AC/DC no Morumbis é o privilégio de testemunhar a história viva do rock and roll

A espera finalmente acabou. Na noite desta terça-feira (24), o Morumbis voltou a ser o epicentro do hard rock mundial com o primeiro dos três shows do AC/DC no Brasil (a banda repete a dose nos dias 28 de fevereiro e 4 de março, todos esgotados nas primeiras horas de venda). Setenta mil pessoas vibraram com a banda durante 2h15 de apresentação. Essa é a quarta passagem do AC/DC pelo país, após as catarses de 1985 (Rock in Rio), 1996 (Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba, e Pacaembu, em São Paulo) e 2009 (Morumbis, em São Paulo). Mas o mundo, e a própria banda, mudaram drasticamente desde aquele último encontro há quase duas décadas. Para uma análise honesta sobre o show do AC/DC no Morumbis, é preciso endereçar o inevitável: o tempo passa para todos, até para os deuses do rock. Brian Johnson (78 anos): forçado a abandonar a turnê de 2016 devido a uma severa perda auditiva, o vocalista está de volta com um sorriso indomável. Embora sua voz não alcance mais as notas estridentes dos anos 80 em faixas como High Voltage, sua entrega e carisma compensam qualquer limitação vocal. É uma entrega absurda no palco. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Blog n' Roll (@blognroll) Angus Young (70 anos): ainda vestindo seu icônico uniforme escolar, Angus apresenta sinais de lentidão em aberturas mais frenéticas, como Thunderstruck. No entanto, ele continua sendo o coração pulsante da banda. Seus solos viscerais, o clássico duckwalk e a energia quase infantil com que percorre o palco provam que sua técnica e resistência continuam formidáveis. O seu solo com mais de dez minutos de duração para encerrar a primeira parte do show, na sequência de Let There Be Rock, é o grande momento desse gênio da guitarra. Apoiando os dois veteranos, a “cozinha” rítmica formada por Stevie Young (guitarrista, sobrinho do saudoso Malcolm Young, falecido em 2017), Chris Chaney (baixo, ex-integrante do Jane’s Addiction) e Matt Laug (baterista, que gravou Jagged Little Pill, de Alanis Morissette e excursionou com o Slash’s Snakepit) entregou uma fundação impecável e pesada, operando com o máximo de eficiência e sem vaidades. Recado aos críticos que “não foram” ver o AC/DC no Morumbis É exatamente por toda essa bagagem que a apresentação desta terça-feira serviu como um choque de realidade para os críticos de sofá. Nas últimas semanas, tornaram-se comuns os comentários desdenhando da voz de Brian Johnson ou apontando a “falta de agilidade” de Angus Young. Vamos direto ao ponto: é uma falta de noção absurda. Não era o momento para encher o saco com exigências de quem espera a performance de atletas olímpicos de 20 anos. Quem foi ao Morumbis com a intenção de avaliar se o alcance vocal de Brian é o mesmo de 1980, deveria ter ficado em casa ouvindo o disco. No Morumbis, o público abraçou a banda do início ao fim. Cantou junto, fez mosh pit, puxou o tradicional olé, olé, olé, AC/DC, além de iluminar o estádio com as luzinhas vermelhas dos chifrinhos, principal item vendido nas redondezas do estádio. Ver o AC/DC ao vivo em 2026 foi, acima de tudo, um privilégio. Foi a chance de se emocionar vendo dois dos maiores ícones da história da música desfilando o repertório que pavimentou o rock and roll moderno. A entrega, o carisma e os riffs imortais estavam lá. E isso valeu mais do que qualquer nota perfeitamente alcançada. Setlist repleto de clássicos O show em São Paulo marcou o pontapé inicial da banda em 2026. A rota latino-americana seguirá feroz, passando por Chile (dois shows), Argentina (três) e México (três). O roteiro entregou uma aula de história em mais de 20 músicas, divididas entre Back in Black, Highway to Hell, Dirty Deeds Done Dirt Cheap, Let There Be Rock, Power Up, Powerage, T.N.T., entre outros álbuns. A banda não poupou energia, abrindo o show com o peso de If You Want Blood (You’ve Got It) e emendando imediatamente com Back in Black. O grande trunfo da noite, no entanto, foi o resgate histórico de Jailbreak, faixa que não era tocada ao vivo desde 1991, mas virou parte obrigatória na atual turnê. Outros momentos marcantes Let There Be Rock: com Angus Young sendo elevado em uma plataforma, disparando um solo longo e indulgente, seguido por uma chuva de confetes personalizados do AC/DC. Sin City: Angus fez seu tradicional, porém encurtado, striptease. De forma sensata, o guitarrista poupou o público de ficar apenas de roupas íntimas, usando sua gravata para tocar um solo improvisado. O bis: o encerramento explosivo com T.N.T. e a apoteose com os canhões de fogo em For Those About to Rock (We Salute You), sucedido por uma linda queima de fogos. O AC/DC poderia ter se aposentado anos atrás com seu legado intacto, logo após a morte de Malcolm Young. Porém, ao subir ao palco em 2026, no primeiro show da temporada, eles provaram que a fome de tocar continua viva. Pode não ser a mesma banda de 30 anos atrás, mas a energia bruta, a dedicação e o respeito profundo pelos fãs fazem desta turnê um triunfo inegável. Eles tocaram, e nós os saudamos.
The Pretty Reckless aquece público do AC/DC com hard rock visceral no Morumbis

