Sugar Kane volta às raízes em Curitiba no clipe “Pelo Avesso”

O Sugar Kane volta às origens no novo clipe de “Pelo Avesso”, lançado nesta terça. A faixa, parte do álbum “Antes que o Amor Vá Embora”, ganha uma versão audiovisual que conecta passado e presente da banda curitibana, referência absoluta do hardcore melódico nacional. O vídeo, já disponível no canal oficial do grupo, reforça a potência emocional da canção e marca mais um capítulo importante na trajetória do Sugar Kane. Gravado inteiramente em Curitiba, o clipe refaz memórias e cenas que moldaram a história da banda. A estética se inspira no projeto fotográfico “thebandwashere”, criado pelo fotógrafo Steve Birnbaum, que registra bandas em locais reais que marcaram suas carreiras. Com direção de Jorge Daux, o vídeo acompanha os integrantes revisitando pontos simbólicos da capital paranaense, transformando nostalgia em reencontro e reconstrução. A inspiração surgiu de um dos versos mais fortes da música, que diz que no lugar onde se nasce é preciso saber recomeçar eternamente. “Pelo Avesso” é uma balada de hardcore com pegada rock, guiada por melodias marcantes e pela temática da mudança. A faixa aborda as escolhas, a coragem de virar a vida pelo avesso e a busca por novos caminhos, elementos reforçados pela narrativa visual. Com o novo clipe, Sugar Kane entrega um registro íntimo e renovado, reafirmando sua relevância e sua ligação profunda com Curitiba.

Tiny Desk Brasil estreia música inédita de Liniker em episódio desta terça

Liniker abriu mais um capítulo da própria história no Tiny Desk Brasil. No décimo episódio da versão nacional do projeto, lançado nesta terça-feira às 11h no YouTube, a artista não só revisitou momentos importantes da carreira como apresentou pela primeira vez a inédita Charme, gesto que marcou o programa como palco de um lançamento oficial. A cantora reforça um feito raro: é a única artista brasileira a ter passado tanto pelo Tiny Desk original, nos Estados Unidos, quanto pela edição brasileira . Ao lado de uma banda numerosa e afiada, Liniker navegou por faixas de CAJU e outros trabalhos que moldam sua trajetória. Mas foi Charme que transformou a gravação em um momento especial. Antes de cantar, ela dedicou a nova música ao Tiny Desk e ao público que acompanha sua fase mais frutífera. A apresentação reafirma a força de uma carreira que inclui turnês internacionais, o prêmio de Artista do Ano, o Grammy Latino por Indigo Borboleta Anil e a consolidação de CAJU como um dos álbuns mais celebrados do ano. A chegada do Tiny Desk Brasil também mexe com as expectativas da cantora. Para ela, ver o formato ganhando uma versão genuinamente brasileira significa ampliar descobertas em um país de dimensão continental e infinita diversidade musical. A edição nacional segue a essência do clássico: performances intimistas, voz sem amplificação, arranjos criativos e o foco total na organicidade dos músicos dividindo uma mesma mesa. Gravado no escritório do Google em São Paulo e apresentado pela Heineken, o programa mantém a tradição de anunciar cada atração só no dia da estreia, sempre às 9h, com texto e foto feitos por Lorena Calábria. Os episódios vão ao ar toda terça-feira e o público ainda encontra, às quintas, o Tiny Talks, espaço em que Sarah Oliveira recebe os artistas para conversas leves após as apresentações. Assim como no original norte-americano, o objetivo é capturar a energia mais honesta possível da música ao vivo, sem filtros e sem artifícios, exatamente o ambiente onde Liniker sempre brilhou. Com seu impacto renovado no cenário brasileiro e internacional, o Tiny Desk Brasil reforça o papel do país como uma das maiores audiências globais do formato. A parceria entre Anonymous Content Brazil, YouTube Brasil e NPR posiciona a nova fase do projeto como uma vitrine da música feita aqui, celebrando arranjos, vozes, histórias e a criatividade que transformam cada episódio em uma descoberta. Liniker inaugurar uma música nesse palco parece, no fim das contas, apenas natural. É onde tudo soa mais verdadeiro.

