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Radar - Nuno Mindelis

Radar #19 – Curtis Salgado – The Beautiful Lowdown

Você gosta de blues? E de soul? Então neste álbum você terá o melhor dos dois mundos. Curtis Salgado já ganhou tanto Blues Awards que nem vou elencar aqui. Adianto só que, em 2013, levou em quatro categorias, não bastou uma e que com este álbum, The Beautiful Lowdown, grampeou duas: Entertainer of The Year e Soul Blues.

Curtis é macaco velho, começou há muito tempo, em 1980 já era cantor e gaitista da banda de Robert Cray, depois foi para o Roomfull of Blues, depois inventou a Curtis Salgado & The Stilettos, depois tocou com Steve Miller, com Santana, partiu dele a inspiração que levou John Belushi a fazer o filme Blues Brothers (Os Irmãos Cara de Pau) depois … ufa!

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No meio disso trocou de fígado (como Gregg Allman, Jack Bruce, quem mais?) e ganhou vários concertos em sua homenagem; cito só alguns nomes que lhe prestaram tributo: Taj Mahal, Robert Cray, Steve Miller, Jimmy Vaughan, Kim Wilson , Charlie Musselwhite, a viúva de John Belushi (em discurso declarando a importância vital dele no filme) etc, etc.

Você deve estar imaginando pô, isso é o sucesso! Não deixa de ser, de fato. Sucesso é algo muito relativo e muito pessoal. Mas se levarmos em conta que o homem é, até hoje, depois de sei lá , 40 anos, um artista independente (Alligator Records, provavelmente a melhor e mais prestigiada gravadora independente de blues, ok, mas independente) há uma distância entre esse sucesso e o de caras como Jimmy Vaughan, Robert Cray, Buddy Guy, Bonnie Raitt etc. O fato é que mereceria toda a pompa e circunstância do mundo porque é um artista MUITO bom! Um dos vocalistas mais arretados que conheço. E foi justo quando convalescia desse drama hepático-exchange de saúde que fez este disco.

Além de saber cantar como poucos, Curtis tem um timbre anasalado, perfeito, baita voz. A banda é uma cama perfeita para ele se deitar, músicos de elite de vários grupos , incluindo os de Taj Mahal. Os temas são muito bons, vai de Stax frenética a baladas lindas e a qualidade dos timbres e da gravação impacta. Aposto que deveríamos creditar isso ao produtor-baterista Tony Braunagel. (que trabalhou com Paul Kossof, Bete Middler, Ricky Lee Jones, Eric Burdon, Taj Mahal, só isso).

São 13 faixas, acho que a convalescença foi longa. A primeira, Hard to Feel the Same About Love já começa a dar o recado, o vocal arrebata, a banda suinga! A segunda, Low Down Dirty Shame mostra como se faz tilintar um groove. A terceira, I Know a Good Thing, é blues-espiritual de respeito. O timbre da guitarra e do Hammond de Walk a Mile in My Blues já justificam ouvir a faixa quatro.

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Healing Love, a quinta, faria Al Green pular de alegria. E por aí vai. Não deixe de conferir I’m Not Made That Way, um blues soul de alta categoria, nem My Girlfriend, que James Brown recomendaria com prazer. Ring Telephone Ring é o shuffle que não poderia faltar. Interessante como, de certa forma, Curtis transforma tudo o que já existe em algo muito próprio. É a americanália?

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Ouça e me conte !

Abraço

Nuno

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