Lollapalooza no sábado teve leques, surpresas e polêmica

O segundo dia do Lollapalooza Brasil chegou com menos expectativa e números mais modestos de público, mas ainda assim entregou momentos relevantes dentro de um lineup cheio de apostas. Entre surpresas, reafirmações de força e uma das maiores polêmicas da edição, o sábado mostrou que, mesmo sem soldout, o festival segue capaz de gerar impacto dentro e fora dos palcos. No sábado, a proposta era acompanhar mais sete apresentações em um dia considerado mais modesto entre os três lineups. Sem soldout, o público caiu de 100 mil para cerca de 85 mil pessoas. Comecei novamente pelo palco Samsung com o Hurricanes, que mantém viva a estética e sonoridade dos anos 70. Funcionou como um bom cartão de visitas para quem ainda não conhecia o grupo. No palco principal, Agnes Nunes foi uma grata surpresa. Misturando MPB e pop, conquistou o público com autenticidade e emoção, chegando às lágrimas ao reconhecer o peso de estar ali como mulher preta e paraibana. A participação de Tiago Iorc em “Pode Se Achegar” elevou ainda mais o momento. De volta ao Samsung, o projeto Foto em Grupo reuniu integrantes de Daparte, Lagum e Anavitória. Apostando no carisma de Ana Caetano e Pedro Calais, o grupo trouxe ares de uma versão moderna dos Novos Baianos. Além das faixas autorais, covers de Lagum e Anavitória funcionaram bem para completar o set, com destaque para o momento político em “Eu Te Odeio”, com críticas a Donald Trump e Jair Bolsonaro. No palco principal, MARINA mostrou força de headliner mesmo fora desse posto. A área ficou lotada antes das 17h e o público criou uma atmosfera própria ao usar leques como percussão, transformando o show em uma experiência coletiva marcante. Representando o hip hop chicano, o Cypress Hill manteve sua identidade intacta. Sem concessões ao restante do lineup, entregou um show fiel à sua estética, com forte presença da cultura cannabis e momentos como o cover de “Bombtrack”, do Rage Against the Machine. Logo depois, o TV Girl apresentou um show despretensioso, quase caótico. O vocalista, Brad Petering, alternava seu carisma com momentos icônicos como comer banana e fumar vape nos intervalos. Fora dos padrões, a banda mostra que pode sustentar um indie pop-rock sem guitarrista e que funcionou muito bem ao vivo. Coube à Chappell Roan encerrar minha jornada no sábado em meio a um dos episódios mais comentados do festival. A artista subiu ao palco sob gritos contra o Flamengo e protestos ligados a uma polêmica envolvendo a filha do ator Jude Law e enteada de Jorginho, jogador do time carioca. Segundo relatos da família, a cantora teria acionado a segurança do hotel após acusar a criança de assédio durante o café da manhã, episódio que rapidamente dominou as redes sociais. Mesmo com o rótulo de “fofoca do dia”, Chappell fez uma estreia consistente no Brasil. Diferente da estética ensolarada de Sabrina Carpenter, apostou em um cenário de castelo gótico e uma banda formada por mulheres, trazendo um peso mais próximo do rock à sua apresentação. No repertório, incluiu um cover de “Barracuda”, do Heart, reforçando a conexão com o rock feminino clássico. Hits como “Pink Pony Club” foram cantados em coro, embalados por uma plateia que manteve a já tradicional coreografia com leques. Ao fim do show, a cantora se pronunciou nos stories, pediu desculpas pelo ocorrido e afirmou não ter relação com a atitude do segurança.
