A noite do último sábado (21) ficou marcada para os fãs de música extrema em São Paulo pelo Overload Beer Fest, evento que juntou grandes expoentes do cenário nacional com a apresentação dos norte-americanos e precursores do death metal Obituary.
Realizado no Carioca Club, com ingressos esgotados, o evento passou longe de um show de headliner com várias bandas de abertura, mostrando a força da cena brasileira e do metal cantado em português, com as bandas Cemitério, D.E.R., Eskröta e Vulcano.
Cemitério

Abrindo a noite, o trio liderado por Hugo Golon despejou o seu death metal inspirado em filmes de terror no público que já começava a comparecer no Carioca Club. Com uma boa quantidade de fãs gritando o nome da banda e abrindo as primeiras rodas da noite, a apresentação de cerca de 40 minutos mais do que aqueceu quem estava no local para o que viria a seguir, também deixando muita gente querendo mais.
Destaque para a trinca que encerrou a apresentação: Tara Diabólica, Natal Sangrento e Pague Para Entrar, Reze Para Sair, ovacionadas pelo público.
D.E.R.

No palco do Carioca, o D.E.R. mostrou porque é um dos principais expoentes do grindcore no Brasil. Como pede o estilo, foi a banda mais rápida a tocar no festival em um show direto e sem firulas. As poucas pausas entre uma música e outra serviram tanto para o público quanto para os músicos recuperarem um pouco de ar no local que já começava a ficar bem quente.
Destaque para o baterista Barata, que executa primorosamente as milhões de batidas por minuto das músicas da banda enquanto, por vezes, o vocalista Thiago Nascimento parece estar em transe no palco.
Eskröta

Com a difícil missão de substituir os santistas do Surra, que haviam sido escalados pelo festival, porém cancelaram pouco antes de anunciarem um hiato por tempo indeterminado, a Eskröta apostou não só no som pesado e no setlist baseado principalmente em Blasfêmea, álbum lançado no ano passado, mas também na interação com o público.
A mais comunicativa das bandas da noite, principalmente por conta da vocalista Yasmin Amaral, levou até bolas infláveis coloridas para jogar ao público, que respondeu bem e fez coro às falas que reforçaram o posicionamento antifascista e feminista do grupo, já explícito nas músicas apresentadas e em toda a sua discografia.
Vulcano

Em uma noite que seria coroada com a apresentação de um dos maiores expoentes do death metal norte-americano, nada mais justo do que escalar a banda que é tida como a precursora do metal extremo na América Latina.
“Que os portais do inferno se abram”, a icônica frase que marca o início das apresentações dos santistas do Vulcano foi entoada, no sábado, por Angel, o vocalista original que fez participação especial no show, dividindo os vocais com Luiz Carlos Louzada em clássicos como Dominios of Death, Total Destruição e Guerreiros de Satã.
A atual formação do Vulcano, sempre ancorada na presença do guitarrista e herói da cena Zhema, fez o show com a segurança de quem já entra com o jogo ganho, focando o setlist nas principais canções da história do grupo, prontamente recebidas por uma casa que já se aproximava da lotação máxima.
Obituary encerra o Overload
O Carioca Clube ficou lotado e quente para a apresentação dos headliners da noite, que fizeram exatamente o que se esperava deles: um show curto, grosso e brutal.
O sempre bom som da casa colaborou para que a as guitarras de Trevor Peres e Kenny Andrews, o baixo de Terry Butler, a bateria de Donald Tardy e, principalmente, os inconfundíveis e agudos guturais do vocalista John Tardy, que ao vivo são adornados por camadas de reverb, batessem no público com a singela força de um acidente de carro.
Celebrando 35 anos do seu álbum mais influente, Cause of Death, o setlist não teve diferenças se comparado com o que a banda já vinha tocando na turnê, apresentando uma sucessão de clássicos e deixando de mais ‘recente’ apenas The Wrong Time, do disco Dying of Everything (2023), uma das músicas mais grudentas da banda, se é que existe uma música grudenta no meio da extensa discografia dos floridenses.
A apresentação durou cerca de uma hora, o que, no papel, pode parecer pouco, mas é compensado com a intensidade do show. Como ressalva fica a ausência de duas faixas do Cause of Death, que não chegou a ser executado na íntegra, faltando Find the Arise e Memories Remain.
Setlist Obituary
Redneck Stomp
Sentence Day
A Lesson in Vengeance
The Wrong Time
Infected
Body Bag
Dying
Cause of Death
Circle of the Tyrants (cover do Celtic Frost)
Chopped in Half
Turned Inside Out
Bis:
I’m in Pain
Slowly We Rot