Se alguém no Memorial da América Latina ainda nutria qualquer dúvida sobre Lauren Hart ser a escolha adequada para liderar o Arch Enemy nesta nova etapa, a cantora precisou de apenas duas músicas para dissipar tal incerteza. Na terceira canção do setlist, a australiana já era ovacionada de forma unânime pelo público, consolidando sua posição à frente de uma das instituições mais respeitadas do metal extremo mundial.
A banda, que não é boba nem nada, foi certeira na escolha do repertório inicial para validar a nova integrante. O show começou com a sugestiva Yesterday is Dead and Gone, originalmente gravada na voz de Angela Gossow, seguida por The World is Yours, da fase encabeçada por Alissa White-Gluz. Com essa sequência, a vocalista mostrou, logo de cara, total capacidade técnica e cênica para interpretar o legado das duas eras mais fundamentais da banda sueca, que marcou presença como peça-chave do festival.
A rapidez da transição impressiona: quando o Arch Enemy foi anunciado como substituto do Twisted Sister no line-up, a identidade da nova vocalista ainda era um mistério. Desde então, o lançamento do aclamado single To the Last Breath, que se tornou um dos pontos altos da noite, e uma breve turnê por clubes na Ásia serviram de preparação para este momento: a primeira performance como headliner de um grande festival no Bangers Open Air.





Enquanto os veteranos Michael Amott e Joey Concepcion (guitarras), Sharlee D’Angelo (baixo) e Daniel Erlandsson (bateria) exibiam a segurança e o entrosamento típicos de quem domina grandes palcos há décadas, o interesse primordial da plateia recaía sobre Lauren. Foi o nome dela o mais gritado durante os intervalos, evidenciando uma aceitação imediata.
A apresentação funcionou como um cartão de visitas bilateral: Lauren deixou de lado qualquer sinal de intimidação para entregar empolgação pura, chegando a solicitar lanternas de celulares durante My Apocalypse, canção que, ironicamente, está longe de figurar em qualquer coletânea de baladas. Por outro lado, o público brasileiro retribuiu com tal intensidade que quase levou às lágrimas a vocalista, que confessou nunca ter tocado no país anteriormente com seus projetos passados.
O destaque negativo ficou, mais uma vez, pelo som do palco. Não chegou a comprometer tanto quanto no Black Label Society, porém, durante a apresentação dos suecos a bateria chegou a engolir as guitarras na mix durante as passagens mais agitadas (que são a maioria).