Rodox voltará aos palcos para shows nas principais capitais brasileiras

O Rodox confirmou o retorno aos palcos em 2026 com a reunião de seus integrantes originais para uma turnê nacional. O anúncio marca o reencontro da banda após mais de 20 anos desde o encerramento de suas atividades e recoloca em evidência um dos nomes mais relevantes do rock pesado brasileiro do início dos anos 2000. A informação foi confirmada ao Blog N’ Roll pela assessoria do cantor Rodolfo Abrantes, que também informou que detalhes sobre datas, cidades e locais dos shows ainda serão divulgados oficialmente. Formado no início dos anos 2000, o Rodox surgiu após a saída de Rodolfo do Raimundos e rapidamente chamou atenção pela sonoridade pesada, letras intensas e identidade própria que ia do hardcore ao nu metal. Apesar do curto período de atividade, a banda construiu uma base fiel de fãs e deixou registros que se tornaram referência para a cena nacional, com músicas como “Olhos Abertos”, “Dia Quente” e “De Uma Só Vez”. O grupo encerrou suas atividades poucos anos após a estreia, em 2004, o que contribuiu para o status cult que conquistou ao longo do tempo. Desde então, o Rodox passou a ser constantemente citado por fãs e músicos como uma banda à frente de seu tempo, com influência que se manteve viva mesmo fora dos palcos. A confirmação da turnê reacende o interesse em sua discografia e abre a possibilidade de um reencontro histórico entre banda e público. A formação terá, além de Rodolfo, os membros Fernando Schaefer, que vinha prestando tributos à banda, Patrick Lapan e Pedro Nogueira.

Alter Bridge prova que ainda é a banda mais pesada de hard rock com um dos discos mais fortes da carreira

O Alter Bridge acaba de entregar um dos álbuns mais sólidos da carreira. Batizar o disco com o próprio nome é sempre um movimento carregado de intenção e, felizmente, aqui dá certo. A banda soa extremamente confortável na própria pele, consciente de sua identidade, do seu legado e de onde quer chegar daqui pra frente. Não é um disco feito para provar algo a alguém, mas para reafirmar por que o Alter Bridge segue relevante depois de tantos anos. O que mais impressiona neste trabalho é como eles conseguem ser fiéis ao próprio estilo sem soar repetitivos ou datados. Os riffs continuam pesados e bem construídos, a dinâmica entre Myles Kennedy e Mark Tremonti nos vocais segue como um dos grandes diferenciais da banda, e tudo soa muito orgânico. É aquele tipo de álbum que parece ter sido pensado como um todo, não apenas como uma coleção de músicas soltas. Silent Divide, anteriormente lançada, abre o disco de forma explosiva e deixa tudo mais familiar. Com seu riff direto, agressivo e um refrão que gruda imediatamente, ela é daquelas faixas que já nascem com cara de clássico de show e deixar os fãs brasileiros ansiosos para o ato de abertura do Iron Maiden em outubro. Power Down mantém o peso lá em cima, com uma pegada quase mais suja, enquanto Rue the Day, a minha favorita, traz aquele equilíbrio típico do Alter Bridge entre força e melodia. Trust In Me é um dos grandes momentos do álbum justamente pela troca vocal entre Kennedy e Tremonti, que consegue sempre surpreender. A música cresce aos poucos e entrega um refrão forte, emocional, sem cair no óbvio. Disregarded segue por um caminho mais cru e direto, enquanto Tested and Able mostra um lado mais reflexivo da banda, com arranjos que respiram mais e dão espaço para a música se desenvolver. What Lies Within e Scales Are Falling funcionam como o miolo emocional do disco. São faixas que não se resolvem rapidamente, apostam em construções mais longas e reforçam essa sensação de maturidade artística. Já Hang By A Thread surge como o momento mais contido do álbum, uma balada bem trabalhada, honesta, sem exageros, que funciona muito mais pela interpretação do que por grandiosidade. E, vamos confessar, sempre cai bem uma baladinha, né? Slave To Master fecha o disco em clima épico e um prato cheio para músicos. São vários minutos de mudanças de andamento, que me fizeram arregalar os olhos, solos bem encaixados e uma sensação clara de encerramento à altura do que veio antes. Não é uma faixa feita para consumo rápido, nem para o grande público, mas para ser ouvida com atenção, como um resumo de tudo o que o Alter Bridge se propôs a fazer aqui. No fim das contas, este álbum não reinventa a roda, mas também nem precisava fazer a esta altura do campeonato. Ele reafirma o Alter Bridge como uma banda segura de si, madura e ainda extremamente competente no que se propõe a fazer. É um disco pesado, emotivo, bem produzido e cheio de momentos marcantes. Um trabalho que respeita o passado da banda, dialoga com o presente e mostra que ainda há muito a ser cantado.

