Em 1976, o Kiss lançou o seu quarto álbum de estúdio, Destroyer. São 50 anos desta obra-prima do hard rock que mostrou ao mundo como quatro garotos esquisitos e seus visuais excêntricos podiam sim ser astros.
O contexto é o seguinte: o Kiss era uma banda que vivia de altos e baixos e chamava muito mais atenção pelo visual do que pelas músicas. O pouco sucesso dos álbuns resultou em uma aposta ousada: um álbum ao vivo, compilando shows em quatro cidades dos EUA. O visual seria, dessa vez, um chamariz para um som muito bem feito. O resultado? Mais de 500 mil cópias vendidas na primeira semana e a platina dupla.
O sucesso do Alive! (1975) não podia passar em branco. O grupo precisava de mais um álbum perfeito para consolidar seu lugar no mainstream. É aí que chega o Destroyer. Adotando mais que maquiagens, mas personas de outro mundo, a banda se reuniu com Bob Ezrin, produtor conhecido pelos trabalhos com Alice Cooper e futuramente seria o produtor do antológico The Wall, do Pink Floyd, e lançou uma pedrada histórica.
Destroyer abre com Detroit Rock City, rápida, frenética e intensa, como uma viagem em uma autobahn, sem freios. Em seguida vem as polêmicas King of the Night Time World e God of Thunder. As duas foram descritas, na época, como músicas dedicadas a Satanás.
Off-topic: Ainda há quem acredite que KISS significa Kids In Satan Service (Crianças a serviço de satã). O que ajudava no marketing, mas também prejudicou as vendas do Alive II, que trazia Gene Simmons ensanguentado na capa.
King of the Night Time World fala sobre um jogo de conquista, onde um homem busca convencer uma garota a largar a vida pacata de família, casa e escola e viver na noite, realizando seus sonhos secretos.
Já God of Thunder é a música que, podemos dizer, narra o nascimento e criação do personagem do baixista Gene Simmons, The Demon. Só isso já seria o suficiente para ser polêmico, mas as vozes infantis adicionadas na música pelo produtor tornaram tudo mais sombrio.
Depois disso, o disco dá uma amornada com Great Expectations, uma anti-balada semi-pornográfica que basicamente fala sobre as habilidades orais e manuais da banda, se é que você me entende.
O álbum retoma o ritmo frenético com Flaming Youth e Sweet Pain, músicas Lado B que preparam o ouvinte para o maior hit do álbum e um dos maiores da banda: Shout it out Loud.
Essa canção é o atestado de que o Kiss veio para ficar. Música de arena, refrão chiclete e um tema indispensável: a revolta adolescente. Shout it out Loud fala justamente do que o título se trata: extravasar. É sobre se livrar das amarras e se jogar na festa, gritar alto que você é autêntico.
Em seguida ainda vem Beth, mais uma balada irônica levada pela voz do baterista Peter Criss, apesar de ter sido pensada como uma canção sobre um relacionamento difícil entre um músico e sua esposa, o tom da música dá um ar humorístico.
Essa música representa o início de uma rachadura que levaria ao fim da formação original anos mais tarde, por ser a única do álbum a ganhar o People’s Choice. Por ser composta e cantada por Criss, irritou profundamente Gene e Paul, principais compositores e donos da banda, de acordo com o baterista.
Depois tem Do You Love Me? Uma cutucada nas groupies e fecha com Rock n’ Roll Party, que é apenas um remix de diversos efeitos usados no álbum enquanto Paul Stanley fala: “I tell you all, it looks like, it looks like we’re gonna have ourselves…a rock and roll party”.
Destroyer é um daqueles discos para se ouvir por completo, sem pular nada, pois até o Lado B é interessante, empolgante e divertido. Nesse disco a banda eleva o estilo de vida rock n’ roll ao extremo, falando abertamente sobre festa, sexo e diversão. É o pico do Kiss. Mais uma platina dupla e a 4 milhões de cópias certificadas vendidas, com a alegação de ter vendido quase 7 milhões.
O disco, junto ao sucesso do Alive! Levou o Kiss para a sua primeira turnê europeia. É nele onde Paul Stanley se torna de fato Starchild, Gene Simmons, The Demon, Ace Frehley, Spaceman e Peter Criss, Catman.
Destroyer é o ponto mais alto do Kiss e, ao mesmo tempo, o início da sua autodestruição, não que a banda tenha caído em desgraça, mas nunca mais conseguiu reencontrar a magia deste período e as brigas internas, a partir dele, só escalonaram e ficam insustentáveis em 1978, mas isso é papo para outra coluna…