Lollapalooza in loco: Sete shows na Sexta-Feira com revival do Nu Metal e afirmação da nova cena pop

A convite do Lollapalooza Brasil, acompanhei in loco os dois primeiros dias do festival, sexta e sábado, em uma maratona de 14 shows que ajudaram a desenhar o termômetro da edição. Entre apostas da nova cena, nomes já consolidados e headliners de peso, o evento mostrou seus contrastes logo nas primeiras horas. Na sexta, cheguei direto ao palco Samsung para conferir a vencedora da seletiva da 89FM Rádio Rock. A Ginger and the Peppers confirmou o hype das redes sociais com um som calcado no classic rock setentista, evocando referências como Led Zeppelin e AC/DC. Cantando em inglês, a banda teve como destaque a presença de sua vocalista Julia, que sustenta a identidade do grupo com segurança. Permaneci na mesma área, transitando entre os palcos Samsung e Flying Fish durante as próximas horas. O Viagra Boys entregou um dos shows mais divertidos do dia, com energia contagiante e uma mistura crua de indie e punk. Nem pareciam que haviam feito um sideshow há menos de 24 horas. Mesmo quem não conhecia o repertório acabou fisgado pela intensidade da apresentação, que teve direito até a stage dive de um dos integrantes. Na sequência, Ruel quebrou a sequência mais pesada com um pop dançante e bem executado. Aproveitando o momento do single “Don’t Say That”, mostrou maturidade aos 22 anos, alternando entre coreografias e momentos mais intimistas, como a versão voz e violão de “Girls Just Wanna Have Fun”, de Cyndi Lauper. Um dos nomes mais aguardados, o Interpol reforçou uma impressão recorrente em festivais: funciona melhor para fãs do que para novos públicos. Com execução impecável e elegância visual, a banda optou por uma postura distante, quase protocolar, o que esfriou o clima entre a explosão do Viagra Boys e a expectativa pelo Deftones. Em contraponto, o Men I Trust, no palco ao lado, transformou o espaço menor em um grande coro coletivo. Com forte carisma de sua vocalista, Emma, o show ganhou clima de luau ao anoitecer, com o público cantando em uníssono. Quando o Deftones subiu ao palco, Chino Moreno já ditava o ritmo com intensidade máxima. A apresentação foi explosiva e reafirmou o status de headliner da banda, mesmo com foco no material mais recente do elogiado álbum Private Music e ausência de alguns hits. Houve sinalizadores, mosh e entrega do público. O ponto negativo ficou por conta do uso dos telões, pouco funcionais para quem acompanhava de longe e sentado nos morrinhos. Encerrando a noite, Sabrina Carpenter assumiu o posto de headliner com um espetáculo pensado nos mínimos detalhes. Após passagens anteriores pelo Brasil como coadjuvante, inclusive abrindo para Taylor Swift e Ariana Grande, a artista agora liderou o primeiro dia com autoridade. O show foi protocolar, mas altamente eficiente, com cenário cinematográfico, trocas de figurino e forte interação visual. Em “Juno”, a participação de Luísa Sonza dividiu opiniões. No fim, hits como “Espresso” e um show pirotécnico transformaram a noite em um verdadeiro réveillon pop. No sábado, a proposta era acompanhar mais sete apresentações em um dia considerado mais fraco de lineup. Sem soldout, o público caiu de 100 mil para cerca de 85 mil pessoas. Comecei novamente pelo palco Samsung com o Hurricanes, que mantém viva a estética e sonoridade dos anos 70. Funcionou como um bom cartão de visitas para quem ainda não conhecia o grupo. No palco principal, Agnes Nunes foi uma grata surpresa. Misturando MPB e pop, conquistou o público com autenticidade e emoção, chegando às lágrimas ao reconhecer o peso de estar ali como mulher preta e paraibana. A participação de Tiago Iorc em “Pode Se Achegar” elevou ainda mais o momento. De volta ao Samsung, o projeto Foto em Grupo reuniu integrantes de Daparte, Lagum e Anavitória. Apostando no carisma de Ana Caetano e Pedro Calais, o grupo trouxe uma releitura moderna da vibe dos Novos Baianos. Além das faixas autorais, covers funcionaram bem para completar o set, com destaque para o momento político em “Eu Te Odeio”, com críticas a Donald Trump e Jair Bolsonaro. No palco principal, MARINA mostrou força de headliner mesmo fora desse posto. A área ficou lotada antes das 17h e o público criou uma atmosfera própria ao usar leques como percussão, transformando o show em uma experiência coletiva marcante. Representando o hip hop chicano, o Cypress Hill manteve sua identidade intacta. Sem concessões ao restante do lineup, entregou um show fiel à sua estética, com forte presença da cultura cannabis e momentos como o cover de “Bombtrack”, do Rage Against the Machine. Logo depois, o TV Girl apresentou um show despretensioso, quase caótico. O vocalista alternava entre comer banana e fumar vape nos intervalos, enquanto a banda sustentava um indie pop sem guitarrista que funcionou melhor ao vivo do que no papel. Coube à Chappell Roan encerrar minha jornada no sábado em meio a um dos episódios mais comentados do festival. A artista subiu ao palco sob gritos e protestos ligados a uma polêmica envolvendo a filha do ator Jude Law e enteada de Jorginho, jogador