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Raimundos incendeiam o público santista e matam a saudade da cidade

Após aproximadamente cinco anos, os Raimundos retornaram a Santos na última sexta-feira, dia 18 de julho, na Capital Disco. O quarteto brasiliense veio à cidade para divulgar o disco Cantigas de Roda, totalmente financiado pelos fãs e provando que as bandas não necessitam mais das gravadoras.

“O Crowdfunding foi perfeito porque o que importa para gente são os fãs”, contou Digão, o vocalista do grupo, em um bate-papo exclusivo após o show. “Eles que participaram, ajudaram, acreditaram e apostaram. E a coisa deu muito certo e todo mundo que ajudou está recebendo suas recompensas”.

Mas antes da atração principal, duas bandas ficaram com a responsabilidade de abrir o espetáculo.

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A primeira foi a Padres, grupo santista com várias letras sobre uma vida cafajeste regada a bebidas e sexo. Misturando Hardcore com o peso do Metal, eles conseguiram atrair o público para sua apresentação.

Tocando músicas como Zé Motel, Gravidade da Calcinha e Orgia Popular, nas pausas o grupo interagia com o público. Em uma parte do set, eles chegaram a distribuir camisinhas que logo se tornaram balões que fizeram a festa da banda e da plateia.

Em seguida a Bayside Kings trouxe o Hardcore PMA para a Capital Disco. Com um setlist direto e agressivo, eles fizeram uma apresentação bastante sólida. Aos poucos foram trazendo de volta para a pista o público que havia deixado o espaço depois da primeira banda.

Os circle pits foram se formando ao som de Bigger Than Me and You, Get Up and Try Again e Takedown. Todas faixas dos primeiros trabalhos do quinteto santista. Como sempre, a carta na manga foi a versão ainda mais agressiva de Cyco Vision do Suicidal Tendencies.

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Foto: Pedro Felix

“ENQUANTO OS DOIDO PEDI, VAMOS CONTINUAR”

Então chegou a hora do reencontro de Santos com os Raimundos. O carinho da banda pela cidade é muito grande. Em pequena participação na entrevista, Canisso relembra a importância dela para a história deles. “Foi onde tocamos para o maior público antes do nosso lançamento em 1994. Foi um grande teste logo de cara”.

Agora com mais de 20 anos de experiência, o grupo entrou cheio de energia no palco e começou o show com Gato da Rosinha. Mesmo sendo uma música nova, presente em Cantiga de Roda, o público correspondeu bem e começou o “formigueiro”. E para não deixar os fãs antigos esperando muito, logo emendaram com o grande hit Mulher de Fases.

A energia trocada entre o público e os Raimundos era intensa. Na pista, homem ou mulher, praticamente todos participavam de uma imensa roda que logo foi embalada por Baculejo e Nega Jurema. Como descrita em uma postagem no Instagram, a “vibe” da apresentação foi tão boa que eles ficaram sem entender.

Entre alguns clássicos como Me Lambe e Palhas do Coqueiro, o quarteto inseria alguma faixa do novo disco. Gordelicia e Descendo na Banguela conquistaram o público da mesma forma que as antigas.

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“As músicas novas estão se encaixando perfeitamente nos shows e possuem uma vibe muito forte”, comenta Digão. “Mesmo sem conhecer, a galera curte as novas. Já tem um pessoal cantando. Isso está sendo bem bacana, exatamente como a gente imaginava”.

Os pontos altos da apresentação foram as performances de Eu Quero Ver o Oco e A Mais Pedida. Sucesso nas rádios nos anos 90, elas ainda continuam presentes na memória do público.

Foto: Pedro Felix

Digão, Canisso, Marquim e Caio mostravam bom humor não apenas com as letras. Interagiam com a plateia e brincavam entre eles durante a apresentação. “Sambaram” antes de Mato Veio e fizeram cover de Legião Urbana. Em Aquela homenagearam a cantora Maria Rita que estava se apresentando no centro de convenções anexo ao local do show.

A satisfação refletida pela banda em estar na estrada fica clara no palco. Isso foi confirmado pelo músico na entrevista. “Nós estamos muito felizes de estar fazendo o que gostamos. Com honestidade, sem pisar em ninguém. Estamos seguindo o nosso caminho e ainda tem muito mais para rolar”.

Em uma parte do show, a banda convidou Luiz Araújo, vocalista da Long Beach 64, para cantar Zóio de Lula de Charlie Brown Jr. A participação dele foi uma homenagem aos integrantes da banda santista, Chorão e Champignon, que morreram em 2013.

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Cantigas de Roda não recebeu esse título por acaso. Em Nó Suíno e BOP, o público não demonstrou cansaço mesmo depois de mais de uma hora de apresentação. O “respiro” aconteceu com Deixa Eu Falar mesmo com bastante peso da faixa.

Na volta do bis, depois de Canisso mostrar seu talento nas rimas com Boca de Lata, os Raimundos homenagearam sua principal influência: os Ramones. A banda apresentou uma versão para Poison Heart em tributo à morte de Tommy Ramone, falecido uma semana antes.

Os Raimundos acalmaram os ânimos tocando Reggae do Maneiro. Digão relembrou que a música ficou entre as mais tocadas pela primeira vez em uma das rádios da Baixada Santista. Assim, ressaltou mais uma vez o carinho por Santos.

O maior hit dos mais de 20 anos de carreira da banda ficou para o final. Com as luzes vermelhas lembrando o cenário da história, a última música da apresentação foi Puteiro em João Pessoa, com a casa inteira cantando junto.

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Não foram apenas os fãs que saíram contentes da apresentação. Os integrantes da banda gostaram bastante do reencontro com o público santista.

“O show de hoje foi maravilhoso, um clima saudosista. É sempre bom você reencontrar um público que está com muita saudade e com muita vontade de agitar. Foi tudo lindo, o bicho pegou mesmo. Fiquei muito feliz”, disse Digão fazendo a sua própria resenha.

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