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Fefê Venturi é produtora cultural e mãe. (Foto: Pamela Anastácio)

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Mães que fomentam a cultura hip hop e periférica da Baixada Santista

Segundo domingo de maio, data para se comemorar o Dia das Mães. No cenário de fomento à cultura hip hop e periférica da Baixada Santista há mães com diferentes histórias. Elas enfatizam a felicidade de serem mães, mas sem a ideia romantizada da coisa.

A descoberta da gravidez, o medo do parto, o receio de ter seu futuro profissional interrompido. Várias questões acometem essas mães. A tarefa requer muito aprendizado, paciência e amadurecimento, além do enfrentamento a uma sociedade com valores machistas e patriarcais.

Conheça a história de seis mães que fomentam a cultura hip hop e periférica da Baixada Santista:

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Thamyres Iannuzzi

A rapper Thamyres Iannuzzi, 21 anos, relata que a chegada da pequena Lua, atualmente com 10 meses, mudou tudo em sua vida.  “Ela me deu uma diretriz, um sentido pra viver. Tudo começou a ter que fazer sentido, eu vi que não podia mais viver por viver”. Todavia, o descobrimento da gravidez e a gestação foram momentos marcados por medo. Thamy cita que o apoio de sua mãe foi muito importante para passar por tudo isso.

“O descobrimento da gravidez foi bem tenso, fazia pouco menos de um mês que eu não mantinha contato com o pai dela. Eu nunca pensei em abortar (por mais que seja a favor da legalização). Sentia que ela tinha que vir para mudar minha vida. Porém, isso me trouxe muitas duvidas e medos. Não sabia o que iria fazer, nunca tinha sonhado em ser mãe. Meu ritmo de vida sempre foi bagunçado e me questionei muito sobre o ‘ser mãe’. Nessas que recebi o melhor apoio do mundo: o da minha mãe”.  

Avó, Lua e Thamy. (foto:Arquivo Pessoal)

Thamy reconhece que sua mãe a ajudou de todas formas possíveis e continua ajudando até hoje. A pequena Lua mora com sua avó.

“Eu não tinha residência fixa, não podia largar meu emprego. Minha filha tinha que ficar em São Paulo com a minha mãe e eu ir pra Santos trampar. O coração doia muito e ainda dói, porque ainda não consegui me estruturar”, explica.

Distância

Thamy relata que ficar longe de sua filha mostrou que não existe receita para ser mãe. “Estar longe por visar o melhor, não significa que eu não seja mãe ou não ame minha filha. Muito pelo contrário, é que tenho consciência das necessidades que a Lua tem, e por mais que doa a saudade, ela tem tudo que supre as necessidades e venho sempre me fazendo presente”.

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Thamy lançou em fevereiro deste ano o EP 12. Mas em um momento da gravidez ela chegou a pensar em parar com a música, pois estava com medo. Entretanto, sua mãe e amigos a apoiaram muito para que ela seguisse em frente. Ela cita um episódio no Sesc Santos, quando teve a oportunidade de subir grávida ao palco.

Conversando com o Izzi e o Leal do Moç ganhei uma força incrível. Eles me acolheram e me deram segurança para continuar e acho que até inconscientemente. Vi que era capaz de continuar quando fui convidada pelo Moç e subi no palco do Sesc com banda, grávida de seis meses. Era a realização de um sonho, junto com ela”.   

Thamy no Sesc Santos durante a gravidez. (Foto:Arquivo Pessoal)

Toda essa experiência ensinou e ainda ensina a Thamy que não existe uma fórmula para ser mãe e se tiver, é sinônimo de amor. “Amor às vezes dói e não deixa de existir nem com distância. Tudo que faço é por ela, por mais que prefira não expor e me mostrar somente como alguém que vive normalmente, sempre vai ser tudo por ela. E nem por isso, deixo de pensar no futuro profissional, dentro e fora do hip hop. Deixar exposto que a vida não acaba depois que se tem filhx. Eu aprendo amar todo dia”.

Thamy ressalta que os ensinamentos que aprendeu com o hip hop e que quer passar para sua filha são: coletividade, luta, não se calar, liberdade de expressão e acima de tudo respeito.

Fefê Venturi

A produtora cultural Fefê Venturi, 23 anos, de Santos, levou um susto quando descobriu a gravidez inesperada. Após decidir que queria ser mãe, ela diz que foi “a gravidez dos sonho que nunca tinha sonhado”. Mas segundo ela, esse processo também atrapalhou o trabalho, pois sua gravidez foi marcada por muito cansaço e enjoos.

