Biquini Cavadão relança hit da Malhação, 20 anos depois, com novo arranjo  

Uma rápida passagem no YouTube revela que a música Quando Eu Te Encontrar, presente na novela Malhação em 2002, é uma das músicas mais visualizadas do Biquini Cavadão, superando inclusive sucessos como Tédio e Zé Ninguém e só perdendo para Vento Ventania. Nas plataformas digitais, também não é diferente. Está sempre entre as mais tocadas. “Nós já perdemos a conta de quantas pessoas nos disseram que esta foi a música tocada no casamento delas, e é sempre um ponto alto em nossos shows”, conta o tecladista Miguel Flores da Cunha. No entanto, essa história começa de um modo bem diferente, em fevereiro de 2001, quando o Biquini Cavadão, insatisfeito com o trabalho feito com o disco Escuta Aqui, dispensa em comum acordo com a BMG a gravação do terceiro disco de seu contrato. Logo depois, fecha com a Universal Music e lança o disco 80, embalado pela faixa Múmias, com a participação póstuma de Renato Russo. Estavam no meio deste trabalho em 2002, quando Quando Eu Te Encontrar, passa a tocar na novela Malhação, da TV Globo, dois anos após o lançamento do disco anterior. Essa faixa perdida no tempo, era o tema principal do casal jovem Nanda e Gui, interpretados por Rafaela Mandelli e Iran Malfitano. “Agora, pensem comigo, como trabalhar uma faixa de outra gravadora rival? Nem uma, nem a outra queriam. Não éramos mais do cast da BMG e a Universal não poria essa azeitona na empada da concorrente”, diz Bruno Gouveia. Acontece que, contrariando tudo e todos, a música emplacou na novela e diversas rádios do interior passaram a tocá-la, rapidamente chegando às mais pedidas em primeiro lugar. Passados 20 anos, o Biquini Cavadão lança agora uma nova versão de Quando Eu Te Encontrar, com produção de Paul Ralphes, o mesmo que fez a primeira gravação. “Da mesma forma que fizemos uma versão de Múmias para celebrar os 20 anos de seu sucesso recentemente, decidimos fazer o mesmo com esta emblemática canção que tanto os fãs amam”, diz Coelho. O lançamento desta música faz parte de um projeto ainda maior que a banda pretende falar a respeito nos próximos meses.

BEL e Ana Frango Elétrico se unem no single “Mapinha”

Representantes da nova safra da música carioca, BEL e Ana Frango Elétrico se guiam por linhas de baixo tortuosas e riffs potentes em Mapinha. O single é a primeira parceria entre as duas artistas e explora uma sonoridade que as aproxima de movimentos como o riot girl noventista e as leva por caminhos diferentes dos já conhecidos e elogiados em seus trabalhos solo. “Acho que Mapinha grita a sensação de se perder e se achar na intensidade dos afetos. Poder confiar na guiança dos encontros, desejar soltar o controle, permitir-se duvidar de si mesme”, reflete BEL. Os amores plurais permeiam o trabalho de BEL, que assina essa composição e conta apenas com mulheres tocando na faixa. Além de vocal de Ana Frango Elétrico, aparecem Thaís Catão (guitarra e vocais), Nathanne Rodrigues (baixo, synth e vocais) e Acácia Lima (bateria e vocais). Tudo para dar vazão a esse impulso de somar paixões sem dividir, multiplicar o prazer ou diminuir os conflitos. “A gente já tocava Mapinha nos shows e quisemos manter o mesmo arranjo na faixa – talvez de saudades mesmo. Gravamos a base e a minha voz em dezembro de 2020 no Carolina, num respiro de pandemia que nos permitiu ir ao estúdio, nos encontrar, foi uma delícia. Nathanne, Thaís e Acácia montaram essa música comigo e trouxeram suas referências desde o início, seja em ensaios ou em encontros na minha casa, quando lá atrás eu mostrei pra elas a música que tinha composto há pouquinho tempo. O arranjo de Mapinha foi se fazendo coletivamente a cada encontro nosso. Convidei Ana, pessoa tão querida que admiro, e aí foi outro dia gostoso de estúdio”, continua ela.

