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Disorder - Caio Felipe

Disorder #4 – Os 50 anos de Revolver

Essa semana completou-se 50 anos de um dos discos mais importantes, não só na discografia do Beatles, mas da musica pop em geral. Revolver foi o sétimo disco do grupo e uma virada (que começou antes em Rubber Soul) na carreira deles , marcando a segunda fase da banda.

Não vejo muita diferença entre o Rubber Soul e o Revolver, pra mim eles são como se fossem o volume 1 e o outro volume 2” – George Harrison

Em 1966, os Beatles já estavam de saco cheio de tours e de toda loucura que pairava sob a banda. Eles mal podiam se ouvir nos shows devido à histeria dos fãs e toda beatlemania havia chegado num nível insuportável. Eles podiam continuar nisso até não aguentar mais e abandonar de vez ou buscar dar um passo além em termos de composição e como banda.

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Se em Rubber Soul o flerte com isso começou, em Revolver eles botaram mais um pé e entraram de cabeça num conceito diferente, tendo inclusive nessa época (após lançamento de Revolver) parado definitivamente de fazer tours e se concentrar apenas na música, experimentações e nas possibilidades em estúdio.

O disco abre pela primeira vez com uma composição de George Harrison, Taxman (ele também entra com mais duas no disco Love You To e I Want to Tell You, onde já flerta com a música indiana) e passa para uma das mais belas do catálogo do grupo, Eleonor Rigby, com um arranjo composto pelo produtor George Martin, inspirado nos filmes do diretor francês Francois Truffaut. Nessa, Paul canta sobre a solidão das pessoas e a falta de comunicação entre elas, provavelmente, hoje faz ainda mais sentido do que quando foi escrita.

Outros destaques ficam para a bela balada Here, There and Everywhere e Yellow Submarine, cantada por Ringo Starr e com backing vocals de Brian Jones (The Rolling Stones), Pattie Boyd (primeira esposa de George) e Marianne Faithfull.

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Durante as gravações de Revolver

Overdubs, colagens, sons distorcidos, gravações ao contrario, técnicas posteriormente batizadas como Artificial Double Tracking, na qual o mesmo vocal é sobreposto em si mesmo com um leve desalinhamento nas duas ondas sonoras, inventado durante o processo desse disco e usado até hoje ou em I’m Only Sleeping, que foi usado um solo de guitarra gravado e tocado de trás para frente pela primeira vez.

 “Vamos fazer literalmente qualquer coisa, o próximo disco vai ser muito diferente.” – John Lennon para um repórter da NME em 1966.

Até então os discos do Beatles eram basicamente uma coleção de singles e hits radiofônicos. Era a forma como as pessoas consumiam música na época. A partir de Rubber Soul e, entrando de vez em Revolver, os discos começaram a ser vistos como uma peça que se completa entre as músicas. O conceito de álbum se desenvolveu, os discos eram vistos assim como livros, uma obra para se consumir por completo.

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Você consegue imaginar o salto de composição entre You’ve Got to Hide Your Love Away de um ano antes para Tomorrow Never Knows? Já imaginou as pessoas ouvindo Tomorrow Never Knows em 1966? A gaivota que se ouve é o som de uma risada de Paul McCartney distorcida até parecer um som de gaivota. John Lennon queria soar como Dalai Lama pregando o Himalaia. Sua voz foi gravada utilizando um pedal Leslie junto com um órgão Hammond e criando/utilizando a técnica comentada acima de Artificial Double Tracking.

A letra baseada no livro Tibetano dos Mortos, que John leu sob os efeitos de LSD e, no livro baseado no mesmo The Psychedelic Experience: A Manual Based on the Tibetan Book of the Dead, que possui as linhas “Whenever in doubt, turn off your mind, relax, float downstream“. A canção é basicamente feita toda sobre o mesmo acorde de C e foi a primeira a ser gravada para o disco, já mostrando o espírito deles para o resto do trabalho.

Claro que as experimentações com drogas começaram a atingir um outro nível nesse momento da banda e influenciando diretamente as composições como She Said She Said (baseada numa viagem de ácido de John Lennon com David Crosby e Roger McGuinn do The Byrds) ou Doctor Robert (sobre um médico de famosos que fornecia a seus paciências altas doses de speed).

A capa é uma colagem de fotos antigas junto com desenhos da banda, tudo em preto em branco, fazendo um contraste diferente com as capas coloridas da época. Feita por 40 libras pelo amigo de longa data deles, Klaus Voorman, que posteriormente ganhou um Grammy de melhor capa de disco.

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Klaus em 1966 com Revolver e seu primeiro Grammy Award

Klaus em 1966 com Revolver e seu primeiro Grammy Award

Sempre gostei muito do Beatles, assim como muitos outros, suas melodias e canções pop me parecem tão familiar quanto o rosto dos meus pais. Numa época na adolescência dei um tempo neles, foquei em ouvir outras coisas, de certa forma meio que os reneguei e foi importante naquele momento, pelo menos eu achava. Depois de algum tempo não aguentei e voltei a ouvir todos os discos (principalmente o Revolver), o que mais me surpreendeu é que durante o tempo que eu estava “sem ouvi-los”, diretamente ou indiretamente, eu estava ouvindo eles o tempo todo em outras bandas ou artistas. Nessa hora compreendi melhor o impacto que eles e o Revolver, que ontem completou 50 anos, tiveram na música pop.

O próximo disco sairia apenas dez meses depois, o marco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, onde ficaria marcado que os Beatles não eram mais os mesmos definitivamente e nem a musica pop mais.

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