Para aquecer o Morumbis, a missão ficou a cargo do The Pretty Reckless, que acompanha o AC/DC em toda a turnê latino-americana. Liderada pela carismática Taylor Momsen, a banda trouxe um hard rock visceral e bluseiro que se provou a ponte perfeita para preparar a multidão antes do furacão australiano tomar conta da noite. Em um setlist direto e sem respiros, o grupo nova-iorquino desfilou dez pedradas. A abertura com a faixa-título Death by Rock and Roll já ditou o peso, seguida por Since You’re Gone e Follow Me Down. A banda mesclou muito bem a fase recente com sucessos que furaram a bolha na última década, executando a pesada Only Love Can Save Me Now e a sombria Witches Burn. Entre elas ainda teve espaço para uma estreia, For I Am Death, single lançado no ano passado e que nunca havia sido tocado ao vivo. A reta final da apresentaçãodo The Pretty Reckless foi desenhada para ganhar de vez os fãs da velha guarda que aguardavam ansiosamente pelos donos da casa. Eles enfileiraram os maiores hits da carreira: a clássica Make Me Wanna Die, na qual foi possível ouvir muita gente cantando, a explosiva Going to Hell, o hino de arena Heaven Knows (que sempre rende boa interação) e encerraram os trabalhos com a cadenciada Take Me Down. A banda cumpriu seu papel com maestria, deixando o palco e a plateia do Morumbis devidamente aquecidos.
Entrevista | The Hives – “Ouvir AC/DC é uma experiência formativa”