Entrevista | Death to All – “Diziam que o death metal era barulho. Hoje falam que foi revolucionário”

O Death to All, projeto que reúne ex-integrantes do Death em uma celebração direta e respeitosa da obra de Chuck Schuldiner, falecido em 2001, retorna ao Brasil neste mês para uma série de quatro apresentações. A turnê marca datas simbólicas da discografia da banda, com foco nos álbuns Spiritual Healing e Symbolic, que completam 35 e 30 anos, respectivamente. Os shows acontecem em Porto Alegre (20/01, no Opinião), Curitiba (21/01, no Tork n Roll), São Paulo (24/01, no Carioca Club) e Belo Horizonte (25/01, no Mister Rock), com produção da Overload e ingressos já à venda. No palco, o Death to All traz Gene Hoglan, baterista que participou de Individual Thought Patterns e Symbolic, ao lado do baixista Steve DiGiorgio, do guitarrista Bobby Koelble e de Max Phelps, responsável pela guitarra e vocais. Mais do que um tributo, o projeto se consolidou como uma forma de manter viva a música do Death e a memória de Chuck Schuldiner para diferentes gerações. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Gene Hoglan fala sobre o início da carreira no Slayer, a relação com Chuck, a importância do Symbolic, a criação do Death to All e a conexão especial com o público brasileiro. Antes de se tornar um dos bateristas mais respeitados do metal, você trabalhou nos bastidores com o Slayer, ainda muito jovem. Como essa experiência ajudou a moldar sua visão da estrada? Eu trabalhava com iluminação e nem dá para chamar aquilo de design de iluminação. Era tudo muito rudimentar, de baixo custo e com pouquíssimo tempo para montar. Ainda assim, aquela experiência foi fundamental para mim. Foi o meu primeiro contato real com a vida em turnê. Eu tinha 16 anos e estava cercado por adultos, músicos e técnicos mais experientes. Isso me ensinou muito sobre atitude. Aprendi rápido que, naquele ambiente, observar era mais importante do que opinar. Se eu pudesse voltar no tempo, diria a mim mesmo para falar menos e ouvir mais. Ninguém quer ouvir as opiniões de um garoto que acabou de chegar, muito menos alguém tentando repetir frases de rockstars que leu em entrevistas. Quando você é jovem, imagina que a vida na estrada é glamourosa, cheia de limusines, aviões e festas. Mas a realidade é bem diferente. Muitos músicos falavam que só queriam voltar para casa e dormir na própria cama. Eu estava no meu primeiro tour, me divertindo, e tentando agir como se estivesse exausto, repetindo discursos que não se aplicavam a mim. Foi uma lição importante de humildade. Essa fase também me ensinou a respeitar o processo e as pessoas ao redor. Mais tarde, quando comecei a tocar profissionalmente, eu já entendia como uma turnê funcionava de verdade. Isso moldou completamente minha postura até hoje. Sei que você era um grande fã de Rush e Kiss, mas quais outros discos e bateristas foram fundamentais para moldar seu estilo e te levar ao metal extremo? Foram muitos, e vieram em ondas. Judas Priest teve um impacto enorme em mim, especialmente