M. Shadows rebate críticas, improvisa clássico e comanda maratona do Avenged Sevenfold no Allianz

Quando o Avenged Sevenfold assumiu o palco do Allianz Parque para fechar a noite de sábado (31), encontrou um público já completamente aquecido pelas apresentações anteriores. O que se seguiu foi uma maratona: mesmo com um repertório enxuto de 17 músicas, o show ultrapassou duas horas de duração, sustentado por uma produção impecável e pela habitual entrega técnica da banda. No entanto, a noite não foi feita apenas de celebração. O vocalista M. Shadows se mostrou visivelmente irritado com as críticas prévias sobre o setlist, apontado por muitos como bastante similar ao apresentado no Rock in Rio. Resposta às críticas e improviso de “Seize The Day” As reclamações online não passaram despercebidas. Shadows comentou o assunto diretamente no palco, justificando as escolhas artísticas e defendendo a construção narrativa do show atual. Porém, em um gesto claro de respeito e conexão com os fãs, a banda quebrou o protocolo e improvisou Seize The Day, atendendo a pedidos insistentes da plateia. A execução deixou evidente que a faixa não estava ensaiada para o roteiro da noite, mas a promessa do vocalista de tocá-la perfeitamente na próxima vinda ao Brasil foi recebida com entusiasmo, transformando um momento de tensão em cumplicidade. Pedidos de casamento e chá revelação O caráter emocional da apresentação foi reforçado por momentos inusitados que quebraram a rigidez de um show de metal. O palco do Allianz Parque serviu de cenário para um “chá revelação” diante de milhares de pessoas e, pelo menos, dois pedidos de casamento ao longo da apresentação, reafirmando a relação próxima que o grupo mantém com seu público brasileiro. Saldo do Avenged Sevenfold em São Paulo O único ponto que soou como um leve tropeço na dinâmica do espetáculo foi a reta final. A dobradinha formada por Cosmic e Save Me, faixas longas, esta última ultrapassando os dez minutos, acabou esfriando parte da plateia após um show intenso e carregado de energia. Ainda assim, o saldo geral foi altamente positivo. O Avenged Sevenfold consolidou a noite no Allianz Parque como um evento que soube equilibrar espetáculo visual, identidade artística e uma conexão genuína, ainda que por vezes conflituosa, com seus fãs. Setlist do Avenged Sevenfold em São Paulo (31/01)
Fogo e protagonismo no Allianz mostram A Day To Remember pronto para arenas

Na sequência da noite de sábado (31), o A Day To Remember subiu ao palco do Allianz Parque para provar que pode ser uma banda de grandes multidões. O grupo, auto intitulado como a banda mais pesada de pop punk, montou um espetáculo visual claramente pensado para estádios, abusando de fogo, papel picado e pirotecnia, mas sem perder o foco na conexão humana com a plateia. Logo na abertura, The Downfall of Us All confirmou seu status de uma das melhores faixas para início de show da atualidade, elevando a energia do público instantaneamente. Protagonismo dividido Diferente de outras noites recentes de metal no Allianz Parque, como a dobradinha Bullet For My Valentine e Limp Bizkit, onde a disparidade foi notável, o A Day To Remember dividiu muito mais o protagonismo do evento com a atração principal. A resposta dos fãs foi imediata e intensa: grandes mosh pits, refrões cantados em uníssono e uma sensação constante de que a banda não estava ali apenas cumprindo tabela como coadjuvante. O novo e os clássicos O grupo aproveitou a estrutura grandiosa para apresentar faixas do seu álbum mais recente, o Big Ole Album Vol. 01, mesclando-as com os sucessos obrigatórios da carreira. A execução técnica e a presença de palco reforçaram que o ADTR domina a linguagem dos grandes festivais como poucos. Setlist do A Day To Remember em São Paulo (31/01)
Mr. Bungle no Allianz Parque tem Andreas Kisser, caos controlado e referências à Umbanda

