Jacque Falcheti faz música intimista e visceral no álbum Crua

Jacque Falcheti transformou suas canções em um diálogo ao pé do ouvido, um convite a uma pausa para buscar um caminho de volta para quem somos de verdade. Artista com uma expressiva discografia com outros artistas e extensa experiência nos palcos, a cantora e compositora entregou Crua, sexto álbum da carreira e primeiro solo. Imerso em questionamentos, vulnerabilidade e intimidade, o disco está disponível para streaming e chega acompanhado de um clipe para a faixa-título. O conceito de Crua partiu da vontade de voltar à essência humana, sem pressões externas para performar um personagem que não existe de fato. A cobrança de uma perfeição em todos os âmbitos da vida – em especial no caso das mulheres, seja como mãe, mulher, filha, cidadã – leva a filtros, maquiagens e cirurgias que encobrem a crueza, o essencial. Jacque Falcheti se mostra como mulher inacabada, imatura, visceral e intuitiva em canções onde se entrega em voz e violão. Ela canta que não é dito, os desejos, os segredos, a solidão. O novo disco chega após uma carreira que inclui cinco álbuns premiados – Passim (2016); Flor de Aguapé (2017); Passim 2 (2021); e Outras Bossas (2020) e Facetas de Noel – Clássicos (2021), em homenagem aos 110 anos do compositor Noel Rosa – além de turnês por Europa, África e América Latina. Jacque ainda soma experiências gravando com artistas como Mônica Salmaso e Verônica Ferriani. Agora, Falcheti está pronta para uma nova fase em sua carreira, retornando à formação minimalista com a qual aprendeu música na adolescência, compondo com o violão empunhado ao peito. Nesse resgate pessoal e íntimo, ela cria canções universais que dialogam com todos aqueles dispostos a uma pausa para ouvir o coração. Crua é, ao mesmo tempo, uma obra profundamente particular e um convite a encontros, já que a artista está acompanhada de presenças ilustres. Nomes da nova geração da música brasileira aparecem entre as parcerias das canções, como Iara Ferreira, Gabi Buarque, Luis Felipe Gama, André Fernandes, Renato Frazão e Jô Anjo. O CD foi premiado pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC-LAB) e a turnê de estreia de “Crua” irá apresentar shows pelo Estado de São Paulo em seis cidades e pela Europa passando por Portugal, Inglaterra, Estônia, Alemanha e Bélgica. Enquanto isso, é possível conferir o álbum em todas as principais plataformas de música.

Fibonattis fala de pandemia, futebol e relacionamentos em Cidade Mórbida

Maturidade e evolução sintetizam o novo disco do quarteto punk rock Fibonattis, Cidade Mórbida, que chega nas principais plataformas de streaming pelo selo Repetente Records. Cidade Mórbida, o segundo álbum na perseverante carreira da banda de Francisco Morato (Grande São Paulo), como sugere o nome, é um registro sóbrio, com temas sérios e pertinentes ao duro cotidiano de muitos brasileiros. Tem a ver com o momento em que foi composto, praticamente por completo durante a pandemia. Os assuntos são diversos, sobre rotina, relacionamento, desigualdade social, pandemia, futebol, entre outros. No entanto, a sonoridade é menos densa que as elaboradas letras e apresenta o característico enérgico punk/street rock da Fibonattis, com melodias cativantes e refrões marcantes, para sair cantando junto desde o primeiro ‘play’ em Cidade Mórbida. E, de certa forma, o título do disco é um norte para as músicas. Nunca mais fala sobre aquele período que todos enfrentamos no começo de 202, aflitos com o número de mortos aumentando devido à covid-19 e diversos lugares fechando, vendo quase incrédulos e pela primeira vez uma cidade como São Paulo, pela primeira vez, ‘dormir’, como uma metrópole mórbida. Já a música Jonhhy e Joana mostra um lado mais descontraído do disco. A letra traz uma compilação de fatos ocorridos nos relacionamentos de cada integrante da banda e suas perspectivas mulheres. A ideia era mostrar que independente das diferenças e desavenças que qualquer relacionamento tem, Jonhhy não vive sem Joana e vice versa. A voz de Joana ficou por conta de Judyxxx, vocalista e guitarrista da banda Judy and the Outsiders. Destaque também para a faixa Velha seleção, uma mistura de nostalgia e crítica a seleção brasileira, ao lado de Não se rompe, além da regravação de Jura Eterna, são as canções futebolísticas do disco. O álbum também conta com a composição de Christian Targa, vulgo Gordo, das bandas O Preço, Surf Aliens e ex-Blind Pigs, na música Singelos votos, além de Alberto Rinaldi na faixa Cidade Mórbida. O disco foi gravado entre fevereiro de 2020 até maio de 2021 em Campo Limpo Paulista, produzido pelo Windi Ribeiro em parceria com a própria banda. Além de estar no streaming pela Repetente Records, Cidade Mórbida ganhará uma versão LP (vinil) pelos selos Neves Records e Detona Records.