discos como Stained Class, Sin After Sin, Hell Bent for Leather e até o álbum ao vivo. Simon Phillips tocando pedal duplo em músicas como “Call for the Priest” foi algo que abriu minha cabeça. Aquilo já apontava para o que depois seria o speed metal. Iron Maiden também foi crucial. O primeiro álbum deles me marcou profundamente. Eu tinha cerca de 12 anos quando saiu. Motörhead foi outra influência gigantesca, principalmente pela abordagem crua do Phil “Philthy Animal” Taylor. Era agressivo, direto, sem polimento. Anvil, com o Rob Reiner, Raven com o Rob “Wacko” Hunter, Accept com discos como Breaker e Restless and Wild, tudo isso ajudou a estabelecer uma linguagem baseada em velocidade e peso. Quando você olha para trás, vê claramente o fio condutor: o pedal duplo empurrando o metal para frente. Depois, estar em Los Angeles no início dos anos 80 foi decisivo. Eu vi o Metallica tocar no Whisky (a Go Go) em 1982, no segundo show da banda. Eu tinha 15 anos. Estar ali, vivendo aquele nascimento do thrash metal, foi algo que moldou tudo o que veio depois, inclusive o death metal. Quando você e os músicos do Death perceberam que estavam ajudando a criar algo novo, que mais tarde seria chamado de death metal? Isso aconteceu ainda antes de eu entrar na banda. Na época em que o Death estava sendo formado, eu ainda estava no Dark Angel e antes disso no War God. Mas o Chuck e eu já éramos amigos. Todo mundo conhecia o material do Mantis, com Chuck, Kam Lee e Rick Rozz. As influências eram compartilhadas. Venom, Slayer, Possessed, todas essas bandas estavam moldando a cena. Dark Angel tocava com Slayer naquela época, e era possível perceber que todos estávamos bebendo da mesma fonte. Quando você está criando algo novo, não existe a consciência de que está fazendo história. O que existe é resistência. As pessoas diziam que aquilo era ruim, que não era música, que era barulho. Isso aconteceu com o thrash, aconteceu com o death metal. Só muitos anos depois é que as pessoas olham para trás e dizem que aquilo foi revolucionário. O Chuck tinha uma visão muito clara. Quando o death metal começou a seguir caminhos que não o interessavam, ele simplesmente seguiu em frente, evoluindo do jeito dele. Ele nunca se preocupou em se encaixar. Essa foi uma das maiores forças dele. Como era a dinâmica de trabalho entre você e Chuck Schuldiner no estúdio? Havia espaço para colaboração ou ele que dava as cartas? O Chuck era extremamente aberto à colaboração. Ele sempre dizia que não era baterista, então confiava completamente em mim nesse aspecto. Quando eu perguntava se alguma coisa estava exagerada ou difícil demais, ele sempre respondia: “Vai fundo, você está aqui porque eu quero tocar com você”. Essa confiança era mútua. Quando fui para a Flórida gravar Individual Thought Patterns, tivemos pouquíssimo tempo para preparar tudo. Sugeri que pegássemos guitarras e que ele me ensinasse todos os riffs. Queria entender exatamente como

Entrevista | Bruno Graveto – “O Chorão me deu carta branca para gravar as baterias”