Entrevista | Dirty Sound Magnet- “Não tentamos recriar nenhum som, mas as nossas raízes estão nas décadas de 60 e 70”

O Dirty Sound Magnet incendiou o pub Mucha Breja na última terça, 2 de dezembro, em uma apresentação que levou o público santista por uma viagem completa pela carreira da banda suíça. A abertura da noite ficou por conta da dupla do Guarujá Addictwo que faz um rock alternativo e chama atenção pelo fato de fazer shows sem utilizar uma guitarra. Russo, vocalista, faz uso de pedais e dois amplificadores para fazer os sons de guitarra e baixo simultaneamente. Com um set que mesclou fases distintas, do psicodélico mais viajado aos riffs pesados e modernos, o Dirty Sound Magnet conquistou a plateia desde os primeiros acordes. A resposta do público foi imediata: energia alta, olhos atentos e um entusiasmo que cresceu a cada mudança de clima, criando uma noite em que a conexão entre banda e fãs se manteve intensa do início ao fim. Formado na Suíça, o Dirty Sound Magnet construiu sua identidade ao unir o espírito livre dos anos 60 e 70 com influências contemporâneas, resultando em um som que transita entre o rock psicodélico, o hard rock e a experimentação moderna. A banda passou por turnês extensas pela Europa, chamou atenção em festivais internacionais e expandiu sua base de fãs mundo afora com performances marcantes. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Stavros Dzodzos e Marco Mottolini falaram sobre conexão com o Brasil e o histórico e influências da banda. Para aqueles que não conhecem o som de vocês, como definiriam o Dirty Sound Magnet e quais são as influências da banda? Stavros Dzodzos – Eu diria que temos nossas raízes nos anos 60 e 70, porque naquele período existiam muitas possibilidades na música, especialmente no rock, com muita liberdade. Não copiamos as bandas daquela época, mas mantemos esse espírito. Misturamos influências modernas e não tentamos recriar nenhum som, mas as raízes estão nessa era. As bandas que nos influenciaram muito são Led Zeppelin, Black Sabbath, Pink Floyd e The Doors. Mais modernos, eu diria Red Hot Chili Peppers, Queens of the Stone Age e King Gizzard and the Lizard Wizard. E como tem sido a recepção brasileira até agora na turnê? Vocês têm planos de voltar? Marco Mottolini – A recepção foi ótima. Cada dia descobrimos um pouco mais do país e fomos surpreendidos. Não sabíamos o que esperar, ouvimos muitas coisas diferentes sobre o Brasil. Na Europa às vezes temos a impressão de que é um país de terceiro mundo, um pouco pobre, mas quando chegamos aqui vimos que as pessoas se cuidam, são muito amáveis e se ajudam muito. É um país muito bonito, com muita natureza, e cada dia acontece algo inesperado. Ontem, por exemplo, chegando perto de Santos, vimos um rapaz fazendo truque de fogo no semáforo, algo incomum para nós. Mas o grande diferencial é a comunicação e a forma como as pessoas sorriem o tempo todo. Gostamos muito e esperamos voltar. Estamos conversando sobre isso. Para fechar, um pequeno jogo. Falando sobre Futebol, do qual vocês são fãs: Chapuisat ou Ronaldo? Marco Mottolini – Que Ronaldo? O verdadeiro? O brasileiro? Eu fico com o Ronaldo pela memória da Copa de 98 na França, ele foi impressionante. Stavros Dzodzos – Para mim, nenhum dos dois. Pessoalmente, foi Zidane em 98. Todos os meus amigos torceram para o Brasil, mas eu torci para a França naquele dia. Gosto muito do Zidane pela elegância. Foi uma oposição de estilos incrível, a técnica brasileira e o time francês emergente. Foi um ótimo período para o futebol. E depois veio Ronaldinho alguns anos depois, talvez o meu favorito. Neymar que não é lá essas coisas, eu sei que ele é do Santos, mas é o que penso. Lagos suíços ou nossas praias? Marco Mottolini – Não vimos muitas praias, apenas a do Guarujá, que foi muito legal. Mas os lagos suíços também são incríveis. Não é a mesma categoria, não dá para comparar. Stavros Dzodzos – Eu sou um grande fã de nadar, então sempre escolho a praia. Sou meio grego e lá na Grécia as praias são lindas. Aqui ainda não sei se posso nadar, porque me disseram para não ir muito longe. Nos lagos da Suíça eu posso nadar, aqui não sei. Fique tranquilo, Santos é bem seguro, pouca correnteza. Stavros Dzodzos – Ah, então eu posso nadar. Disseram que o Rio é mais perigoso, o Guarujá também. Vamos tomar cuidado. Absinto, whisky ou cachaça? Marco Mottolini – Nós bebemos cachaça há dois dias. O baterista bebeu muito ontem, então respondo por ele: acho que ele diria cachaça por enquanto. Eu até gosto de absinto, mas me deixa um pouco louco, então não bebo muito. Stavros Dzodzos – Água. Não sei nem o que é cachaça. E para fechar: Chocolate suíço ou chocolate brasileiro? Stavros Dzodzos -Você está brincando? Você está brincando? A entrevista acabou! Isso não é uma pergunta. Isso não é pergunta que se faça (risos).