Renê Freire faz mergulho emocional profundo no álbum Átrio

Entre composições e improvisações, Átrio se desdobra em oito faixas onde o pianista Renê Freire explora o fazer musical do ponto de vista criativo. Mais que um estudo que se tornou sua dissertação de mestrado em Composição na Universidade Federal da Paraíba, o disco é um registro cru e orgânico do piano solo enquanto meio de criação e expressão total de seu criador. O lançamento conjunto é dos selos experimentais Brava (SP) e MenasNota (BA). Três interlúdios preenchem o trabalho de improvisos espirituosos, permeados por composições escritas entre 2016 e 2021, onde Renê Freire busca novos caminhos ao piano. O próprio músico assina a produção musical ao lado do orientador Valério Fiel da Costa, com efeitos eletrônicos de Luã Brito. A mixagem e masterização ficaram por conta de Emygdio Costa (Cadu Tenório, Letrux), completando assim o trajeto de Átrio, desde o Pernambuco natal de Renê, passando por São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e Paraíba. O título do disco vem cheio de significado. Além do sentido ligado à arquitetura – fazendo referência às entradas e salas principais de construções desde a antiguidade -, é no teor anatômico que a palavra ganha mais força. O átrio é, também, a primeira câmara de cada lado do coração, por onde passa o sangue. O título entrega a busca por significados que Freire realiza ao longo do disco, principalmente no que diz respeito ao fazer música como compositor. “A ideia do nome Átrio surgiu a partir de uma conversa informal com um amigo sobre os processos criativos em uma composição musical. Segundo a concepção deste amigo, o processo criativo em uma composição é fruto de um trabalho racional, quase puramente científico. Na conversa, eu discordei de tal assertiva, expondo que, na minha concepção, o ato criativo na composição musical teria uma ação muito mais emocional que racional. Devido a tais questionamentos gerados por esta discussão é que tive a ideia de intitular uma peça para piano, que eu estava compondo na época, que pudesse fazer alusão à inquietação gerada pela discussão. A palavra escolhida foi Átrio, que além da peça, que também está contida no álbum, se tornou o título do disco”, resume Renê. Embora seja instrumental, o álbum traz, também, uma temática inerente a cada composição. Elas têm uma relação direta com questões de saúde mental presentes na vida do seu autor – depressão e síndrome do pânico -, traduzindo os sentimentos e sensações causados por elas. “Partindo desta minha compreensão em relação aos processos criativos, o uso do termo Átrio passou a ter um significado de ‘a sala principal’, ‘a entrada’ para as minhas emoções mais profundas, assim como as câmaras do coração, órgão este que popularmente é relacionado com as emoções e os sentimentos”, completa.

Dramón alça novos voos com segundo disco, “C É U S”