Bruno Graveto foi peça-chave na fase final do Charlie Brown Jr., período marcado por intensa produção criativa, grandes turnês e reconhecimento internacional. Baterista experiente, ele esteve diretamente envolvido nos últimos trabalhos de estúdio da banda, incluindo o álbum Camisa 10, vencedor do Grammy Latino, além de, claro, dividir o palco com Chorão em alguns dos shows mais emblemáticos da trajetória do grupo. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Graveto relembra como foi o processo de criação ao lado de Chorão, fala sobre a liberdade criativa que recebeu dentro da banda, recorda apresentações históricas do Charlie Brown Jr. e destaca shows marcantes de outros projetos que fizeram parte de sua carreira, como a passagem pelo Capital Inicial. Graveto, você foi responsável pelos últimos trabalhos do Charlie Brown Jr. e sempre existe a curiosidade sobre como era esse processo. Como foi entrar em estúdio para gravar as baterias e como era o nível de exigência do Chorão nesse trabalho todo? Primeiro, prazer estar aqui trocando essa ideia com você. Na verdade, ele me facilitou muito. Quando eu entrei na banda, foi no meio de uma turnê, e a gente começou a criar o que viria a ser o Camisa 10. Inclusive, a gente ganhou o Grammy com esse álbum. Nesse projeto, no momento da composição, ele chegou pra mim e falou: “Cara, você está aqui por merecimento. É carta branca. Você bota a sua cara no som. Se a gente achar que é muito, a gente olha. Se achar que é pouco, a gente troca ideia. Mas a gente precisa de você trabalhando”. Isso te tranquilizou de certa forma né? Isso me deu muito gás, porque não era aquela coisa de seguir uma cartilha. Acho que isso me travaria mais. Esse lance de “segue isso aqui, é assim que tem que ser” não rolou. Ele falou: “É carta branca, faz, a gente ouve e vê como fica”. Isso fez fluir muito melhor. Talvez eu ficasse mais receoso se ele tivesse imposto um caminho fechado. No fim das contas, essa liberdade me ajudou demais. Graveto, quando você pensa nas turnês do Charlie Brown Jr., qual é o show inesquecível que vem primeiro à cabeça? Teve um muito especial em Campo Grande, no Mato Grosso. Foi um show aberto ao público, só nosso, gratuito. A gente vinha de outro show, tocou, e depois apareceram a Polícia Militar, o pessoal da organização, da prefeitura, e falaram que o recorde da cidade era do Jota Quest, com 92 mil pessoas. Disseram que a gente tinha colocado 100 mil. Aquilo ficou muito marcado pra nós. A gente só ficou sabendo depois do show. Claro que dava pra ver um mar de gente, mas você nunca sabe os números, como a cidade funciona. Quando contaram tudo isso, e falaram que o Jota Quest, que é uma banda gigante, tinha levado 92 mil e a gente 100 mil, aquilo ficou gravado na nossa história. Para encerrar, fora do Charlie Brown Jr., você participou de várias bandas e projetos. Tirando o Charlie Brown, qual foi o show do coração, pode ser com Strike, Surto, Cali ou qualquer outro projeto? Você citou Strike, Cali, Surto, projetos que eu toquei, e poderia ser qualquer um deles. Mas teve algo muito especial que nem todo mundo sabe. Eu toquei com o Capital Inicial em 2014, fiz três shows com eles. Foi um final de semana muito mágico pra mim. Teve muita correria, muita responsabilidade, mas eu consegui segurar a onda e fazer bons shows. Esse registro ficou muito forte na minha cabeça. Tem vídeo no YouTube, tem em vários lugares. Eu coloco esses shows como algo muito especial. Foi intenso, deu tudo certo e foi uma experiência irada. Obrigado, meu irmão. Foi demais. Foto: Murilo @murilosts777

Entrevista | Planta e Raiz – “Para 2026, temos um projeto chamado Tranquilize”