do Flamengo. Segundo relatos da família, a cantora teria acionado a segurança do hotel após acusar a criança de assédio durante o café da manhã, episódio que rapidamente dominou as redes sociais. Mesmo com o rótulo de “fofoca do dia”, Chappell fez uma estreia consistente no Brasil. Diferente da estética ensolarada de Sabrina Carpenter, apostou em um cenário de castelo gótico e uma banda formada por mulheres, trazendo um peso mais próximo do rock à sua apresentação. No repertório, incluiu um cover de “Barracuda”, do Heart, reforçando a conexão com o rock feminino clássico. Hits como “Pink Pony Club” foram cantados em coro, embalados por uma plateia que manteve a já tradicional coreografia com leques. Ao fim do show, a cantora se pronunciou, pediu desculpas pelo ocorrido e afirmou não ter relação com a atitude do segurança. Em dois dias, o Lollapalooza expôs suas dualidades: entre o espetáculo calculado do pop e a entrega crua do rock, entre novas apostas e nomes consolidados. No fim, mais do
Entrevista | Candlebox – “Acho que fomos subestimados. Fizemos vários discos bons e nunca paramos”

O Candlebox será uma das principais atrações internacionais do Somos Rock Festival, com apresentações marcadas para São Paulo, no dia 25 de abril, e Curitiba, no dia 26. A passagem, que inclui também um sideshow dia 24 em Santo André, marca a estreia da banda no Brasil após mais de três décadas de carreira, dentro da turnê sul-americana. Chile e Argentina serão os outros países contemplados nessa passagem. Liderado pelo vocalista Kevin Martin, o grupo chega ao país em um momento de retomada, após um quase adeus, e impulsionado pelo retorno do guitarrista fundador Peter Klett. A formação reacende a essência dos primeiros discos e amplia a expectativa para performances de clássicos como “Far Behind” e “You”, além de um repertório mais abrangente que revisita diferentes fases da carreira. Formado em Seattle no início dos anos 90, o Candlebox surgiu na esteira da explosão do grunge e rapidamente alcançou sucesso comercial com seu álbum de estreia, lançado em 1993, que ultrapassou a marca de quatro milhões de cópias vendidas. Ao longo dos anos, a banda consolidou seu nome como um dos principais representantes do post grunge, mantendo atividade constante mesmo após mudanças de formação e períodos de hiato, até chegar à atual fase, marcada por um “recomeço” após a anunciada turnê de despedida. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Kevin Martin explica os motivos da banda não ter encerrado a carreira na turnê de despedida, o retorno de Peter Klett, a inédita estreia da banda no Brasil e até mesmo sobre o famoso meme do “rock de pai divorciado”. Quando você anunciou The Long Goodbye, aquilo era realmente o fim ou já existia alguma dúvida interna? Era realmente isso que eu queria fazer. Eu tinha certeza de que havia terminado e não queria continuar tocando ou fazendo música. Sentia que tinha chegado a um platô na minha vida e na minha carreira. Então, o Pete e eu tivemos uma longa conversa e ele disse que queria voltar para a banda. Isso reacendeu algo em mim, renovou o que eu estava sentindo e as emoções que eu tinha naquele momento. Percebi que talvez não tivesse terminado de verdade. E, claro, eu sentia falta dele na minha vida, como músico, como amigo e como parceiro criativo. Então você sente que esse retorno do Peter é como uma continuação natural da história da banda? Sim, 100%. Eu realmente sinto isso. Faz todo sentido quando você pensa no quanto o Candlebox foi importante para tantas pessoas. É muito fácil esquecer, quando alguém sai da banda, ou decide se afastar por um tempo, o quanto aquela pessoa era essencial. Você começa a pensar que tudo depende de você, que você é a banda. Mas quando essa pessoa volta, você percebe exatamente o quanto ela foi importante e o quanto continua sendo para a continuidade da banda. Além da volta do Peter, houve um show específico ou um convite que mudou a sua cabeça? Acho que foi quando estávamos tocando no Texas e ele apareceu para tocar alguns shows com a gente. Naquele momento, senti que ele estava voltando com intenção, com vontade real de estar ali. E isso era algo que eu sentia que faltava quando ele saiu da banda em 2015. Na época, ele não estava comprometido com o que fazíamos. Mas naquele retorno, ficou claro que ele queria estar ali de verdade. Eu reconheci isso e senti isso no palco. Hoje, olhando para trás, onde o Candlebox se encontra? É um novo começo, um novo capítulo ou algo ainda em aberto? Eu vejo como um novo capítulo. Estamos trabalhando em música nova e não vamos parar tão cedo. E, como eu disse, isso tem muito a ver com o retorno do Peter. Ele me inspirou a voltar a trabalhar com ele e pensar em um novo álbum. Posso dizer com certeza que estamos de volta por um bom tempo. E depois de mais de 30 anos, por que demorou tanto para o Candlebox tocar no Brasil? Nós nunca conseguimos encontrar um promotor em quem pudéssemos confiar. Fomos convidados várias vezes, mas é complicado para uma banda como o Candlebox. Não somos uma banda do tamanho de Soundgarden ou Pearl Jam, então