Djavan celebra a vida com álbum de show em Maceió; ouça!

Voz e violão, sua música no sumo portanto, Djavan canta frente à multidão de mais de 20 mil pessoas: “Eu fui batizado na capela do farol, Matriz de Santa Rita, Maceió”. Finca o pé na origem, aponta de onde veio — o que diz muito do passado, mas mais ainda das escolhas presentes e dos caminhos futuros. Casa, enfim. É esse o sentido que atravessa D Ao Vivo Maceió, álbum que documenta a turnê do disco D — a inicial do nome do artista, em mais um simbolismo que marca o valor essencial do início. O disco chegou às plataformas digitais de música, enquanto o registro audiovisual será lançado ainda no primeiro semestre de 2024. “Eu tenho um amor profundo e uma gratidão imensa pela minha cidade, por Maceió”, derrama-se o compositor, em conversa em seu estúdio, no Rio. “Porque foi ali que eu me formei, foi ali que eu conheci tudo que eu precisava pra ter uma formação diversa como a minha intuição e o meu espírito gostariam. Ali eu conheci o jazz, o R&B, a música flamenca, a música nordestina, a música do Brasil… Me formatei ali” O sentido de “casa” que atravessa o show, porém, não é um só. Porque, para além de sua cidade natal, são muitas as casas, as origens, os lares que Djavan evoca no palco. A primeira, ainda antes de entrar em cena, fala de nossa essência como povo, pela voz de uma de suas representantes mais ilustres, Sonia Guajajara. Na abertura de D: ao vivo Maceió, ouve-se a líder e ministra dos Povos Indígenas lendo um texto de sua autoria, feito especialmente para a turnê: “Gritamos e ressoamos o ´reflorestarmentes´, para que de uma vez por todas o nosso direito à vida seja conquistado, com base na natureza e na ancestralidade”, diz um trecho. É ainda sobre o eco dessas palavras que Djavan abre o show com Curumim. Lançada em 1989, é uma canção de amor feita da perspectiva de um menino indígena, um curumim que entrega tudo à menina amada (“O que era flor/ Eu já catei pra dar/ Até meus lápis de cor/ Eu já dei/ G.I. Joe, já dei/ O que se pensar/ Eu já dei/ Minhas conchas do mar”) e se angustia com o fato de não ser correspondido. “Escrevi Curumim depois de ter ficado muito impressionado quando vi na televisão uns meninos indígenas brincando com esses bonequinhos G.I. Joe (lançados no Brasil como Comandos em Ação)”, conta Djavan, que dedica o show aos indígenas e a todas as minorias do Brasil. “Você vê a infiltração de outras culturas ali, como isso pode matar a cultura indígena. E eu trago na letra, pra sedimentar essa questão, o nome de várias etnias. Nomes belíssimos, sonoros, musicais. Assim como a expressão G.I. Joe também me pareceu, ali, extremamente musical”. A fala nos lembra que, para Djavan, a casa é também a música — esteja ela guardada nos sons de Txucarramãe ou de G.I. Joe. O compositor nota que o lápis de cor, o G.I.Joe, as conchas são na verdade apenas representações da sedução — “algo que é inerente a qualquer povo, a qualquer civilização”. “Estou tentando dizer, portanto, que os indígenas somos nós. Quando falo dos indígenas, das minorias, estou falando também de mim”, diz o compositor, que já em segundo disco, de 1978, trazia uma canção sobre o tema, Cara de índio. Como pode ser visto nos palcos e em breve estará no registro audiovisual, ao longo de todo o show, o telão projeta imagens de artistas indígenas e periféricos, na cenografia assinada por Gringo Cardia. Desenvolvido por Marina Franco, em parceria com o estilista convidado Lucas Leão, o figurino de Djavan — uma elegância ao mesmo tempo crua e futurista, ancestral e moderna, marcada por tons terra — dialoga com o cenário, assim como com a luz de Césio Lima, Mari Pitta e Serginho Almeida. Produção esmerada que compensa a espera: gravado em 31 de março de 2023, D: ao vivo Maceió ganha as ruas dez anos depois do registro audiovisual anterior de Djavan, o Rua dos amores ao vivo. Depois de Curumim, o roteiro prossegue com Boa noite, lançada em 1992 — o show reúne músicas que vão desde seu primeiro disco até D, de 2022, num panorama amplo de sua carreira. Já nos primeiros versos, Djavan brinca com a ideia do engano de quem se acha dominador. No caso, na dinâmica de um casal no jogo da sedução, mas que pode ser estendido à arrogância do colonizador que toma a terra que não é dele: “Meu ar de dominador/ Dizia que eu ia ser seu dono/ E nessa eu dancei”. Outras essências de Djavan são tocadas ali (Ainda bem que eu sou Flamengo, que ele trata na canção como um modo de lidar com o sofrimento e seu propósito). E já se amplia no groove tão irresistível quanto surpreendente de Boa noite uma percepção que Curumim já anunciava: de como o artista tem uma linguagem musical sedimentada e, mais do que isso, como ela é amparada por sua banda. Estão no palco com o cantor instrumentistas que já estiveram com ele em diferentes momentos, que aprenderam a entendê-lo e ajudaram a dar forma ao que hoje se entende como a “assinatura Djavan”. “Desde sempre tenho uma percepção musical diferente. Minha, né? Pessoal. E ninguém é obrigado a tê-la”, explica o artista. “Mas uma coisa que Deus me deu, que é muito importante pra mim, é saber pedir, fazer com que o sujeito embarque na minha e se sinta confortável com isso. Os músicos que estão comigo hoje já passaram por esse processo várias vezes. Curumim, por exemplo, Nossa Senhora! Ela tem uma divisão inusual, estranha pra quem não tá naquilo. Esses mesmos músicos de hoje relembram, toda vez que a gente vai tocar o Curumim, a dificuldade que era. Mas hoje eles sabem”. Os “músicos de hoje” a que Djavan se refere são Paulo Calasans (piano e teclado), Marcelo Martins (saxofone e flauta), Marcelo Mariano