O The Hives está no Brasil como banda de abertura dos shows do My Chemical Romance, acompanhando a turnê que marca o retorno do grupo norte-americano aos palcos do país. Mas, não são uma simples abertura. Conhecidos pela energia explosiva ao vivo e pela postura provocadora, os suecos reforçam sua conexão com o público brasileiro em apresentações que têm atraído atenção tanto dos fãs mais antigos quanto de uma nova geração. Além da turnê, a banda vive um momento criativo celebrado pela crítica. Lançado no ano passado, The Hives Is Forever, Forever The Hives foi recebido com entusiasmo e reafirma a identidade do grupo, unindo urgência punk, riffs diretos e o humor ácido que sempre definiu sua trajetória. O disco também marca uma fase de maturidade, sem abrir mão da intensidade que transformou o The Hives em um dos nomes mais reconhecíveis do rock dos anos 2000. O Blog N’ Roll esteve ontem (4) na Casa Rockambole, em São Paulo, conversando com o The Hives sobre as principais influências que moldaram o som da banda, passando por nomes fundamentais do punk e do rock clássico, além de histórias pessoais que ajudam a entender a construção dessa identidade barulhenta, direta e sem concessões que segue ecoando nos palcos ao redor do mundo. Ramones Pelle Almqvist – Os Ramones foram muito importantes para nós. Mas, curiosamente, os Ramones que mais nos marcaram foram os do período mais tardio, como os discos lançados quando éramos jovens, tipo Mondo Bizarro e Brain Drain. Nós gostávamos muito dessa fase. Acho que nenhum de nós chegou a ver os Ramones ao vivo. Eu, pelo menos, não vi. Eles influenciaram a gente, mas talvez de uma forma ainda maior, influenciaram praticamente todas as bandas que a gente gostava. É quase uma influência de segunda mão. Eles fizeram com que o que fazemos hoje pudesse existir. Com músicas como Blitzkrieg Bop, fica claro como eles ajudaram a definir uma linguagem inteira do rock. Se fosse apenas essa música no disco, já teria sido suficiente. É um clássico absoluto. AC/DC Pelle Almqvist – Antes mesmo dos Ramones, o AC/DC foi fundamental para nós. Quando eu e o Niklas éramos crianças (Pelle, vocalista e Niklas, guitarrista são irmãos), morávamos na mesma casa e o AC/DC foi a primeira banda que gostamos por conta própria. Niklas Almqvist – A gente ouvia o que os garotos mais velhos da rua ouviam, e esse disco estava sempre tocando. Eu nem sabia os nomes das músicas, só colocava o vinil e ouvia tudo. Ouvir AC/DC é uma experiência formativa. Back in Black é um clássico absoluto e tem uma das melhores introduções da história do rock pesado. Hells Bells é icônica. Eles começam com sinos e depois você fica pensando: o que eles vão fazer depois disso? Curiosamente, Hells Bells virou a música de entrada do São Paulo Futebol Clube, porque o goleiro Rogério era um grande fã do AC/DC… Pelle Almqvist – Também é tema de vários eventos esportivos. Sempre que começa, dá uma sensação de boas notícias. Você mora em Santos, mas torce para o São Paulo? Não dá problema? De jeito nenhum, é bem comum (risos). Agora falem um pouco sobre outra lenda punk, os Misfits Pelle Almqvist – Misfits é sempre complicado, porque existem muitas fases e muitos discos diferentes. Eu acabo ouvindo mais as coletâneas. Tem músicas incríveis como Attitude, Bullet e Some Kind of Hate. Essa última é uma das minhas favoritas. Ela lembra Teenage Kicks, mas mais suja, mais agressiva. Eles foram uma influência enorme para nós. Com certeza estão no nosso top 5 de bandas punk, talvez top 3, talvez até top 1. É uma música feita “errada” em muitos aspectos técnicos, mas ainda assim é a melhor música já gravada. Isso é o punk em sua essência. Mantendo o punk, vamos falar sobre Dead Kennedys Pelle Almqvist – Somos muito influenciados pelo Dead Kennedys, especialmente no primeiro álbum do The Hives, Barely Legal. Há muita coisa de guitarra inspirada neles. Sempre adoramos a guitarra do East Bay Ray. Eles são uma banda incrível, ainda que um pouco irregular. Existe uma diferença grande entre as melhores e as piores músicas, mas, mesmo assim, estão entre as maiores influências punk para nós. Niklas Almqvist – Muitas dessas bandas, na verdade, eu só fui ter os discos em vinil bem mais tarde, talvez com 22 ou 25 anos. Antes disso, era tudo em fita cassete. E eu trouxe um vinil do Millencolin para representar a cena da Suécia. Como é a relação entre vocês? Pelle Almqvist – Essas bandas suecas estavam por perto quando começamos. Estávamos no mesmo selo, vinham de cidades próximas, mais ou menos uma hora de distância. Eles eram dois ou três anos mais velhos do que nós e já estavam começando a fazer sucesso. Eram uma das melhores bandas que você podia ver ao vivo na região onde crescemos. Foi a primeira banda do nosso universo a alcançar um sucesso mais mainstream. Isso foi importante, porque mostrava que era possível. Hoje em dia, somos amigos e sempre é divertido dividir o palco com eles. E qual a expectativa para os shows no Allianz? Pelle Almqvist – Nós já fizemos alguns shows em estádios na América do Sul e foi incrível. Não achamos que dessa vez será diferente. É o mesmo que quando perguntam o que as pessoas devem esperar dos nossos shows. A resposta é nada, além do melhor absoluto. Com o público brasileiro é a mesma coisa. Não esperamos nada além do melhor absoluto. E esperamos que tudo seja ainda maior.
AC/DC esgota três datas no MorumBis em poucas horas

Estão esgotados os ingressos para os shows do AC/DC no Brasil em 2026. As três datas no Morumbis, em São Paulo, teve sua cota de tíquetes liquidadas em poucas horas. Cronologia da loucura O que vimos foi uma verdadeira corrida contra o tempo. Inicialmente, apenas a data de 24 de fevereiro estava confirmada. Assim que as vendas abriram, os bilhetes voaram. A produção agiu rápido e anunciou uma data extra para 28 de fevereiro. Esgotou num piscar de olhos. Não satisfeita, a organização abriu uma terceira e última data para 4 de março. Resultado? Sold out instantâneo. Abertura de peso Quem garantiu o ingresso não verá apenas as lendas australianas. As três noites contarão com a abertura da banda The Pretty Reckless, liderada por Taylor Momsen, que terá a missão de aquecer (ou incendiar) o público antes da “Power Up Tour” tomar conta do estádio. ⚠️ Alerta aos Fãs Com os ingressos oficiais esgotados na Ticketmaster, o Blog n’ Roll reforça o alerta: cuidado com golpes e revendas não oficiais. A demanda está altíssima e o risco de ingressos falsos é real. 📅 Agenda confirmada (esgotada)
AC/DC anuncia datas extras e fará trinca de shows no Morumbis