P.O.D. inicia turnê sul-americana em show explosivo no Carioca Club

O encontro de P.O.D., Demon Hunter e Living Sacrifice transformou o Carioca Club em uma noite dedicada ao rock cristão. As três bandas dividiram o palco em um evento que reuniu gerações e estilos diferentes dentro do metal. Living Sacrifice abriu a noite em sua primeira passagem pelo Brasil, seguido pelo peso característico do Demon Hunter, que aqueceu a plateia antes da entrada do P.O.D. Quando subiu ao palco, o P.O.D. iniciou com Southtown, uma escolha pouco comum para abrir os shows e que já incendiou a plateia. Em seguida vieram faixas que mantiveram o público em alta, como Rock the Party (Off the Hook) e Boom, além de momentos mais recentes que mostraram a fase atual da banda, destaque para o cover de The Beatles “Don’t Let Me Down”. Mesmo com a energia alta e uma performance consistente, o repertório deixou uma ausência sentida pelos fãs mais antigos. A clássica Satellite não apareceu no setlist, assim como outros sucessos de época que muitos esperavam ouvir. O show teve cerca de 1h15 e foi direto, sem bis, com Alive encerrando a noite. A apresentação abre a turnê sul-americana e valorizou a união de três nomes importantes do rock cristão. A soma delas trouxe peso, variedade e uma atmosfera particular que dificilmente será repetida em outra turnê. Setlist do P.O.D.SouthtownRock the Party (Off the Hook)BoomDropI Got ThatDon’t Let Me Down (The Beatles cover)BreakingMurdered LoveLost in ForeverSleeping AwakeI Won’t Bow DownSoundboy KillaWill YouYouth of the NationAfraid to DieAlive Turnê A turnê do P.O.D. e Demon Hunter segue da seguinte maneira: Rio de Janeiro (06/12 – Sacadura 154 – com Living Sacrifice)Recife (07/12 – Armazém 14)Curitiba (09/12 – Tork N’ Roll)Belo Horizonte (10/12 – Mister Rock)Brasília (12/12 – Toinha Brasil Show)São Paulo (13/12 – Carioca Club) O último show já está com cerca de 90% dos ingressos vendidos, indicando que a segunda apresentação na cidade deve ter casa lotada e a possibilidade de surpresas no repertório para quem ainda espera ouvir clássicos deixados de fora. A organização é da Estética Torta e En Hakkore Records.