O Encontro 013 voltou a ocupar espaço na agenda cultural de Santos na última sexta-feira (26), reafirmando sua origem e propósito. Criado inicialmente como uma reunião de amigos na praia logo após a morte de Chorão, o encontro cresceu ao longo dos anos, ganhou estrutura e se transformou em um evento que mantém como tradição o tributo ao Charlie Brown Junior, banda símbolo da cidade. No último evento do ano, no Arena Club, Soulshine, Skasu, DZ Rock e Planta e Raiz se apresentaram. A edição teve início com as apresentações de Soulshine e Skasu, preparando o clima para a noite. Na sequência, a DZ Rock assumiu o palco com um tributo ao Charlie Brown Junior, conectando o público diretamente com a essência do evento e reforçando a relação afetiva entre Santos e o legado deixado por Chorão e sua geração. Encerrando a noite, o Planta e Raiz entregou um show que equilibrou bem seus principais sucessos com novidades. A banda apresentou ao público o novo setlist da turnê do álbum Flor de Fogo, lançado em outubro, e encontrou uma resposta imediata da plateia, que cantou, agitou e pediu bis ao final da apresentação. Atendendo ao pedido de forma improvisada, o grupo voltou ao palco e surpreendeu com versões de Bob Marley e do clássico “Estou a dois passos”, da Blitz, encerrando o Encontro 013 em clima de celebração, comunhão e respeito às raízes que deram origem ao evento. Em bate papo com o Blog N’ Roll, o vocalista do Planta e Raiz, Zeider, contou sua ligação com Chorão e revelou em primeira mão que lançará um novo álbum de versões no início do ano. Em homenagem ao Chorão, vocês têm “Ghetto do Universo”, que vocês tocaram juntos. Queria saber um pouco dos bastidores, tanto do Chorão cantando com vocês no DVD quanto alguma história bacana desse encontro. Zeider – A primeira impressão que tivemos do Chorão foi muito marcante. Quando nos encontramos pela primeira vez, ele chegou extremamente caloroso e acolhedor com a gente. Éramos mais novos, uma geração que vinha logo depois, e parecia mesmo que ele estava abençoando a nossa caminhada. Quando mostramos a música para ele, “Ghetto do Universo” ainda era inédita. Assim que terminamos de tocar, ele continuou a canção, e disse que tinha uma do Charlie Brown, mas que queria colocar ela na nossa música também. Foi um gesto de muita generosidade. Nota da redação: A música em questão era Dias de Luta, Dias de Glória E tem alguma história curiosa nesses bastidores? Zeider – No dia da gravação do DVD ele tinha se machucado andando de skate, bateu a cabeça e estava no hospital, mas deu um jeito de sair de lá para participar. Ele representou, eternizou aquele momento. É um cara que mora no nosso coração, um ídolo, quase como um irmão mais velho para nós. Hoje fica a vibração e a energia. Santos tem essa força muito particular. É uma cidade que a gente frequenta desde o começo da nossa caminhada e sempre sentiu essa energia se perpetuando, passando de geração em geração, muito por causa do Charlie Brown Junior e de toda aquela galera, Marcão, Thiagão e tantos outros. É algo sensacional. Somos muito felizes por fazer parte dessa família. Vocês gravaram um novo álbum ao vivo em Noronha, lançaram álbum novo. Tem espaço para novidades em 2026? Zeider – Para 2026, temos um projeto chamado Tranquilize, que traz versões de músicas clássicas brasileiras, com uma pegada mais raiz. Ele deve chegar no começo do ano. Paralelamente, seguimos na estrada com a turnê do álbum Flor de Fogo, lançado em outubro de 2025, então estamos sempre rodando e produzindo. Além do Tranquilize, em breve devemos apresentar músicas inéditas. Elas já vêm sendo compostas há algum tempo, vão se acumulando, e chega um momento em que é preciso colocar tudo para fora.