O Allianz Parque recebeu, no último sábado (31), uma noite de proporções grandiosas dedicada ao rock pesado. Antes das apresentações de A Day To Remember e Avenged Sevenfold, a responsabilidade de abrir os trabalhos ficou com o Mr. Bungle, que trouxe sua mistura experimental e imprevisível para o palco paulistano. Embora o estádio ainda estivesse longe da lotação máxima no início da noite, a apresentação funcionou como um aquecimento excêntrico. O clima entre o público era de curiosidade e reverência técnica, diferindo da entrega coletiva habitual de shows de arena, uma reação que casa perfeitamente com a proposta da banda liderada por Mike Patton. Andreas Kisser e a conexão brasileira do Mr. Bungle Um dos grandes destaques da noite do Mr. Bungle foi a presença de Andreas Kisser na guitarra, substituindo Scott Ian. O músico brasileiro foi recebido com entusiasmo e protagonizou um dos momentos mais simbólicos do show ao conduzir uma versão de Refuse/Resist, do Sepultura. A execução do clássico reforçou a conexão local, transformando a curiosidade inicial da plateia em celebração. A sequência de covers manteve o tom debochado característico do grupo, incluindo uma leitura de All By Myself, de Eric Carmen, adaptada para um coro nada delicado (e tipicamente brasileiro) de “Tomar no c*”, que arrancou risadas e aplausos. Mike Patton: straight edge e umbanda Como esperado, Mike Patton fez questão de deixar sua marca para além da performance vocal. O vocalista subiu ao palco exibindo o “X” do movimento straight edge tatuado nas mãos, feitas no Brasil, e demonstrou respeito à cultura local de forma inusitada. Patton citou “Laroyê”, usou guias de proteção e brincou que cantaria com a pomba gira. Em um show repleto de referências caóticas, esses gestos ajudaram a quebrar a barreira do “estranhamento” sonoro e criaram uma conexão direta e carismática com o público presente. Setlist do Mr. Bungle em São Paulo (31/01)
Ana Cacimba transforma ancestralidade e fé afro-brasileira em narrativa de recomeço no single Mandinga

A cantora, compositora e instrumentista Ana Cacimba lançou Mandinga, single que parte do significado histórico da palavra ligada aos amuletos de proteção usados por povos africanos. A canção ressignifica esse símbolo ao tratar o corpo fechado não como feitiço literal, mas como força espiritual, resistência e capacidade de se reerguer diante das quedas, com apoio da ancestralidade e da fé afro-brasileira. Composta por Ana Cacimba em parceria com Léo da Bodega e produzida por Los Brasileiros nos estúdios Head Media, a faixa se constrói como um percurso de atravessamento. Ao longo desse caminho, a espiritualidade aparece como elemento central de sustentação simbólica, com a presença de Iemanjá associada ao encerramento de ciclos e à abertura de novas histórias, reforçando a ideia de recomeço que atravessa toda a narrativa. Musicalmente, Mandinga transita por um afro pop tropical de pegada world music, combinando violões, congas e beats eletrônicos em uma atmosfera leve e envolvente, de estética praiana e brasileira. O lançamento chega acompanhado de um visualizer criado a partir de uma montagem digital da artista Ysis Policarpo e dialoga com a nova MPB de viés solar e contemporâneo, aproximando referências que evocam acolhimento, conforto e bem-estar.
Capitu revisita Dom Casmurro em curta-metragem musical com olhar contemporâneo e queer

A banda Capitu lançou Sobreamor, curta-metragem musical concebido como álbum visual que antecipa o EP de estreia do grupo. Formado por Camilla Araújo, Bruno Carnovale e Marco Trintinalha, o projeto une música, cinema e literatura em uma narrativa contínua, estruturada como um filme em quatro atos e já disponível no YouTube. Inspirado livremente em Dom Casmurro, de Machado de Assis, Sobreamor propõe uma releitura contemporânea do triângulo amoroso entre Capitu, Bentinho e Escobar. Distante de uma adaptação literal, o curta utiliza o clássico como ponto de partida para investigar desejo, ciúme e afeto a partir de uma perspectiva atual, atravessada por questões de gênero, sexualidade e racialidade, além de tensionar leituras tradicionais da obra machadiana. Musicalmente, a Capitu transita entre indie rock, pop e neo-soul, com arranjos que valorizam camadas de voz e construção instrumental como elementos narrativos. Dirigido e roteirizado por Alice Marcone, o curta assume o audiovisual como parte indissociável da linguagem artística da banda, culminando no ato final Desaguar, que propõe uma resolução afetiva fora da lógica da culpa e da moral monogâmica. Com Sobreamor, o grupo apresenta um projeto que afirma identidade, conceito e experimentação como eixos centrais de sua estreia.
