Blue Mar une raízes brasileiras e indie rock no álbum Oliveira; ouça!

Brasileiro cidadão do mundo, Blue Mar faz de sua música um caldeirão de influências. Guiado por sua guitarra virtuosa e um feeling genuíno que o levaram ao reconhecimento internacional, ele se aproxima da música brasileira em Oliveira, seu novo álbum de estúdio. Após quase um ano na estrada cruzando os Estados Unidos, Europa e África do Sul, Blue Mar se sentiu compelido a embarcar em algo novo e se reconectar com suas raízes ao mesmo tempo que busca seu próprio espaço na cena alternativa. A faixa-foco, Fallen Leaves, ganhou um clipe dirigido pelo coletivo Filhos do Dono, mostrando belas cenas do litoral brasileiro. >> CONFIRA ENTREVISTA COM BLUE MAR O que começou como uma brincadeira com samplers rapidamente evoluiu para sessões imersivas de gravação em Londres com Ian Flynn e Liam Hutton no Unwound Studios, assim como ao lado de Pedro Serapicos no Alcachofra Studios, em São Paulo. Além de Fallen Leaves, o disco conta os já lançados singles Siren in the Darkness, Tough Spell, Never Ever Was e Belle of the Ball, que acumulam mais de 300 mil streams. Apesar da vibe energética e muitas vezes dançante do álbum, Oliveira é um registro pessoal que mergulha nos altos e baixos da vida, tentações e escolhas que nem sempre trazem felicidade. O nome do álbum tem um valor sentimental e se aproxima da busca por raízes do artista, pois é o sobrenome de solteira de sua mãe.

Gabriel Elias retorna às raízes reggae em “Tropical” e celebra autodescoberta

O artista mineiro Gabriel Elias, um dos destaques da cena musical contemporânea, lançou seu quinto álbum, Tropical. As nove faixas do projeto apresentam elementos do reggae, pop e ijexá, mescladas com a essência do verão e a leveza do estilo de vida praiano que o artista adotou nos últimos tempos. “Voltar a fazer um álbum de reggae, o que eu não fazia desde o Solar (2016), era algo que eu queria há tempos. Agora que cheguei aos 30 anos de idade, só tenho gratidão pela trajetória que construí e sinto que posso ser um cara importante neste lugar. O reggae é uma verdade muito grande para mim, independente das dificuldades midiáticas ou de aceitação em fazê-lo no Brasil. O conceito de Tropical me soa como algo sensitivo. Penso em cair no mar, em tomar água de coco gelada numa sombra embaixo de um coqueiro em um dia de verão. O tropical para mim é muito mais do que o clima. É um estado de espírito, é conexão com a natureza, é a liberdade de ser e estar”, explica o artista. A concepção do álbum surgiu após uma viagem de veleiro por ilhas paradisíacas que durou 12 dias – sem internet e acompanhado pelo som do silêncio -, onde o luxo era acordar na natureza, poder mergulhar em águas cristalinas e repensar o estilo de vida. Foi neste período que Gabriel Elias trocou a agitada São Paulo pela reserva natural de Itaguaré, pertencente a Bertioga, na Baixada Santista, e passou a se dedicar ao surf (outra de suas paixões). Não à toa, a música de trabalho se chama Paradisíaca e reflete esse momento onde a simplicidade pauta cada movimento do artista. “Paradisíaca é uma música que nasceu após esta viagem muito espiritual, onde aprendi a velejar e que, sem dúvidas, mudou minha vida. Tem um trecho dela que ilustra bem: ‘deixa o vento me guiar sob a luz do dia’. A letra trata de sairmos da rotina e deixarmos o prazer do presente tomar conta. É uma canção com muita brasilidade, que tem elementos reggae, mas também tem muito do ijexá no balanço, no pulso que a canção traz, muito do violão de nylon ali. Sem dúvidas é uma música muito importante dentro do projeto porque foi a partir dela que o conceito do álbum Tropical foi criado”, explica. As nove faixas de Tropical foram produzidas por Gabriel Elias e Renato Gallozi e agraciadas com audiovisuais em formato live session filmados em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, sob a direção de Bruno Fioravanti. A capa do álbum reflete bem esta escolha por uma vida mais próxima à natureza e este momento de redescoberta. “Mais uma vez trabalhei com meu fotógrafo favorito, Victor Costa, que assina quase todas as minhas capas há alguns anos. Ele captou bem essa sensação de movimento, de correr para a vida que escolhemos porque não temos tempo a perder, sabe?”.

