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Poesia e Rock #55 – A morte de David Bowie

MARCELO ARIEL

Morrer não deveria ser tão agônico quanto nascer
talvez seja como abortar a existência entre dois pontos de inexistência
a Estrela Negra dentro do Buraco Negro
brilhando com sua luz cinza-prateada
com um ponto azul
ou um peixe abissal disfarçado de canção
o momento em que perdemos nossa consciência
se confunde com a liberdade
minha palavra favorita era ‘ agir’
antes que a música silenciosa fosse interrompida
pensei em escorregar por dentro
é possível criar algo em um local, em um ponto
que dissolva um poder infinito
como o seu
Ele disse para ela
enquanto ela tentava explicar a teoria dos fractais
‘Eu sou uma realidade desconhecida’
ele ouviu sua própria voz cantar
como a ideia de uma luz caindo
por dentro dos ossos
o espaço que você ocupava era como uma espécie de céu
transparente entre uma pessoa e outra
disse o som da sua voz separado do seu rosto
se expandindo
entre espessuras de luz bicadas por pássaros
vou por teu corpo como por um rio
por tua forma como por um bosque
começamos nesse repentino abismo
não há nada diante de mim
apenas um instante que não se move

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Extraído do livro inédito de Marcelo Ariel, Jaha ñade ñañombovy’a, que será lançado em março pela Editora Penalux.

Nota sobre o poema: Escrito quando David Bowie morreu, tento neste poema ‘narrar a partir da voz do próprio Bowie, da voz que está dentro das canções, o acontecimento metafísico da morte, cito no poema a canção Blackstar.

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