muitas vezes precisamos trabalhar com promotores menores ou novos. E sempre que começávamos a alinhar datas, algo dava errado e precisávamos cancelar. Estamos tentando tocar no Brasil e na América do Sul literalmente há mais de 30 anos. Agora finalmente aconteceu, e acho que é uma grande oportunidade. Pode até abrir portas para festivais como Lollapalooza ou Rock in Rio no futuro. E o que você ouviu sobre o público brasileiro ao longo dos anos? Te dava mais vontade de vir? Nosso tour manager por 17 anos, Carlos Novais, é de São Paulo, então sempre ouvimos coisas incríveis. Além disso, somos amigos de muitos músicos que já tocaram aí. Todos dizem que o público é apaixonado e intenso. E sempre fazem a mesma brincadeira: para tomar cuidado com as mulheres brasileiras. Então vamos ver como vai ser. Vocês estão preparando algo especial para o debut no Brasil? Vão preparar um set especial? Estamos tocando muitas músicas que as pessoas talvez não esperem. Vai ser um show longo, com cerca de 90 minutos, algo entre 20 e 22 músicas. Não vamos focar só no primeiro álbum. Vamos tocar coisas de Happy Pills, Into the Sun e várias músicas que não tocamos há anos. Também vamos incluir bastante material do Lucy. Vai ser um show bem completo. Bem, o público sul-americano é conhecido por ser intenso. Isso muda a forma como o Candlebox encara o show? Sim, nós focamos muito na energia. Queremos que o público sinta o que veio sentir. Normalmente começamos com algo do primeiro álbum, mas durante o show vamos ajustando o setlist de acordo com a reação. Se sentimos que algo não está funcionando, mudamos na hora. É um processo muito dinâmico. E o line-up do festival está bem interessante, como um revival indo dos anos 80
Entrevista | Roo Panes – “No Rio eu consegui dar uma volta pela orla com meu violão. Foi quase como um sonho”

O cantor e compositor britânico Roo Panes retorna ao Brasil neste final de março para três apresentações que passam por Curitiba, São Paulo e Florianópolis, trazendo na bagagem o recente EP “Of All the Lovely Things That Be”. Os shows acontecem no Basement Cultural, no dia 27, no City Lights, no dia 28, e no Célula Showcase, no dia 29, respectivamente, marcando o reencontro do artista com o público brasileiro após sua única passagem pelo país, em 2019. Conhecido por transformar o folk em uma linguagem íntima e contemplativa, Roo Panes construiu uma carreira marcada por composições evocativas e forte carga poética. Influenciado por nomes como Bob Dylan, o músico britânico explora temas como relacionamentos, fé e crescimento pessoal, sempre com uma abordagem sensível e introspectiva. Desde que despontou no projeto Burberry Acoustic, em 2011, ele consolidou um percurso consistente, com álbuns aclamados e apresentações em palcos relevantes, além de conquistar projeção internacional ao ter a faixa “Lullaby Love” incluída na trilha da novela A Dona do Pedaço, exibida pela TV Globo. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Roo Panes fala sobre sua relação com o público brasileiro, o impacto da novela em sua carreira e como paisagens e experiências pessoais moldam seu processo criativo. Como foi sua primeira visita ao Brasil, em 2019? O que permanece mais vivo na sua memória? Foi uma ótima viagem. Eu me lembro de muitas coisas, principalmente da hospitalidade, que foi incrível. Eu me senti muito bem-vindo no Brasil. Em qualquer lugar você faz shows, mas ali eu senti algo imediato, as pessoas realmente te acolhem. O público é muito receptivo e isso ficou muito marcado para mim. Eu também estava um pouco doente quando cheguei, com gripe, e ainda assim todo mundo foi extremamente acolhedor. Quando subi no palco, pensei que precisava corresponder àquilo, e senti que todos estavam ao meu lado. Essa sensação de ser bem recebido ficou muito forte. Você se apresentou no Rio de Janeiro, a chamada cidade maravilhosa. Como foi sua experiência por lá? O show foi muito divertido. Foi em um hotel perto da praia, e lembro que antes disso consegui dar uma volta pela orla com meu violão, o que é algo bem incomum. Nem sempre você tem essa oportunidade. Foi uma experiência quase como um sonho, caminhar pela cidade dessa forma. Eu não tive muito tempo para explorar, mas achei tudo muito bonito. E o local do show era incrível, além de ter sido muito legal conhecer as pessoas depois da apresentação. E falando em Rio de Janeiro, sua música “Lullaby Love” entrou na trilha de uma novela muito popular no Brasil. Como você reagiu quando soube disso? Eu descobri depois que era um programa muito grande no Brasil. Para mim, o mais importante foi a oportunidade de ir ao país por causa disso. É um lugar incrível para tocar e fazer turnê, e nem sempre está na rota comum de artistas do Reino Unido. Na época, achei muito especial poder ir ao Brasil e apresentar minha música. Espero que essa canção tenha sido uma porta de entrada para as pessoas conhecerem meu trabalho. Foi uma sensação de expansão, de poder levar minha música para a América do Sul. Isso foi o mais empolgante. Agora que você retorna ao Brasil, o que espera do público e dessa nova série de