Adi Oasis retorna ainda mais ousada no lançamento do EP Silver Lining

Adi Oasis apresenta seu novo EP Silver Lining, lançado pela Unity Records, e abre um capítulo de renovação na própria trajetória musical. O projeto reúne neo-soul, grooves modernos e uma entrega vocal mais ousada, marcando a parceria inédita com o produtor Carrtoons, referência em sonoridades que misturam jazz, funk contemporâneo e texturas experimentais. Conhecida pelas linhas de baixo marcantes e pela presença de palco magnética, a artista franco-caribenha explora força interior, expansão criativa e novas nuances estéticas sem perder a identidade que conquistou público ao redor do mundo. Silver Lining chega após o impacto global de Lotus Glow, álbum que ultrapassou 180 milhões de streams e levou Adi Oasis a uma turnê internacional esgotada. O novo EP se abre com “Stuck In My Head”, faixa que combina energia dançante, influência de divas clássicas e uma estética futurista. A artista também aprofunda sua fase de conexão com o público por meio da série Bathrobe Confessions no Instagram, além de reforçar sua relação com o Brasil, segundo país que mais consome sua música. Na última passagem pelo país, ela gravou “Cheirinho” com o duo carioca YOÙN, sua primeira faixa cantada em português e parte da tracklist do novo projeto. Com sensibilidade, groove e autenticidade, Silver Lining consolida Adi Oasis como um dos nomes mais importantes da nova cena soul contemporânea. Tracklist We Gon Win Silver Lining In The Sunrise Stuck In My Head Separate Ways Cheirinho (ft. YOÙN)

Tim Bernardes faz o show mais ambicioso do Tiny Desk Brasil

O Tiny Desk Brasil exibiu nesta terça-feira de manhã seu episódio mais grandioso até agora, colocando Tim Bernardes diante de uma orquestra de dezessete músicos atrás da pequena mesa do programa. O cantor revisita faixas de seu segundo álbum, “Mil Coisas Invisíveis”, com arranjos inéditos preparados especialmente para o projeto produzido pela Anonymous Content Brazil em parceria com o YouTube Brasil. Canções como Nascer, Viver, Morrer e BB (Garupa de Moto Amarela) ganham novas texturas nesse formato acústico que exige precisão, silêncio e uma sensibilidade pouco comum nas grandes produções. Tim chamou a experiência de empolgante e diferente, destacando o impacto do público próximo e a dinâmica entre os músicos no pequeno espaço. Regido pelo maestro Ruriá Duprat, o episódio reúne um time amplo que inclui violinos, violas, metais, harpa, contrabaixo e bateria. A seleção evidencia a fase madura de Tim, que desde o O Terno acumula elogios dentro e fora do país, colaborações com nomes como Gal Costa, Maria Bethânia e Fleet Foxes, e turnês internacionais que ampliaram sua projeção. A versão brasileira do Tiny Desk é apresentada pela Heineken e segue a tradição da NPR e mantém o mistério até o momento da estreia, sempre anunciada com foto instantânea e texto da jornalista Lorena Calábria às 9h. Com gravações ao vivo no escritório do Google em São Paulo e episódios semanais às terças, o projeto aposta na força do formato cru que já se tornou fenômeno global. As conversas adicionais do Tiny Talks, apresentadas por Sarah Oliveira às quintas, completam a programação, reforçando o compromisso do Tiny Desk Brasil em celebrar a música em seu estado mais puro.

Pedro Tommaso estreia com álbum Amora para consolidar sua virada artística

O cantor e compositor Pedro Tommaso lança seu primeiro álbum de estúdio, Amora, já disponível nas plataformas digitais. Nascido em São Paulo e radicado no Norte de Minas, o artista entrega um trabalho que nasceu do desejo de falar de amor em tempos de distâncias e incertezas. O disco, produzido de forma independente, transita por ritmos como funk, samba, ijexá, bolero, pop e indie rock, abraçando influências que vão de Lenine e Chico César a Vanessa da Mata e Gilberto Gil. O resultado é um mosaico afetivo que celebra a vida, as relações e o reencontro com o próprio sentir. Com dez faixas autorais, Amora destaca a pluralidade de Pedro e o cuidado com cada detalhe do projeto. Gravado durante a pandemia, o álbum surgiu de forma caseira e colaborativa, com as primeiras guias registradas no microfone de um fone de ouvido e lapidadas pelo produtor Rafael Carneiro. O disco também carrega afeto familiar, já que a filha do artista participa com vocalizações gravadas aos cinco anos de idade. A capa, assinada por Alexandre Zuba sobre foto de Lucas Viggi, sintetiza o espírito dessa nova fase: Pedro em pleno salto, em um gesto que mistura liberdade e enraizamento. Em declaração ao Blog N’ Roll, Pedro descreve o lançamento como um processo de renascimento artístico e emocional. “Eu sempre quis lançar meu disco, agora parece que eu pari meu primogênito e só me deu mais vontade de ter mais filhos”, diz. Ele lembra a dedicação de quatro anos até transformar a ideia de Amora em um álbum completo. “Agora, cheio de orgulho e água na boca, posso saborear meu primeiro álbum e oferecer esse sabor para o mundo enquanto colho os frutos deste lançamento.” Pedro vê o disco como um convite à escuta sensível e reforça o poder transformador da obra. “Amora faz muito bem para o coração”, afirma. Entre momentos de autocuidado, saudade, reencontros e descobertas, o trabalho marca uma virada de chave na carreira de um artista que compõe desde os 10 anos e agora encontra no amor, por si, pela música e pelo outro, sua força motriz.