Barbarize convoca legado do manguebeat ao lado de Fred Zero4 em novo videoclipe

O duo Barbarize lançou o videoclipe de Mangue, faixa do álbum de estreia Manifexta, aprofundando sua relação com o território onde nasceu, a Comunidade do Bode, no Recife. A música conta com a participação de Fred Zero4, fundador do Mundo Livre S/A e um dos nomes centrais do manguebeat, em um encontro que articula memória, identidade e crítica social a partir das margens da cidade. A aproximação entre Barbarize e Fred Zero4 surgiu de um reconhecimento artístico mútuo e se consolidou naturalmente quando a faixa ficou pronta. Musicalmente, Mangue parte do trap, dialoga com o boombap e incorpora riffs de guitarra que trazem organicidade à composição. A percussão de Maurício Badé, somada ao beat eletrônico e à flauta, constrói uma atmosfera ritualística que equilibra elementos urbanos e tradicionais, reforçando o diálogo entre passado e presente. O mangue surge como símbolo de origem e resistência, com versos que afirmam a relação do grupo com o território e utilizam imagens do ecossistema como metáforas de sobrevivência coletiva. O videoclipe amplia esse discurso ao adotar uma estética que transita entre o afro-surrealismo e o afro-futurismo, tratando o audiovisual como extensão política da canção. Ao unir natureza, tecnologia e crítica social, Barbarize reafirma sua identidade artística e atualiza o legado do manguebeat a partir de uma perspectiva contemporânea e periférica.
Levant Fest transforma quatro capitais do Nordeste em rota do hardcore brasileiro

O Levant Fest chega ao Nordeste em março como um festival itinerante que propõe mais do que uma sequência de shows. A turnê passa por Fortaleza, Natal, João Pessoa e Recife, reunindo Dead Fish, Matanza Ritual, Switch Stance e Malvina em um lineup que conecta diferentes gerações e estéticas do rock nacional, reforçando a diversidade sonora dentro do peso. A presença do Dead Fish acontece em um momento simbólico da carreira da banda. Ao mesmo tempo que celebra os 25 anos de Afasia ao vivo, o grupo lançou ontem a versão deluxe do álbum Labirintos da Memória, que chega às plataformas com duas faixas inéditas e gravações ao vivo. Além do Dead Fish, o Levant Fest também destaca a fase atual do Matanza Ritual, que apresenta ao público o álbum A Vingança é Meu Motor, enquanto Switch Stance representa a brutalidade direta do hardcore nacional, com shows intensos que transformam cada apresentação em um choque físico entre palco e público. Completa o lineup a Malvina, que carrega a urgência do hardcore punk, com músicas rápidas, discurso direto e uma postura DIY que mantém viva a essência mais crua do underground brasileiro. Ao escolher o Nordeste como rota, o Levant Fest reafirma a região como protagonista no mapa da música pesada brasileira. A circulação por quatro capitais fortalece a descentralização cultural e amplia o acesso do público a uma experiência pensada de forma coletiva, unindo peso, identidade e renovação artística. Serviço Datas e locaisFortaleza – 19 de marçoEstacionamento da Praça Verde do Dragão do Mar Natal – 20 de marçoRibeira Music João Pessoa – 21 de marçoClube Cabo Branco Recife – 22 de marçoArmazém 14 Ingressos101 Tickets
Entrevista | Psychic Fever – “Criamos nossa música hoje pensando em um público verdadeiramente global”