Alexisonfire e A Day To Remember promovem noite histórica na Audio

As vertentes do punk e hardcore estão em alta no Lollapalooza Brasil. Se no primeiro dia, Turnstile, Jxdn e Machine Gun Kelly deram as caras, o segundo será dominado por Alexisonfire e A Day To Remember. Aliás, essa dobradinha já passou pelo Rio de Janeiro e por São Paulo durante a semana. Na noite de quinta-feira (24), com a Audio, na Barra Funda, completamente lotada, as bandas mostraram muita disposição e peso no palco. A noite teve início com os canadenses do Alexisonfire. A banda de post hardcore, aliás, não se apresentava no Brasil há dez anos, fato lembrado pelo vocalista, George Pettit, durante o show na Audio. O Alexisonfire veio ao Brasil em 2012, numa turnê de despedida. Felizmente, a situação foi revertida e, em 2015, eles já estavam juntos novamente. Desde aquela apresentação de estreia no Brasil, o grupo não lançou nenhum álbum. Mas a situação mudará em junho, quando vão estrear Otherness, primeiro disco de estúdio em 13 anos. No show na Audio, a banda testou uma das canções do novo álbum com o público. A escolhida foi Sweet Dreams of Otherness, que veio após um início avassalador, que teve três canções de Crisis, álbum de 2006. Sweet Dreams of Otherness não teve um retorno tão empolgante quanto as faixas de abertura do show, mas também não chegou a ser um ponto fraco. Aliás, ponto fraco é algo que não existe em um show do Alexisonfire. Com uma presença muito empolgante de todos os integrantes, ficou difícil os fãs não acompanharem e cantarem juntos, além de atender os pedidos do vocalista por circle pit. Com foco maior em Crisis, o Alexisonfire tentou não deixar nenhum fã insatisfeito com o setlist. Para isso fez passagens por todos os álbuns. O repertório apresentado em 1h20 agradou em cheio. Após o show no Lolla neste sábado (26), o Alexisonfire retorna aos shows no hemisfério norte, com destaque para a participação no Slam Dunk, em junho, na Inglaterra, quando será o headliner do festival junto com Sum 41, Neck Deep, Dropkick Murphys e The Interrupters. Confira abaixo um pouco do show do Alexisonfire A Day To Remember Contemporâneo do Alexisonfire, o A Day To Remember surgiu em Miami, nos Estados Unidos. A sonoridade é um pouco diferente, mas puxada para o metalcore com umas pitadas de pop punk. E se o Alexisonfire será headliner do Slam Dunk, o A Day To Remember será co-headliner do Download Festival, na Inglaterra, em junho, tocando antes do Kiss apenas. Na Audio, a banda mostrou o motivo de estar tão badalada. Conseguiu empolgar ainda mais que o Alexisonfire. A trinca inicial veio carregada de peso e nostalgia, com The Downfall of Us All, All I Want e Paranoia. Fiquei impressionado como o ADTR, tal como Alexisonfire, teve o cuidado de equilibrar bem o setlist. Afinal, foram oito anos sem se apresentar para o público brasileiro. Então nada de blocão com canções do último álbum, You’re Welcome (2021). Foi tudo muito bem espalhado e misturado com o restante da discografia. Tal ação faz com que canções mais recentes tenham desempenho tão forte como os clássicos da banda. Last Chance to Dance (Bad Friend), por exemplo, esquentou ainda mais a pista da Audio. Ótimo feedback dos fãs. You’re Welcome, lançado durante a pandemia, foi o segundo álbum mais lembrado pelos integrantes. Foram quatro canções no show da Audio, sendo superado apenas por Homesick (2009), terceiro trabalho de estúdio do ADTR, que teve cinco faixas executadas. Bad Vibrations (2016), lançado após o último show no Brasil e maior sucesso da banda nas paradas internacionais, foi lembrado com duas músicas: Paranoia, no início da apresentação, além de Reassemble, também muito bem recebida pelo público. Por fim, quem ainda tinha voz e disposição, gastou o que sobrou na trinca final: If It Means a Lot to You, Sometimes You’re the Hammer, Sometimes You’re the Nail e The Plot to Bomb the Panhandle. Impecável! A Day To Remember, Alexisonfire e Turnstile no lineup do Lollapalooza e Lolla Parties foi uma das decisões mais acertadas do festival. Confira abaixo um pouco do show do A Day To Remember