Booze & Glory confirma retorno ao Brasil em 2026 com show no Hangar 110

Ícone do street punk contemporâneo, o Booze & Glory retorna ao Brasil em fevereiro de 2026 para uma apresentação única em São Paulo. A banda britânica sobe ao palco do Hangar 110 no dia 28 de fevereiro, em show que integra a turnê de divulgação do álbum Whiskey, Tango & Foxtrot. A realização é da ND Productions em parceria com a Fastix. Formado em Londres, o Booze & Glory se consolidou como um dos principais nomes do punk Oi! das últimas décadas, com uma trajetória marcada por letras diretas, refrões fortes e uma estética fortemente conectada à cultura urbana e operária britânica. Liderado pelo vocalista Mark RSK, o grupo construiu uma identidade própria desde o álbum de estreia Always On The Wrong Side, lançado em 2010. Ao longo da carreira, a banda lançou trabalhos como As Bold As Brass, Mad World, Hurricane e Chapter IV, além de manter uma intensa agenda de turnês internacionais. O Booze & Glory já passou por grandes festivais europeus, como Rebellion Festival, Punk Rock Holiday e Mighty Sounds, e realizou apresentações pela Europa, América do Norte, América Latina e Japão. Um dos elementos centrais da identidade do grupo é a relação direta com a cultura do futebol, presente tanto nas letras quanto no imaginário visual da banda. A associação com as arquibancadas inglesas, os cânticos de torcida e o espírito coletivo aproxima o punk Oi! do universo futebolístico, reforçando a conexão com o cotidiano das ruas. Gravado na Itália, Polônia e México, Whiskey, Tango & Foxtrot reafirma o compromisso do Booze & Glory com um som cru e direto, sustentado por guitarras incisivas e batidas aceleradas. Os primeiros singles, como “Boys Will Be Boys”, “Brace Up” e “Mad World”, apontam para um disco pensado para o coro do público, mantendo viva a tradição do punk britânico de transformar shows em experiências coletivas. Booze & Glory em São Paulo Data: 28 de fevereiro de 2026 (sábado) Local: Hangar 110 Horário: 18h (abertura da casa) Endereço: rua Rodolfo Miranda, 110 – Bom Retiro, São Paulo/SP Ingressos: fastix.com.br/events/booze-glory-uk-em-sao-paulo

Luís Capucho transforma cotidiano e mistério em narrativa no novo single “Tava na Noite”

O cantor, compositor, escritor e pintor Luís Capucho lança o single “Tava na Noite”, mais um capítulo do álbum Homens Machucados, previsto para os próximos meses. Dono de uma obra gravada por nomes centrais da música brasileira, como Cássia Eller, o artista apresenta uma canção que destaca sua voz singular e a força de uma escrita voltada para o cotidiano, conduzida pela intuição e pelo mistério que marcam sua trajetória autoral. O lançamento chega aos serviços de streaming pelo selo + Um Hits. Assim como o single anterior, “A Masculinidade”, a nova faixa surge sem um projeto prévio definido. Capucho explica que a composição nasceu de forma espontânea, a partir de uma situação simples, uma viagem de ônibus, que se desdobra em pensamentos, nostalgia, possibilidades e realidades. Com violão marcante e voz aveludada, “Tava na Noite” aposta na escuta atenta e no tempo dilatado, características recorrentes em sua obra mais recente. Compositor intuitivo e sem formação acadêmica em música, Capucho se afirma como um criador múltiplo, transitando entre música, literatura e artes visuais. Após enfrentar sequelas motoras que o afastaram temporariamente do violão, encontrou na escrita e na pintura novas formas de expressão, como a série de retratos As Vizinhas de Trás. Hoje, aposentado da docência em língua portuguesa, assume plenamente a música como principal modo de vida e expressão artística. Pela primeira vez em sua carreira, o artista mantém uma banda estável, formada por Felipe Abou, na bateria, e Guilherme Vieira, no baixo. O trio, que atravessa diferentes gerações, compartilha a música como eixo central da vida. Musicalmente, Capucho carrega referências que vão da música caipira, brega e jovem guarda, ouvidas na infância no interior do Espírito Santo, à MPB urbana e literária, além de uma rusticidade adquirida após o reaprendizado do violão, aproximando seu som do rock e do underground. Em Homens Machucados, essas camadas se encontram e ajudam a consolidar uma identidade artística cada vez mais definida.