shows? Eu não tenho expectativas muito definidas. Espero que seja como um reencontro. Sempre quis voltar, e sete anos é bastante tempo. Sinto que o público brasileiro sempre foi muito presente. Às vezes encontro fãs em shows na Europa e eles perguntam quando vou ao Brasil. Então, acho que será um momento especial. Quero retribuir esse apoio e fazer desses shows uma celebração. Também estou animado para tocar músicas novas, algumas que talvez eles ainda não tenham ouvido ao vivo. Quais lugares ou paisagens inspiraram diretamente suas músicas? Minha forma de escrever é muito ligada ao lugar onde estou, quase como um registro. O ambiente influencia tanto o som quanto as letras. No meu último EP, escrevi músicas quando me mudei para Devon, em uma região chamada Dartmoor, que é um parque nacional. Lembro de estar sentado perto de uma árvore tentando escrever, e aquele lugar acabou me inspirando completamente. No caminho de volta para casa, vieram a melodia, o título e várias ideias. É como se algo entrasse em você a partir do que você vê. Também escrevi “Remember Fall in Montreal” durante uma turnê no Canadá, inspirado diretamente pela cidade. E “Suburban Pines” fala do lugar onde cresci e de como conheci minha esposa. A paisagem influencia tanto as histórias quanto a atmosfera da música. Você compõe na rua e cComo é a experiência de gravar músicas em casa? Eu gravei muitas coisas em casa ao longo da minha carreira. Gosto de trabalhar em lugares que já têm uma atmosfera que conheço. Quando você escreve uma música em determinado ambiente, faz sentido gravá-la ali também, porque mantém aquela sensação original. Em estúdio, às vezes isso se perde. Em casa, tudo flui de forma mais natural, sem tanta pressão. Também é mais acessível, as pessoas podem entrar e sair, e o processo fica mais leve. Especialmente em projetos mais espontâneos, como um EP, gosto dessa liberdade. Meu primeiro álbum foi gravado em casa, e vários trabalhos depois também seguiram esse caminho. E você também é muito fã de poesia, certo? Quais são suas principais referências na poesia? Pode parecer óbvio, mas Shakespeare é uma grande referência para mim. Sempre que leio algo dele, sinto que minha forma de enxergar as coisas muda. Ele tinha uma maneira muito profunda de observar o mundo. Também gosto muito de Walt Whitman, que estou lendo bastante no momento, e de Thomas Hardy, especialmente pela forma como ele conta histórias. Gosto dessa combinação entre narrativa e poesia. E daqui? Você conhece a literatura ou até mesmo a música brasileira ou sul-americana? Ainda não conheço muito, mas tenho curiosidade. Acho que seria interessante receber recomendações de alguém que conhece bem.
A Wilhelm Scream e MakeWar anunciam turnê com cinco datas pelo Brasil em 2026

A banda A Wilhelm Scream confirmou uma nova turnê pelo Brasil com cinco datas já anunciadas, sendo quatro delas na região Sul, reforçando a conexão histórica da banda com o público nacional. A série de shows contará com abertura da MakeWar em todas as apresentações, ampliando o peso do evento para os fãs de punk e hardcore melódico. A proposta da turnê passa longe de grandes festivais e aposta em casas menores, privilegiando a intensidade e a proximidade com o público. A ideia é recriar a energia crua que consolidou o nome da banda ao longo das últimas décadas, com apresentações mais diretas e sem filtros. Entre os destaques está o lendário Hangar 110, em São Paulo, um dos templos do hardcore no Brasil. O espaço, conhecido por shows históricos e atmosfera visceral, reforça o conceito intimista da turnê e deve ser um dos pontos altos da passagem da banda pelo país. Conheça A Wilhelm Scream Formada em 1999 em Massachusetts, a A Wilhelm Scream construiu uma carreira sólida dentro do hardcore melódico, misturando velocidade, técnica e agressividade. Ao longo dos anos, a banda se destacou por discos como “Ruiner” e “Career Suicide”, além de uma reputação consistente como uma das melhores performances ao vivo do gênero. A turnê acontece em meio ao lançamento de “Cheap Heat”, novo álbum do A Wilhelm Scream, lançado em 2026. O disco mantém a identidade da banda, com hardcore veloz, riffs intensos e vocais marcantes, mas também apresenta uma sensação de renovação criativa, com composições afiadas e forte carga melódica, reforçando o status do grupo como um dos nomes mais consistentes do estilo. Abertura MakeWar Já a MakeWar traz uma abordagem mais emocional dentro do punk rock, combinando energia com letras introspectivas. O grupo ganhou espaço na cena alternativa nos últimos anos justamente por equilibrar peso e sensibilidade, criando um contraste interessante com o som mais técnico e agressivo do headliner. Datas no Brasil:🇧🇷 27.10 – Porto Alegre🇧🇷 28.10 – Criciúma🇧🇷 29.10 – Florianópolis🇧🇷 30.10 – Curitiba🇧🇷 31.10 – São Paulo Os ingressos já estão à venda por meio da 101ticketsbr, e a expectativa é de rápida procura, especialmente pelo formato reduzido das casas escolhidas. A combinação entre novo material e shows próximos do público tende a transformar as apresentações em experiências intensas para fãs antigos e novos.