No dia de sua estreia no Brasil, Machine Gun Kelly lança Mainstream Sellout

O cantor norte-americano Machine Gun Kelly, que se apresentou hoje no Lollapalooza Brasil, lançou nesta sexta-feira (25) o álbum mainstream sellout, seu sexto disco de estúdio, em todas as plataformas digitais. Com 16 faixas, o repertório do disco, que foi produzido por Travis Barker, inclui participações especiais como blackbear na faixa make up sex, além de WILLOW, Gunna, Bring Me The Horizon, entre outros, e apresenta as já lançadas maybe, emo girl, ay! e papercuts, que ganhou uma nova versão. Em uma analogia divertida, o artista diz: “Se meu último disco, Tickets to my Downfall foi o ensino médio, então mainstream sellout é a faculdade”, diz. O segundo projeto de rock de Machine Gun Kelly traz um som mais diversificado e maduro. Para revelar a tracklist do álbum, o norte-americano surpreendeu. Ele tomou conta do badalado clube Delilah, em West Hollywood, para apresentar seu novo disco, como um ícone da música e da moda: ele vestiu 16 camisetas personalizadas Dolce & Gabbana e cada uma tinha o nome de uma música do projeto. A faixa emo girl, com a força dinâmica de WILLOW, passou de 40 milhões de streams e já faz parte do Top 25 da parada Alternative Airplay, da Billboard. ay!, com a lenda do rap Lil Wayne, já ultrapassou 11 milhões de streams somente em sua primeira semana, graças a seu videoclipe cativante, no qual MGK e sua equipe, através de um desfile de figurinos, demonstram seu talento natural e seu estilo de vida rockstar. Recentemente, no início de março, Machine Gun Kelly homenageou os fãs com o lançamento de seu EP lockdown sessions, quando pegou três faixas virais favoritas dos fãs e as distribuiu oficialmente em todos os serviços de streaming pela primeira vez. Para o lançamento, MGK também gravou um vídeo para a música roll the windows up, (anteriormente lançada como “smoke and drive”), um clipe sem frescuras com ele e seu baterista, Rook, fumando no carro e captando a vibração caseira do projeto.

Red Hot Chili Peppers libera mais um som de Unlimited Love; ouça Not The One”

Prestes a lançar o aguardado álbum Unlimited Love, a banda Red Hot Chili Peppers mais uma faixa do projeto: Not the One. Unlimited Love está previsto para ser lançado no dia 1 de abril e marca a reestreia oficial de John Frusciante como guitarrista da banda depois de mais de 15 anos, e também o retorno do produtor e amigo de longa data Rick Rubin, que já colaborou com Johnny Cash e Adele, e caminha com Red Hot Chili Peppers há 30 anos. O novo álbum também terá edição física em CD e será vendido no Brasil. A pré-venda já está disponível. O primeiro single do novo projeto, Black Summer, já ultrapassou a marca de 16 milhões de streams e mais de 20 milhões de views no clipe oficial, que contou com a direção de Deborah Chow, responsável também por assinar a direção da série Mandalorian, da Disney+. Sobre o novo álbum a banda revela que “nosso objetivo é se perder na música. Nós passamos milhares de horas, juntos e individualmente, nos aprimorando e compartilhando para fazer o melhor álbum que pudéssemos. Nosso radar apontou para o divino, o cosmos, e estamos tão gratos por essa chance de estar juntos novamente na mesma sala, mais uma vez, tentando nosso melhor. Passamos dias, semanas, meses ouvindo um ao outro, compondo, tocando e fazendo arranjos para que tudo tivesse um propósito. Os sons, ritmos, vibrações, palavras e melodias nos enlouqueceram. Decidimos ser uma luz para o mundo, para animar, conectar e juntar as pessoas. Cada música do novo álbum é uma faceta nossa, refletindo nossas visões de universo. Essa é nossa missão de vida. Trabalhamos, focamos e nos preparamos para que essa onda gigante viesse, e estamos prontos para surfar nela. O oceano nos presenteou com a onda perfeita, e esse álbum é a soma e o caminho das nossas vidas. Esperamos que vocês gostem”. Para Frusciante, que teve a primeira experiência de estúdio como um Red Hot Chili Pepper desde a saída dele, em 2006, o álbum representa mais do que apenas fazer música. “Quando começamos a compor o material, estávamos tocando músicas antigas como Johnny Watson, The Kinks, The New York Dolls, Richard Barret e tantos outros. E gradualmente começaram a surgir novas ideias, transformamos acordes em canções, e depois de alguns meses, tudo estava aqui. O sentimento de diversão que tivemos enquanto estávamos tocando para outras pessoas nos acompanhou o tempo todo em que estivemos compondo. Pra mim, esse álbum representa nosso amor por isso, e a nossa em fé em nós mesmos”. A banda também anunciou uma nova turnê mundial, que começa no verão europeu, e vai passar pelos Estados Unidos e Canadá, com três shows já esgotados. Confira a tracklist de “Unlimited Love”: 1.Black Summer 2.Here Ever After 3.Aquatic Mouth Dance 4.Not The One 5.Poster Child 6.The Great Apes 7.It’s Only Natural 8.She’s A Lover 9.These Are The Ways 10.Whatchu Thinkin’ 11.Bastards of Light 12.White Braids & Pillow Chair 13.One Way Traffic 14.Veronica 15.Let ‘Em Cry 16.The Heavy Wing 17.Tangelo

