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Entrevista | Matt Simons – “Expresso minhas emoções quando canto”

O músico californiano Matt Simons revelou o seu quarto álbum de estúdio, Identity Crisis, reunindo alguns de seus recentes singles de sucesso, como Better Tomorrow, Cold e Identity Crisis. Aliás, juntos, os singles acumulam mais de 50 milhões de plays, enquanto seus álbuns anteriores já foram transmitidos mais de 1 bilhão de vezes.

Em entrevista ao Blog n’ Roll, Matt Simons, que já tem mais de 1 bilhão de streams de suas músicas, falou sobre a chegada do novo álbum, jornada de autoconhecimento e possível show no Brasil. Confira abaixo!

Como está a expectativa do retorno do público com Identity Crisis?

Nunca fiz um lançamento como esse, onde lancei tantos singles antes do álbum sair. Estava acostumado que o álbum era o início do processo, mas agora sinto que é o final do lançamento. Nós chamamos de lançamento cascata, quando os singles são lançados a cada mês, então só terão três novas músicas que serão lançadas no álbum. Então não sei como o álbum irá se sair.

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Como foi o processo de criação do álbum?

Começou há muito tempo. A primeira música escrevi em 2016. Em resumo, foi um processo demorado para reunir tudo e quando estava quase terminando o álbum quando veio o lockdown… e isso atrasou as coisas mais do que gostaria. Ainda precisava de mais algumas músicas e não dava mais para fazer os encontros pessoalmente. Tem sido uma jornada para finalizar tudo, mas estou feliz que falta pouco.

Por que esse nome para o álbum? Qual foi a inspiração?

Tem duas maneiras, as letras falam muito sobre a luta pela saúde mental e depois fala da crise de identidade, em um nível pessoal. Musicalmente fui muito perguntado como definiria minha música em três palavras e a minha resposta foi “crise de identidade”. Tenho tantas influências musicais e que não necessariamente combinam como jazz, folk, soul, pop e tento trazer todas elas nesse único álbum, então parece mesmo uma crise de identidade.

O quão terapêutico pode ser o processo de composição para um artista?

Pode ser a terapia derradeira, aquela que você consegue ser ouvido e compreendido compondo letras. Sinto que sei o quero dizer, mas não consigo expressar minhas emoções falando, apenas quando canto. Isso me ajuda muito.

Você se sente em uma jornada de autoconhecimento quando escreve suas canções?

Definitivamente. Às vezes para saber como realmente me sinto em relação a algo, preciso escrever uma música sobre isso. Então escrevo algo e “ah, então é assim que me sinto!”. Esse é o meu processo de trabalho. Não sei se é o mais eficiente, mas é o que encontrei para compreender o que sinto.

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Você é neto de tenores de ópera. Essa ligação foi fundamental para seguir na música?

Às vezes acho que a música pula uma geração, por exemplo, os pais da minha mãe que eram cantores e ela nunca quis saber de nada sobre isso. Se você é um músico, nunca sabe se a sua criança irá amar ou odiar música. É um ou outro. Eu fui picado pelo mosquito da música. Com certeza veio pelo sangue.

Qual é o tamanho do impacto deles na sua formação musical?

Para mim foi muito importante. Não é uma coisa que todo mundo queria estudar. Mas a formação musical dá uma base sólida para criar minha carreira. Aprendi muito sobre música. Você aprende tanta coisa e depois como não usar tudo isso e apenas ser simples. Para mim foi um ótimo processo de como escrever e fazer música.

Você tem números muito expressivos no streaming. Queria que você falasse um pouco da relação com esse formato. Você acha que ele ocupa bem o espaço do vinil e CD?

O mundo do streaming foi o motivo de lançar seis singles, antes de colocar esse álbum para fora. Os algoritmos favorecem os singles. As músicas recebem mais atenção. Se você lança um álbum, é muito raro as pessoas ouvirem ele inteiro. Sei que umas 20 pessoas talvez façam isso, mas acho que é uma tendência dos ouvintes em geral.

É triste porque como músico você tem esse pequeno álbum sobre quem sou eu nestes últimos anos e adoraria se as pessoas pudessem explorar isso. Geralmente as pessoas ouvem uma música e a adicionam em suas playlists e depois pegam uma outra música de outro álbum.

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É uma mudança em como as pessoas ouvem música. Tenho sido muito sortudo de ter algumas músicas várias vezes tocadas e talvez isso leve as pessoas para o catálogo. Você precisa tocar para a multidão no streaming.

Acha justo o modelo de remuneração dos artistas? O que pode mudar?

É claro que quem fatura mais são as gravadoras e os artistas, mas o que realmente precisa mudar é como os compositores são pagos. Como artista você tem diferentes maneiras de renda. Você pode tocar ao vivo, mas tem muita gente que segue a carreira de compositor, e somente escrevendo músicas e eles confiam no pagamento do streaming dos royalties dos compositores que são muito baixos. Não tem nenhum compositor quando as negociações do streaming são feitas. Esse é o principal que precisa mudar.

Como estão os planos de turnê? Você fará shows pela América do Norte e Europa até o início de junho. Pretende esticar para outros continentes? O Brasil está nos planos?

Eu adoraria ir para o Brasil. Fui em 2016 e toquei no Rio de Janeiro durante alguns eventos nas Olimpíadas. É uma cidade tão viva e linda. Me falaram de outras cidades brasileiras que eu preciso visitar. São tantos lugares incríveis, é um País tão grande. Infelizmente neste momento não existem planos para uma turnê pela América do Sul, esse ano está bem cheio. Mas quem sabe 2023 seja o ano que eu finalmente faça.

Dentro desse cronograma tem a excursão como artista de abertura do 2Cellos. Como é a relação entre vocês? Já trabalharam juntos?

Nunca tinha trabalhado com eles antes. Eles são realmente maravilhosos e tem tratado eu e minha equipe muito bem.

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Não é fácil fazer o show de abertura da turnê, mas até agora do jeito que tem sido me deixa esperançoso para esse ano. Tem sido ótimo. Tenho feito novos fãs a cada noite. Tenho que tocar 30 minutos, sete músicas, até agora tem sido muito bom.

Aliás, foi bom voltar a tocar ao vivo?

Sim, tem sido uma viagem… Dois anos sem shows, apenas fazendo transmissões ao vivo pela internet e o primeiro concerto em Chicago com 10 mil pessoas lá, meu deus, foi incrível. Você consegue ter o feedback do público. E o público foi ótimo. Quando você faz o show de abertura nunca sabe se eles irão ouvir ou conversar… e eles ouviram.

Consegue listar os três álbuns que mais impactaram sua carreira, que ajudaram a chegar onde chegou? Por que?

Claro, Rubber Soul, dos Beatles, Songs in The Key of Life, do Stevie Wonder, e Continuum, do John Mayer, eu amo esse álbum como os outros. Basicamente as composições dos Beatles são o meu verdadeiro destino. Stevie Wonder é sobre a essência do soul e com Continuum é sobre fazer um disco de pop moderno. Por fim, os três tiveram um grande impacto em mim.

*Entrevista e tradução por Isabela Amorim

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