Entrevista | King Saints – “É interessante mostrar o quanto a gente precisa se ‘branquear'”

Se Eu Fosse Uma Garota Branca é o álbum de estreia da cantora e compositora King Saints. Após cinco anos nos bastidores, King se reinventou em um projeto repleto de críticas sociais e parcerias de peso. São 11 faixas inéditas, com colaborações de artistas como Karol Conka, MC Soffia, Leone, entre outros. Juntos, eles usam a rima para destacar a força da mulher preta, com muita ironia e um humor singular. Assim como na música, seu primeiro clipe, que leva o mesmo nome do álbum, inspira-se em Zezé Motta e Taís Araújo, fazendo uma crítica ao processo de whiteface. Em entrevista ao Blog n’ Roll, a cantora King Saints falou sobre essa nova fase da carreira, o processo de criação do álbum, suas inspirações musicais e visuais, além de sua agenda de shows. Após muitos anos escrevendo para outros artistas, o que te inspirou a lançar o seu primeiro álbum? Como foi essa transição? Eu, na verdade, comecei na vida como bailarina, depois virei cover dublada, que eram umas competições muito específicas que aconteciam aqui no Rio de Janeiro. E aí, nesse meio, comecei a criar minhas próprias músicas e a fazer shows nas boates do Rio de Janeiro. Então, na verdade, comecei ali na música, sendo artista e intérprete. A composição para outros veio depois, mas também foi um caminho que encontrei para pleitear o meu trabalho dentro do mercado. É algo que gosto muito de fazer, compor música. São duas coisas que caminham juntas. Só que, nesses últimos dois anos, foi o momento em que dei muita atenção ao meu trabalho como intérprete. Fiquei cinco anos nos bastidores, mas gosto disso e estou bem feliz. Não foi repentino, foi bem pensado. Estamos aí, fazendo as duas coisas. Temos indicações no Grammy como compositora, estivemos no Rock in Rio, e agora lançando o álbum. Então, é um ano de vitória. Como foi o processo de criação do álbum Se Eu Fosse Uma Garota Branca? Foi um processo bem divertido. No estúdio, estava com produtores e amigos que tornaram tudo leve. Diferente de compor para outros, aqui pude relaxar e realmente me expressar sem pressão, porque, quando a gente faz trabalho para outras pessoas, acaba sendo estressante, já que não são necessariamente nossas próprias ideias, não somos nós que vamos cantar, e tem que fazer sentido para o outro intérprete. As colaborações com artistas como Karol Conka e MC Soffia foram experiências incríveis e trouxeram uma energia única ao álbum. Se eu olhar para trás, para a King de antigamente, e falar para ela: “Olha só, seu álbum vai ter essa galera toda com você”, acho que ela ficaria muito impactada com o que conseguimos juntos. Bom, já que você falou das parcerias, o álbum conta com colaborações de artistas como Karol Conka, MC Soffia e Leone. Como foi trabalhar com esses nomes? Foi muito especial. Todos esses artistas têm uma importância grande na minha trajetória pessoal, são pessoas que admiro há muito tempo. Cada um deles fez parte de alguma fase minha, seja por alguma música, seja pela estética. Foi muito maneiro, todo mundo me recebeu muito bem. É triste quando você conhece um artista que gosta e ele é chato, sabe? Mas, nesse caso, todos foram incríveis, e isso transparece no resultado do álbum. É um trabalho que, claramente, foi feito com muito café, muito trabalho e muita diversão. Eles estiveram com você no processo de composição também? Algumas músicas eu já tinha começado, como “Cinderela”, da MC Soffia. Eu tinha uma parte, mas o refrão ainda não existia. Quando ela chegou, criou a parte dela e tudo fluiu de uma vez, foi incrível. Já a música com a Karol Conka, fizemos do zero: eu, ela e a MC Taia, juntas, escrevendo. Eram três mulheres negras criando uma música poderosa, para chegar com atitude, e daí saiu “Kanhota”. Foi um processo bem colaborativo, nada foi feito sozinho. Quais foram as principais inspirações musicais e visuais que você trouxe para a faixa-título e para o videoclipe? Visualmente, trouxemos como inspiração Zezé Motta, enquanto Chica da Silva, que faz um processo de whiteface. Acho que é interessante mostrar o quanto a gente precisa se “branquear” para mostrar que ascendeu de alguma maneira. Thaís Araújo também, quando fez Chica da Silva, teve o mesmo processo. Grace Jones foi outra grande referência estética que usamos. Na produção da música, tivemos como referência Lily Allen, com “Smile”, e “Blank Space”, da Taylor Swift, para criar as harmonias e melodias. Foram duas faixas que usamos muito como norte. No seu álbum, você é muito irônica, com muitas críticas sociais. Como acha que sua vida pessoal influencia sua vida artística? Totalmente. Eu tive que entender muitas coisas. Saber dividir o que é sobre mim e o que é sobre a figura que as pessoas construíram, baseado no que acham que é uma pessoa negra da favela, sabe? Ter que me proteger nesse lugar e não perder minha voz por causa da perspectiva dos outros me fez trazer isso para o álbum, para a música. Acho que não permito que ninguém silencie minha voz, porque tenho consciência do que estou fazendo. A consciência é muito importante. Saber de onde vim, para onde vou, e o porquê de estar fazendo as coisas. Estar sempre em busca desse conhecimento definitivamente reflete na minha música. Agora, queria saber um pouquinho sobre sua agenda de shows. Como está esse novo projeto? Então, vem aí! Estamos montando uma turnê. A partir de novembro, teremos novidades. Estamos segurando algumas informações, mas, ainda este ano, estaremos na pista. Vamos ver qual será a demanda.