Wallows apresenta aguardado álbum “Tell Me That It’s Over”

O trio de alt-rock Wallows lançou o álbum Tell Me That It’s Over. O single Marvelous também ganhou um vídeo que mostra os integrantes da banda Dylan Minnette, Braeden Lemasters e Cole Preston dando uma amostra da produção de sua nova tour. O novo vídeo foi dirigido e filmado por Natalie Hewitt. Produzido por Ariel Rechtshaid, Tell Me That It’s Over mostra Wallows seguindo em sua jornada evolutiva de exploração da própria sonoridade, fundindo uma vasta gama de ideias musicais – do post-punk lo-fi e indie-folk à psicodelia do dance-pop do início dos anos noventa – em sua única e criativa visão. Entre os destaques temos os singles recentemente lançados I Don’t Want to Talk, Especially You, e At the End of the Day, todos eles acompanhados de clipes dirigidos por Jason Lester (Animal Collective, Ashe, Madison Beer, Rostam) e disponíveis no canal da banda. Tell Me That It’s Over marca a aguardada sequência ao popular álbum de estreia da banda, Nothing Happens. Produzido por John Congleton, o álbum provou ser uma das estreias com mais streams das plataformas digitais, do qual fazia parte o single Are You Bored Yet? (Feat. Clairo).”

ZZ Top anuncia novo álbum ao vivo com o single “Brown Sugar”

O icônico ZZ Top se prepara para lançar seu álbum ao vivo. Intitulado RAW, o registro reúne a trilha sonora do documentário That Little Ol’ Band From Texas (2019) e é o primeiro lançamento da banda desde o falecimento de Dusty Hill. Essa amostra inicial é uma versão explosiva de Brown Sugar, clássico de 1971 da banda. Este é um lançamento da BMG. “Brown Sugar é uma parte especial do nosso shows há muitas décadas e acho que é maneira certa de começar o RAW. Essas gravações no Gruene Hall foram um satisfatório retorno Às raízes e estamos felizes de dividir com todos que nos acompanham há tanto tempo”, conta Billy Gibbons.  Com clima de jam session que marca o blues dos artistas, o disco foi gravado no Gruene Hall, uma das casas mais icônicas do Texas. A performance intimista e intensa da formação clássica de Gibbons, Frank Beard e o saudoso Hill mostra a química de muitos anos fazendo música juntos. Com previsão de lançamento para o dia 22 de julho, RAW é antecedido por Brown Sugar, que está disponível em todas as plataformas de streaming.

Entrevista | The Wombats – “As portas vêm se abrindo gradualmente”