Espelho do Zé lança “Último Suspiro”, um blues moderno e cheio de personalidade

O Espelho do Zé abre uma nova fase criativa com “Último Suspiro”, faixa que sucede “Para Aquilo que Sonhei”, “Sapatilha” e “Contradiz” e se firma como uma das interpretações mais intensas da banda. O grupo formado por Mariana Cintra, Gabi Schubsky, Leandro Rodrigo e André Guaxupé mergulha em um blues contemporâneo, urbano e carregado de tensão emocional, distante das amarras tradicionais do gênero. A canção nasce de um processo totalmente coletivo, impulsionado pelo desejo de Mariana de explorar uma atmosfera mais feminina e visceral. Dessa centelha inicial, letra, composição e harmonia fluíram no mesmo espaço criativo, em um terreno onde prazer e dor se encontram na mesma chama. A narrativa acompanha uma mulher sozinha em um quarto de hotel, às voltas com uma despedida que se impõe. Entre um abajur queimado, uma voz embargada e a queda que vira renascimento, o Espelho do Zé constrói um retrato de combustão emocional que transforma perda em liberdade. A faixa integra o EP Reflexo do Amanhã, projeto que consolida a maturidade coletiva da banda e filtra influências de Mutantes, Novos Baianos e Secos & Molhados em uma estética própria. Produzida por Thiago Barromeo e masterizada por Martin Furia, “Último Suspiro” surge pesada, imagética e crua, reafirmando o grupo em seu momento mais contundente e evocativo.

Entrevista | Digo Amazonas e a Multidão – “Fazemos rock com música brasileira”