Da escuridão à claridade, passando por uma vasta gama de tons, sons e cores, o álbum C É U S é o novo trabalho do músico fluminense Renan Vasconcelos em seu projeto solo, Dramón. Depois de chamar atenção no cenário nacional e da América do Sul, o artista abre caminhos ao norte com o selo americano Mystery Circles. O disco transita pelo ambient e experimentalismo eletrônico para criar narrativas onde as sensações guiam o caminho. O trabalho abre com o poema em spoken word Um Céu Negro e Suas Promessas, com participação de Andréia Barana, seguida pelo single Ouro Cinza da Terra. Convalescente, Ao Meio e Deserto Lá Fora formam o segundo ato, onde um tom quase onírico borra as linhas do que é são ou não; do que é real ou imaginário. A distopia começa a de dissipar nas faixas finais, Comunhão dos Santos e O Tempo Abaixo dos Céus, onde Dramón retorna ao chão para lidar com o clima sombrio dos dias atuais. A associação com as cores não é por acaso – elas permeiam todo o disco, com uma função sinestésica. Provocam sensações, criam imagens a partir do título de uma faixa, de escolhas estéticas e sonoras. O álbum fecha um ciclo criativo iniciado pelo artista como um desafio pessoal em 2020 de criar uma música por semana. “Nada (ou quase nada) é tão especial como o céu e tudo o que vemos nele. A possibilidade de observá-lo daqui de baixo e interpretar seus humores faz dele um dos principais guardiões dos mistérios desse mundo. No plural, transforma-se em um lugar sagrado para onde confidenciamos nossos medos, desejos e buscamos respostas. Este novo disco é uma ode aos céus. Fiel depositário de nossas esperanças que, em troca, nos oferece sanidade frente às angústias da vida. O Reino dos Céus, morada da eternidade”, resume. Dramón surgiu da vontade de contrapor à ansiedade das grandes metrópoles – um reflexo da vivência de Vasconcelos pelo cenário musical do Rio de Janeiro, ele mesmo natural da serra fluminense. Porém, após se refugiar no balneário de Búzios, Renan trocou a região dos lagos por São Paulo, onde reside há quatro anos. Essa mudança atravessa a identidade sonora de Dramón, um projeto guiado por sensações, vibrações e climas. Depois de revelar suas primeiras criações ainda em 2019, Dramón vem lançando novidades, entre elas o single oscilar (2020) e quatro EPs: Afã (2020), Bétula//Membrana (2021), pra hoje (2021) e Performar Selvagem (2022). Além disso, ele lançou o disco completo Àspero em 2021. Agora, C É U S marca um novo capítulo dessa trajetória. Depois dos primeiros singles, o panorama sonoro do novo trabalho está completo, com o álbum já disponível nas principais plataformas de música.

Faca Preta lança o álbum Resistir pelo selo Repetente Records; ouça!

Resistir, o primeiro full álbum da banda paulistana de punk rock Faca Preta, com 13 faixas, é mais um lançamento do selo Repetente Records, criado e conduzido por Badauí, Phil Fargnoli e Ali Zaher Jr do CPM 22. A distribuição digital é por meio da Ditto Music. A produção musical, mixagem e masterização do disco ficou por conta de Átila Ardanuy, com participação de Marcelo Sabino (baterista do Faca Preta, também do Chuva Negra e do Anônimos Anônimos), enquanto a gravação dos vocais principais foi assinado por Thiago Hospede. As 13 músicas são assinadas pelos músicos do Faca Preta e três delas conta com participações especiais: Fernando Badauí (CPM 22) canta em Coragem, Fernando Lamb (Não há mais volta) coloca sua voz em Velha Escola, Ricardo Scaff toca gaita em Cães de Rua. Além dos convidados, o produtor Átila Ardanuy toca todos os pianos e efeitos sonoros em Resistir. Como revela Sabino, a composição de Resistir começou em 2017, exatamente no período em que foi oficializado o baterista do Faca Preta. Na época, fizeram a abertura de um show da lendária banda street punk britânica Cockney Rejects, em São Paulo. “A primeira música foi Dias Melhores, o primeiro single que saiu pela Repetente Records. Logo começamos a trabalhar em bases que eles já tinham e a partir de novas ideias que foram surgindo”, lembra o baterista. O resultado é um álbum de street punk rock com sonoridade direta e com punch. É punk para cantar junto, se divertir, refletir e resistir; é música libertária contra a repressão policial e combativa a tudo que desalinha e separa uma sociedade. Neste registro, a Faca Preta ainda saiu da zona de conforto e experimentou com instrumentos inusitados ao estilo, como violão, moog e hammond. Neste mês de agosto, além do lançamento de Resistir, o Faca Preta fará o show de lançamento do disco no Hangar 110, dia 20, ao lado das bandas Red Lights Gang e Os Excluídos. “Estamos preparando um show com um mix entre as músicas antigas e as desse novo disco. Será demais retornar aos palcos após tanto tempo parado por conta da pandemia”, finaliza a banda.

Hollywood Undead lança seu oitavo álbum de estúdio, “Hotel Kalifornia”

A Hollywood Undead lança seu oitavo álbum de estúdio. Hotel Kalifornia é um pesado e reflexivo trabalho sobre as desigualdades sociais no estado natal da banda, a Califórnia. “Estávamos em um mundo de merda”, reflete Johnny 3 Tears. “As oportunidades para o fracasso eram muito maiores que as de sucesso, com traficantes e gangues. Fizemos algo especial juntos por causa de todas as dores que vieram de todas as nossas experiências”. “Hotel Kalifornia me traz de volta a uma época em que tudo o que importava era a música”, completa J-Dog. Fazendo uma mescla de rap, hard rock e alternativo, a banda é formada também pelos MCs Charlie Scene, Funny Man e Danny. Iniciada em 2005, a Hollywood Undead já é um dos nomes mais consolidados de sua cena. Seu álbum de estreia, Swan Songs (2008), chegou ao disco de platina.