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Atualmente, Maria Luiza está com um ano. Fefê trabalha com eventos e após ter a filha, quando ela voltou a trabalhar, teve que lidar com algumas questões.  “O lance de gerar uma vida faz você querer está sempre ali, e há um medo das pessoas não cuidarem tão bem como você. Quando voltei pra noite, ficava muito mais estressada do que hoje com a reação das pessoas e até com os comentários do tipo ‘nossa, mas ela é tão pequenininha’. Mas só a mãe sabe o que é melhor para um filho”.

Fefê e sua filha Maria Luiza. (Foto: Pamela Anastácio)

Nesse sentido, ela entendeu que se abrisse mão da carreira pra ser só mãe, seria infeliz e consequentemente sua filha também. Ela ressalta que seu companheiro a incentivou muito para não abrir mão da carreira pela maternidade. Hoje, ela está bem resolvida nessa questão, mas no começo foi difícil até por conta da amamentação.

Tudo por ela

Fefê afirma que tudo que ela faz hoje é pensando em ser exemplo para a pequena Malu, até em seu trabalho.

“Profissionalmente puxar um baile de mulheres para mim é praticamente uma ação direta contra o sistema machista que espera que a gente seja bela, recatada e do lar. A festa Joga a Pkk na Mesa nasce disso. A primeira vez que usei esse termo foi quando fiz o ultrassom e vi que seria uma menina. fiquei muito feliz de trazer para o mundo mais uma mulher que vai lutar para conseguir seu espaço. E desde já, ao criar um espaço seguro para as mulheres, estou plantando uma semente pensando na Malu”.Fefê Venturi

A produtora musical muito ligada ao funk, quer que a Malu leve alguns ensinamentos do estilo musical. “O funk é um estilo musical de resistência que conversa muito com liberdade. Acho que quando ela crescer, os gostos musicais serão outros por se tratar de outra geração, mas quero que ela carregue essa essência. Pelas minhas experiências, também quero deixar ela bem livre pra viver o que precisar e formar quem ela quer ser baseada nas vivências dela sem grandes interferências”.

Fefê acredita que ser mãe é sinônimo de amor incondicional. (Foto:Arquivo Pessoal)

A primeira coisa que vem a mente de Fefê quando ela pensa em o que é ser mãe é o amor incondicional.  “É a cada momento que você olha pra sua cria, desacreditar que é capaz de amar de maneira tão forte e pura. É você achar que não é capaz e ela te surpreender mostrando que é mesmo sem expressar nenhuma palavra. Minha vida mudou completamente, parece clichê, mas eu renasci. Mudei muito minha personalidade e os planos que eu tinha para minha vida. Pensar em educar alguém fez eu me reeducar. Sem dúvidas é a melhor coisa que aconteceu na minha vida”.

Nanne Bonny

Já a produtora cultural Nanne Bonny, de 32 anos, é mãe do Francisco Passos Rigotto, de 3 anos. A descoberta da gravidez foi “chocante” como ela mesmo relata e a fez refletir sobre muita coisa. Por um período, até pensou que não conseguiria mais trabalhar no meio cultural como produtora e DJ.

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“Foi chocante. Na época, eu era parte do coletivo Piratas do Maxixe, de Santos. Estávamos no auge das produções, fazíamos a festa de ocupação de espaço público JAMBU, que foi um processo bem intenso na minha vida. Descobrir a gravidez me fez repensar tudo que fazia e o que queria fazer dali pra frente”.

Nanne com seu filho Francisco (Foto:Arquivo Pessoal)

Ela relata que a foi um momento para se aproximar de si, se escutar mais, confiar mais em si. A partir dali, ela conseguiu refazer todo o sentido da minha vida. Por achar que não conseguiria trabalho no meio cultural, tentou outros trabalhos e fontes de renda. Mas depois que seu filho nasceu, percebeu que a cultura era sua essência e eu não podia fugir disso.

A sociedade é cruel com mãe que trabalha

Nanne relata que após o parto foi muito difícil a volta para o trabalho. Ela alega que a sociedade pode ser muito cruel com uma recém mãe.

“Eu cheguei a perder trabalho que já tinha encaminhado por esperarem que eu falhasse ou não desse conta. Você fica literalmente numa fogueira, seu corpo vira público e suscetível as mais variadas opiniões. E se você se mostra uma boa profissional, você falha como mãe e quando se mostra boa mãe parece falhar como profissional. É difícil conseguir conciliar os dois e se libertar do julgamento alheio”. Nanne Bony

Nesse processo de ser mãe, hoje ela se vê mais madura. “Ser mãe é todo aquele amor que sempre foi falado, é ser exemplo e não se sentir mais só.  Mas ele não vem sozinho, ser mãe é também aprender a escutar, é cuidar, é abrir mão, noites sem dormir, julgamentos, é perder trabalho, ganhar menos, é ser subestimada, ter que ser forte, e até no seu melhor ser cobrada. Ser mãe é carregar um mundo nas costas, dar conta e estar ainda pronta pra próxima”.