Se uma noite de rock and roll já era histórica, imaginem três. O AC/DC, que está prestes a desembarcar no Brasil após um hiato de 17 anos, anunciou que a demanda foi tão insana que a turnê Power Up ganhou duas novas datas em São Paulo. Além da apresentação já agendada para o dia 24 de fevereiro, Angus Young e companhia retornam ao MorumBis no dia 28 de fevereiro e também no dia 4 de março. Retorno dos gigantes A última vez que os australianos pisaram em solo brasileiro foi em 2009. Agora, em 2026, a visita tem um gosto especial e agridoce: é a primeira vez que a banda vem ao país após a morte do lendário guitarrista rítmico Malcolm Young, em 2017. Seu lugar é ocupado por Stevie Young, sobrinho de Malcolm e Angus, mantendo o DNA da família nas cordas. A abertura ficará por conta do The Pretty Reckless, banda liderada por Taylor Momsen, garantindo que a energia já comece no teto. Corrida pelos ingressos Atenção: Os ingressos para as datas extras já estão disponíveis pela Ticketmaster. Os valores variam de R$ 425,00 (meia na arquibancada) a R$ 1.590,00 (inteira na cadeira inferior). ⚡ Serviço: AC/DC em São Paulo Ingressos (setores e preços) Vendas oficiais pela Ticketmaster.
AC/DC confirma show único no Brasil; confira data e local

O AC/DC está de volta ao Brasil! A turnê Power Up, nomeada em homenagem ao mais recente álbum de estúdio da banda, contará com quatro apresentações no Brasil, Argentina, Chile e México. No Brasil, o show acontece no dia 24 de fevereiro de 2026, em São Paulo, no MorumBIS. Esta etapa da turnê Power Up levará a banda a alguns dos maiores estádios do continente. Os ingressos para o show estarão disponíveis nesta sexta-feira (7). No Brasil, os ingressos, que podem ser adquiridos em até 6x sem juros, estarão disponíveis às 10h online. Mais informações sobre preços e bilheteria oficial serão divulgadas em breve. O AC/DC realizou seu primeiro show em 31 de dezembro de 1973 no Chequers Nightclub, em Sydney, Austrália. Eles se tornaram uma das bandas mais influentes da história do rock, com mais de 200 milhões de álbuns vendidos mundialmente. O álbum Back In Black é o “álbum mais vendido de todos os tempos por uma banda” e o “terceiro álbum mais vendido da história por qualquer artista”, com mais de 50 milhões de cópias comercializadas e contando. O AC/DC foi introduzido no Rock and Roll Hall of Fame em 2003. A banda continua lotando estádios em vários continentes, vendendo milhões de álbuns anualmente e acumulando bilhões de streams. Para celebrar seu longo reinado como a maior banda de rock and roll do mundo, o AC/DC – Angus Young (guitarra solo), Brian Johnson (vocal), Stevie Young (guitarra base), Matt Laug (bateria) e Chris Chaney (baixo) – está de volta aos palcos para se apresentar para sua legião de fãs dedicados, que cresce a cada ano. AC/DC NO BRASIL POWER UP TOUR Datas da turnê Power Up: Terça, 24 de fevereiro, São Paulo, Brasil – Estádio do MorumBIS Qua, 11 de março, Santiago, Chile – Parque Estádio Nacional Segunda, 23 de março, Buenos Aires, Argentina – Estádio River Plate Terça, 7 de abril, Cidade do México, México – Estádio GNP Seguros
AC/DC libera clipe para Witch’s Spell; confira

O AC/DC compartilhou o clipe da faixa Witch’s Spell nesta quarta-feira (9). A filmagem dirigida, editada e animada por Wolf & Crow, tiveram vídeos de performances da banda realizadas por Clemens Habicht. Ademais, a faixa complementa o disco POWER UP, último lançado pelo grupo, onde a banda escolheu doze novas faixas para o álbum, mantendo orgulhosamente seu som característico e todas as suas poderosas marcas registradas
Com uma pegada Highway To Hell, AC/DC lança clipe para Demon Fire