Ana Cacimba comemora 10 anos com Luminosa Ato 1 Lua: obra dividida entre espiritualidade e expansão

A cantora, compositora e instrumentista Ana Cacimba lança Luminosa Ato 1 Lua, trabalho que marca seus dez anos de trajetória artística e inaugura um projeto conceitual dividido em dois capítulos. Quilombola e periférica, a artista propõe uma obra guiada por metáforas de luminosidade, em que a Lua simboliza mistério, intuição e espiritualidade, enquanto o segundo ato, Sol, previsto para os próximos meses, representará expansão e realização. O lançamento sai pelos selos Head Media e Universal Music. O primeiro ato reúne canções autorais e tradicionais diretamente conectadas à fé da artista, com a Música Popular Brasileira atravessada pela afro religiosidade. A sonoridade percorre samba rock, samba, pop, afrobeat, kuduro e referências da música caipira inspirada nas congadas do Rosário do Vale do Jequitinhonha. O asalato, instrumento de origem africana, aparece como elemento central e reforça o vínculo com a ancestralidade. Segundo Ana, o conceito de Luminosa nasce da necessidade de falar sobre autoestima e valorização do próprio brilho pessoal e espiritual em meio às exigências do cotidiano. O disco se abre com “Exu”, uma poesia autoral em forma de reza, seguida por “Padê Onã”, ambas com participação de Alessandra Leão. Ao longo do repertório, a espiritualidade se manifesta em diferentes camadas, como na exaltação do sagrado feminino em “Pombagira Dona da Casa Maria Mariá”, na força dos ventos em “Oyá”, que dialoga com o kuduro angolano, e nas homenagens às yabás das águas em “Ponto de Oxum” e “Canto de Iemanjá”. Tradições também são revisitadas em faixas como “Preto Velho”, “O Sino da Igrejinha” e “Se Meu Pai é Ogum”, além das referências às memórias quilombolas da família da artista ao celebrar Oxóssi, Oxalá e Xangô. A produção musical é assinada por Los Brasileros e Dmax. O lançamento vem acompanhado de um visualizer para “Exu Padê Onã”, dirigido por Gabriel Sorriso, com imagens captadas durante a gravação no estúdio Head Media. A identidade visual reforça o conceito do projeto, trazendo a Lua como personagem central da capa, em um trabalho concebido por Ana Cacimba e desenvolvido em parceria com uma equipe majoritariamente feminina. O segundo ato, Sol, dará sequência à narrativa ao explorar experiências cotidianas, alegria e a energia do convívio com o mundo exterior, ampliando o retrato da afro brasilidade e da afro religiosidade na música popular brasileira.

Entrevista | Rancore faz show secreto no Bar Alto e apresenta novo álbum na íntegra