Nanne é produtora cultural e mãe do Francisco. (Foto:Beth Romano)

Ser uma pessoa boa, se importar e ter empatia pelos outros, e ter confiança para poder ser quem ele quiser são os aprendizados que Nanne busca passar para Francisco.  

Catia Eisandra

A Catia Eisandra, 40 anos, é mãe do Marcéu Costa Lima, 14 anos, e mora em São Vicente. Ela teve apoio do filho e de um dos elementos do hip hop, o graffiti, para lidar com a depressão. Ela resolveu entrar no curso de graffiti, na Etecri em São Vicente, e concluiu depois de três anos.

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“Eu amei ter feito o curso. Gosto de ir pras ruas espalhar artes nos muros e muretas, me deixa feliz. Estou curada graças a Deus e ao graffiti. Quando estava com depressão, meu filho ficou triste, mas me ajudou muito. Ele gosta dos meus graffitis, acha legal”, revela.

Graffiti feito na Prainha em São Vicente. (Foto:Arquivo Pessoal)

Catia ao se descobrir grávida ficou desesperada e teve medo do parto normal. Hoje em dia ressalta que ser mãe é um aprendizado todos os dias e que mantém uma ótima relação com o seu filho. É uma luta, mas é uma alegria, como descreve. “No começo fiquei desesperada, mas foi a melhor coisa que Deus me deu. Amo ser mãe”.

Catia e seu filho Marcéu. (Foto:Arquivo Pessoal)

Catia explica que sua depressão foi desencadeada porque ela tem muitas responsabilidades, incusive ser mãe, e é muito ansiosa. Mesmo com toda essa responsabilidade, ela ressalta a importância de dar atenção para si própria e não deixar a criança interior morrer.

“Fazer arte, graffiti e pinturas me acalmam e eu volto a ser criança! Eu entro no mundo imaginário, é muito bom. Aprendi com o graffiti a ser feliz e não perder a essência da criança. Também pinto telas, roupas jeans, shapes de skate, tênis e latas de spray”.Catia

Catia grafitou o muro de sua casa em São Vicente onde vive com o filho. (Foto:Arquivo Pessoal)

Cae, como assina suas artes, já desenhou no Morro da Asa Delta, na praça de skate, no Parque das Bandeiras, no VLT, na pista de skate do Jockey Club de São Vicente e também em São Paulo, na região de Diadema, no ABC.

Lua

A  poetisa Lua, de 33 anos, mora em Praia Grande e tem três filhos. A Ellen, 17, a Lucia, 14, e o Dominic, 10. Ela escreve bastante sobre maternidade solo e seu primeiro poema Manda Machão surgiu após seu ex-marido espancá-la no chão da cozinha na frente das crianças. Ela escreveu para poder falar tudo que não podia. Depois que se separou, não parou mais de escrever.

“Eu fiz umas poesias enquanto eu não conseguia falar. A poesia ajudava porque se eu não podia gritar tudo na cara dele eu podia escrever. Depois de um longo processo de separação eu comecei a fazer terapia, e minha psicóloga me incentivava a continuar escrevendo. Passei pelo Creas, as assistentes sociais falavam a mesma coisa”.

Quem manda na casa é o machão
Dessa vez ele jogou ela no chão
As crianças ouvindo a mãe apanhar
Sem poder ajudar
Oprimida
Ela cede, obedece
Não porque tem juízo
Mas pra apartar a briga
Ela está ferida
Trecho da poesia Manda Machão da Lua

Ela relata que escrevia muito sobre suas dores em relação ao racismo e depois começou a escrever sobre o dia a dia com as crianças.

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“Comecei a escrever sobre essa maternidade solo, de mães autônomas, operárias. Escrevia geralmente no final de noites e dias que tinham sido muito cansativos. Também faço poesias inspiradas em relatos de amigas que também são mães”.

Relação com os filhos

Lua relata que quando os filhos eram pequenos, mesmo estando casada, se sentia muito sozinha. Ela se separou do marido há cinco anos.

“Sempre tentei ser presente, ser boa mãe, até porque sou filha adotiva. A maternidade me representa muito, também trabalho com crianças. Sou considerada a mãezona da rua. Esse estar sempre cuidando de alguém faz parte de mim”.

Hoje em dia, com os filhos mais crescidos, as preocupações são outras. Ela cita a atenção redobrada com relação às meninas que já são adolescentes.