A banda inglesa The Wombats está de volta ao Brasil após nove anos. Se na primeira vez, o público era bem limitado, nesta sexta (25), às 15h35, o trio de Liverpool terá uma multidão pela frente, no dia inaugural do Lollapalooza, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Na bagagem, o Wombats traz o último álbum, Fix Yourself, Not The World. Aliás, só para variar, o disco é bem eclético e mostra o poder de inovação constante da banda em sua discografia. Direto de um hotel em São Paulo, o baterista do Wombates, Dan Haggis, conversou com o Blog n’ Roll sobre a expectativa para o festival, o último álbum e o que pretende assistir no Lollapalooza. Confira abaixo. Muita coisa mudou para o The Wombats desde o início da carreira. Como encaram essas mudanças de alcance? Sinto que ao longo dos anos as portas vêm se abrindo gradualmente, um dia de cada vez, uma música de cada vez. Claro que se você olhar para o início da nossa carreira e agora, é louco, pois tivemos momentos nas nossas carreira, como no show que fizemos em Santiago, no Chile, em que nos perguntamos “Como estamos aqui?”, a um voo de 14 horas de distância, e meio a várias pessoas dançando e cantando nossas músicas. Na primeira vez que vieram ao Brasil, vocês tocaram em lugares menores, agora no Lolla. Mês que vem o Wombats tem um show grande na O2 Arena, em Londres. Acho que nunca perdemos essa sensação, pois começamos a fazer música em Liverpool, 20 anos atrás, e hoje estamos tocando para essas pessoas, é doido pensar. Mas todo show, para 200 ou 20 mil pessoas, só queremos ir para o palco, tocar nossas canções, criar uma conexão com as pessoas. Obviamente você sente mais a adrenalina quando toca em grandes festivais, e nós vínhamos querendo voltar ao Lollapalooza, que honestamente, é o único festival que nós importunamos o nosso agente para vir, clamando todo ano “Vamos ao Lollapalooza, queremos voltar para a América do Sul”, e ele dizia: “Estou tentando”. É tão difícil conseguir isso, e agora que conseguimos estamos muito animados, e tem sido ótimo até agora, pessoas adoráveis, clima ótimo, comida ótima, drinks ótimos, e Wombats muito felizes. Queria que você falasse um pouco sobre o título do álbum, Fix Yourself, Not The World. Ele pode ter muitas interpretações. O que inspirou vocês para esse nome? Quando estávamos gravando o álbum, durante a pandemia, Murphy estava em Los Angeles, Tord em Oslo, e eu em Londres. Tord conseguiu ir para Londres, e ficou lá por cinco semanas, mas estávamos em lockdown. Então não haviam restaurantes abertos, não havia muito o que se fazer, éramos só nós e a música. E eu acho que durante a pandemia, para todos provavelmente, se você está passando por algum tipo de problema na sua mente, você terá que confrontá-lo, pois tudo que você tinha era o seu cérebro para lidar, então não foi fácil e as músicas nos ajudaram muito. Aliás, quando estávamos falando sobre o álbum, conversamos muito sobre o título, e como você disse, levanta muitos questionamentos, e nós não queríamos que soasse egoísta, como se você devesse pensar apenas em si e esquecesse o resto. É a última coisa que gostaríamos que entendessem. Para nós é mais a questão de se você está lidando com problemas de saúde mental, como depressão ou ansiedade, com dificuldade de levantar da cama, e não está lidando com isso, não conseguirá ajudar ninguém. Então perceber a importância de resolver suas questões primeiramente, para depois sair pelo mundo, ajudar pessoas, fazer a diferença, ser uma parte positiva da sociedade. Penso que muitas pessoas ignoram e negligenciam seus problemas, e vão se distrair, jantar, beber algo com os amigos, sempre tentando evitar pensar sobre certas questões. Até que percebem a importância de conversar sobre sua saúde mental e seus problemas, percebendo que todos também têm problemas, não é só você, são todos, e quantos mais conversarmos sobre, melhor. E pensamos que nosso álbum poderia ser parte desta mudança, que fizesse as pessoas pensarem como resolver esses problemas, e abraçar seus demônios. O The Wombats é uma banda inquieta. Nunca está em uma zona de conforto. Vocês sempre buscam uma modernização no som, acompanhando todas as evoluções musicais que rolam. Tudo isso sem perder as referências mais antigas. Como equilibrar isso na hora de compor? Acho que nós sempre tivemos os elementos centrais que compõem nossa identidade, independente do tipo de música que tentamos fazer, a combinação da voz do Murphy, e o jeito que ouvimos e fazemos música. Acho que mesmo se começarmos algo como Method To The Madness, que soa tão diferente de nós, mas ainda acaba soando como nós de algum jeito. Sinto que é interessante explorar outros gêneros que tenham nos inspirado ao longo de nossas vidas, seja Lo-Fi, Hip-hop, Eletrônica, Grunge, Folk, Punk, todos esses elementos entraram e saíram nas nossas músicas em períodos diferentes, dependendo do que sentimos quando fazemos a música. Nós sempre buscamos trabalhar com ótimos produtores, como Eric Valentine, Mark Crew, e nós sempre aprendemos, observamos, prestamos atenção. Aliás, quanto mais você aprende sobre produção, música e composição, mais é capaz de se colocar em um lugar novo, abraçar novas tecnologias, sons. Queremos sempre nos sentir o mais motivado possível. E se algum de nós não está se sentindo motivado, nós tentamos algo novo, é sempre muito experimental no estúdio. Nós amamos música pop também, os Beach Boys e os Beatles, gostamos de muitos tipos diferentes de música, é como se fosse uma tela de pintura que jogamos várias tintas e vemos o que acontece. Fix Yourself, Not The World começou a ser produzido em 2019, antes da pandemia. Algo mudou na forma como tiveram que gravar esse álbum? Quais foram os principais desafios e as vantagens? O principal desafio foi que tivemos que ser mais organizados, antes de iniciar a gravação. Antes da pandemia tínhamos, talvez, já metade do álbum, fizemos por