O AC/DC divulgou nesta quarta-feira (9), o clipe do single Demon Fire, canção que compõe o álbum Power Up. Em resumo, as imagens presentes no clipe se assemelham muito a Highway To Hell, icônica faixa lançada pela banda. Nela, um demônio aparece e faz de tudo para atrapalhar o protagonista que percorre uma estrada durante a noite. Power Up é o décimo sétio disco em estúdio da banda australiana. O projeto foi lançado no dia 13 de novembro.
A corrente continua: AC/DC empolga com o álbum Power Up

Em um reencontro com sua própria história, o AC/DC voltou aos estúdios. E não só retornou, como gravou mais um álbum, o 17º da carreira da banda. Você pode enxergar Power Up de duas formas: mais do mesmo, porque o estilo do grupo não mudou; ou que bom!, eles continuam os mesmos. É isso. O que importa para a comunidade roqueira é a volta desses caras que amplificaram a sonoridade do blues numa mescla bem sacolejada de rock ‘n’ roll e deboche. Não cometeram qualquer blasfêmia, apenas energizaram em altas cargas a sua raiz. O AC/DC já havia passado por histórias dramáticas demais para um encerramento sem adeus. Era como deixar a casa onde esteve por toda a vida e, simplesmente, desaparecesse. Definitivamente, não. E nada como ter aquele moleque que entrou na banda porque era irmão do criador, mesmo que uns torcessem o nariz no começo. “Como assim, colocar esse garoto ainda em fase escolar?”. Malcolm Young foi o cara que gestou o AC/DC na efervescente Austrália dos anos 1970. O irmão, Angus, o intrometido nos ensaios da nascente banda. Mal chegava da escola, e, sem tirar o uniforme, arriscava uns solos. Pronto! Incentivado pela irmã, Margaret, ele daria o ar de adolescente rebelde ao quinteto. Se Malcolm era o coração do AC/DC, Angus se converteu nas veias expostas. E de adolescente que permaneceu no grupo por imposição do irmão transformou-se na vitrina viva e debochada da trupe. Mesmo com o não menos fantástico Bon Scott, com seu jeitão de roqueiro “clássico”. A vida na banda foi, disco a após disco, ganhando o público até tornar-se gigante na cena musical desde aquele inesquecível 1973. Dramas em Power Up Com o mundo conquistado, a esteira de fatos trágicos também acompanhou a entourage. A começar pela morte estúpida de Bon, alcoolizado dentro de um carro numa rua qualquer de Londres, em fevereiro de 1980. Quase foi o fim, não tivesse a disposição de continuar e a aparição de um sujeito de cabelos crespos, boina e voz rouca. Brian Johnson, em nada parecido com o ex-vocalista, assumiu o microfone e corroborou a ascensão do AC/DC. Não vale, aqui, fazer comparações entre um e outro. Os dois deram magnitude ao grupo, meio escocês, australiano e inglês. Temperos de nacionalidades que só alargaram o alcance da banda. Depois, vieram os dramas do baterista Phill Rudd, envolvido com drogas e a Justiça, a redução da capacidade auditiva de Brian e a morte de Malcolm – antes, já tinha deixado a banda por problemas de demência. Apesar dos fortes abalos, Angus não deixou a peteca cair. Trouxe Axl Rose para o lugar de Brian a fim de dar sequência à turnê Rock Or Bust, algo que parte dos fãs até hoje não assimilou. Cliff Williams, baixista, já havia anunciado sua aposentadoria. Brian parecia não mais apto a tirar as mesmas notas altas e se mostrava obediente à ordem médica, para não comprometer em definitivo sua audição. Sim, ressentia-se da suprema ausência de Malcolm para pôr ordem na casa. Angus segura a bronca Nada disso. Angus, aquele que entrou por “capricho” do irmão mais velho, segurou a onda. Conseguiu o que muita gente já não esperava mais: trazer de volta Phill, Cliff e Brian. E a guitarra rítmica? Sim, também, com o sangue dos Young: Stevie, sobrinho de Angus e Malcolm, assumiria o posto, coisa que já havia feito em outras ocasiões. A fecundação fez efeito, gestando Power Up, com a produção do experiente Brendan O’Brien – já havia trabalhado nos álbuns Black Ice e Rock Or Bust. Agora, a notícia que milhões de fãs esperam com ansiedade incontrolável: o retorno aos palcos. Se ocorrer, nestes tempos de incertezas e pandemia, é bom que a vacina já esteja fazendo efeito. Sim, porque será difícil segurar uma massa ansiosa e com crise de abstinência pelo velho e adorável rock ‘n’ roll do AC/DC.