Duda Beat apresenta “Tara e Tal”, seu terceiro álbum

Logo aos primeiros acordes, Tara e Tal, novo álbum de Duda Beat – e seu primeiro projeto completo pela Universal Music – , traz uma surpresa. Os sons, distorcidos e ritmados, sugerem ao ouvido desatento que o que virá pela frente será radicalmente diferente dos seus primeiros trabalhos, Sinto muito (2018) e Te amo lá fora (2021). No entanto, à medida em que avançamos nas faixas, fica mais claro que, sim, é um trabalho com inegável pegada eletrônica, feito para as pistas, uma musicalidade com a energia lá em cima, mas não representa uma ruptura com os álbuns anteriores. Pelo contrário, Tara e Tal fala do traçado de rumos – existenciais, musicais, artísticos e estéticos. É um passo natural na carreira desta artista que usa sua arte para refletir sobre os caminhos da construção do feminino em si. A ideia inicial de Tara e Tal era trazer uma voz mais assertiva, mais madura, mas também mais leve. Para isso, Duda, Tomás Tróia e Lux (os produtores) e equipe se retiraram para uma ilha conhecida pelo clima alegre e ensolarado. Queriam fazer um álbum bem dançante. Resultado: choveu todos os dias. Foi como um zap vindo dos céus, aquele recado amigo que chega na hora certa: Sim, vamos dançar, vamos botar o pé na areia, vamos jogar os braços para cima, mas não vamos esquecer que esse trabalho é parte de um processo. Dessa vez, no entanto, o processo está pronto para aterrissar no terreno deliciosamente escorregadio das pistas. Tara e Tal foi pensado de tal maneira que acompanha a Diva Glam desde a audição íntima até o palco – agora concebido em um show em três atos, teatral e emocionado, com tudo pronto para mobilizar a banda, o balé, os backing vocals e o público em um espetáculo catártico e simbiótico. Duda Beat sempre fala de amor – e o amor é a mais complexa das emoções humanas. Traduzi-lo em forma de canção exige lidar com uma ampla gama de sutilezas estéticas. Nada é exatamente o que parece ser. Tudo comporta mais de uma leitura, mais de uma abordagem. Como nas relações humanas, todas as músicas trazem alguma coisa inesperada, uma espécie de plot twist. E assim, o que poderia ser apenas um excelente álbum dançante, pronto para fazer ferver qualquer pista ou levantar qualquer lineup, recebe uma mistura de elementos improváveis, que resulta em surpreendentes camadas de significados. Duda Beat soma diferentes estilos, referências e épocas. Lança mão dos beats dos anos 90 e 00s – como o house, drum n bass, boombap, dancehall, reggaeton – mas os mistura à música eletrônica mais atual, com o EDM, Jersey club, drill, future bass, lo fi, funk – sem medo de ousar. Isso fica bem claro, por exemplo, em Drama, faixa que abre o álbum, que inicia com uma guitarra do Lúcio Maia reverenciando a banda Nação Zumbi. Night Maré é um rock com elementos eletrônicos – como house e trance – e guitarras distorcidas, que ganha um refrão bem latino, quebrando expectativas