Após o sucesso do EP PSYCHIC FILE III, que apresentou os singles “Gelato” e “Reflection”, o boygroup japonês PSYCHIC FEVER inicia um novo capítulo de sua trajetória com o lançamento de “SWISH DAT.”. A faixa marca uma fase ainda mais ambiciosa do grupo, que vem consolidando sua presença fora do Japão ao unir performance, identidade visual forte e uma sonoridade que dialoga com o pop global. Formado por KOKORO, WEESA, TSURUGI, RYOGA, REN, JIMMY e RYUSHIN, o grupo integra o coletivo EXILE TRIBE, sob a gestão da LDH JAPAN. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o PSYCHIC FEVER falou sobre o conceito por trás do novo single “SWISH DAT.”, o impacto do EP PSYCHIC FILE III na maturidade artística do grupo e os efeitos da primeira turnê pelos Estados Unidos na construção de uma carreira cada vez mais global, além da forte conexão que vem sendo criada com o público brasileiro por meio das redes sociais. “SWISH DAT.” vem após o lançamento de PSYCHIC FILE III. O que vocês queriam expressar artisticamente com esse single em relação aos lançamentos anteriores? TSURUGI:Nós focamos em expressar um senso de Japão. Essa música incorpora os pontos fortes do J-pop, e acreditamos que expressar a identidade japonesa pode se tornar uma ponte que conecta o Japão ao resto do mundo. KOKORO:Como a música também é o tema de abertura do drama Masked NINJA Akakage, gravamos imaginando o mundo e a atmosfera da série. Espero que as pessoas consigam sentir a química entre o drama e o estilo único do PSYCHIC FEVER. A música também é tema da série Masked NINJA Akakage. Como foi adaptar a identidade do grupo a uma narrativa ligada ao universo ninja? RYOGA:Senti que os conceitos associados aos ninjas, como velocidade, precisão e foco, combinam muito com o estilo de performance do PSYCHIC FEVER. Ao respeitar essa visão de mundo e combiná-la com um som moderno e nossa própria energia, acredito que conseguimos unir naturalmente o universo do drama com a identidade do grupo. JIMMY:Por ser uma música tema, foi empolgante nos desafiarmos em um gênero um pouco diferente do que costumamos fazer. Ao cantar, tentei entrar totalmente no personagem e criar uma atmosfera que combinasse com o drama, mas ainda expressando isso de uma forma que fosse fiel ao PSYCHIC FEVER. PSYCHIC FILE III, com “Gelato” e “Reflection”, teve uma forte repercussão internacional. O que esse EP representou em termos de maturidade do grupo? REN:Com PSYCHIC FILE III, buscamos novamente um novo som para o PSYCHIC FEVER. Durante o processo de gravação, aprendemos novas formas de transmitir emoções e de nos expressar, e isso acabou se tornando uma experiência muito significativa para nós. WEESA:Se não continuarmos crescendo a cada lançamento, até mesmo nossos fãs mais dedicados podem acabar se cansando. Em vez de pensar em “maturidade”, encaramos cada projeto com a mentalidade de evoluir constantemente e seguir avançando. A primeira turnê pelos Estados Unidos foi um marco importante? O que mais surpreendeu vocês na reação do público americano? TSURUGI:Quando fomos a Dallas, no Texas, muitas pessoas apareceram no show usando chapéus de cowboy. Isso me deixou muito feliz. RYUSHIN:Visitamos muitos lugares pela primeira vez, então estávamos sinceramente preocupados com o público. Mas muitos fãs locais compareceram e cantaram quase todas as nossas músicas. Cada show se tornou uma memória inesquecível. Depois de se apresentarem pela Europa, América do Norte e Ásia, vocês sentem que o PSYCHIC FEVER já atua como um grupo verdadeiramente global? KOKORO:Não quero me dar por satisfeito com onde estamos agora. Sinto fortemente que queremos conhecer ainda mais pessoas em ainda mais lugares. Vamos continuar buscando o que nos define e estou muito motivado a levar nossa música e nossos shows para o mundo inteiro. WEESA:Tivemos a sorte de visitar muitos países, mas queremos que nossa música alcance ainda mais pessoas. Quero continuar trabalhando duro para que mais ouvintes ao redor do mundo descubram e se conectem com nossas músicas. Como a assinatura de um contrato global com a Warner Music Group e a 10K Projects muda a estratégia internacional de vocês? RYOGA:Esse contrato global ampliou muito nossa perspectiva e as formas de entregar nossa música. Tanto na produção quanto na divulgação, estamos tomando decisões pensando em um público global. Parece que agora estamos em um ambiente onde podemos realmente testar até onde o PSYCHIC