O primeiro álbum de Digo Amazonas e a Multidão “Qual Brasil?” chega como um manifesto contemporâneo sobre o Brasil, atravessando camadas de história, política, identidade e pertencimento. O artista mistura rock, ritmos brasileiros e influências que vão do punk à Chico Science a Nação Zumbi, criando uma estética que abraça o passado para reinterpretar o presente. O disco nasce como uma viagem pelas contradições brasileiras, um mosaico que revisita 100 anos de cultura, dos ecos modernistas ao caos polarizado dos dias de hoje. No centro do trabalho, aparecem reflexões sobre patriotismo, meio ambiente, tecnologia e o impacto das redes sociais na vida cotidiana. A narrativa costura crítica social, memória histórica e um olhar atento para os movimentos ambientais, políticos e culturais que moldam o país. A intenção de Digo não é oferecer respostas prontas, mas provocar perguntas sobre o que significa ser brasileiro em 2025. E já que é para falar sobre o Brasil, a banda escolheu o Dia da Bandeira (19/11) para lançar o primeiro videoclipe “Qual Brasil”. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Digo Amazonas detalha suas influências, o processo de pesquisa, a presença da inteligência artificial no álbum, o impacto de sua convivência com povos indígenas e como a história continua sendo um fio condutor essencial em sua criação artística. Como você se apresenta para o público que está te descobrindo agora? Onde você se encaixa e quais são suas influências? Cara, eu acho que essa pergunta é boa do jeito que você colocou, porque é sempre difícil ter que se encaixar numa caixinha tão fechada. Eu acho que eu fazemos rock, não tem dúvidas. Nós fazemos rock com música brasileira, rock com ritmos brasileiros, e influências tenho muitas. Sou bem eclético, a rapaziada da banda também, mas a gente fez uma opção nesse álbum de fazer uma fusão de música brasileira, ritmos brasileiros, com punk rock. A gente tem influências muito evidentes, como Nação Zumbi, mas eu diria que fazemos isso de uma forma caindo mais para o punk. Foi o jeito que a gente tentou estruturar o conceito do álbum. Quando ouvi o álbum, senti uma mistura entre Dead Fish e Chico Science. Pô, que honra! No álbum você lida com patriotismo, símbolos nacionais e também faz uma viagem histórica que abrange duas décadas de experiência pessoal. Como você moldou essa visão de Brasil para retratar no disco? Eu tentei fazer uma viagem do Brasil de agora até o Brasil de 100 ou até 500 anos atrás. A inspiração veio no meio do processo, que foi o Manifesto Pau Brasil, que tem exatamente 100 anos. Sempre gostei muito do modernismo e da obra do Oswald de Andrade. Fui percebendo que a polarização daquela época para disputar uma ideia de identidade brasileira tinha muita similaridade com a polarização atual. Claro que não é igual, mas achei esses paralelos muito interessantes. No manifesto, quando ele lançou, surgiu na sequência o verde-amarelismo, que se contrapôs a ele e depois virou um movimento que desembocou num fascismo tupiniquim. Isso me ajudou a entender como fazer essas relações. No álbum, eu vejo que falo muito do Brasil contemporâneo, mas para falar dele, a gente precisa falar da história. Então tem muita pesquisa histórica e também uma parte de sonho. É o Brasil de hoje, de ontem e de amanhã. E o álbum lança essa pergunta: qual é o Brasil que a gente quer? Quando falamos de protesto, muitos pensam só em política. Mas você vai além e traz temas como natureza, meio ambiente e tecnologia. Como esses assuntos entraram no álbum? Falando primeiro de natureza e meio ambiente, isso sempre foi uma coisa que me moveu desde muito jovem. Sempre fui engajado e me envolvi com movimentos ambientais e socioambientais. Acabei de voltar da COP30, em Belém, onde acompanhei ativistas e participei de protestos. Hoje, falar de meio ambiente não é só falar de natureza. Acho que tudo está misturado. Então isso entrou de forma natural e virou quase um tema central do álbum. Os outros temas vieram dessa vivência de todo mundo hoje: a gente é muito grudado nas redes sociais. A questão da inteligência artificial entrou no final das composições, quase durante a gravação, porque é um assunto que está em tudo. Eu trago críticas ao uso excessivo da tecnologia, mas não é uma crítica utópica, como se isso tivesse que acabar. Tanto que fiz uma música com participação de uma inteligência artificial. O desafio foi misturar tudo isso. Teve um momento em que pensei em dividir o álbum em dois EPs, um sobre meio ambiente e outro sobre tecnologia, mas quando fomos fechar o repertório, percebi que cabia tudo na mesma história. Você cita personagens como Brás Cubas, Chico Mendes e autores na construção das letras. Como foi trazer esses elementos históricos, e como enxerga o papel da música nesse sentido hoje? Para mim veio naturalmente porque sou muito apaixonado por história. Eu até queria ter feito faculdade de história. Pesquisa histórica me ajuda a entender o presente. Sempre gostei de citações nas músicas, de trazer camadas que não estão no óbvio. O rap faz isso muito bem. Gosto dessa dinâmica. O próprio Chico Science fazia isso de forma incrível. Ele citava Josué de Castro e falava de fome. Se você vai pesquisar, descobre que ele denunciou a fome no Brasil. A obra tem profundidade. E isso provoca a pessoa a querer saber mais. Na música sobre Chico Mendes, conto literalmente o que aconteceu. A primeira parte é uma entrevista que ele deu antes de morrer, porque sabia que estava sendo perseguido. Eu falo exatamente o que ele fala ali e com o consentimento da família. Depois coloco o áudio de rádio anunciando a morte dele. Gosto de contar essa história. Sobre Brás Cubas, foi uma cereja do bolo no final. O álbum estava pronto e um amigo meu compartilhou a primeira frase do livro. Li de novo e vi que tinha tudo a ver com a música, porque é um eu lírico defunto. Busquei o