e trazendo uma associação instigante e nada óbvia. O mesmo acontece com Teu Beijo, um drum n bass bem simples que, em seu terço final, deixa o tempo cair pela metade, abrindo espaço para uma guitarra heavy metal bem pesada, o que muda completamente o clima da música. Ou em Quem me dera, a muito sonhada parceria com Liniker, que também aponta para um rumo e adota outro ao longo da faixa. Em termos temáticos, Tara e Tal descreve, em 12 faixas, as vivências e reflexões de uma mulher que acorda cheia de questões mal resolvidas e, ao longo de um período, resolve digerir suas mais recentes experiências afetivas, agora buscando um equilíbrio entre a tara – o sentimento que nos leva para a frente, mesmo que desajeitadamente – e o tal – a necessidade de não deixar que os amores líquidos atropelem o crescimento. Não é à toa que o álbum encerra com Na tua cabeça, a canção que constata que, mesmo ainda se sentindo rejeitada e abandonada, a protagonista tem certeza de que veio para ficar, veio para marcar a vida do outro. Tara e Tal traz todos os elementos que alimentam a intensa comunicação que Duda Beat tem com seu público – mas vai além. Traz elementos de underground muito fortes, só sugeridos nos trabalhos anteriores. Escancara a vulnerabilidade emocional – e a transforma em motor de crescimento. Não tem medo de ser ambíguo, complexo e intrigante. Se joga inteiro na pista como uma pessoa de carne e osso o faria: com expectativas, angústia, ansiedade, sonhos, e um caminho bem delineado de superação. Como a própria Duda Beat ressalta, Tara e Tal é a celebração do encontro entre as duas faces de ser mulher: a vulnerabilidade e o empoderamento.

Billie Eilish revela detalhes do terceiro álbum, Hit Me Hard and Soft

A cantora Billie Eilish revelou detalhes de seu terceiro álbum de estúdio, Hit Me Hard and Soft, que será lançado em 17 de maio via Darkroom/Interscope Records. Trabalho mais ousado de Billie até o momento, Hit Me Hard and Soft é uma coleção de canções diversificada e coesa, para ser idealmente ouvida na íntegra do início ao fim. O álbum faz exatamente o que o título sugere: atinge você com força e suavidade, em letra e sonoridade, rompendo fronteiras entre gêneros e desafiando tendências no caminho. Hit Me Hard and Soft viaja por uma paisagem sonora ampla e expansiva, que deixa os ouvintes mergulhados em um espectro completo de emoções. É aquilo que a vencedora de vários Grammy e do Oscar faz de melhor; um álbum que continua a afirmar Billie Eilish como a compositora mais empolgante de seu tempo. O novo álbum foi composto por Billie Eilish e Finneas, seu irmão e habitual parceiro, que também atua como produtor do álbum. Como parte de um esforço para minimizar resíduos e combater as mudanças climáticas, o disco estará disponível no mesmo dia em todas as plataformas digitais e em todos os formatos físicos, em variantes limitadas, com a mesma lista de faixas e usando materiais 100% recicláveis.