Entrevista | Hurricanes – “Queremos mostrar a banda ao vivo”

Com um som mais conectado ao rock setentista, a banda Hurricanes lançou seu segundo álbum de estúdio, Back to the Basement, sucessor do álbum de estreia, homônimo, divulgado em 2023. São oito faixas inéditas, e, como o próprio nome do disco sugere, ele foi criado no porão de um dos integrantes da banda. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o guitarrista do Hurricanes e produtor do disco, Leo Mayer, explicou o processo de criação do álbum e confirmou o lançamento de um conteúdo ao vivo nos próximos meses. O artista também compartilhou sua opinião sobre a renovação do rock atual. Confira a íntegra da entrevista abaixo. Como foi o processo de produção do álbum? A gente retornou ao porão da casa do Henrique (Cezarino), nosso baixista, para começar a escrever esse álbum, rascunhar e juntar ideias. O processo começou a fluir muito rápido, tanto que faz pouco mais de um ano que lançamos o primeiro disco. As coisas realmente começaram a andar muito depressa. A princípio, não havia uma data ou pressão para lançar um disco no ano seguinte, mas as coisas foram acontecendo, e ficamos muito felizes por termos um álbum pronto tão rapidamente. Foi basicamente construído no porão da casa do Henrique, o que tornou o processo muito espontâneo. Tivemos bastante tempo para trabalhar, já que não havia horas de estúdio limitadas. Acredito que isso nos permitiu trazer um resultado mais espontâneo do que o primeiro álbum. Vocês se sentem mais maduros após o primeiro álbum? O que mudou no som de vocês desde então? Acho que não. Nesse sentido, foi parecido. O que realmente aconteceu de forma mais rápida foi o processo de composição. Começamos a rascunhar o primeiro single, “Pain In My Pocket”, em dezembro de 2023, ainda no ano do primeiro álbum. Em fevereiro ou março, já estávamos no estúdio gravando. Esse processo foi muito ágil. No primeiro álbum, levamos anos para juntar todas as ideias e nos sentirmos prontos para ir ao estúdio. A gravação, no entanto, foi feita de maneira semelhante em ambos os casos. Vocês pensam em gravar em português algum dia? A gente não planeja muita coisa, seguimos mais no feeling. Tanto eu quanto o Rodrigo já tivemos projetos de rock ‘n’ roll em português. Eu já compus em português, então, por que não um dia, né? Você produziu o álbum novamente. É melhor produzir o próprio trabalho para preservar a essência da banda ou ter alguém de fora nessa função? A vantagem de produzir o próprio álbum é que você tem um som específico na cabeça e consegue chegar a essa sonoridade rapidamente. Se tivéssemos um produtor externo que não estivesse 100% alinhado, talvez fosse mais complicado. Por outro lado, a parte negativa é que, muitas vezes, não estou pensando como guitarrista, mas como produtor. Então, preciso alternar entre essas funções. Às vezes, chamo a banda e pergunto: “Galera, o que vocês acham disso aqui?” porque estou pensando na bateria ou na voz. O lado positivo é que conseguimos alcançar o som que queremos. Eu participo de todos os processos, desde a composição até a gravação, mixagem e finalização. Já trabalhamos com alguns profissionais antes, e, às vezes, no resultado final, dá aquela vontade de ajustar uma frequência ou gravar de outra forma. Produzindo nós mesmos, conseguimos ficar mais satisfeitos. Como você acha que será tocar o álbum ao vivo? A ideia é divulgar ao máximo esses dois álbuns, seja online ou gravando materiais ao vivo, algo que estou sentindo falta. Temos bastante conteúdo de estúdio, mas, para quem não mora em São Paulo ou nas capitais onde estamos tocando, não há um conteúdo ao vivo da banda disponível. Queremos mostrar a banda ao vivo, com a espontaneidade e até os erros que acontecem. Então, sim, a ideia é ter um conteúdo ao vivo e tocar o máximo possível. Queremos nos apresentar em todos os lugares. Vocês já têm uma data para o lançamento ou gravação desse conteúdo ao vivo? Ainda não temos uma data, mas o quanto antes. É uma prioridade. Temos os dois álbuns, mas agora queremos muito ter um conteúdo ao vivo. Acredito que em novembro ou dezembro vamos gravar para lançar em breve. Muita gente nos procura e diz: “Pô, queria muito ver vocês ao vivo”, mas realmente não temos nada disponível. Gravar um show demanda bastante trabalho, não é só colocar um celular e filmar. É preciso ter uma qualidade de som e um vídeo legal, mas isso vai acontecer. No mês passado, o Rock in Rio gerou um debate sobre a falta de representatividade do rock no evento. Você concorda? Por quê? Consigo ver os dois lados. Como espectador, acho que deveria haver mais bandas do underground, além das grandes, participando. Mas também entendo o lado da produção, que precisa ter headliners, senão não vende ingressos. Hoje em dia, está complicado, porque os grandes nomes do rock estão sempre vindo, e, às vezes, isso não chama tanta atenção. É um assunto muito complexo. Quando você faz um festival como o Lollapalooza, com várias bandas underground, o público reclama dizendo: “Pô, nem conheço essa banda”. Então, como fica para o produtor? Se coloca nomes novos, a galera critica. Se coloca nomes grandes, reclamam que o rock não é mais mainstream. É difícil agradar todo mundo. O Rock in Rio tem dois palcos principais, mas existem vários outros. Só que, às vezes, esses palcos não têm muito público. Acho que poderia haver um festival que trouxesse mais nomes novos de rock, talvez com um dia dedicado ao rock. Sinto falta disso. As bandas clássicas estão se aposentando. Vi recentemente o Eric Clapton tocando em Buenos Aires, e ele tem 79 anos. Como será essa substituição? Vai ficar assim para sempre e, depois, acabou? Como será essa renovação? É um assunto muito complexo. Na sua opinião, o rock não teve uma renovação? Ou existe renovação de artistas e público, mas a mídia ignora? O rock teve uma renovação, mas ela não está no mainstream. O rock