Valentin convida a olhar ao redor no álbum “A Cidade”

Um cancioneiro urbano, cru, atual e cotidiano guia A Cidade, quarto álbum de Valentin, projeto solo do músico Érico Junqueira. O novo trabalho amadurece a estética sonora construída até aqui, calcada na canção, para dialogar com os dilemas de um país dividido e dilacerado, mas que segue existindo e pulsando a cada esquina, embaixo dos viadutos, sobre os morros. O músico propõe novos trajetos para observar o cotidiano, as ruas e as pessoas, como um caminho de volta para si mesmo. O álbum é um lançamento do coletivo de criação musical OCorreLab, já disponível nas principais plataformas de música. A estética musical foi pensada a partir da voz e violão, que é a alma do projeto Valentin. Porém, A Cidade é povoada por muitos outros instrumentos, tons e sons, com uma formação clássica de rock Os convidados vêm para agregar suas vozes a esse ambiente urbano e refletem as fronteiras geográficas diluídas desse projeto. O mineiro Jair Naves surge na já revelada Lobo, enquanto a também gaúcha Amanda Gabana canta no single Agora eu preciso pagar contas e Ingrid Wimmer, de Brasília, participa de Os dias vão bastar. A coletividade da banda foi indispensável para enriquecer melodias e harmonias. As primeiras influências de Érico, no hardcore, se mesclam à MPB na forma de riffs que repetem e pulsam. A bateria de Nicolly Demeneghe, instrumentista de bandas como Suerte e Polara, na maioria das faixas vem com peso e volume, mesmo em ritmos como chamamé ou maracatu. Leonardo Braga, que também assina a produção (junto de Érico Junqueira) e a mixagem, tocou guitarra, baixo, sintetizadores e piano. Formou-se assim uma sonoridade encorpada, onde o violão e voz de Valentin ganham protagonismo. O título do álbum veio da observação de processos como gentrificação, especulação imobiliária, meritocracia, o racismo, a misoginia, a competição e o fascismo, mazelas nunca resolvidas da nossa colonização que se atravessam, se misturam, se reproduzem. “A Cidade inicialmente não foi pensado como um conceito fechado. As músicas que fazem parte desse disco foram escritas num amplo período de tempo que se estende de 2013 até 2019 e refletem alguns momentos vivenciados coletivamente no país mas que reverberam individualmente, intimamente até. Como em qualquer momento de turbulência que revolve o lodo do fundo e joga ele de volta pra superfície, esse período trouxe à tona uma série de questões sociais e políticas com as quais nunca tínhamos sido confrontados, questões que na verdade foram invisibilizadas ou ignoradas ao longo de vários séculos”, resume Érico. Em paralelo a isso, o projeto Valentin começou a ganhar a estrada. O músico passou a viajar com mais frequência, apostando em apresentações na rua, em praças e parques, encorajado por Teco Martins (vocalista da banda Rancore) – artista que fez mais de mil shows dessa forma, do Oiapoque ao Chuí. A circulação por cidades de diferentes regiões do país influenciou diretamente nos assuntos abordados nas canções. A temática do disco é um passeio por toda essa experiência que, apesar de esbarrar na antropologia, não é exatamente um relato etnográfico ou sociológico. “A Cidade” é, na realidade, um produto da percepção, interação e da relação de questões externas – como o ambiente e com outras pessoas – e internas, conflitando com paradigmas existenciais, com certeza estabelecida, com o senso comum internalizado. “Experimentar outras dinâmicas de comportamento e realidade, outros fluxos de atividades, o ar de outras capitais, o ar de cidades do interior, mas principalmente o contato com as pessoas desses lugares, as suas vivências e particularidades. O contraste das suas impressões com as minhas sobre o que acontecia no país tornava evidentes algumas coisas das quais eu somente desconfiava, ou colocava em questão contradições profundas que estavam confortavelmente adormecidas dentro de mim embaixo de um cobertor quentinho”, recorda o músico.

