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Free as a bird/Real Love – Inimaginável Beatles 1995

RICARDO AMARAL

24 de outubro de 1995. Vera e eu subimos para o primeiro show de Elton John na pista de atletismo do Ibirapuera. O show começava às 21h, mas naquele dia, para mim, aconteceria o milagre que passei minha vida inteira sonhando. Os Beatles lançavam um novo single! Inédito!

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Estacionamos o carro e ficamos todos dentro, com o rádio na Jovem Pan, esperando… Free as a bird começava a encher nossos ouvidos de emoção e nossos olhos de lágrimas. Mais os meus do que nos dela, é verdade!

Na introdução, o slide da guitarra Fender Stratocaster de George Harrison, abria o encantamento do primeiro lançamento International dos Beatles depois do fim da banda em 1970. Ambas as canções foram apresentadas a Paul, George e Ringo em um domingo de sol, na sala do velho Edifício Dakota em Nova Iorque, palco da maior imbecilidade que já vivi na vida: o assassinato de John Lennon.

Yoko convidou-os separadamente e, milagrosamente, os três aceitaram e ao se encontrarem disseram: Estamos com problemas! Yoko deu-lhes um cassete C60 originalmente gravado por Lennon em 1977, com um pedaço de esparadrapo de cada lado, escrito Free as a Bird e Real Love, com a letra de John. E um desenho, no qual Lennon segurava pássaros e os libertava. Ela disse aos três: “Façam disso uma canção de vocês!”

Eles já haviam se encontrado várias vezes naquele ano, preparando a maravilhosa coletânea de discos e vídeos Anthology, mas aquilo era mágico.

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Os três saíram dali e logo em frente, disputaram a posse da fita, decidindo entrega-la a Jeff Lynn (vocal do Electric Light Orchestra) para produzi-la.

Não há como explicar o sentimento de ouvir a contagem regressiva tradicional de todos os lançamentos da Beatlemania (ten Beatle, nine Beatle, eight beatle….) e escutar pela primeira vez um Beatle jamais ouvido.

Free as a bird é uma espécie de “arqueologia”, um trabalho de restauração que não tem a mínima pretensão de virar hit ou clássico. Mas representa a realização de um desejo de milhares de fãs pelo mundo: ouvir os quatro juntos novamente.

Depois daquela noite triste de 8 de dezembro de 1980, o sonho acabara de verdade. Inimaginável ter os Beatles se reunindo depois de tanto tempo.

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Uma coisa importante a se destacar é a mudança de relação entre Paul e Yoko Ono. Ao contrário do que a mídia enfatizou, Yoko foi tão responsável pela separação os Beatles como qualquer outro fator. Não houve responsáveis, apenas o desgaste de uma relação de dez anos sob os holofotes do mundo.

O vídeo que lança Free as a bird é uma obra prima de reconstrução da biografia da banda e há representação de mais de 60 canções, como por exemplo o túmulo de Eleanor Rigby, o táxi de jornal de Lucy in the sky with diamonds e o acidente de carro de A Day in the life.

Ainda me lembro de ficar horas parando cena a cena e escrevendo cada referência que percebia. O videoclipe de Free as a bird foi produzido por Vincent Joliet e dirigido por Joe Pytka, apresentando um pássaro em voo. Ganhou em 1997 o Grammy Award de Melhor Performance Pop por um Duo ou Grupo com Vocais.

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O único trecho composto por Lennon é a primeira parte.
Free as a bird
It’s the next best thing to be
Free as a bird

Home, home and dry
Like a homing bird I’ll fly
As a bird on wings

A segunda parte, uma composição de Paul, é uma emocionante declaração de amor e saudosismo…
Whatever happened to
The life that we once knew?
Can we really live without each other?
Where did we lose the touch
That seemed to mean so much?
It always made me feel so

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Na terceira parte, uma ponte para o mesmo refrão de Lennon, George faz a mesma referência usada por McCartney, mas com toque espiritual.
Whatever happened to
The life that we once knew?
Always made me feel
So free!

Vale sempre muito a pena parar três minutos e ver este clipe com o respeito e a emoção que merece.

Real love…. bem…

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Real love foi a outra gravação deixada por Lennon. Mais uma dedicatória de amor a Yoko Ono. Esta música está inteira gravada por ele, ao contrário do pequeno trecho de Free as a bird. Os três Beatles refizeram todo o arranjo e Paul fez mais de vinte gravações para chegar à sua imitação perfeita de John Lennon.

O videoclipe retrata o encontro de Ringo, George e Paul para os primeiros arranjos de ambas as canções
Embora Free as bird e Real love tenham se tornado lados A e B de um single que tem um desenho de Lennon na capa, a primeira foi lançada no primeito disco da Antologia e a segunda um ano depois no Antologia II. Apenas três anos depois seria lançada a versão compacto simples. Ouça, assista, emocione-se. É Beatles!

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