Banda inglesa Palace lança quarto álbum de estúdio, Ultrasound

Munido de uma extensa discografia de músicas impressionantes, o Palace retorna com seu novo e profundamente pessoal quarto álbum de estúdio, Ultrasound, lançado pela Fiction Records. A produção do novo álbum mostra a banda reunida com Adam Jaffrey, oito anos depois de terem trabalhado juntos no álbum de estreia, So Long Forever, e chega depois de Part I – When Everything Was Lost e Part II – Nightmares & Ice Cream, os EPs que a banda lançou em 2023. Enquanto escrevia a primeira leva de músicas para o álbum, a parceira do vocalista Leo Wyndham sofreu um aborto. Ultrasound naturalmente se tornou um diário aberto de um ano de luta, da devastação à libertação. “Foi incrivelmente difícil compreender o que havia acontecido, como lidar com isso e como seguir em frente”, diz Leo. “O álbum é a jornada dessa experiência — começando com uma perda, depois um período de processamento e, finalmente, aceitação, liberação e crescimento. E a admiração pelas mulheres nesse processo. A dignidade, a força e a coragem com que elas conseguem lidar com essas coisas que parecem estar além do humano”. Leo, o guitarrista Rupert Turner e o baterista Matt Hodges começaram a tocar juntos em 2012, depois que o destino os levou separadamente para Londres. Amigos de infância, eles lançaram seu aclamado EP de estreia Lost In The Night em 2014. Em seguida veio o EP Chase The Light no ano seguinte. Com uma sequência de quatro álbuns, So Long Forever, Life After, Shoals (2022) e, agora, Ultrasound, a banda conquistou uma massa de fãs entusiasmados em todo o mundo. Ouça Ultrasound, do Palace

Após super hit, Benson Boone libera primeiro álbum para audição

O cantor Benson Boone lançou seu álbum de estreia, Fireworks & Rollerblades. O ambicioso projeto inclui o hit Beautiful Things. Fireworks & Rollerblades começa com uma introdução explosiva, seguida por Be Someone, uma faixa cheia de sentimentos de intriga e saudade. O álbum também traz os singles Slow It Down, Cry e Friend. Em paralelo ao lançamento do álbum, Boone iniciou sua turnê mundial, homônima ao projeto, com ingressos esgotados em Chicago. O artista se apresentará no Brooklyn Paramount Theatre, em Nova York, na próxima semana. O álbum dá continuidade a uma tendência de grandes momentos para Benson Boone. No início deste ano, a iHeartRadio o nomeou “Artista On The Verge” e, no ano passado, foi nomeado “Artista Revelação”, da Amazon Music, e “Artista Global PUSH”, da MTV, em outubro. Enquanto isso, seu EP PULSE gerou dezenas de milhões de streams para faixas como What Was, Little Runaway e Sugar Sweet. Boone foi a atração principal de uma turnê com ingressos esgotados pela América do Norte e Europa, e então terminou o ano com o lançamento de seu comovente single To Love Someone.

No melhor momento da carreira, Conan Gray lança Found Heaven

O cantor e compositor Conan Gray lançou o álbum Found Heaven, co-produzido pelo legendário Max Martin (The Weeknd), por Greg Kurstin (Adele) e por Shawn Everett (The Killers). Found Heaven inclui o single Alley Rose e a recém-lançada Fainted Love, além de Lonely Dancers, Killing Me, Winner e Never Ending Song. Na noite passada, Conan Gray hipnotizou o público com uma impressionante primeira performance na TV de Alley Rose, no programa Jimmy Kimmel Live. Este ano, Conan Gray embarca em sua Found Heaven On Tour, que vai passar por 16 países. Os ingressos para várias datas nos EUA já estão esgotados, entre eles, os dos shows em Nova York, Los Angeles, Filadélfia, Dallas/Ft. Worth, Atlanta e Boston. Na América do Norte, os shows de abertura ficarão a cargo da cantora e compositora Maisie Peters; na Europa, quem vai abrir será o duo electro-pop duo Between Friends.