FEVER pode chegar. JIMMY:Definitivamente passamos a criar nossa música com uma mentalidade muito mais global. Temos recebido muitas oportunidades de nos apresentar em eventos internacionais e turnês mundiais, e estamos colocando muita energia na produção do próximo álbum para continuar expandindo nossa base de fãs. O grupo mistura vocais, rap e dança com forte influência do pop dos anos 2000. Como vocês equilibram essas referências com uma identidade atual? RYOGA:As melodias marcantes e os grooves do pop dos anos 2000 fazem parte das nossas raízes. Em vez de simplesmente recriá-los, buscamos mesclar essas influências com uma sensibilidade moderna. Acreditamos que sentir nostalgia e frescor ao mesmo tempo é o que torna o PSYCHIC FEVER único. JIMMY:Somos muito cuidadosos para não apenas copiar o passado. Queremos que o som carregue claramente a cor do PSYCHIC FEVER. Também nos preocupamos em preservar a individualidade dos sete membros, trabalhando de perto com a equipe em tudo, das letras aos detalhes da performance. “Just Like Dat feat. JP THE WAVY” teve números expressivos em streaming e no TikTok. Como vocês veem o papel das redes sociais no crescimento do grupo? TSURUGI:Por meio das plataformas de streaming e do TikTok, conseguimos nos conectar com pessoas do mundo todo. Acima de tudo, poder nos conectar com fãs do Brasil nos deixa muito felizes. Essas plataformas são extremamente importantes na cena musical atual e ajudam muitas pessoas a descobrirem nossa música. RYUSHIN:As redes sociais são essenciais porque permitem que nossa música alcance pessoas que talvez nunca tivessem nos conhecido. Mesmo em lugares onde ainda não conseguimos ir fisicamente, conseguimos nos comunicar com fãs do mundo todo. O Brasil tem um público muito engajado com o pop e a
Entrevista | Sensor Noise – Atriz que fez sobrinha de Phoebe em Friends lança banda de rock com estrela da Disney

Quem assistiu a Friends provavelmente se lembra da família excêntrica de Phoebe Buffay. O que muita gente talvez não saiba é que uma de suas sobrinhas, Leslie, vivida por Allisyn Snyder, cresceu, seguiu carreira artística e hoje está à frente de uma banda que começa a dar seus primeiros passos. Allisyn é casada com Dylan Snyder, também ator mirim na infância, conhecido por trabalhos na Disney e por ter interpretado o jovem Tarzan na Broadway. Juntos, eles comandam a Sensor Noise junto Steve Arm, pai da atriz. Em família, a banda mistura rock alternativo, eletrônica e forte identidade visual. O grupo já soma sete músicas lançadas no Spotify e constrói um projeto que une música, cinema e narrativa estética como um único universo criativo. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Allisyn e Dylan Snyder falam sobre a origem da Sensor Noise, a influência da atuação na música e os planos para o primeiro álbum, que deve ser lançado junto a um projeto audiovisual ambicioso. Começando por Friends, como foi para você fazer parte de uma série que teve um impacto tão grande no Brasil e segue sendo descoberta por novas gerações? Estar em Friends é como fazer parte de algo que vai existir para sempre. É uma cápsula do tempo de como era a vida e a amizade naquela época. Interpretar a Leslie Buffay e ser a criança que jogava coisas no Matthew Perry foi incrível. Na época, eu era muito nova e não entendia totalmente a dimensão daquilo. Para mim, era tipo: eu posso jogar comida em adultos? Posso faltar à escola e correr dentro de uma cafeteria? Só anos depois caiu a ficha do quão especial aquilo era. Quando voltei a assistir à série completa, já mais velha, foi emocionante chegar ao meu episódio. Pequenas memórias começaram a voltar, detalhes do set, do clima, das pessoas. Foi realmente especial. Nota: Allisyn tinha apenas 6 anos na época e o episódio foi gravado em 2003. Você guarda alguma lembrança ou curiosidade dos bastidores? Meus pais passaram a prestar