“Tenho essa neura de saber com quem estão, que horas vão chegar, porque são duas meninas, se demora um pouco a gente já fica naquela de não saber se aconteceu alguma coisa. Minha vida praticamente é meus filhos, meu mais novo é especial. Agora que estamos em casa praticamente o tempo todo, fazemos lição online, essas coisas. Eu e minha filha mais velha também estamos estudando juntas para o Enem”.

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Mãe que vai a evento é julgada

Lua relata que hoje em dia leva seu filho para os eventos, porque ele melhorou com o tratamento. Mas antigamente, quando ela ia sozinha a algum evento, diz que as pessoas a julgavam muito.

Me julgavam como mulher e como mãe porque eu deixava ele em casa para participar de um sarau ou saia a noite, mas ninguém nunca questionava o pai dele. Eu tive minha filha aos 16, o pai delas tinha 28. Ele nunca foi julgado, eu fui massacrada pela família e ‘amigos’. E sempre que eu estou bebendo, tem alguém que pergunta: cadê seu filho?”. Lua

Sobre os aprendizados que teve como mãe, busca sempre passar para os seus filhos. “Troco ideia com as meninas sobre feminismo, incentivo elas sempre a serem independentes. Com o Dom também, independência é fundamental, ensino ele a fazer tudo mesmo com os limites dele. Ensino quanto o machismo é tóxico também, tento passar valores sociais. Desejo que eles se tornem pessoas dignas, independente de profissão e relacionamento. Que sejam felizes e livres”.

Luciana Mazza

A Luciana Mazza, jornalista, cineasta e diretora de comunicação da Street House, Casa de Cultura Urbana, é uma mãe que incentiva muito seus filhos no breaking. A Chaya Gabor, conhecida como b-girl Angel, 10, e o Yeshua Rebello, b-boy Eagle,13, são apaixonados pela dança.

“A Angel nasceu prematura extrema. Ficou 90 dias numa UTI . Nasceu com 850g, ela tinha uma asma severa. O que a curou em primeiro lugar foi Deus e depois o breaking. Hoje, quem a vê dançar, não diz que ela passou por tudo que passou”, conta.

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B-boy Eagle e b-girl Angel competindo juntos. (Foto:Arquivo Pessoal)

A participação e incentivo constante de Luciana para que seus filhos evoluam no breaking é muito notória, como ela menciona.

“Muitos dançarinos me procuram e falam que queria que os pais apoiassem. É difícil isso acontecer, acabei me tornando a mãe de muitos por aí. Sempre bato nessa tecla que deveria ser mais comum os pais incentivarem”.

Ela explica que isso acontece pois muitas pessoas tem a visão de que o hip hop é “coisa de gente que não vai ter futuro”.

Luciana é muito participativa na vida dos filhos dançarinos. (Foto:Arquivo Pessoal)

“Prefiro saber que meu filho está dançando do que sentado na frente da TV, com o telefone na mão o tempo todo, por exemplo. Eu sou grata por ter filhos envolvidos com a cultura hip hop. Ao contrario do que pensa, é uma cultura da família, muitas vezes o hip hop salvou vidas e continua salvando, a gente precisa mudar um pouco essa visão”.

O sonho que diverte

O sonho dos irmãos do breaking começou quando o b-boy Eagle tinha apenas três anos.

“Enquanto as crianças estavam vendo Discovery, ele estava pegando meus DVDs do Michel Jackson. Então, percebi que ele curtia dança. Quando eu estava vendo isso nele, deixei eles fazerem aula experimental e ele disse: mãe é isso que eu quero para minha vida inteira. Achei aquilo muito engraçado. Imagina uma criança de quase quatro anos dizendo aquilo. Mas até hoje faz sentido pra mim”.

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O breaking já levou o B-boy Eagle a Europa. (Foto:Arquivo Pessoal)

Luciana ainda menciona que é muito divertido ter filhos dançarinos, porque eles estão sempre dançando não importa o lugar.

“Às vezes eles acordam dançando, vão a geladeira dançando, no mercado, na farmácia. É uma vida muito doida. Eu chego no quarto da minha filha e ela está de cabeça para baixo fazendo passos. Eles até desenvolveram interesse pela rima. Quando estamos na mesa de almoço, de repente começam a batalhar”, conta animada.

B-girl Angel campeã da Batalha Final 2020, na categoria Kids. (Foto:Arquivo Pessoal)

Para Luciana, o breaking ensinou muito a seus filhos. “O breaking é um aprendizado de vida. Com ele você aprende a ganhar, a perder, a ter limite. Aprende que quando se chega e sai do ambiente se cumprimenta todo mundo. É uma grande família, eu incentivo sim porque muitas coisas boas ainda virão. Eles amam a cultura e eu fico muito feliz de fazer o que eu faço por eles. Hip hop é vida, é amor. Luciana Mazza

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