Filarmônica de Pasárgada lança álbum “PSSP”; confira faixa a faixa

PSSP é o novo álbum do grupo paulistano Filarmônica de Pasárgada, com 14 canções inéditas inspiradas na história da cidade de São Paulo. As faixas do disco abordam diversos aspectos ligados à metrópole paulista, ora de modo mais factual, ora de modo mais onírico, por vezes com ironia e humor: a sua fundação na colina histórica pelos jesuítas no século 16, a economia do café, a desigualdade social, o drama da Cracolândia, a recorrente crise hídrica, a poluição, o descaso em relação aos rios da cidade, o machismo e o racismo impregnados no desenvolvimento urbano de São Paulo são alguns dos temas que atravessam o álbum. As canções de PSSP foram escritas e arranjadas pelo compositor do grupo, Marcelo Segreto, e contam com participações especiais de Tom Zé, Barbatuques, Trupe Chá de Boldo, Música de Montagem, Mestre Zelão e Escola Mutungo de Capoeira Angola. O projeto gráfico de PSSP é de Guto Lacaz, a produção musical é de Segreto e o lançamento é pelo selo YB Music em parceria com a Gravadora Experimental da Fatec Tatuí. PSSP por Marcelo Segreto GPS (Caê / Marcelo Segreto) A canção GPS, a primeira faixa do álbum, aproveita a ideia do sistema de navegação por satélite (que usamos cotidianamente para nos localizarmos em nossas respectivas cidades) como metáfora da busca sentimental do eu-lírico pela cidade de São Paulo, misturando denominações atuais e antigas de logradouros da metrópole paulista. Cartão postal (Marcelo Segreto) A faixa faz uma paródia da canção Luar do Sertão (João Pernambuco / Catulo da Paixão Cearense) construindo um retrato irônico e bem-humorado da cidade de São Paulo, uma cidade sem cartões postais e cheia de problemas tais como a poluição, a carência de transporte público, a desigualdade social e o estresse. Rios e ruas (Marcelo Segreto) Rios e Ruas é uma canção que versa sobre os rios (canalizados e enterrados) que ainda correm debaixo das ruas e avenidas da cidade de São Paulo: “São São Paulo milagroso tem riacho e eu não acho, tudo sepultado vivo, vive embaixo desse chão”. Ao final da canção, os nomes dos rios vão pouco a pouco se sobrepondo aos nomes das ruas e avenidas que atualmente passam sobre eles. A faixa é uma homenagem ao Coletivo Rios e Ruas, projeto social de conscientização em relação aos rios paulistanos. Falta de (Marcelo Segreto) Falta de retrata as recorrentes crises hídricas vividas pela população paulistana, fazendo um paralelo entre o desaparecimento da água nas torneiras dos moradores da cidade e o desaparecimento das palavras na letra da canção. A faixa nasceu de uma encomenda do caderno Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo que, em 2014, pediu para o grupo compor uma música sobre a crise hídrica vivida naquele ano. Nome de rua (Marcelo Segreto) Com participação especial do cantor e compositor Tom Zé, Nome de Rua aborda o machismo que observamos na história e no desenvolvimento de São Paulo, uma vez que somente 15% das mais de 48 mil ruas da cidade recebem nomes femininos. “Pois as ruas, alamedas, praças, passarelas/Avenidas, estações, pontes e vielas/São sempre femininas, mas as meninas/Não estão no nome delas”. Saudosa ma loka (Kiko Dinucci / Marcelo Segreto) Primeira parceria de Marcelo Segreto e Kiko Dinucci, Saudosa Ma Loka resgata as personagens de Adoniran Barbosa, com referências a diversas canções do compositor, inserindo-as na São Paulo atual da Cracolândia e da violência urbana. “A maloca derrubada/O ardifício incendiado/Hoje Joca queima pedra/Mato Grosso pele-e-osso/Doniran no camburão”. Virada cultural (Marcelo Segreto) Virada cultural faz um relato non-sense e bem-humorado da metrópole paulista, com referências a vários pontos importantes da cidade a partir de uma onírica virada cultural, evento já tradicional da cidade. “As ruas eram rios/O Copan tava quadrado/O aerotrem já tava pronto/O Minhocão tava enterrado”. Spleen (Marcelo Segreto) Spleen é uma canção dedicada ao escritor romântico Álvares de Azevedo (1831/1952), tomada pelos sentimentos de tristeza e melancolia misturados ao clima enevoado de uma imaginada São Paulo do século XIX: um nevoeiro da alma que, ao final da faixa, pode dissipar-se. “Nuvem de chumbo/Sinto o peso do mundo/Na neblina/Mas ela passa/Como um raio de sol/Iluminina”. Lira paulistana (Paula Mirhan / Marcelo Segreto) Lira paulistana é uma canção dedicada ao poeta e escritor modernista Mário de Andrade (1893/1945) e que propõe uma combinação devaneante entre duas importantes gerações de artistas ligados à cidade de São Paulo (o movimento modernista inaugurado em 1922 e a Vanguarda Paulista da década de 1980), fusão resumida ao final da faixa: “Tarsiwaldi, Ozzetatit, Arrigo Bananère, Itamário”. Kasato Maru (Fernando Henna / Marcelo Segreto) Kasato Maru é uma canção em forma de haicai, gênero de poesia japonesa composto por três versos. A faixa faz uma homenagem à imigração japonesa em São Paulo (o bairro da Liberdade, no centro da cidade, abriga a maior comunidade japonesa fora do Japão). Kasato Maru é o nome do navio que, em 1908, chegou ao Porto de Santos transportando o primeiro grupo de japoneses para o Brasil. Quarto de despejo (Marcelo Segreto) Com participação especial de Mestre Zelão e da Escola Mutungo de Capoeira Angola, Quarto de despejo é uma canção dedicada à escritora Carolina Maria de Jesus e ao músico, educador e mestre de capoeira Mestre Moa do Katendê. A canção retrata a opressão secular contra a população negra no Brasil e como essa violência está intimamente relacionada à história da cidade de São Paulo. Psiu (Marcelo Segreto) Psiu é uma canção dedicada ao compositor americano John Cage e inspirada em sua obra 4’33’’. A faixa apresenta um espaço de silêncio repentino a partir de 0’22’’, fazendo com que o som ambiente do local onde está o ouvinte seja a complementação sonora da canção. Assim, é como se o som da cidade de São Paulo (se o ouvinte nela estiver) fizesse parte da composição. A cada nova escuta, uma nova canção. São Paulo de Piratininga São Paulo S Paulo SP (Marcelo Segreto) Com participações especiais dos Barbatuques, Música de Montagem e Trupe Chá de Boldo, a canção São Paulo de Piratininga São Paulo S

