 1990, quando em sua segunda turnê pelo Brasil, em 1993, o Metallica divulgava seu maior sucesso comercial, Black Album, e disputava o posto de maior banda de rock do mundo com o Guns n’ Roses. Enter Sandman, aliás, foi concluída com o estádio inteiro cantando junto, pulando em completo descontrole. A queima de fogos encerrou a noite nostálgica que certamente agradou em cheio os fãs mais antigos do Metallica. Que retornem pela décima vez e mais, se possível. Ninguém vai reclamar. Setlist do Metallica Whiplash Ride the Lightning Fuel Seek & Destroy Holier Than Thou One Sad but True Dirty Window No Leaf Clover For Whom the Bell Tolls Creeping Death Welcome Home (Sanitarium) Master of Puppets BIS: Spit Out the Bone Nothing Else Matters Enter Sandman
Entrevista | Dave Faulkner, do Hoodoo Gurus – “Nos tornamos música para surf sem sermos surfistas”

Doze anos após o seu último álbum de estúdio, o lendário grupo australiano Hoodoo Gurus está de volta! Em março último, a banda revelou o disco Chariot of the Gods, com 13 faixas (16 na versão deluxe). O primeiro single do álbum é Carry On, um hino que celebra a resiliência e a tenacidade. Há o explosivo e deslumbrante World Of Pain. Hung Out To Dry, uma ode politicamente incorreta a um ex-presidente laranja, está disponível apenas na versão em vinil duplo de lançamento limitado. Chariot of the Gods também traz Get Out of Dodge, uma música para todos os não-conformistas por aí, qualquer um que se sinta em menor número e não consiga se encaixar com as expectativas irracionais da multidão, e o punk agressivo Answered Prayers. O vocalista e guitarrista do Dave Faulkner conversou com o Blog n’ Roll sobre o novo álbum, pandemia, longevidade da banda e possível vinda ao Brasil. Confira abaixo! Como foi o processo de gravação de Chariot of the Gods? Quais foram os principais desafios, tendo uma pandemia pelo caminho? Primeiramente, começamos antes da pandemia. Por volta de novembro de 2019, nós gravamos o single Answered Prayers. Foi a primeira gravação que fizemos com Nic Rieth na bateria, pois Mark tinha se aposentado. E isso foi antes da pandemia, Answered Prayers saiu em dezembro. E tínhamos decidido gravar este álbum já, mas de uma forma diferente, nós iríamos lançar um single depois do outro, gravando uma música de cada vez ao invés de ensaiar para gravar tudo de uma vez. Então, lançamos Answered Prayers e era hora de trabalhar em um novo single, começamos a ensaiar em janeiro, e agendamos de gravar em abril. Estávamos ensaiando e escrevi as músicas Get Out Of Dodge e Carry On. Estávamos ensaiando elas e me soavam como singles. Quando iríamos para a gravação, o lockdown aconteceu. Por três meses não pudemos deixar nossas casas, caso não estivéssemos indo buscar algum medicamento, indo ao médico ou buscar comida. Não podíamos ir mais do que 5 km de nossas casas para fazer nada, e claro não podíamos receber visitas, então não nos encontramos por três meses. Não chegaram a produzir, nem fazer nada de modo remoto? Conversávamos ocasionalmente para falar dos negócios, mas não fizemos nenhuma gravação ou ensaio pela internet, não houve composição. Ao fim desses três meses começamos a acreditar que poderíamos estar todos em uma sala juntos, pois nenhum de nós havia ficado doente, e o estúdio em que queríamos trabalhar era muito pequeno. O cara que gerencia o estúdio é muito cuidadoso em questão ao covid, pois o pai dele, que foi membro da banda Easybeats, não estava muito bem. Então todos fomos muito cuidadosos. Em resumo, tivemos muita sorte que a pandemia apenas nos interrompeu, mas não nos evitou de fazer as coisas do jeito que gostaríamos de fazer. Talvez o fato de ter adiado o lançamento tenha ajudado o álbum, pois as pessoas gostaram do disco, isso eu sei, mas se o sucesso seria igual, caso não tivesse acontecido a pandemia, não dá para saber. Hung Out to Dry é uma faixa politicamente incorreta a um ex-presidente laranja? Queria que você falasse um pouco sobre a inspiração. Nós originalmente pensamos nessa música como um lado B do próximo single, que seria Get Out Of The Dodge ou Carry On. Nós as ensaiamos ao mesmo tempo, no início de 2020. Mas aí escrevi a letra e era tão certo que seria sobre o Trump, que nós desprezamos pelo jeito que estava fazendo política com a situação da pandemia do covid. Então, pensamos, como ele está se candidatando para as eleições deste ano? Vamos lançar a música agora e fazer com que as pessoas saibam o que pensamos deste homem. Fiquei surpreso que não haviam muitas músicas falando sobre isso, pois estava muito claro que ele é uma pessoa horrível, e o jeito que ele explora o lado obscuro da humanidade, apelando para instintos terríveis nas pessoas. Sabe, o jeito que ele usou o povo mexicano como uma desculpa para ser eleito, coisas terríveis. Essa foi a razão pela qual queríamos lançar a música, e eu também queria uma música que apesar de dizer que Trump é um homem mal, e que odiamos suas políticas, não fizesse as pessoas ouvirem e pensarem que estou falando de um lugar de superioridade, apontando o dedo para os defeitos alheios. Portanto, fiz uma música falando diretamente com o Trump: “você é um otário, eu te odeio, e eu quero que você suma o quanto antes”. Aliás, eu quero que as pessoas, independentemente se apoiam ou não o Trump, sintam a minha raiva. Por isso escrevi deste modo, ao invés de falar de um local de superioridade falando de outra pessoa. Answered Prayers segue algo semelhante, não? É a mesma coisa com Answered Prayers. É uma canção muito obscura também, sobre um relacionamento abusivo, e canto da perspectiva do abusador. Você pode ouvir ele manipulando, dizendo o quão inútil a outra pessoa é, e que trai ela quando tem vontade. As coisas ditas na música são terríveis, mas quero que as pessoas sintam uma conexão pessoal com aquilo, para não conseguirem desviar a atenção, e dizer que é problema de outra pessoa, não é, é seu problema, estou falando com você. Achei que foi um jeito muito bom de escrever uma música, bem obscuro, e sinto que é uma música feia, e me sinto meio aterrorizado com ela, mas é muito verdadeira. É sobre algumas pessoas que conheço, na verdade sobre dois casais, que conheço agora, que tiveram essa dinâmica bem tóxica em suas relações, e um parceiro tratava o outro terrivelmente, e eles continuavam nessa. E é algo que exploro nessas músicas. Answered Prayers foi a primeira música a ser escrita ou há outras mais antigas? Tem uma música mais velha, Settle Down. Na verdade, escrevi há 20 anos, e é engraçado pois essa música é sobre envelhecer, e sentir que as pessoas estão te ignorando