muita atenção na série depois que eu participei. Eles não assistiam antes. Como é uma sitcom gravada com plateia, o processo dura uma semana inteira até a gravação final. Meu pai conseguiu acompanhar tudo, ver as reações do público. O episódio é “The One Where Ross Is Fine”, que o Ross descobre que Joey e Rachel estão juntos. É aquele das fajitas? Sim, é aquele das fajitas. Antes mesmo de o episódio ir ao ar, meus pais já estavam citando as falas o tempo todo. Isso ficou muito marcado para mim. Quando e como a Sensor Noise se uniu como banda? A Sensor Noise começou de forma muito orgânica. O pai da Allisyn é guitarrista e uma espécie de guru do rock indie. Ele tem uma banda chamada Pistol For Ringo, e nós sempre adoramos assistir aos shows e acompanhar as sessões de estúdio. A Allisyn praticamente cresceu dentro de estúdios, desde criança.Alguns anos atrás, no Ano Novo, fizemos uma viagem para o deserto e ficamos em um Airbnb com a ideia de levar equipamentos para gravar algumas demos, só para nos divertir. A ideia era tocar música sem pressão nenhuma. E isso favoreceu o processo criativo de vocês? Isso acabou virando um hábito. Sempre que tínhamos um aniversário ou alguma ocasião especial, usávamos como desculpa para viajar e gravar. Fomos para Lake Arrowhead, alugamos uma cabana e estabelecemos essa regra de uma demo por dia. Você acorda, faz uma caminhada nas montanhas com um café e cria algo novo. Muitas dessas sessões envolveram o pai da Allisyn, o Steve Arm, e também o Shane Smith, que é outro integrante do Pistol For Ringo. O Shane é um engenheiro incrível e uma das maiores influências da Allisyn desde a infância. Ele organizava festas de Natal chamadas Camp Shane, em que músicos se reuniam para tocar músicas natalinas a noite inteira. Crescer nesse ambiente tornou tudo meio inevitável. O Dylan sempre tocou música a vida toda também. Ele esteve na Broadway ainda criança, interpretando o jovem Tarzan, então tudo isso acabou convergindo naturalmente. A experiência de vocês como ator e atriz influencia a forma como vocês escreves e se posicionam musicalmente hoje? Com certeza. Cada parte da nossa vida influencia a banda. Até o nome Sensor Noise vem de um termo de câmera, porque somos cineastas. A Allisyn e eu fazemos filmes juntos há quase dez anos. Tivemos uma série semanal na internet, postando conteúdo toda sexta-feira, sem falhar. A filmagem sempre fez parte da nossa rotina, e isso entra direto na música. Os clipes são uma extensão natural desse processo criativo. O visual parece mesmo ter um papel central no projeto. Isso é intencional? Totalmente. Pensamos nos visuais enquanto criamos as músicas. Tudo está interligado. A banda acaba sendo um espaço onde performance, imagem, figurino, maquiagem e narrativa se encontram.Quando estamos compondo, já estamos imaginando o vídeo, os personagens, o clima. Isso vem muito da nossa vivência no cinema. Inclusive vi que você está com uma maquiagem bem diferente, já faz parte da caracterização? Sim, faz parte do estilo. Um dos meus artistas favoritos é o David Bowie, alguém que sempre abraçou a ideia de se vestir de forma única, sem seguir padrões. A maquiagem brilhante vem muito dessa referência.Além disso, é algo prático. Para mim, é mais rápido do que fazer uma maquiagem tradicional. Não importa se borrar, se chover ou se eu passar o dia todo com ela. Teve um momento em que pensei “preciso tomar cuidado para não borrar a maquiagem”, mas logo percebi que borrar também faz parte do visual. No Ano Novo, choveu em Los Angeles e eu continuei com o mesmo visual o dia inteiro. É libertador. O lado visual dos nossos clipes é essencial, e a estética faz parte do projeto tanto quanto a música. Como vocês definem o som da Sensor Noise e quais são as principais influências? Nossas referências vêm de muitos lugares. Crescemos ouvindo muito rock clássico. Pink Floyd, Bowie,