Natália Xavier transforma raízes nordestinas em poético álbum

Primeiro álbum de Natália Xavier, Eu Também Sou Teus Rios foi imaginado como um diálogo íntimo e autoral da artista com sua ancestralidade nordestina. Coco de roda, maracatu, baião e afoxé povoam canções que trazem contornos contemporâneos de MPB, em uma investigação autobiográfica, porém universal, sobre noções de identidade e raízes. O disco amplia a poética introduzida nos primeiros singles para apresentar uma artista em pleno amadurecimento lírico, estético e musical. Natália Xavier faz música brasileira que abarca referências teatrais e poéticas, em um diálogo com suas origens, mas também com suas múltiplas formas de expressão, incorporando sua experiência como artista visual e poeta, além de cantora e compositora. Suas canções se guiam pela palavra poética e pelo potencial de imaginar novos mundos por meio da arte. “Tatear os corações das árvores que te precedem, para correr com a própria seiva por entre as fissuras do mundo”, resume Xavier. Ela é raiz-nordeste. O pai, baiano. A mãe, pernambucana: “O que pulsa no sangue é importante”, diz Natália, também mestranda em Artes pela Unicamp, atriz, escritora e astróloga tradicional. Vinda da poesia e do teatro narrativo, a criação musical de Natália é imensamente guiada pela palavra e por seu potencial imagético. O simbolismo das águas em fricção com a selvageria dos bichos guia o caminho em Eu Também Sou Teus Rios. Esse norte surge como acalanto e busca por sentidos em uma parceria com o músico Eder Sandoli, guitarrista conhecido por colaborar com nomes como Itamar Assumpção e Tom Zé e que assina também a direção musical do álbum. Tendo como referência o trabalho musical de Alceu Valença, Chico César, Lenine, Zeca Baleiro e a pesquisa sonora dos grupos A Barca, Raízes de Arcoverde, e da cantora Renata Rosa, a sonoridade do disco foi sendo tecida, ao longo de um ano, a várias mãos. Natália recebe parceiros como Marcelo Lemos, na faixa Revirada; Claudio Tegg, em Eu também Sou Teus Rios e Confios; Maria Fernanda Batalha surge em Penélope; e Dani Bambace e Leilor Miranda estão em Olho de tigre.