Doyle, guitarrista do Misfits, volta ao Brasil em show único no Cine Joia

O guitarrista Doyle Wolfgang von Frankenstein, conhecido por sua passagem marcante pelo Misfits, retorna a São Paulo para uma apresentação exclusiva no dia 30 de abril, no Cine Joia. O evento é realizado pelas produtoras ND Productions e Powerline Music & Books, duas das mais ativas no circuito independente. Figura central na construção da linguagem sonora e visual do horror punk, Doyle, nome artístico de Wolfgang von Frankenstein, ganhou notoriedade ao integrar o Misfits no início dos anos 1980. Irmão de Jerry Only, cofundador da banda, ele recebeu os primeiros ensinamentos de guitarra do próprio baixista e do vocalista Glenn Danzig. O guitarrista entrou oficialmente no Misfits em 1980 após atuar como roadie do grupo. Ele substituiu Bobby Steele e ajudou a consolidar a sonoridade crua e percussiva que se tornaria marca registrada da banda. Doyle participou de registros associados ao período clássico do grupo, incluindo o álbum Walk Among Us e o EP 3 Hits from Hell. Mesmo décadas depois, o músico segue ativo. Além de aparições esporádicas com o Original Misfits, mantém carreira própria marcada por riffs diretos e pesados, presentes em faixas como “Headhunter” e “Land of the Dead”. Doyle também passou por projetos como Kryst the Conqueror e Gorgeous Frankenstein. Em seu trabalho solo, o guitarrista explora diferentes nuances dentro do rock pesado. Em músicas como “Dreamingdeadgirls” e “Love Like Murder”, incorpora elementos de blues e deixa evidente a influência do Black Sabbath. Já em “Blood Stains”, a guitarra mergulha em uma abordagem mais crua e primitiva, próxima de um thrash metal propositalmente desajustado. Doyle nunca se posicionou como um guitarrista exibicionista. Seu estilo é marcado por impacto físico, timbre encorpado e riffs diretos, priorizando peso e textura sonora em vez de virtuosismo técnico. Na vida pessoal, Doyle também chama atenção por seu relacionamento com Alissa White-Gluz, conhecida por ter integrado o Arch Enemy. Sob seu próprio nome artístico, o guitarrista lançou dois álbuns de estúdio: Abominator, de 2013, e Doyle II: As We Die, de 2017. Nos dois trabalhos, dividiu a linha de frente com o vocalista Alex Story, que permanece como a voz da banda em sua fase atual. Ingressos: DOYLE (Misfits) em São Paulo | FasTix
The Adicts fazem Meet & Greet com fãs em São Paulo na véspera de show

Os fãs da lendária banda inglesa The Adicts terão a chance de um encontro especial com o grupo em São Paulo. Na próxima segunda-feira (17), a banda participa de um meet & greet com o público no Goela Bar, na Vila Madalena, um dia antes da apresentação do grupo na capital paulista. O evento acontece das 19h às 21h e inclui sessão de autógrafos e uma pop-up store com produtos oficiais da banda disponíveis para venda. O acesso será garantido aos fãs que adquirirem um dos 100 pôsteres oficiais disponibilizados para a ação, que serão autografados pelos integrantes durante o encontro. A retirada do pôster será feita exclusivamente no local do evento. A iniciativa também funcionará como uma venda antecipada de merchandising oficial da banda, reunindo itens que estarão disponíveis para o público presente. Os pôsteres são limitados e a compra pode ser feita pelo link disponível na bio da Heart Merch, responsável pela ação especial com os fãs.