O Rancore realizou dois shows secretos no Bar Alto, em São Paulo, na noite de ontem (18), em duas sessões seguidas. O Blog N’ Roll foi convidado para acompanhar a apresentação das 21h30 que marcou a execução ao vivo, pela primeira vez, das 11 faixas que compõem o novo álbum da banda, ainda sem título definido. Após a audição completa do material inédito, o grupo encerrou o set com quatro músicas já conhecidas do público: Quando Você Vem, Jeito Livre, Samba e Mãe. O novo trabalho chega 15 anos após Seiva e mantém uma característica histórica da discografia do Rancore: cada álbum soa diferente do anterior. Ainda assim, este novo disco dialoga diretamente com Seiva, tanto pela atmosfera quanto pela proposta artística. A experiência de ouvir o álbum ao vivo junto com os fãs e a presença de palco do vocalista Teco Martins foi além da música em si, evocando uma sensação quase ritualística, de caráter espiritual, resultado de uma construção sonora densa e imersiva. Essa abordagem reflete influências diretas dos hinários xamânicos que permeiam o universo criativo do vocalista, somadas a referências do post-punk dos anos 1980, das brasilidades das décadas de 1970 e 1980 e do punk brasileiro em sua forma mais crua. Há ecos claros de bandas como Olho Seco e Restos de Nada, em um disco que se afasta de rótulos fáceis e reafirma a identidade mutável do Rancore, sempre em transformação. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Teco Martins conta sobre a volta da banda, as influências e diferenças criativas dos integrantes e também a decisão de deixar de fora os singles lançados anteriormente, como Quando você vem e Pelejar. O álbum novo ainda não tem nome. Em que estágio ele está e qual é a previsão de lançamento? Teco Martins – O disco está totalmente pronto. A gente está finalizando a arte e vivendo uma disputa intensa sobre o nome. O primeiro single sai agora no começo do ano, em janeiro. Deve vir outro em fevereiro e, provavelmente, o álbum completo chega em março. Ainda não é uma certeza absoluta, mas esse é o planejamento. Essa indefinição do nome diz algo sobre o processo do disco? Teco Martins – Totalmente. Essa disputa pelo nome representa tudo o que foi a construção do álbum. Encontrar a intersecção entre nós cinco foi o grande desafio. Somos pessoas muito diferentes, com influências muito distintas, mas que se amam muito. Somos amigos de infância. A escolha do nome precisa representar isso tudo, e a gente vai encontrar. Ele vai aparecer. O que pesou na decisão de não incluir os singles Pelejar e Quando Você Vem no álbum? Teco Martins – Sinceramente, porque sentimos que as outras músicas são melhores. E também achamos interessante lançar um disco totalmente inédito. Eu amo Pelejar e Quando Você Vem, elas me representam muito, mas sentimos que essas músicas funcionaram como um aquecimento para fazer esse disco. Foi uma escolha consciente. Também achamos legal ter singles soltos. Esse novo repertório aponta para uma mudança de linguagem do Rancore? Teco Martins – Sim. As onze músicas seguem uma linha diferente. A galera vai precisar entender melhor essa transformação que começou no Seiva e continua agora. O público do Rancore já está acostumado com mudanças. Do Yogo Stress e cafeína para o Liberta foi uma diferença grande, do Liberta para o Seiva também. A gente nunca quis fazer a mesma coisa. Queremos fazer o que acreditamos no momento. Estamos sempre em transformação, e a música reflete isso. Quais foram as principais influências desse disco? Vi de post punk até o início do movimento punk brasileiro, algumas coisas me lembraram Olho Seco… Teco Martins – Você foi bem sagaz ao perceber o punk. O punk 77 foi algo com que eu me conectei muito nesse disco. Sempre gostei de The Clash, mas dessa vez me aproximei bastante de Olho Seco, Cólera, Flicts, Os Excluídos, Restos de Nada, Dead Kennedys. Esse foi um lado do álbum. Mas também tem noise, glitch, eletrônicos mais experimentais. E as influências mais espirituais e brasileiras? Teco Martins – Eu gosto muito de música xamânica, de hinários, de Santo Daime. Isso aparece bastante. É tanta influência que fica claro por que a busca pela intersecção entre nós cinco é tão importante. Cada um viveu experiências muito diferentes. O Candinho estava em Berlim fazendo música experimental. O Gulão mergulhou na música eletrônica e virou DJ, com o projeto Nuvem. O Alê tocou com o Supla e trouxe essa energia punk. Eu estava fazendo música de ritual, ligado à floresta, à terra. Como tudo isso se encontra dentro do Rancore? Teco Martins – O Rancore bebe de muitas fontes musicais e de estilos de vida muito diferentes. E, mesmo assim, somos os mesmos caras há muitos anos, a mesma formação desde a época da escola. É bonito esse encontro de pessoas que pensam muito diferente, mas conseguem se comunicar musicalmente e criar algo que é só nosso. Vocês conseguem definir o som desse novo disco? Teco Martins – Não. Nem a gente sabe definir. É hardcore, psicodélico, indie, tropical, punk. É muita coisa. E acho que todo artista busca isso: fazer algo com personalidade única, algo que só existe ali. Podemos dizer que você se reconectou com o rock para fazer esse disco? Teco Martins – Sim. Eu tinha parado de ouvir rock por um tempo. Para fazer esse disco, me reconectei com isso. Você está usando a camiseta do Black Sabbath, essa foi uma das bandas. Teve também o The Clash, Deep Purple, o rock mais raiz. Também com o rock brasileiro mais pesado, os punks antigos. Quando eu era adolescente, minha cabeça era hardcore melódico, quanto mais rápido melhor. Mas agora me conectei muito com essa essência mais crua do punk, e isso está muito presente nesse disco.