Jake Bugg retorna ao básico que importa em A Modern Day Distraction

Jake Bugg lançou o sexto álbum de estúdio, A Modern Day Distraction. A boa notícia é que após explorar vários estilos musicais nos trabalhos anteriores, Jake Bugg retornou à sonoridade do primeiro álbum, autointitulado, de 2012. O novo disco traz influências de rock blues e folk. O disco conta com os singles lançados anteriormente, como Zombieland, All Kinds of People, Keep on Moving e I Wrote the Book.

The Smile lança o aguardado álbum “Cutouts”; ouça!

A banda de rock inglesa The Smile, composta por Thom Yorke, Jonny Greenwood e Tom Skinner, lançou o álbum Cutouts, pela XL Recordings. Cutouts contém dez novas faixas e foi produzido por Sam Petts-Davies. Este é o terceiro álbum de estúdio da banda, após o lançamento de Wall of Eyes, em janeiro e o álbum de estreia do trio em 2022, A Light For Attracting Attention. O disco foi gravado em Oxford e nos Estúdios Abbey Road durante o mesmo período em que Wall of Eyes. O álbum conta com arranjos de cordas da London Contemporary Orchestra, e a arte do álbum foi pintada durante o processo de gravação por Stanley Donwood e Thom Yorke. Este é o segundo lançamento de um álbum de estúdio do The Smile em menos de um ano. Em janeiro, Wall of Eyes alcançou a terceira posição nas paradas de álbuns do Reino Unido.