Supercombo faz noite especial hoje em São Paulo com shows dedicados aos álbuns Festa? e Adeus, Aurora

Enquanto finaliza os últimos detalhes para o lançamento da segunda parte do álbum Caranguejo, a Supercombo pausa brevemente o processo criativo para um encontro especial com os fãs nesta sexta-feira (13), em Casa Rockambole. A banda realiza duas apresentações na mesma noite, cada uma dedicada a um disco importante de sua trajetória. A primeira sessão acontece às 20h e será inteiramente dedicada ao álbum Festa?, trabalho que marcou o início da trajetória do grupo e apresentou as bases de sua identidade musical. Na sequência, às 22h30, o quarteto retorna ao palco para tocar na íntegra Adeus, Aurora, disco lançado em 2019 que ampliou o universo sonoro da banda com novas texturas e experimentações. Formada em 2007 em Vitória e atualmente radicada em São Paulo, a Supercombo construiu uma trajetória sólida dentro do rock alternativo nacional. Com mais de 1 milhão de inscritos no YouTube e uma base fiel de fãs espalhada pelo país, o grupo mantém uma agenda intensa de shows e costuma lotar casas por onde passa. Leia aqui a entrevista exclusiva sobre a Parte 1 de Caranguejo Lançado na fase inicial da carreira, Festa? apresentou o encontro entre rock alternativo, elementos eletrônicos e canções com forte apelo pop. As letras exploram inquietações pessoais com doses de ironia e leveza, características que se tornariam marcas da banda. Faixas como “À Deriva”, “O Calculista”, “Eu Poderia” e “Wallace” continuam presentes no repertório e seguem entre as favoritas do público. Já Adeus, Aurora chegou ao público em 29 de março de 2019 como sucessor de Rogério e representou uma expansão estética para o grupo. O álbum foi lançado junto de uma HQ homônima e trouxe guitarras em afinação mais baixa, sintetizadores e incursões por estilos como reggae e reggaeton, sem abandonar a base melódica característica da Supercombo. Após a maratona desta sexta-feira, a banda segue para o interior paulista. No sábado (14), o grupo se apresenta em Sorocaba, dando sequência à agenda de shows de 2026. Outro momento aguardado pelos fãs acontece em abril. No dia 26, a Supercombo sobe ao palco da Casa Natura Musical para lançar ao vivo a segunda parte do álbum Caranguejo. O show marcará a primeira execução das novas músicas que completam o projeto. A banda já havia apresentado a primeira parte do disco ao longo de 2025, em uma sequência de apresentações que passou por seis estados. Agora, o trabalho ganha sua conclusão com mais oito faixas inéditas, lançadas pelo selo Deckdisc. Segundo o grupo, a decisão de dividir o álbum nasceu da ideia de dar mais tempo de circulação às músicas, fugindo da lógica imediata dos lançamentos concentrados em singles. A segunda parte funciona como uma continuação direta do primeiro volume, conectada conceitualmente, mas com mudanças de clima e abordagem. Serviço Supercombo toca Festa? e Adeus, Aurora em São Paulo Data: 13 de março de 2026Local: Casa RockamboleEndereço: Rua Belmiro Braga, 119 – Pinheiros – São Paulo/SP 1ª sessão – 20hShow especial com repertório do Festa? 2ª sessão – 22h30Show especial com repertório do Adeus, Aurora Ingressos: meaple.com.br/rockambole/supercombo-festa-e-adeus-aurora Supercombo: lançamento de Caranguejo (Parte 2) Data: 26 de abril de 2026Horário: 19h (abertura da casa)Local: Casa Natura MusicalEndereço: Rua Artur de Azevedo, 2134 – Pinheiros – São Paulo/SP Ingressos: bileto.sympla.com.br/event/116342
Entrevista | Crazy Lixx – “Acho que o rock evoluiu na direção errada nos últimos vinte anos”

A banda sueca Crazy Lixx retorna ao Brasil para sua maior apresentação no Brasil no dia 26 de abril no Bangers Open Air, em São Paulo. O grupo é um dos principais nomes do revival do hard rock escandinavo e construiu sua reputação apostando em refrões marcantes, guitarras afiadas e uma forte estética inspirada na cultura pop de filmes de terror dos anos 80. A passagem pelo festival marca um momento especial para a banda, que já realizou shows em casas menores no país e agora terá a oportunidade de apresentar seu repertório para um público ainda maior. Formado em 2002 na cidade de Malmö, na Suécia, o Crazy Lixx ajudou a consolidar uma nova geração de bandas que resgatou o espírito do glam metal e do hard rock clássico. Ao longo de mais de duas décadas de carreira, o grupo liderado pelo vocalista Danny Rexon lançou uma série de álbuns que reforçam essa identidade sonora, mantendo viva a influência de bandas como Kiss, Def Leppard e Skid Row. A mistura entre nostalgia oitentista e produção moderna transformou o Crazy Lixx em um nome respeitado dentro da cena hard rock contemporânea. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Danny Rexon falou sobre a relação da banda com os fãs brasileiros, o processo criativo por trás das novas músicas e a influência da cultura pop dos anos 80 em sua carreira. Não tinha melhor dia para falar contigo do que numa sexta-feira 13, né? Como você descreveria a relação do Crazy Lixx com os fãs brasileiros? É isso (risos), verdade. É um bom dia. Já estivemos no Brasil algumas vezes e fizemos alguns shows em casas menores. Até agora não tínhamos tocado em um festival por aí, então isso vai ser muito legal. Sempre nos divertimos muito no país. Acho que os fãs brasileiros são um público particularmente bom para tocar. Eles são muito receptivos, muito gratos e extremamente energéticos e entusiasmados durante os shows e também depois deles. Normalmente encontramos muitas pessoas querendo interagir com a banda, tirar fotos, pedir autógrafos e conversar. Então eu diria que temos lembranças muito positivas dos fãs brasileiros e das interações que tivemos até agora. Muitos artistas internacionais dizem que o público brasileiro é mais barulhento e apaixonado do que em qualquer outro lugar. O que mais te surpreendeu quando tocaram aqui? A primeira vez que tocamos aí fiquei surpreso com a quantidade de fãs que apareceram, não só no show, mas também em um evento de autógrafos que fizemos em uma loja de discos antes da apresentação. E depois do show também, com pessoas querendo tirar selfies, pegar autógrafos e conversar com a gente. Em muitos lugares você pode ter um bom público durante o show, mas as pessoas simplesmente vão embora quando termina. Já os fãs brasileiros querem interagir com a banda antes e depois da apresentação. Eles também compram bastante merchandising e demonstram muita paixão pelo evento como um todo. Isso é algo realmente muito legal. E o que passa pela sua mente quando sabe que vai tocar em um grande festival de rock como o Bangers Open Air? É uma grande oportunidade para nós. Como eu disse, só tocamos em clubes no Brasil até agora, então esse será nosso primeiro festival no país. Na verdade, já estávamos tentando conseguir um festival por aí há algum tempo, então estamos muito animados por finalmente ter dado certo. É um festival grande, com muita gente que naturalmente vai para ver outras bandas, então é uma ótima oportunidade de mostrar o que podemos fazer para pessoas que talvez não estejam lá especificamente para ver o Crazy Lixx. Vai ser um festival muito empolgante e também uma boa forma de ampliar nosso público. Espero conseguir aproveitar o evento antes e depois do nosso show também. Vi, por exemplo, que Rick Springfield toca no evento. Espero conseguir assistir antes de voltarmos para casa. Parece ser um festival muito legal e acho que o público vai se divertir bastante. Falando sobre o último álbum, Thrill of the Bite, ele mostra uma banda muito confiante. O que mudou no seu processo criativo ao longo dos anos? Eu diria que hoje trazemos muito mais da produção para dentro da própria banda. Não trabalhamos mais com produtores externos. Esse foi o primeiro álbum que eu mesmo mixei do começo ao fim. Também fazemos todas as gravações por conta própria. Acho que crescemos bastante como produtores e aprendemos melhor o que precisamos fazer para alcançar o resultado que queremos. Hoje em dia os músicos também precisam aprender esse tipo de habilidade, porque não existe mais tanto dinheiro na indústria como antigamente para contratar pessoas externas para fazer todo o trabalho. Além disso, a visão artística de quem está na banda costuma ser a melhor para definir onde você quer chegar. Então o melhor caminho é aprender as técnicas e desenvolver essas habilidades por conta própria. Essa é uma grande diferença em comparação com dez ou quinze anos atrás. Compor em casa em vez de compor em sala de ensaio teve um grande impacto nas novas músicas? E hoje você escreve grande parte das músicas da banda, isso traz mais liberdade criativa ou mais pressão? Eu diria que um pouco das duas coisas. Alguns anos atrás eu escrevia ainda mais músicas sozinho. No último álbum tivemos uma divisão um pouco melhor entre os compositores do que no passado. Eu ainda escrevo a maioria das músicas, mas há contribuições do nosso baixista Jens e do guitarrista Chrisse, além de duas colaborações com compositores externos. Então está um pouco mais equilibrado agora. Por um lado, isso é positivo, porque como produtor posso pensar no que o álbum precisa. Talvez falte uma balada ou algum tipo específico de música para deixar o disco mais equilibrado. Mas também existe pressão, porque esperam que eu entregue a maior parte das músicas. Quando chega o momento de reunir as demos para um álbum, existe naturalmente a expectativa de que eu apresente muitas ideias. E suas músicas têm refrões